de Tere Penhabe

 

É natal outra vez...
E outra vez vamos ver gente reclamando que ninguém se lembra
do aniversariante, que os governos são ruins,
que há crianças vivendo na rua, carentes, abandonadas...
E serão distribuídas cestas básicas para um Natal sem fome,
como se o ser humano conseguisse sobreviver até o próximo Natal
com ela... só com ela...
E as ruas vão estar apinhadas de gente, de pacotes bonitos de presentes,
de olhares vidrados nas vitrines das lojas, do shopping...
E a mulher vai estender seu pequenino na calçada, e pedir que a ajude,
usando tristemente aquele corpinho de criança para arrecadar algum dinheiro, como se ele fosse uma ferramenta de trabalho, e não o seu filho...
Mais uma vez é Natal...
E mais uma vez, alguns senhores sisudos vão estender a mão
ao menino mendigo, entregando-lhe a cédula de um real,
como quem entrega a chave de um carro zero quilômetro...
e ainda se sentirão bons, tão bons que poderão ouvir
o bater de asas nas suas costas...
A TV vai mostrar, no "furo de reportagem",
a menina idiota que se sente heroína por ter aceitado trocar o seu presente,
uma vez que o preferido sumiu de circulação...
e os telespectadores aplaudirão o seu gesto,
como se ela fosse o próprio Menino Jesus,
aceitando trocar o mundo que Deus lhe deu...
Enquanto isso, outras crianças de olhos grandes e bonitos,
só terão o próprio olhar, para degustar as vitrines
com ansiedade e esperança, de algum dia poder tocar tudo aquilo...
Mais uma vez, mãe e filha vão entrar no Mcdonalds
e pedir 2 sanduíches Big Tasty, pela pequena bagatela de R$ 13,00 cada um, enquanto lá fora, um pai desesperado não consegue R$ 10,00
para levar o remédio que seu filho tanto precisa,
e que não são encontrados nas farmácias dos órgãos públicos,
conforme foi prometido em palanque durante as campanhas eleitorais...
Mas é Natal! Mais uma vez...
E eu e você estamos aqui, às vésperas do Natal.
Eu descrevendo o que vemos, e você, lendo a descrição.
E nós podemos mudar alguma coisa...
não precisamos brigar com a mulher que estende seu pequenino na calçada,
ou barrar a entrada dos consumidores no Mcdonalds...
não, a violência nunca foi solução para nada.
E muito menos é preciso fazer aleluia de cédulas de um real,
a vida é bem mais que isso.
Mas podemos tentar alcançar o verdadeiro significado do Natal,
renovando sentimentos que abrigam, ainda que por pequenos instantes,
o interior do ser humano, ou seja, o nosso interior.
 
Natal, a meu ver, é uma data que celebra o amor!
Para quem o tem, que deixe aflorar com mais intensidade,
e para os que ainda não o conhecem, que consigam ver a sua manifestação,
não apenas no dia 25 de dezembro,
mas em todos os dias de suas (nossas) vidas.

Não é errado presentearmos as pessoas que amamos.
Elas representam o amor para nós, e é natural fazermos a nossa oferta.
A troca de presentes é uma forma simbólica de dizer:
eu te amo e me importo com você.
Jesus nasceu para nos ensinar exatamente isso...
errado é fazer disso tudo um heroísmo,
porque o verdadeiro heroísmo está em receber e doar AMOR!
Porque é Natal... ou porque teremos um outro Natal lá na frente...
E o Menino Jesus, ao contrário do que muitos pensam,
não está mais em sua manjedoura...
está naquele filho tão querido e que precisa tanto do nosso carinho...
naquele marido já tão velhinho e doente,
que precisa dos nossos cuidados extremos...
naquele senhor, nosso sogro tão querido,
que desafiando a alegria que nos rodeava,
caiu doente e estragou a festa...
o Menino Jesus está ao nosso lado,
no olhar de alguém que precisa de nós!


E então é Natal...


E eu estou aqui para lhes desejar um FELIZ NATAL!
O meu, apesar das saudades de pessoas queridas que se foram,
apesar de sentir que a minha árvore já esteve mais repleta em tempos idos... apesar de tudo, ainda me sinto viva e feliz,
o que faz do meu, UM NATAL FELIZ!
 
E agradeço muito a Deus por isso...
e peço ao Menino Deus, que distribua para os que não têm,
essa serenidade que é tão imprescindível para se ter um FELIZ NATAL!


E então o Ano Novo, também será feliz, MUITO FELIZ!


Abraços fraternos e de muito amor a todos.
Obrigada por existirem no meu Natal!

Tere Penhabe
Santos, novembro/2007

 

  

Mensagens

Principal

 

 


© Copyright 2007
por Terezinha A. Penhabe®
Santos . SP - Brasil
Todos os direitos reservados ®.
Não pode ser utilizado sem permissão do autor.