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Daqui do canto do mundo vejo um barco se afastando pergunto-me onde
irá rasgando esse mar azul.
Um dia rasguei a estrada deixando tudo
para trás trouxe comigo a saudade das coisas que eu tinha lá.
O
cheiro das madrugadas que aqui não há igual até mesmo a passarada não
canta aqui, como lá.
E os peões de boiadeiro aqui são peões do
mar não há ombros com defeito só tatuagens no peito.
O grito
ecoando na noite chamando um peão ousado aqui a gente não ouve o
silêncio é quase sagrado.
Nas estradas perfumadas pela mata e
maresia pode se ver muito encanto mas nunca gado a pastar.
É por
isso que a saudade vive sempre a me rondar arrancando-me
sorrisos quando consigo lembrar.
Das festas do interior tirando do
inverno o rigor num grito de euforia pela noite a soluçar.
Só quem
viveu ou ouviu pode saber o que sinto entender esta saudade que não
muda de lugar.
Eu vim para o paraíso isso não posso negar o que
nunca me disseram é que Deus ia ficar lá.
ELE nos deu
emprestado este lugar pra viver bonito e sem maldade mas com cheiro de
saudade!
Tere
Penhabe Itanhaém,
22/09/2003

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