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Para isso fomos feitos: Para lembrar e ser lembrados Para chorar e fazer
chorar Para enterrar os nossos mortos — Por isso temos braços longos para
os adeuses Mãos para colher o que foi dado Dedos para cavar a
terra. Assim será nossa vida: Uma tarde sempre a esquecer Uma estrela a
se apagar na treva Um caminho entre dois túmulos — Por isso precisamos
velar Falar baixo, pisar leve, ver A noite dormir em silêncio. Não há
muito o que dizer: Uma canção sobre um berço Um verso, talvez de
amor Uma prece por quem se vai — Mas que essa hora não esqueça E por
ela os nossos corações Se deixem, graves e simples. Pois para isso fomos
feitos: Para a esperança no milagre Para a participação da poesia Para
ver a face da morte — De repente nunca mais esperaremos... Hoje a noite é
jovem; da morte, apenas Nascemos, imensamente.

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Copyright 2004 por Terezinha A.
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