A água do rio é doce
só até chegar no mar
pois quer queira ou não queira
ele sempre há de chegar.
E ele vem petulante
certo de que irá adoçar
com sua mansidão de longe
toda a violência do mar.
Ao perceber seu engano
se enfurece e quer voltar
mas é sempre muito tarde
a pororoca se dá.
O mar, em contradição
abre os braços e o recebe
no melhor do coração
como o amor que lhe apetece.
Nessa suave união
corpos se banham felizes
sentindo o sal do mar
e a mansidão do aprendiz.
Que sem ter pra onde ir
aceita seu novo destino
vai entrando com carinho
no gigante tão humilde.
Essa magia tão bela
que ao rio, o mar aquartela
vale a pena conhecer.
Sentir na alma e na pele
a carícia inconfundível
de águas doces que se salgam
deixando então de ser rios.

 

Nota da autora:
inspirado no poema Água doce, de Astrid Cabral

Tere Penhabe
Santos, 28/08/2005

 

 

 

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