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Olhando-me profundamente com seus grandes olhos tristes, timidamente sorriu... Um sorriso agonizante trôpego, morno, ofegante de quem só sorri porque... não tem mais o que fazer. Senti naquele momento saudade perdida no tempo de uma infância que eu vivi. De olhos grandes também... agonizante também... morno e ofegante também... e timidamente sofri. Naquele menino triste recoberto de pobreza que tanto esperava de mim eu pude ver com certeza o que deixei de fazer o que depressa esqueci. Máscara cruel da fome impossibilidade de ser por não ser ou por não ter ou simplesmente por ser. E foi então que eu senti bem lá no fundo de mim uma pergunta a bailar: - Como é que pode, meu Deus, alguém ter na sua frente esse tiquinho de gente, e uma moeda negar?!...
SCRPardo, 18/04/1985
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