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Participantes:
01- Tere Penhabe 02- Augusta Schimidt 03-
Maria Roxo
04- Marcial Salaverry 05- Bernardino Matos 06- Diógenes Pereira de Araújo
07- Célia Lamounier de Araújo 08- Giovânia Correia 09- Denise Severgnini 10-
Raquel Caminha 11- Masé Frota 12- José de Avelar (ZecAdi)
13- Beatriz por um triz* 14- Lukass 15- Tuc@ 16- Marisa Figueiredo
Francisco 17- Renate Emanuele 18- Machado de Carlos 19- Luiza
Porto 20- Zuleika 21- Damião Cavalcanti 22- Thereza Mattos 23-
Ivone
Zuppo 24- Rayma Lima 25- Ventura Telo 26- Schyrlei Pinheiro
27- Adailton Guimarães 28- Paulo Fuentes 29- Zelisa Camargo 30-
Cássia
Vicente 31- Sandra L. Felix de Freitas 32- Maria Augusta Christo de
Gouvêa 33- Maria Hilda de J. Alão 34- Faffi (Silvia Giovatto) 35- Gi (Nany
Schneider) 36- Cândido 37- FM 38- Nadir A D'Onofrio 39-
Graça
Ribeiro 40- Maria Mercedes Paiva 41- Vyrena 42- Carvalho Branco
43- Tadeu Terra 44- Rita Noélia Caminha Weyne 45- Lara Cardoso 46-
Aguia
Dourada 47- Esmeralda Camargo
01- MENINA
DOS OLHOS TRISTES (Tere Penhabe)
Menina de olhos
tristes que vive à beira do cais seu sonho já não existe ledo engano,
nada mais.
Não posso me conformar que você seja um perigo que
poderá me fazer que eu já não tenha vivido?
Entretanto eles me
dizem para não passar por lá que você é uma meretriz pode me
prejudicar.
Que mundo ridículo é esse onde vivemos eu e você se eu
não posso lhe ajudar que mal poderá me fazer?
Se a tristeza
prejudica com certeza irá matar-me pois foi o que eu mais vi nos olhos
a me encarar.
Vi a sombra de uma ilusão que por certo trouxe
consigo quando chegou de viagem cheia de sonhos antigos.
Vi a dor
transparecendo nesse seu olhar cansado vi a esperança morrendo num
rosto desanimado.
Essa sombra de tristeza cobrindo seu pobre
olhar será sempre a realeza da lembrança do lugar.
Posso me
esquecer de tudo a vida é como uma ilha mas desejo que você tenha um
dia uma família.
Para que ao perceberem parada naquela
porta ninguém fuja de você como se estivesse morta.
Como se fosse
uma praga que contagia, que mata você é apenas mulher de menos sorte,
mais nada.
Santos, 11/08/2004_15:50
hs
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02- RÉPLICA... (Augusta Schimidt)
Sou a menina dos olhos
tristes Que você viu na beira do cais Mas lhe digo, meu sonho
existe Deixar de viver...jamais.
Conforme-se nobre senhora A
sociedade é assim Não sabe onde está o perigo Mas vê o perigo em
mim.
Sou sim uma meretriz A vida me fez assim Mas vou vivendo de
amor Pro sustento dos meus filhos Resolvi viver assim.
Esse mundo é
desigual Cheio de hipocrisias enfim Mal nenhum vou lhe fazer Pode
confiar em mim.
Não fique triste senhora Mal de amor não mata
ninguém O que você viu nos meus olhos Foi o brilho que você
tem.
Ilusão tenho por certo Viajo em sonhos todos os dias E quando
meus olhos encontram os seus Agradeço, com muita alegria.
A dor que vê
transparecer É de cansaço da lida que faço As vezes a esperança
morre Mas revive quando recebo um abraço.
Uma família eu vou
ter Vou fazer por merecer Afinal, sou mulher...tenho garra E apesar de
ser meretriz Sou uma mulher feliz.
Não quis a sorte um dia Que eu
fosse uma doutora Mas posso lhe garantir... Sou mulher...
lutadora.
www.augustaschimidt.prosaeverso.net 12/05/2005
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03- TRÉPLICA (Maria Roxo)
A transparência das vossas
palavras vibraram no meu velho coração a sociedade só aponta as
armas em vez de dar a mão com o pão.
Todos têm direito ao seu
espaço até "Menina de Olhos Tristes" é pena que só lhe dêm um
abraço pagando sem ver o ser que existe.
Até numa união isso
acontece a casa vira n'essa "beira do cais" onde apenas só existe muita
tristeza e nada mais!
Fatyly (Maria Roxo) Portugal_13/05/2005
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04- MAIS ANTIGA PROFISSÃO (Marcial
Salaverry)
Desde que mundo é mundo, Sempre alguém vendeu seu
corpo... Fazem por necessidade, ou por prazer... Algumas, preferiam
morrer. Mas... precisam disso para viver. Nada mais sabem
fazer. Sonham seu amor encontrar... Mas com quem paga tem que
transar... Situação quase odienta, Ter começado é o que lamenta... No
início, as luzes, o falso luxo A vida fácil as atraem... Depois todos as
traem... Mal ganham para encher o bucho, Pois surgem os cafetões, Que
lhes botam grilhões... As exploram... as maltratam.. Se não ganham o
suficiente, Ainda por cima as espancam... Querem sair... mudar de
vida... Como fazer? Isso marca... estigmatiza A profissão, sua vida
dramatiza... Sempre será chamada de prostituta... Na polícia, fichadas,
Pelos maus “tiras”, também exploradas... Livrar-se da marca será sua
luta. No desespero, apela para bebidas... drogas... Algo que a faça
flutuar... sonhar, Para fora de sua realidade a levar... Tentará sair...
dificilmente conseguirá... E como puta sua vida terminará... Se dessa vida
não conseguir sair...
Marcial Salaverry Direitos autorais
reservados
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05- O AMOR
ARRANHADO (Bernardino
Matos)
De uma coisa eu tenho certeza, nem sempre a
prostituição, está ligada à pobreza, ela decorre muito mais, de atritos
e incompreensão, e da ausência de nobreza.
Sempre que alguém está
triste, e se sente rejeitado, na vida um pouco perdido, sem um rumo
determinado, procura logo o apoio, um elo que faça sentido.
Isso acontece em todos os níveis, não importa a camada social, as
pessoas não vendem somente o corpo, vendem a dignidade e a moral, e a
prostituição mais grave, é quando envolve o cultural.
As garotas de
programas, que são sempre discriminadas, muitas vezes são mais
dignas, que muitas figuras abastadas, pelo menos jogam franco, e são
muito menos malignas.
Muitos homens que se abrigam, nos recantos de
um bordel, encontram mais afeições, e eliminam o amargo fel, de relacionamentos vazios, cheios de egoísmos e traições.
Se ser
prostituta significa, com muitos homens sair, e casar por
fortunas, não é se prostituir? Existem transações caras, ridículas e
inoportunas.
Os valores que circulam, nessas amargas
relações, ferem o amor e maculam , a grandeza das doações, machucam a
dignidade, e valorizam ilusões.
Elas são a parte mais fraca, do
tecido social. Vivem num constante risco, que, muitas vezes,é
fatal, levam uma vida amarga, andando num meio arisco.
Vender o
corpo, certamente, não é a prostituição mais séria, o pior é destruir a
dignidade, com um salário de miséria, é disputar o poder, mesmo
perdendo a hombridade.
Tenho pena dessas criaturas, que como ovelhas
desgarradas, vivem cheias de amarguras, e quase sempre abandonadas, não
lhes sendo dado espaços, para carinhos e ternuras.
“Quem não tiver
pecado, que atire a primeira pedra”, foi de Cristo esse recado, aos
hipócritas agressores, nos quais a maldade medra, e cultivam
dissabores.
O melhor é não emitir, nenhum julgamento de
valor, sobre o comportamento de alguém, de quem não sabemos a dor, nem
a dimensão dos seus problemas, pois temos nossos defeitos também.
O
melhor é procurar sempre, uma grande paz interior, e ter Deus sempre
presente, na alegria e na dor, e jamais permitir, que a felicidade se
ausente.
Fortaleza, 14 de maio de
2005
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06- MULHERES DA VIDA (Diógenes Pereira de
Araújo)
As mulheres da
“vida”, oh! dura “vida”, exercida nos quartos de bordéis ou no “trottoir”,
em pontos da avenida às mãos dos gigolôs, donos cruéis.
As mulheres
da “vida” oferecida à beira das estradas ou motéis têm uma vida dura,
imerecida, no desempenho atroz de vis papéis.
Às mulheres da “vida”,
essas mulheres, que Jesus disse que hão de preceder a fariseus, não negues
dar guarida
Às mulheres da “vida”, se puderes, dá-lhes honra e minora
seu sofrer A alguns vão preceder em outra Vida.
diogenes@poemanet.com
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07- PASSAGEIRA (Célia
Lamounier de Araújo)
Mulher linda, passageira Que ao meu lado Por
momentos A outro mundo Viaja
O teu amor é um presente Que
resguardas Para doar ao homem Que se sente Amargurado
O teu
sexo é remédio Milagroso Extrema-unção Que me faz
inteiro Renascer
Mulher linda, passageira Que ao meu lado Por
momentos A outro mundo Viaja
Seja sempre Sempre e sempre Por
todos E todos
nós: Abençoada!
http://celialamounier.portalcen.org
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08- OLHOS
ESPELHOS DE MINHA ALMA (Giovânia Correia)
Nos meus
olhos pode-se ver. As marcas da minha alma. Vivo numa vida de
sofrer. Nada por fim me acalma... Vendo meu corpo em cada esquina, para
ganhar algum tostão, mas nada preenche a minha vida, sinto padecer meu
coração... Nunca pensei que um dia iria trilhar, essa vida de
prostituição, mas a vida me reservou caminhos, de muita
indignação. Usando máscaras na alma, tento assim sobreviver... sou mais
uma vítima dessa vida, que não pensei tais coisas merecer. Entre as
fantasias que faço, uma delas gostaria de concretizar. Talvez um dia em
minha vida, alguém possa por fim me amar, Não serei mais uma
meretriz, não venderei mais o meu corpo em vão. Espero que um dia em
minha vida, encontre uma nova direção... Enquanto esse dia não não
chega, fico aqui a mercê dessa realidade. que deixa marcas em minha
alma. Que arranca a minha felicidade. Os olhos são o espelho da minha
alma. Refletem toda minha tristeza, quem sabe um dia nessa vida, serei
para alguém a sua maior riqueza. Posso ser uma sonhadora... mais quem
nessa vida não é? tenho sonhos em meu coração, resumidos nesse corpo de
mulher.
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09- TRISTES SÃO MEUS OLHOS (Denise
Servegnini)
Tristes são
meus olhos ao verem a situação Jovens meninas,mulheres maduras Expondo
seus corpos no calçadão É escolha de vida, é sina É profissão...elas têm
opção? Dinheiro fácil...rápido/ Mercado de trabalho livre? Ou será a
situação do país? Quem somos nós para julgar A vida de cada um? Cada
qual de seus problemas sabe E a ele a solução cabe
Tristes são meus
olhos ao verem a exploração infantil Pobres crianças, meninas A
prostituírem-se com turistas Situação fascista... Infância perdida na
profanação de seus corpos Sonhos mortos, desfeitos Meninas pequenas que
mal têm peitos
Tristes são meus olhos Inertes, obcecados Por não
saberem o que fazer Por não vislumbrarem a solução De acabar com esta
horrenda prostituição De crianças em nossa nação
http://denisesevergnini.multiply.com/journal/item/467
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10- OLHANDO
OS OLHOS TRISTE MENINA (Raquel
Caminha)
Olhando as esquinas da vida, vejo um vulto jovem, alegre de
menina. As vezes penso que ela é feliz, mas passando a fita, vejo a
realidade... Ela está apenas sendo atriz.
Tenho pena, sinto até
dor de ver aqueles bracinhos procurando aliciar para o carro que se
aproxima, dando o entender... Venha eu te dou amor.
O homem como
um animal, naquele momento não raciocina, se é mulher ou uma
menina, fareja sua prenda no cio, não se importando com seu presente,
seu futuro, a deseja por ser uma meretriz.
A desonra, a humilhação é
tamanha, pois a maioria deles param por gozação. Elas sem pai e mãe, ficam
naquelas ruas, entregues a destino algum, e seu ganha pão, ainda é
dividido com os cafetões.
Respeite os direitos autorais.
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11- ESTRANHO OLHAR (Masé Frota)
Que estranha sensação, viver na
escuridão, trocando dias por noites, sempre na contramão...
Que
estranho sabor, amargo do seu corpo, se despe sem amor, garantindo seu
ganha-pão...
Que estranha ilusão, em fazer amor com medo, temendo
perder seu parceiro, ofícios da profissão...
Que estranha vida, da
mulher que se diz perdida, só que muitos não sabem, que ao encontrar mil
amores, dentro desta mulher, existe uma alma ferida...
Sonhos que
foram guardados, certamente já se foram, carregados pelo barco... da
profissão que exercita, com todos os seus mil amores, revela no seu
olhar, A Tristeza Na Sua Vida...
Rio de Janeiro
15-05-2005 (Direitos Autorais Reservados De Acordo com A Lei)
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12- Menina de olhos tristes (José de Avelar (ZecAdi))
Meninas de olhos tristes, e
tantas meninas mais que nas esquinas das Avenidas aos Donos de carro -
"doutor" vende o sexo como se "amor"
Sois apenas o resultado do
discurso globalizado que na mais santa hipocrisia de uma moral falida e
fálica que te devora - noite e dia
Na escala de valores sois tida
como infeliz e por meretriz taxada como lama da sociedade (esta sim
putrificada)
Ah - menina de olhar vago que na luta diaria do
"ter" se despe de todo o seu "SER" sob aplausos de "machomans" sempre
em busca do prazer!
Menina do olhar triste que mudo muito me fala e
que queira ou não escuto, se você for "prostituta" homem , sou muito mais
"puto"!
15.05.05/19:28 hs
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13- MENINA
DE OLHOS TRISTES (Beatriz por um triz*)
Quantas são as meninas que
levam no olhar a tristeza de ter vendido seu corpo pelo almoço sem
sobremesa
Quantas não acharam o cais no colo dos proprios
pais Outras viveram o tormento dentro do proprio casamento
Quantas
mulheres casadas tidas como bem sucedidas prostituiram sentimentos em
troca de boa vida
Portanto minha menina tire a tristeza do
olhar por que a vida é o tempo e o tempo nos ensina a amar
E o amor
não tem julgamento Não te denomina meretriz Ele é o unico
sentimento que te fará ser feliz
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14- OLHOS
TRISTES (Lukass)
Menina de rosto lindo e
angelical, uma beleza ofuscada pelo triste brilho de um olhar sem
esperança. Menina que não foi criança, que a vida jogou nas ruas, sem
amor, vive em esquinas nuas. Menina que fez do amor profissão, que nunca
conheceu a paixão, um cadeado colocou em seu coração. Menina que a
sociedade condenou, que a igreja excomungou, e ninguém perguntou, se
essa era a vida que você queria, menina que não foi Maria, quem sabe um
dia, virará a página desta vida vadia. E seu grande salvador
encontrará na rotina de um simples dia.
Maio/2005 -
SP
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15- Prostituta. (Tuc@)
Trago comigo um
olhar triste, não pela minha profissão. Mas pela hipocrisia que
existe, e que machuca meu coração.
Aqueles que me condenam, estarão
amanhã na minha cama, Aqueles que me apedrejam, tem telhado de vidro, a
todos engana.
Meu corpo é seu prazer, minha vida seu desgosto, sou
aquela que incomoda seu viver. por trazer a tristeza em meu
rosto.
Sampa-15/05/2005
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16- "PROSTITUTOS" (Marisa Figueiredo
Francisco)
Não, não quero dizer do que não fui! Já
que tudo que puderes pensar eu não fui... Nem infância, nem vida, nem
lar... Nem nada que tua cabeça ingênua possa pensar...
Não, se
queres saber, eu tive escolha! Não pense que não! Uma era ser
violada, outra era ser paga! Eis a oferta que a vida me deu! Tive que
aceitar as duas, então!
Mas trago no meu peito doído a mais humilde
das sensações! A de poder perdoá-los todos sem a menor distinção... São
todos como eu...
marisafrancisco@terra.com.br
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17- PROSTITUIÇÃO Renate Emanuele
Todos sabem que na
terra, é certo a prostituição, uma antiga profissão, que o dinheiro
fácil gera.
Por isso o homem acusa, a mulher que é vadia, o
dinheiro rola a dia, mas ele quem dela abusa.
De quem será esta
culpa? Desta profissão indulta? Que o homem tanto se
assanha?
Deita com ela na cama, distribui entre elas a grana, e a
chama de prostituta.
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18- SEM
RUMO (Machado de
Carlos)
Encontrei-te a esmo, em noite calma, De carne latejante... um
veneno! Eu era a dama tesa do rio obsceno, Tinha um corpo róseo e sem
alma.
A noite foi vil qual sonho de valsa, Bebi o licor da brisa
nua...plena... Na solitária lembro do teu aceno, E nas drágeas encubro os
meus traumas...
Estou velha, à margem, fui ingrata... O pretérito
brilha e maltrata Curto as horas perdidas no covil.
Meu sangue,
agora, gélido e funéreo, Canta ao santuário perto do etéreo; Serei o pó da
nuvem de anil.
Carlos, Ribeirão Preto, 15 de maio de
2005. 22h44 min.
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19- VIDA FÁCIL (Luiza
Porto)
Menina!
Mulher! Bandida? Não apenas mais uma perdida. Vida fácil? Tão difícil... É
quase morrer em vida.
Se entregar sem amor, Fazer do prazer
profissão Ganhar para comer o pão amargo de fel.
Ser a
marcada Mesmo com a cara lavada Ser sempre apontada Na rua a
perdida Sempre será marcada pela vida.
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20- ACORDA MENINA LINDA.... (___Zuleika___)
Menina linda...tão
sozinha... No requebrado do andar... Pensa que a vida é madrinha.. Não
sabes o que tens a pagar...
Menina ...acorda do sonho... Dinheiro não
compra alegria... Desperta a vida te espera... Esqueça as loucas
fantasias...
Não vês que és explorada ? Um dia te sentirás
perdida... Com o coração machucado... Sem rumo,na lama,
caída...
Acorda menina linda! Ainda é tempo de viver... Deixar o
destino das esquinas, E procurar um Amor prá
valer...
maio/2005
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21- ÁRVORES MULHERES (Damião Cavalcanti)
As árvores são
mulheres, Dançam ao vento, bailarinas. Perfumam-se, suas flores...
Deleite das abelhas, Filhas frutos da estação, Das sementes as
meninas. Abrigo sombra dos amores, Tatuadas de coração, Numa flecha
de Dolores Com o nome de João. Essas árvores são mulheres, Bem mais
férteis Que as sabinas, Só os frutos raptados Pelas aves de
rapina... Diz o poeta Que têm alma, Sobrevivem quando morrem,
Nunca ausentes ao prazer, Nos nossos quartos, São os móveis.
ARBOLES
MUJERES
Los árboles son mujeres,
Bailan al viento, bailarinas. Se perfuman, sus flores... Deleite de
las abejas, Hijas frutos de la estación, De las semillas las niñas.
Refugio sombra de los amores, Tatuadas de corazón, En una flecha de
Dolores Con el nombre de João. Esos árboles son mujeres, Bien más
fértiles Que las sabinas, Sólo los frutos raptados Por las aves de
rapiña... Dice el poeta Que tienen alma, Sobreviven cuando mueren,
Nunca ausentes al placer, En nuestros cuartos, Son los muebles.
Traducción ROSA BUK
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22- MENINA
TRISTE... (Thereza Mattos)
Vejo em teu triste olhar a beira de um
navio atracado um misto de tristeza e apatia olhos perdidos a
distância talvez na vã esperança de um lindo príncipe encantado. Agora,
como uma mercadoria tens uma placa feita de desgosto " Vendo meu
corpo" escrito com as lágrimas de teu rosto... Pobre menina
perdida marcada pela vida madrasta, no horizonte do teu passado fostes
muito amada e querida. Hoje já nem te lembras mais de tua pura
inocência que perdestes a beira do cais....
São Paulo,
16-05-05 Direitos Autorais Reservados De Acordo com A Lei
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23- RESPONDENDO: (Ivone Zuppo)
A esta deusa das ruas, Que de corpo
cansado E alma tão nua Partilha fomes Que nem são suas, Fica aqui
meu respeito Minha admiração profunda Pois é a elas que recorrem Os
insaciáveis, Os bêbados, Os carinhos impraticáveis, Os destemperos
emocionais Os desajustes maritais... Vida fácil? Qual idiota disse
isso? Duvido que o sacrifício Seja um dia recompensado. Enquanto
isso.... Sejam todas abençoadas.
16/05/2005
*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*
24- MINHA MENINA (Rayma Lima)
Que tristeza é essa no olhar? Com
estes olhos tão lindos marejados de lágrimas, traz-me tristeza sem saber
como consolar.
Já reparaste menina? Olhos verdes, mas quando choras
eles ficam mais bonitos, mais transparente e talvez até azuis. mas não
quero vê-la tão triste assim.
Dê um sorriso, apague a tristeza o
importante é ver seu coração alegre Menina dos olhos tristes Não fique
triste mais.
raylima@terra.com.br Goiânia - Go
*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*
25- MENINA
DA MINHA VIDA (Ventura Telo)
Menina de olhar tristonho Olha
o mundo em teu redor Acredita que o teu sonho Torna o mundo bem
melhor
Tanto ódio, tanta morte Tanta gente abandonada Gente que já
foi forte Mas que hoje não vale nada
Tanta gente a mendigar O que
outrora esbanjou Gente que quer ganhar A estima de quem odiou
Do
poder fizeram escudo Dos outros seus serviçais Agora que perderam
tudo São tão reles como os demais
Menina de olhar mortiço Põe teu
ar prazenteiro Não esqueças que o feitiço Pode matar o
feiticeiro
Menina torna a sonhar Menina torna a sorrir Menina torna
a amar Mas não te deixes iludir
Quando voltares a amar Usa sempre a
precaução Para não vires a odiar Quem por hoje tens paixão
Menina
da minha vida Menina, minha paixão Ao ódio não dês guarida Amor do meu
coração
(Meigo44) 16MAI2005 Visita e cadastra-te
em: http://groups.msn.com/AlegrianoViver
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26- VENDEDORA DE AMOR (Schyrlei Pinheiro)
Perdida nas
esquinas da vida, exibindo seu corpo, uma mulher vende amor, por preço
barato, em troca de trapos, sentindo a dor ao assumir o retrato
de uma qualquer, que sempre aparece sem ser o que ela é:
vendedora de amor Não é leviana, por deitar-se na cama com um
homem qualquer; ela é apenas uma mulher, que vende amor, dando ao homem
prazer, de aprender a verdade de amar e respeitar uma grande
mulher, que não vende amor, mas doa a esperança de, nos braços do
homem, tornar-se a mulher que precisa sentir o prazer do corpo
encantar na alma o seu amor, para renascer e crescer como outra
qualquer, que ama viver, e dizer: Eu sou uma mulher. Filha da
perfeição
*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*
27- PARA
AS MENINAS DO BAIRRO "BAIXA UNIÃO" ...que perdem cedo suas bonecas... ( Adailton Guimarães)
São flores nascidas do
lodo... Manchadas, marcadas a brasa. Perderam o direito de serem
felizes Abandonadas às verdades vulgares Dilaceradas por uma falsa harpa
Que permitiram tocar Oh! Crianças... Primavera em vida. Trocas teu
corpo por um prato de comida. Olhinhos de anjos, claros e escuros. Brilham
em frente ao carrinho de comida, Quede a roupa, o brinquedo? A batalha é
árdua Em um grão de areia, uma sonhadora. Nas mãos pedaços de nuvens
brancas E uma mensagem de DEUS
O Engenheiro
Poeta aguimaraes@brturbo.com.br 69.3224-5674/9981-8458
*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*
28- TEUS OLHOS (Paulo Fuentes)
Teus meigos olhos de
mulher... Tão brilhantes como a luz das entrelas... Infinitos e intensos
como o tempo... Que um dia despreocupado... Descobriu-me
encantado... Pelo brilho escancarado... Destes suaves olhos
teus.
Teus meigos olhos de mulher... Tão radiantes como a luz do
dia... Que tal qual o vento... Soprando a suave brisa... Confundiu a
minha vida... E hoje já toda perdida... De um profundo amor por
ti... Que cativastes com os meigos olhos teus.
*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*
29- MENINAS QUE EU AMO (Zelisa Camargo)
Menina de pés
descalços correndo na praia nua contra o vento que bate leve em teu
rosto. Que sorri a todos com teu encanto. tua covinha no rosto que todos
querem beijar. Menina que eu amo por ser o que és Liberta no caminhar e
viver, não importa os caminhos percorridos, os homens que encontram nas
esquinas, as camas que deitavam e viviam a dor que só tua alma sentia,mas
o rosto matreiro de puta sagaz sorri desvairada.
Meninas sem nome e
tendo todos os nomes, Maria Helena, Madalena, Milena, Morena da cor de
jambo onde todos deliciavam a tua pele macia de menina jovem.
Ah!
minha menina que eu amo, pois tu és o meu retrato, as lembranças dos
caminhos andados pelas ruas tortuosas, mas sempre escolhendo o homem e
nunca sendo escolhida. Prostituta respeitosa com andar de cabeça erguida
e carregando a honra de ter sido uma grande Prostituta.
E hoje
carregando minhas medalhas e gritando ao mundo fui a maior Prostituta com
todos os louvores e glórias, pois foi onde aprendi a caminhar e ser o que
sou. A me fazer em cada cama sempre com sabedoria e sutileza de ser uma
alma linda que encantava todos e assim passávamos tardes e noites a de mil
assuntos e o sexo se esvaia ao nada. Não existia, não era necessário,
pois o aprendizado era maior e a compreensão e entendimento de todos os
problemas eram sanados em palavras que saiam do coração.
Como não
honrar e me considerar uma grande Prostituta que deixou saudades em muitos
corações.
E hoje quando vejo essas meninas perambulando pelas
ruas, meu coração doe por saber que serão usadas de todas as maneiras e
dilacerando a alma de cada uma e tirando a sua pureza.
Ah! meninas que
eu amo Voltem pra mim e sejam o que sempre fui.
zelisa
camargo 15.05.05. 19.43
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30- DESILUSÃO (Cássia
Vicente)
Era linda jovem, apaixonada... A paixão a
levou ao nada sem destino certo seguiu até que não mais conseguiu
voltar... Desilusão... A solução foi a esquina escura e fétida de
uma cidade qualquer... Com a roupa provocava os homens com seu corpo
instigava desejos ah!... se olhassem seus olhos tristes olhos perdidos no
vazio... foi assim até acabar em nada....
17/05/2005 Jataí-Go-Brasil
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31- MULHER DA VIDA (Sandra L. Felix de Freitas)
Era
jovem e bonita, Mas nunca teve oportunidade De freqüentar escola, aprender
a ler... Nascida em família pobre Pai alcoólatra, mãe lavadeira, Desde
cedo foi obrigada a perceber Que tinha que trabalhar Para ajudar nas
despesas.
Levantava-se bem cedinho E caminhava tristonha Rumo ao
calvário de seu dia-a-dia. Limpava casas de famílias Com melhores
condições financeiras. Comer todos os dias Era luxo proibido Com o qual
não deveria sonhar...
E essa vida foi levando Até que rebeldia,
inquietude E a pressa de viver, Próprias da juventude Fizeram-na
fantasiar, Alimentar desejos antes reprimidos. Sonhava com o dia Em que
sua vida outro rumo tomaria.
As roupas velhas e puídas, Não escondiam
a beleza De seu corpo de violão. Após o trabalho cansativo Nos fins de
tarde, Vestia seu melhor vestido E ia passear pelas ruas, Cabelos
soltos ao vento.
Moça de olhar misterioso e sonhador Nos lábios um
batom cor de amora Que a deixava mais sedutora Esperava pelo momento Em
que encontraria Aquele que a tiraria Da vida de pobreza... Sonhava um
dia ser princesa.
Imaginou finalmente ter encontrado Seu príncipe
encantado. Ledo engano o seu... O que aquele homem tão atencioso Queria na
verdade era aliciar a jovem tão graciosa Vendendo seu corpo por míseros
trocados. Ela o fazia ainda que sem vontade Pois seu único objetivo Era
manter feliz o homem amado.
Anos se passaram, com eles foram
levados, Seus sonhos de felicidade, deixando-lhe no lugar, Um vazio
preenchido pela maturidade e experiência, Acumuladas à custa de muito
sofrimento. Descobriu-se capaz de melhorar sua vida e ajudar aos
pais Ganhando dinheiro em troca dos “favores sexuais” Sem a interferência
daquele que um dia Roubou-lhe a inocência da mocidade.
Mudou de
cidade, mudou também seu nome. Passou a ser conhecida no bairro onde
atuava Pelo seu rebolado e suas roupas sensuais, curtas e
coloridas. Chamava a atenção e era sensação por onde passava, Despertando
nas pessoas diferentes reações. Dos homens era o sonho de consumo, o
desejo... Das mulheres do vilarejo recebia olhares de desprezo. Mas em seu
coração sentia-se sozinha, Vulnerável e estigmatizada... Humilhada e
corrompida, Sem direito à felicidade, Vivendo á margem da sociedade,
Ela era apenas a “mulher da vida”.
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32- NA PORTA
DA VIDA (Maria Augusta Christo de Gouvêa)
nos olhos da menina o sonho clama o amor chama a dor
maltrata.
da menina, os olhos guardam a tristeza. na verde
esperança a inocência se esconde.
de sua vida imaculada palavras
de bocas perversas tiraram, covardes, o sonho de ser princesa.
na
porta da vida seu destino se cumpre com a coragem dos pequenos com a
candura dos anjos.
na sombra de seu olhar no seus gestos de
angústia sua imagem paira no espaço do imponderável.
guarda
séculos de dor como sua irmã Madalena conservando a pureza dos eleitos
salvos pelo Amor.
17/05/2005
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33- MULHER
DE VIDA FÁCIL (Maria Hilda de J.
Alão)
Olhar triste, vende o corpo em qualquer esquina, mas, a
alma ela entrega àquele que vive no seu sonho. Menina de vida fácil é
tão difícil ser feliz... Marginal de camas e becos, fantasmagóricos olhos
mal dormidos olham o sol que nasce quando volta para o apertado
quartinho, e estirando o corpo cansado no catre sonha como qualquer
mulher.
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34- MENINA
DE OLHOS TRISTES ( Faffi (Silvia Giovatto) )
Pobre menina, traz nos olhos a tristeza de ter de se
prostituir... Faz ponto em qualquer rua, qualquer um que passa vira
freguês. Não é isso que a menina queria, ela queria vencer na vida mas
para isso o que foi que fez? Arrumou um filho nem sabe de quem, agora
despesa dobrada a menina não sabe mais o que fazer... Será que alguém
poderia ajudar tirar a menina da rua e por pra trabalhar? Ela ainda é
uma criança com outra criança pra cuidar... Menina de olhos tristes um
dia quem sabe, a tristeza vai morar em outro lugar.
Faffi
/18/05/2005
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35- CINDERELA ÀS AVESSAS Gi (Nany
Scheneider)
Tanto
sonhou a pequena, sonhos de contos de fadas, Contos de príncipes e castelos,
felicidades sem fim. Mas foi crescendo a pequena, e a vida foi cruel. Nada
de fada-madrinha, nada de encanto ou clarim.
A menina trilhou caminhos,
que nada teve magia... Seu castelo tão bonito, em feia pensão se
tornou. Das sedas retalhos sobraram, das jóias, só vidro enfeitou. Nem as
cores do arco-íris, voltaram a embelezar o dia.
Menina, moça virou...Sem
príncipes a lhe cortejar. Só teve por companhia, brutos vassalos em seu
leito. Contínua vida perdida, sem ter tempo para amar. E em pedra foi se
tornando, o coração habitando seu peito.
A moça deu lugar a
mulher...Triste e envelhecida. Da vida, guardou momentos poucos de
felicidade, Os sonhos abandonados morreram, como a ilusão de vida. Vencida
a mulher desbotou, pelo sofrimento e idade.
Um sonho ainda restou, no
fim da dura caminhada, Já sem forças ela pedia, que o sono apagasse as
dores, Para que voltasse a visão, de uma nova, colorida estrada... Onde em
um cavalo branco, um Príncipe a cobriria com flores.
18/05/2005 08:57
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36- ESMOLAS
DE AMOR (Cândido)
… Não sei se por acaso, ou por capricho, Passeava por onde o amor
mora, Amor usado que se deita fora Ninharia que alguém vai por no
lixo. … Absorto, nem reparei na tardinha Que escurecia fria e muito
calma A vincar rugas na pele desta alma Ou noutra qualquer alma igual à
minha. … Um vulto de mulher, espelho de dor, Estendeu a sua mão pedindo
amor Pra uma refeição daquele dia… … Num gesto de tristeza e comoção
Meu pobre e desgraçado coração Deu os restos de amor que ainda
trazia. …
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37- SER
ESPECIAL (FM)
Ser
especial talhado no oceano colhido em cada flor transportado pela brisa
do destino erguido nas nuvens
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38- MENINA
VADIA? (Nadir A D'Onofrio)
Por quê chamam-me assim? O que sabe você
da minha dor? Vadia eu não nasci, Tenho anseios como vocês, Queria ter
casa, cama e comida, Um teto pr'a me proteger... Banho, alimento, chá
quente, Cobertor nas noites frias, Poderia até mesmo aprender à
ler... A vida assim me obrigou, No barraco não havia nem pão, Para dar
aos meus irmãos. Vender meu corpo foi a solução, Que de imediato
encontrei, Para saciar a fome dos meus irmãos... Você, que tem tudo na
vida, Não pode imaginar o que é sobreviver, Marginalizada nessa podridão,
Que chamam de sociedade...
18/05/2005 Santos SP
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39- ESPELHO (Graça
Ribeiro)
Seus olhos menina são largos
oceanos refletindo sombras da insensatez dos homens
Seus olhos
tristes denunciam o tempo perdido nos vitrais do sono
Seus olhos,
menina triste, São denúncia e grito repúdio ao acaso elos
perdidos no gozo da vida.
São pérolas em conchas sem pecados
originais
"Menina de olhos tristes"
Seu olhar é um
espelho Estilhaçando a alma na beira do caos.
Varginha-MG - mai/05
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40- PORÃO (Maria Mercedes Paiva)
Vai
no vai da valsa, a vida pela avenida... Nada é predeterminado, nem
predefinido Você que fica aí ofendido!.. defendido!...Definitivo!.. Se
sentindo cheio de razão! Nós já discutimos isso!.. Você já sabia que era
assim !... Claro que sim! Então, não vem com esse papo pra cima de
mim!
A gente se vira como pode e não se pode dar ao luxo de um
"talvez"... De um "quem sabe"...de um "depois"... Por aí nada se
escolhe: pode ser padre, podre de rico, podre de pobre: se
pode...pode... Você sabe como as coisas são!
Onde fica, então, o
amor? Pra fora da portão! Isso não importa! Você sabe que não! Não se
mistura trabalho com prazer! Tenho que lutar muito pra
sobreviver... Cumpro a minha missão!... Tira a mão! Tenho que subir!
Claro que tenho que ir! Quer deixar fechado esse raio de
botão?!
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41- AMORES
FUGAZES (Vyrena)
Seus sonhos de menina perderam-se no tempo. As
ilusões, destruídas nas esquinas do pecado onde a felicidade buscou e
jamais encontrou.
O olhar triste, fixo no horizonte que ao longe,
confunde-se com o mar espera por transitórios prazeres .
O corpo quase
desnudo, ao primeiro que aparecer, oferece, em troca de ilusórios
carinhos. Depois, entrega-se a sorte e nada mais importa. Na face, um
sorriso mascarado. Nos olhos, a lágrima. No coração, a mágoa e o
ressentimento pela sina com que a vida a presenteou: Amores
passageiros, amores fugazes, amores que sumiram como mar na linha
do horizonte.
Porto Alegre/RS
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42- PROSTITUTA (Carvalho Branco)
Menina da beira do
cais, menina da beira da estrada... menina do meio da rua... menina que
não é amada... olhos tristes de criança, onde não mora a
esperança... Noite estrelada ou sem lua, pouca roupa, quase nua, ali
fica ela parada, esperando quem dá mais...
Não tem amor, só faz
sexo... do parceiro não vê cara, coração... ou cor... Nunca diz
chega ou para... Seu destino é desconexo... É pedra bruta, sem a menor
lapidação... PROSTITUTA!... Desafinada nota de canção...
Nem sabe
o que é opção... Faltou-lhe sorte! Uma questão de vida ou
morte!... Ainda dizem que é profissão!... Querem legalização... Pobre
coitada... Dificilmente será amada... mas ela nem sonha com
realização, só pensa em ganhar o seu para o pão...
Eta vida
desgraçada!... Exposta ao tempo, ao vento e à chuva, o caixão cabe-lhe
como luva, quando a chama da vida é apagada... É seu grande
momento: dos pecados é perdoada, sobe aos Céus, envolta em santos
véus, por mil virgens é carregada...
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43- OUTRO
OLHAR (Tadeu
Terra)
Brota uma luz: que vem dos ângulos, que vem dos
olhos, que vem do estranho, que vem do encontro, que vem do
ventre, que vem do fogo dessa mulher que não se encontra.
Para
tanto, há outra luz no encalço dessa mulher...
Que não se
acha, como aquela, como tantas, que escondem outro olhar.
Varginha - mai/05
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44- MENINA
MULHER (Rita Noélia Caminha
Weyne)
Olho na menina-moça, de mulher os
requebros, levo a mão ao bolso, para mostrar-lhe que a
quero.
A lua no riacho, e dentro da noite a moça nua, a bezerra
domada, a carne crua. O gosto da fruta comida no talo, o canto do
galo no amanhecer da noite escura.
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45- TÃO
MENINA, SEGUE A SINA (Lara
Cardoso)
Tão mulher... tão menina, segue em frente em sua
sina vivendo um amor emprestado, em um lar desajustado que valentemente
peregrina, guardando para si seus lamentos... É sua sina! tão
menina que virou gente grande, entre quatro paredes de um sujo
aposento ou, até de um aposento de luxo, tirando dali seu sustento e
até de sua cria que só quer encher o bucho; Pobre menina, tão
mulher que nada disso quer, mas escava sua ruína enganando a
alegria e, seguindo em sua rotina, que é puro açoite para sua alma
cristalina pois, embora menina, que a todos fascina mesmo que permaneça
em seu posto de dama da noite, ou dama de companhia, não esconde do
rosto a dor da melancolia... pobre menina, que fez da profissão ser
menina, sem coração...
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46- MEUS OLHOS
MAREJAM (Águia Dourada)
De ver essas crianças pelas esquinas da
vida, pelas ruas escuras e tortas como suas caminhadas. Pela vida que
levam na promiscuidade para uns, outros entendem, mas no fundo são
amaldiçoadas, meninas da vida fácil, meninas das sarjetas. Meninas do
nada. Mas dentro dessa criança existe uma alma. Existe um amor, uma
vontade de ser gente como todas as meninas do mundo que são certinhas. Mas
o que é certo e errado nesse mundo em que vivemos. Onde o desamor impera, o
governo não ajuda, a sociedade dilacera, a família destrói-se por não poder
alimentar essas crianças perdidas na vida dessa vida tão perdida e
ingrata. E os homens em busca das ninfetas para saborear o gosto do sangue
escorrido, do prazer incontido em sua ganância pelo sexo fácil. Todos
erram e ninguém é culpado, mas todos nós somos. É o ciclo da vida . Anos a
fim vivendo essa realidade e cada dia mais alastrando na nossa sociedade onde
não encontram guarida e ganhar a vida fácil torna-se um habito, um vício e
junto com ele vem as drogas, a cola que detona, a merla que mata. Pobres
crianças, parias da vida, do tempo que o amor muda sua cor e torna -se um
vermelho escarlate. Como minhas lágrimas por essas pobres
crianças perdidas num mundo sem volta e sem amor.
Águia Dourada,
pedindo passagem
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47- ORAÇÃO
DA MERETRIZ (Esmeralda
Camargo)
Deus... Que paciente me acompanha todos os dias Até a
beira do cais, Que nunca me julga e sempre ouve meus pensamentos Quero lhe
pedir, Me ajude Senhor, para que eu possa voltar a sorrir.
Meu
caminho o Senhor sabe, não é fácil Tem espinhos que me ferem a mão e até o
coração Mas tenho fé e coragem E acredito que com a sua ajuda meu
Deus Vou colher as flores que encontrar pelos caminhos por onde
passar.
Eu sei que existem ainda Senhor, Pessoas com muito
amor, Que enxugam o meu pranto E trazem conforto para o meu corpo cansado
e meu coração magoado.
E eu lhe agradeço, Deus Eu lhe agradeço de
coração Pelo pão de cada dia e por não me faltar o chão. Pelos amigos que
tive e por aqueles que hoje tenho E Lhe prometo solenemente Regar meus
canteiros com a luz do seu amor.
Vou voltar a amar a vida Esperar
pelo futuro e Lhe digo mais... Faço isso tudo pelo Seu amor.
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