"Ser ou não ser", nem sempre é a questão.
Se o verbo se fez, ad verbum em parte
alguém voltou atrás no que jurou
muito triste, para quem acreditou.

Palavras são palavras, sempre seduzem
aos poucos se reduzem, e morrem no final....

Não quero cantar a morte das palavras
quero cantar a glória de poder acreditar
de amar o amor e me deixar amar
como ninguém no mundo foi capaz.

Quero ter a noite aos meus pés,
não para humilhar, para acariciar
de mãos dadas com ela, avidamente
passear ao lado do mar, esperar...

Emprestar o calor do meu universo, submerso
que atende ao meu chamado, sem hesitar.
Deixar fluir desejos ardentes, impertinentes
que lembrem o segredo de ser mulher e amar.

Ver meu reflexo nas paredes de mim mesma
lambendo os dedos, como criança feliz
lambuzando-me na paixão que eu sempre quis
que se aconchega morna, no meu peito de aprendiz.

Soltar esse vulcão que mora em mim,
que se escondeu por medo ou por razão,
 porque eu quero ver o amor pairar no ar
roçar a minha pele, me aquecer e me abraçar!

 

Santos, 17.06.2004_17:35 hs     

 

 

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