Não se pode voar, infelizmente...

Porém os olhos podem criar asas,

Se deleitarem sobre o abismo verde,

Que é puro encanto na Serra do Mar!

 

Na intrepidez tal qual as borboletas,

Beijam indóceis todas as nascentes,

Beijam também as flores, folhas verdes,

Adorno incontestável dos penhascos.

 

Estacam reverentes frente à  Drósera,

Tentando desvendar sua defesa...

- Recolha teu louvor, mãe natureza! -

Por fazeres a Drósera insetívora.

 

Suas pétalas da cor da champanhe,

Aguardam ansiosas como os olhos,

O ingênuo inseto que as alimente,

Ração que o solo ácido não dá.

 

Os monumentos erguem-se imponentes,

Pungindo as rochas desde longa data,

Como um desafio à relembrança,

Dos que vieram em prol da nação.

 

Na rústica calçada do Lorena,

Vê-se o impossível tornar-se presente,

Sendo somente o que se teve um dia,

Para transportar víveres e bens.

 

A história do Brasil está incrustada,

No azul dos azulejos e dos fatos,

Relatando a nobreza portuguesa,

Trazidos por seus filhos, no passado.

 

A trilha cada vez mais e mais íngreme,

Prossegue e seu nome é resistência.

A paisagem é marco na memória,

Ficará tatuada para sempre.

 

Sou grata ao homem, ao tempo e à vida,

Pela realização de antigo sonho...

Sou grata a Deus que mais me concedeu:

- Toda beleza da Serra do Mar.

 Santos, 22/08/2004_8:26 hs

 

 

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