Participantes:

    01- Tere Penhabe
    02- Graça Ribeiro
    03- Valeriano Luiz da Silva
    04- Valeriano Luiz da Silva
    05- Ivone Zuppo
    06- Bernardino Matos
    07- Diógenes Pereira de Araújo
    08- Augusta Schimidt
    09- Thereza Mattos
    10- Paulo Fuentes
    11- Schyrlei Pinheiro
    12- Venina M. Santos
    13- Mário Osny Rosa
    14- Nadir A D’Onofrio
    15- Simone Borba Pinheiro
    16- Zelisa Camargo
    17- Renate Emanuele
    18- Lara Cardoso
    19- Vyrena
    20- Machado de Carlos
    21- Efigênia Coutinho
    22- Marcial Salaverry
    23- Beatriz por um triz
    24- Elainemalmal
    25- Maria Augusta Christo de Gouvêa
    26- Esmeralda Camargo
    27- Helder Pinheiro
    28- Cel  (Cecília Carvalho)
    29- Maria da Fonseca
    30- Luiza Helena Guglielmelli Viglioni Terra
    31- Marta Lima (Ventania)
    32- Abilio Terra Junior
    33- Edmundo Colen
    34- Nany Schneider (Gi)
    35- Zelisa Camargo
    36- Camila da Silva Cesar
    37- Maria Regina Moura Ribeiro
    38- Margaret Pelicano
    39- Azoriana
    40- Raquel Caminha (Lindinha)
    41- Nelim Monti
    42- Nancy Pimentel
    43- Sueli do Espírito Santo
    44- Faffi (Silvia Giovatto)
    45- Ilton Alencar
    46- Mário Osny Rosa
    47- João Carlos F. Almeida (Rother)
    48- ZecAdi Avelar
    49- Jorge Gomes do Couto

 

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

 

01- MENINO DE RUA
- Tere Penhabe -

Menino de Rua, parceiro da lua
sua mãe é uma estrela, a que brilha mais
que lhe diz boa-noite, quando o sol se vai.

Seus sonhos, menino, tingidos de negro
insistem em ser, o seu grande segredo
não desista deles, você pode tê-los.

Menino de Rua, que a fome atenua
olhando a vitrina, no bar de uma esquina
dos doces que tinha, já nem lembra mais.

Seu olhar carente, que todos desmentem
ele é verdadeiro, o mais sério do mundo
não é o olhar de um vagabundo.

Menino de Rua, que o frio tanto açoita
que a chuva castiga e alonga sua noite
seja forte e consiga, encontrar seu norte.

Nem tudo está perdido, você será mais homem
que todos os outros meninos, se sobreviver
porque isso... Meu Deus, eu não sei!

Santos, 25/05/2005

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

02- PIVETE
- Graça Ribeiro -

Te vejo roubando sonhos dourados
Te vejo em traseiras de ônibus
Te vejo enrolado em cobertores
Te vejo enrolado em si mesmo, com frio,
Te vejo transportando um revólver e a vida
Te vejo se defendendo de outras mortes
Te vejo pensativo, cismando o futuro...
Te vejo em bando, como bicho assustado
Te vejo cheirando cola
Te vejo sorrindo
"Cabeça feita".
Te vejo e não posso mudar nada.
Quisera te colocar no colo
Mas não posso.
Tua violência me assusta.
Tenho medo.

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

03- TESTAMENTO DE MENINO DE RUA
- Valeriano Luiz da Silva -

Sou menino de dor
Sem tutor ou curador
Sou menino atrapalhado
E também desmiolado

Como vivo ao relento
Aquecido pelo vento
Procuro no tambor o meu sustento
Às vezes lá está jogado meu alimento

Espero que na lei seja aceitável
Que eu deixe meus parcos bens
Para certo miserável
Pois não tenho um responsável

Meus bens estariam protegidos
Se eu tivesse curador
Mesmo após eu ter morrido
Seriam cuidados pelo mesmo ou tutor

Como um menor fazer testamento
Com um advogado fui buscar ensinamento
Mas o doutor foi violento
Achou que eu era ladrão em seu pensamento

Eu que fui muito traquina
Bati carteira nas esquinas
Morrer qualquer hora é minha sina
Já vou ao cartório ver o que a lei determina

Irei procurar o tabelião
Levo comigo a relação
Dos bens adquiridos na peregrinação
Mas não tenho deles documentação

Deixo meu testamento...
Para o Zé povinho sem alimento
O primeiro da relação é a chuva e o vento
Seguindo vem o sol, a lua e o firmamento...

O velho sobrado descoberto
A Fonte dágua da Praça Zé Alberto
Minha lata vazia de marrom glacê
Meu vidro limpo de azeite dendê

A lata foi meu prato na hora de comer
E o vidro foi meu copo na hora de beber
Deixo um lote cheio de mato que faz medo ver
Onde entre cobras e ratos eu dormia até amanhecer

Fica o velho tênis furado
Que da casa do rico foi furtado
Uma peça de fazenda, mas não de gado,
Cujo pedaço de pano foi meu acolchoado

Este testamento é irretratável e irrevogável
Ficam minhas chaves num envelope lacrado
Do sonhado automóvel tão desejável
E do utópico sobrado que nunca foi comprado.

Macapá – AP, 07/11/04
valerianols@globo.com
www.albemdepoeta.com

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04- TRISTE VIDA DE MENINO DE RUA
- Valeriano Luiz da Silva -

Contam que minha mãe me concebeu
Quando eu era informe diz que se arrependeu
De um erro que cometeu...
Até parecia que o culpado fui eu

Falam que ela criou asa
E um dia fugiu de casa
Saiu pelo mundo perambulando
E acabou (se) engravidando

Não tinha responsabilidade
Não me gerou com seriedade
De quem é meu pai não sei a identidade
Dizem que ela queria me abortar por maldade

Assim que nasci...
Os primeiros anos não sei como vivi
Numa invasão eu cresci
Mas preferi ir pra rua e dormir no frio

Nunca me matriculei numa escola
Vivo furtando e pedindo esmola
Se estou triste ou alegre  me embriago no cheiro da cola
E o mundo é minha verdadeira escola

Sou menino de doze anos
Meu crescimento está demorando
Também quase não estou me alimentando
E até dos mendigos vivo apanhando

Quando vejo a autoridade
Só penso em maldade
Oh que infelicidade
É não ser gente de verdade

Quantos meninos vão pra escola
Nas folgas vão pra piscina ou jogar bola
Comem bem e andam de carro novo
Eu ando descalço sofrendo como cachorro

Quem dera alguém me desse um sapato novo
Eu fosse respeitado pelo povo
Mas minha esperança já está perdida
Mesmo que eu mude de vida

Ninguém vai acreditar
O povo não crê que menino de rua possa se regenerar
Se eu pedir lugar pra morar...
Duvido que alguém me dará

Se eu procurar emprego falam que vagabundo não entra lá
Se eu procurar escola a diretora não me matriculará
Antes vai dizer que os meninos vão se contaminar...
Porque meninos de rua são cheio de defeitos, pois só vivem a vadiar...

Então minha gente vou prosseguindo meu destino
Acho que não vou longe...  Sinto  me fraco e vivo tossindo,
Não tendo alternativa continuarei roubando e pedindo
Uns correm de mim outros ao ver-me ficam rindo

Que esperança posso ter,
Se ninguém quer me compreender...
Talvez o destino do menino de rua seja matar ou morrer
Então se menino de rua não é gente eu prefiro desaparecer...

Anápolis-Go 25/07/04
valerianols@globo.com
www.albumdepoeta.com

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

05- PRÍNCIPE DAS RUAS
- Ivone Zuppo -

Oi vc, menininho
Que corre
Busca
Foge
Que carrega em seus ombros
A carencia
Os sonhos
A fome
Que tantas vezes persegue
O aconchego
O calor
O alimento
Acredite,menininho,
O céu te guarda
O universo
É seu ninho
Seu trono,
As calçadas,
Seu cetro,
As esmolas.....
E a sua coroa,
Está com Deus.
Dorme Príncipe!....
A poesia vela seu sono!

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06- MENINO DE RUA, SEM FUTURO.
- Bernardino Matos -

Saí de casa, por não suportar tantas carências,
por não entender as causas das agressões,
e não suportar tantas amarguras e ausências,
e ficar perdido no meio de tantas desilusões
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.

Fiz do banco de praça a minha cama,
debaixo de pontes,da insegurança me protejo,
das chuvas, dos ventos, do frio,da lama
vendendo drogas, cheirando cola, me vejo.
Mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.

As escolas usam policiais como proteção,
é esse o seu maior marketing para os pais.
Sujo, maltrapilho, sou sinônimo de agressão
deixei de ser criança, sou ameaça pros casais.
mas dizem que do país eu represento o porvir.
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.

Deitado, num banco de praça admiro o céu,
vejo as estrelas, a lua e sinto tristeza,
não faço parte da sociedade, vivo ao léu,
para muitos sou uma aberração da natureza.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.

Nos sinais de trânsito eu limpo vidros de carro,
percebo, que muitos procuram se proteger de mim,
pago um preço muito alto pra viver no desamparo,
mas continuo aguardando uma chance, mesmo assim.
mas dizem que do  país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.

Vendo drogas, fumo um baseado, cheiro cola,
alimento nas esquinas o vício do abastado,
os traficantes me protegem, essa é minha escola,
vivo sem instrução, sem calor humano, abandonado.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.

Eu não entendo os suspiros dos casais de namorados,
quando contemplam a lua e as estrelas tão distantes,
presencio sussurros, suspiros,abraços prolongados,
sofro, me sinto só, são momentos  estafantes.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.

Já estive na Febem, para receber maus-tratos,
repartindo com outros a mesma dor e desespero,
lá sem amor, sem carinho, somos apenas ratos,
aquilo é a expressão cruel da falta de desvelo.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.

Se alguém me adotasse, me desse um lar, um abrigo,
me desse o direito de receber do amor as migalhas,
eu ficaria feliz, por não ser mais para muitos um perigo,
e não alimentaria  o sentimento de vingança dos canalhas.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.

Não é por falta de recursos, que  assim me deixam ,
fazem viagens inúteis e compram  avião de luxo,
fazem negociatas, compram votos, nem se queixam,
se dizem proletários, e que conhecem da miséria o fluxo.
mas dizem que do país eu represento o porvir,
perdido, desamparado, eu não sei pra onde ir.

Num futuro distante, eu espero que isso mude,
preciso ser integrado, receber amor, carinho,
mas sobretudo ter paz, esperança, não ser rude,
afastar mágoas  e sofrimentos, do meu caminho.
Poderei, então, do país representar o porvir,
e não mais viver perdido, sem saber pra onde ir.

Fortaleza, 22 de maio de 2005

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

07- CRIANÇAS
- Diógenes Pereira de Araújo -

Sim todo mundo gosta de criança.
Até calçadas gostam. As calçadas
à noite se transformam em pousadas
onde as crianças dormem ou mais cansam

sem conseguir dormir tamanha angústia
sufoca os pequeninos. Não têm pais.
Se têm não lhes adianta: brigam mais
que cão e gato. Inquietos, seminus

famintos e tristonhos, na maconha
vão procurar fugir da inquietação,
mas sua vida fica mais tristonha

pois se tornam do vício dependentes
Como ajudar, senão por oração?
“Ò, Pai, console os órfãos e carentes”.

diogenes@poemanet.com

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

08- MENINO DE RUA
- Augusta Schimidt -

Neguinho é um menino
Magrinho, mirrado
É menino de rua
E vive assustado.

Sua casa é a sarjeta
De um beco isolado
Neguinho não dorme
Mas sonha acordado.

Ao Neguinho eu quero
Deixar meu recado
E quero que saiba
Que estou do seu lado

Menino querido
Não fique assim triste
De olhos fechados,
Não suporto mais ver,
O seu choro calado

Venha Neguinho
Eu vou te levar
O mundo te espera
Vai ter o seu lar.

Campinas, 16/06/05_20.00hs
www.augustaschimidt.prosaeverso.net

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

09- POBRE MENINO...
- Thereza Mattos-

Chora menino desesperado
andando pelas ruas sem rumo
o vício é seu companheiro
cheirando cola, puxando fumo
aquecendo seu corpo no bueiro...

Sua mãe é a desgraça
seu pai, o banco da praça
perdeu a noção de um lar
onde por pouco tempo viveu
pobre pequeno pivete
que aos onze parece ter sete
não sabe sorrir, nem amar...

Dorme ao relento, perto da Igreja
como se pedisse proteção do Alto
seu corpo pequeno , franzino
estremece ao som de um sino
"É a hora" ... pensa consigo
que as pessoas vão passar
levanta-se num sobressalto
para alguém parar e assaltar...

Pega no bolso um canivete
agora já não é tão menino
pelo crack que precisa fumar
pobre e raquítico pivete
sente-se o poder em suas mãos
agora é morrer ou matar!...

SP. 16 de Junho de 2005
http://planeta.terra.com.br/arte/magiaepoesia

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

10- MENINO ACANHADO
- Paulo Fuentes -

Menino acanhado...
De pés descalços...
Que eu um dia vi...
Parado em um farol...
Com olhar tristonho...
E sentindo frio.

Menino acanhado...
Que um dia foi abandonado...
Na rua se encontrava...
Em busca de um lar para morar...
E que me cativou com seu triste olhar.

Menino acanhado...
Largado...
Abandonado...
Jogado na rua como um nada...
Que um dia me fez chorar de tristeza...
Ao ver a pobreza...
E assim se encontrava...
Sem culpa alguma...
Pois ao mundo não pedistes para estar.

Menino acanhado...
Hoje já não estando mais abandonado...
Pois um lar eu resolvi lhe dar...
E hoje te vejo feliz...
Por ao lado de teus novos "irmãos" estar
Vejo em teus olhos um novo brilho...
Que hoje me faz sorrir...
Por sentir...
Que nunca mais desamparado permanecerá.

(minha homenagem a uma das 202 crianças carentes,
que na Fundação Fuentes Teixeira estão).
www.paulofuentes.com.br

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

11- UM GRITO A CÉU ABERTO!
- Schyrlei Pinheiro -

A covardia nos espreita, sem hora ou local determinado.
Tantos projetos elaborados e ninguém faz, ou vê nada,
e quem devia fazer, ou ver,  cala-se.
A brutalidade brota e corre solta.completamente livre,
no mundo, acumulando lixo de crueldade.
A palavra mágica, só aparece em época de eleições.
Os vampiros mascaram-se de anjos e a
ambição arregala seus olhos. Finalmente, a céu aberto,
um eco  cobra das autoridades, dignidade; mostram,
orgulhosos, uma sub-condição humana, gerenciada pela
incapacidade do poder público. Comícios, aplausos,
um show carnavalesco  do sistema abominável,
em troca de mais votos.
Chega de demagogia!
Quero o veto  à suja investigação, que só apura, mas, não pune. 
Este é um grito, a céu aberto,
em pról do cidadão marginalizado, que vive sem teto,
sem emprego, implorando  caridade.
Pobre desgraçado, perdeu tudo; não restou-lhe, sequer, 
dignidade; pés no chão, roupas rasgadas, corpo sujo, alma nua,
dorme ao léu, sobre noticias de classes privilegiadas e sonham,
sem lenço, sem documentos, sem lar, sem família, sem pão, e,
o pior ,em época de eleições, sem
o titulo de eleitor. Religiosos caridosos,  atiram, de longe,
suas moedas, fazendo o sinal da cruz. Políticos, passam distante,
rumo aos salões atapetados, prontos para discursar nas tribunas 
o destino das verbas arrecadadas.
Votos?  eles os querem, para vetarem projetos básicos,
em pról do sórdido prazer de afrontar a miséria;
a prioridade política é esvaziar os cofres públicos,
deixando de herança as faltas,
sejam de emprego, saúde,moradia e justiça.
Afinal de contas, eles não correm riscos; sabem que
sobram paciência, fé e patriotismo do povo, extremamente patético,
que aposta em sonhos errados,
cedendo mordomia à malicia, engolindo,
amordaçado, a lágrima da desonra nacional.
Escutem os gritos, vindos da sarjeta,
e perguntem a sí próprios de quem é a culpa

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

12- MENINO DE RUA
- Venina M. Santos (Arianne¤Ctba) -

Menino que vai sozinho,
perambulando, "sem chão",
sem direção e sem "nome",
mas sentindo muita fome
de amor, de carinho e pão...

À luz da vida lhe deram,
como fosse coisa vã,
prá depois lhe abandorarem
como "coisa", descartarem,
dando - lhe vida malsã...

Seu teto é o céu azul,
sua luz são as estrelas
sua cama é a calçada
sem travesseiro, orvalhada,
de cobertor, nem esteiras...

Desse destino que tem,
procura sempre a razão,
não lhe responde, ninguem...
lhe dói muito o coração,
pois sente emoção, também...

Como qualquer ser humano,
prá dor procura um refúgio...
pelas drogas dominado,
se torna discriminado,
de todos sente o repúdio...

Quem salvará as crianças,
por todos, abandonadas,
lhes transmitindo esperanças
de ter suas vidas mudadas
das borrascas pra bonança?

Nenhuma mão estendida,
nenhuma compreensão...
chora sempre às escondidas
e ninguém ouve seu pranto
por querer mudar de vida
e ver a morte vir de encontro...

É o descaso do povo,
de um governo irracional
que vê como natural
que um menino de rua
viva de forma tão crua...
viva como um animal!

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

13- UM MENINO DE RUA
- Mário Osny Rosa -

Abandonado na cidade grande,
O menino vivia a sonhar.
De um dia seu sonho realizar,
Queria estudar e ser militar.

Ele comia se comida ganhava,
Fome passava nunca roubava.
Passar filme de ajudante operava,
Seu trocado sempre ganhava.

Sua casa era a praça da Sé,
Sua cama os bancos da praça.
Nem tudo era uma desgraça,
Sempre tinha muita fé.

Um homem o chamou,
Para sua casa o levou.
Seu patrão ele cobrou,
Um banho de loja levou.

Para outro estado o mandou,
Para seu sonho completar.
Ele queria mesmo estudar,
Foi assim que se formou.

O exército servir e ser soldado,
Mesmo que fosse noutro estado.
Queria sempre andar fardado,
Com isso um sonho ser realizado.

São José, 17 de junho de 2.005.
morja@intergate.com.br

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

14- A CRIANÇA DO ORFANATO
- Nadir A D’Onofrio -

Criança com sua alegria contagiante!
Ser angelical, que só requer
Dedicação, ternura, carinho.
No rosto, sempre esboça um sorriso,
Nem sempre alegre, existem também,
Os que são carentes, sorrisos tristes...

Já passou tanto tempo...
Ainda...trago no meu pensamento....
O olhar tristonho, o abraço apertado
Das crianças...que encontrei
No orfanato da Mamãe Clory!

Havia lá, uma que era especial p’ra mim,
Foi amor à primeira vista!
Moreno, cor de canela.
Transmitia bondade, meiguice...
Nos olhos...da cor do mel...

Senti por essa criança, grande afeição!
Ele...vibrava ao ver-me chegar...
Brincávamos juntos,
Trocávamos carinhos, beijos.
Mas, adotar a criança eu não podia,
Condições...eu não possuía...

Decidi afastar, da minha vida esse amor,
No Orfanato, não mais retornei.
Não sei, qual foi o destino do menino!
Eu...nunca...o esqueci,
Sua lembrança, marcou ficou.
Seu nome?
Davi!

Santos, 10/10/2004

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

15- CRIANÇAS DO MUNDO
- Simone Borba Pinheiro -

Crianças do mundo,
nas ruas jogadas, sem rumo,
crianças drogadas, prostituidas,
pelo submundo, usadas,
para atingir objetivos escusos.
Crianças maltratadas,
por aqueles que deveriam ser
seus defensores, fonte de amor.
São pais e babás, desequilibrados,
que fazem das crianças indefesas,
sua válvula de escape
para aliviar tensões e problemas.
Pequeninos seres delicados, indefesos,
que ficam à mercê de seus algozes,
que lhe ferem os sentimentos
e o frágil corpinho.
Deus, em sua infinita sabedoria e bondade
fêz das crianças, anjos que tudo perdoam
pois, são feitas de puro amor.
Quem dera, todo ser humano
possuisse a inocência de uma criança!
O mundo então, seria só amor,
que constrói, edifica, um mundo de paz!
Não existiriam adultos perversos
nem crianças maltratadas pois,
só o amor constrói e torna as pessoas
verdadeiramente humanas,
na total concepção da palavra.
A palavra de ordem, é amor!
Amor, para as crianças do mundo!

Data: 28/09/03

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

16- MENINO DE ROSTINHO TRISTE
- Zelisa Camargo -

Menino de rostinho triste,
lágrimas que descem serenas,
pés descalços...
Olha o tempo como se perdido esta,
pensa a vida,
pensa a liberdade.
Onde está essa sonhada
liberdade, esse respeito pela tua
raça, pelo teu povo,
pela tua cor que difere,
mas a alma é da mesma cor.
Neguinho de alma branca
que sofre todas as humilhações,
descriminações num Pais que se diz
não preconceituoso, mas o pior de todos.
Pois no calado ele sofre  e pensa no dia
de amanhã.
Negro sou, apanho no lombo a dor
que carrego da minha raça
que não é respeitada.
E pela estrada vou caminhando
até que um dia, quem sabe
aprendemos a conviver sem dor
entre outras raças que nos discrimina.
Neguinho, criança sofrida
que não sabe do amanha,
nesse Brasil tão estranho,
pois aqui não temos raça,
somos a união de todas.
Somos um povo de uma  mistura
que ninguém tem igual.
Trazemos o sangue negro forte
gritante nas veias.
Trazemos todas as raças
Brasileiros somos.
Negros somos e seremos sempre
Mas onde esta nossa Liberdade
de caminharmos com a cabeça
erguida e sermos respeitados.
Nesse teu dia Neguinho
só uma coisa lhe digo:
Não desista da luta não.
Vamos lutar pela nossa Liberdade.
Pelos nossos direitos,
Pela nossa dignidade,
Pela nossa cidadania.
Vamos Neguinho me dê tua mão
e vamos seguir a estrada
e esperar a Liberdade.

SALVE TODOS OS NEGROS DESSE
IMENSO BRASIL.
O MEU CARINHO E AMOR A TODOS.
20/11/04_08.24

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

17- MENINO DE RUA
- Renate Emanuele -

Menino de rua, abandonado
Doente, perdido, sujo, rasgado
Sem lar, sem pão, sem calor
Tem uma vida sem valor

Triste, vagabundo, brejeiro
Larápio, esperto, ligeiro
Vive de pedir esmola,
Tem na rua sua escola.

Os dias, as noites vagando
Com lixo se alimentando
Está  acostumado a dor
O sol seu único cobertor

Da polícia se escondendo,
Entre drogas se perdendo,
Sem Deus, amigos, ou tutor
Nunca soube o que é amor

Sem estudo, quando adulto for
Nunca chegará a ser doutor
Perambula na rua a vida inteira
Ou padece e morre na cadeia.

Ora, quem por ti olhará?
Quem contigo se importará?
Menino, meu menino vadio
Teu sangue será teu brio!

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

18- MENINOS DE RUA
- Lara Cardoso -

Meninos de rua...
sonham com grandes castelos
enquanto a seringa está na veia;
não conhecem a malícia...
acordam do sonho
com a sirene da polícia,
quando os castelos desmoronam
como areia
no mundo da lua...

Dormem ao relento
admirando as estrelas,
a calçada como travesseiro
abafa o cheiro
que queima em suas narinas,
que lhes proporcionam as propinas
que escondem dos cachaceiros
e, deles, se fazem prisioneiros...

Meninos que não cresceram,
já tão grandes
chefiam as gangues,
empunhando uma arma de fogo
e, por malogro,
com ódio no olhar
aprendem a matar
porque não descobriram como amar!

Vieram ao mundo por acidente...
da mãe, já nem sabem,
muitos nem chegam a vê-la
não aprendem a mamar,
vivem por teimosia
e, perduram na agonia...
São os delinquentes

Pulam as janelas
quando não têm saída,
culpam o destino
e, a tragédia é sua sentinela...
diabo de vida,
que escraviza pobres meninos;

Jamais serão crianças
pois nascem predestinados
e este mundo canalha
não lhes dá segurança
ao contrário, quando amotinados
lhes passa a navalha...
falta de sorte
procuram, só encontram a morte!

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

19- INOCÊNCIA NUA
- Vyrena -

O vento gelado,
da esquina, espia
o menino de rua
encolhido na calçada,
coberto apenas pela lua.

Com olhos de cobiça,
sorrateiro se aproxima,
e, sem dó, sem piedade,
atira-se
sobre a inocência
quase nua.

A pele arrepia
mas os olhos cansados
continuam cerrados
sonhando, quem sabe
com um prato de comida,
um carinho
uma guarida.

Assim ,encolhida,
mais parece
um cãozinho vira-lata,
sem dono,
ao abandono
de sua triste vida!

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

20- AS TARDES DOS POBRE
- Machado de Carlos -

O sorriso é a raça da princesa;
Raça e samba imperam no domingo!
Ela é a rainha do domingo rico,
a televisão é a luz da princesa.

Reis e rainhas nas favelas ricas;
A massa é a luz desta COHAB;
A televisão é o lixo da periferia;
Belos presentes no samba da gente!...

Guirlandas belas nos dias de luz!...
Favela: - o teu sorriso é presente!
A rainha é pobre neste morro!

Raça rica! – minha princesa sente!....
Ele é rei. Ele é da massa,
samba e luz: - o sorriso de Iemanjá!

http://ilove.terra.com.br/autores/TEXTO.ASP?idpi=760

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

21- SOBERBA
- Efigênia Coutinho -

Exagerado conceito que alguém faz
de si próprio.Morro, mas não me
rebaixo! Vaidade nascida dentro
dum vil Mortal!Amaldiçoava depender!

E aos obstáculos da vida, dizia:
Não aceito curvar-me servilmente
E no papel de Humilde, não me encaixo!
Acostumei-me a altivez, é o meu normal!

E os amigos, se é que tem muitos!?
Ficam de fato fora dos fatos, um a um!
E para o fato não podem dar respostas!

Mas foi Graças a Alguém, cujo nome eu
Ignoro,fez dele um Alguém, não há de
Ser eu a revelar estas coisas dos Céus!

Balneário Camboriú, 18/06/2005
www.saladepoetas.eti.br

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

22- DESEJO APENAS QUE...
- Marcial Salaverry -

Que não mais existam meninos de rua,
seja responsabilidade minha ou tua...
Que pais não mais rejeitem filhos,
nem filhos abandonem seus lares...
Que haja mais responsabilidade,
e haja nos lares mais felicidade...
Que os Direitos Humanos,
não sejam meros enganos...
Que exista respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente,
para que possa ser um adulto decente...
Que os idosos sejam respeitados,
e não mais pelos jovens ridicularizados...
Que seus direitos sejam observados...
Que possam andar sem serem derrubados...
Que possam receber no Banco, sem serem assaltados...
Que as "pessoas especiais" possam viver em paz,
sem receber a pecha de incapaz...
Que tenham seu lugar no mundo,
ao invés de apenas um canto imundo...
Que todos possam viver, enfim...
E não apenas aguardar um triste fim...

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

23- MENINO DE RUA
- Beatriz por um triz* -

Sai de um lugar quentinho
onde me sentia protegido
logo o frio e o som das buzinas
me mostravam o que era a vida

Fui crescendo, sem entender ao certo
O que meu pai tanto bebia
Nem o que fazia minha mãe ,
sempre na mesma esquina
mostrando-se semi-nua
para os carros em romaria

E assim foi desenhado meu destino
fumando pedra eu era valente
já fazia o meu primeiro refém
já não mais precisava de ninguem

Hoje não ando pelas ruas
Tenho minha moradia
centenas de companheiros
e nada mais me detém

Sou lider das rebeliões
Sou capataz dos reféns
Na casa que dominamos
e que chamamos de FEBEM

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

24- SENTIMENTO DE CRIANÇA
- Elainemalmal-

O que vai ser do menino
Que tem nada no olhar
Somente a amplidão
No deserto a busca
No estomago oco
E na sua infância
Como meretriz
Que barganha
Lapsos de amor
Desconhecido.
Espera pelo
Naco de pão
Dividido
Partido
Por
Nós.

Onde estamos?

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

25- LIBERDADE DE MENTIRA
- Maria Augusta Christo de Gouvêa -

Seu  primeiro vagido
foi um grito de liberdade.
Seu primeiro prazer
foi o seio de sua mãe
de capitoso nectar de vida.

Vive inocente a dormir
sem ver a sombra que o envolve.
O seio farto secou.
O bebê agora menino
descobre que a comida é escassa.

Na virada do tempo
descobre a fome
descobre a rua
enconta a dor.

Condenado inocente
por quem o devia proteger
aprende ir à forra
passando a tirar o que pode
de quem dele tudo tirou.

Do berço quente, a saudade,
no papelão sujo na calçada.
No estômago vazio o grito
é sufocado pela ilisão
da mortífera droga.

Condenado a ser ninguém,
perdido o sonho da liberdade
que lhe prometia a vida,
sem a força de um vagido
deixa-se levar para a morte.

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

26- ORAÇÃO DE UM MENINO DE RUA
- Esmeralda Camargo -

Deus...
Eu sei que o Senhor está me ouvindo neste momento
E quero antes de tudo Lhe agradecer
Por sua luz que clareia a minha solidão
Por sua bondade que vela meu sono
Por seu amor e sua proteção.
Por seu calor que me aquece o coração.

Deus...
As coisas não vão bem em minha vida, o Senhor sabe,
Quero agir certo  mas faço o mal,
Muitas vezes sou vítima de meus erros
Outras vezes dos erros dos outros e até dos meus pais

Me ajuda Deus...
Me ajuda a ter confiança no Seu amor
Me ajuda a fazer o bem
Mesmo nesta situação difícil em que me encontro
Me ajude a amar sem distinção
A perdoar a todos que me rejeitam, sem distinção
Me ajuda Deus a ter sabedoria
Para sempre ouvir a Sua voz
E sentir a Sua presença
Amém

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

27- A MELODIA
- Helder Pinheiro-

Filho de uma manhã cinzenta
Que quando nasce logo deprime
Sentes a mão que te oprime
Que cai na tua veia sangrenta

És fruto de uma madrugada
Suja, pálida e desiludida
E cresces pelos atalhos da vida
Com tua sina há muito declarada

Mas o teu sorriso de criança
Brilha ainda no teu olhar cavado
Qual renovada esperança do dia

E aquela tua colorida dança
De feliz inocente endiabrado
Guarda o segredo da tua melodia

Portugal

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

28- MENINOS DE RUA
- Cel (Cecília Carvalho) -

Na rua escura e fria,
pés descalços, mal vestidos,
pequenos corpos encolhidos,
cobertos apenas por jornal ...
No estômago, fome,
na boca, sêde,
no corpo, o abandono,
no coração, sonhos ...
Pequeninos e sozinhos,
meninos que vivem nas ruas,
deitam com o olhar
perdido na lua
sonhando o que podem sonhar ...
Meninos de rua,
vivem sem medo e sem apego,
sem ter um carinho, vivem fora do ninho,
mas possuem corações
de passarinhos ...

* Labirintos da Alma *
Ilhéus-Bahia-Brasil
www.encantoearte.com
www.cel.ebooknet.com.br

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

29- MENINO DE RUA
- Maria da Fonseca -

Menino sem pai nem mãe,
Pelos outros envolvido,
Vives na rua, largado.
Só aos teus tu és unido,
Aos pivetes és ligado.

Sem pão, sem lar nem carinho,
Corres a rua madrasta,
Enganado, seduzido.
Muito pouco é o que te basta,
À desgraça reduzido.

Pobre menino franzino,
Pedes com tanta insistência,
Persegues com tanto ardor,
Que afastas a indulgência
E só nos causas temor.

Sem 'scola, 'studo, valores,
O menino que é da rua,
Nem à noite tem descanso.
No seu tecto mora a lua
E a pedra é o seu ripanço.

Socorrei esse menino,
O que será seu futuro?
Valei-lhe em sua desdita.
Resgatai-o do escuro,
Regresse à vida bendita.

Lisboa/ Portugal

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

30- MENINOS DE RUA
- Luiza Helena Guglielmelli Viglioni Terra -

Menino  de rua,
maltratado e sem teto.
Olhar vazio,mãos trëmulas,
sorriso sem  sorrir,
tal é a sua dor, fome e desespero.

Estende as mãos
querendo alcançar
a força maior desse grande universo.

Já não tem mais lágrimas,
pois as poucas saciaram sua sede.
Na noite fria a neblina encobre
as poucas imagens de sua fraca visão.

As horas passam na Central do Metrô,
pessoas embarcam e desembarcam,
e não vêem aquele  menino
que geme de dor.

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

31- MENINO DE RUA
- Marta Lima (Ventania) -

Menino de rua teu olhar tristonho
Pareces não sentir o frio que corta
No teu rostinho esperança morta
És quem desta vida perdeu o sonho

Tuas vestes sujas cor de carvão
Ténis rotos e olhar indiferente
És só mais um entre tata gente
Negro é o sentir do teu coração

Ignóbil mundo este que criamos
Nem berço de palha te ofertamos
Menino tão só, que sina a tua!

Ai quem me dera poder apagar
Essa dor que te não deixa chorar
Que o sol te aqueça, menino de rua...

17/4/2005

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

32- MENINO DE RUA
- Abilio Terra Junior -

menino de rua
artista de circo
pra ganhar uns trocados
sujo e maltrapilho

que limpa o parabrisa
contra a vontade do motorista
que cheira cola
em plena luz do dia

com a complacência  de todos
que olham e passam
sem tempo para salvá-lo
da sua morte lenta

menino de rua
que depois de grande
tenta sequestrar um ônibus
lá no Rio
e morre estrangulado
dentro de um carro
da polícia

o seu futuro é o nosso
menino de rua
e enquanto morres na rua
ou na cadeia
nossas almas
perdem o seu viço
e se extraviam
tal e qual você
menino de rua

Belo Horizonte-MG, 20/06/2005
http://abilioterrajunior.portalcen.org/index.htm

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

33- MENINO DE RUA
- Edmundo Colen -

Semáforo vermelho.
Paro o carro.
Ele vem,
mão estendida,
voz pedinte,
ladainha de sempre.

Fecho o vidro.
Tenho medo
de faca,
estilete
e revólver.

Finjo não ver,
não ouvir,
enquanto meu corpo
escuta o menor
movimento.

O sinal demora.
Rezo, xingo, esbravejo.

Olho torto.
O menino insistente
pede uma moedinha
para um pão ou um leite.

Balanço a cabeça
em um não
complascente.

Sinal verde.
Graças!
Rápido arranco.
Fujo
do meu medo.

Pelo retrovisor,
o menino assentado
perigosamente no meio-fio,
espera outro não!

Belo Horizonte-MG

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

34- MENINO DE RUA
- Nany Schneider (Gi) -

Menino velho, cansado,
Pela vida, maltratado,
No semblante refletido,
Um coração dolorido.

“Uma moeda, Seu moço?”
“Vai uma ajuda aí, tio?”
De vida, só um esboço,
De resto, só desafio.

Bem cedo aprende o menino,
A usar de malícia e viver.
Pois sabe que seu destino,
É da polícia correr...

Mesmo culpa não tendo,
Sabe ser esse o jeito...
Pois entendeu sofrendo,
O poder do preconceito.

Este é um poema duro,
A um menino sofredor,
Que talvez tenha o futuro,
Cercado de violência e dor.

Curitiba-Paraná-Brasil!, 21/06/2005_08:17
http://www.bettyboopstar.com.br

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

35- MENINAS DE PÉS DESCALÇOS
- Zelisa Camargo -

O que será de mim com pés descalços
andando um caminho que nem sei
onde irá dar.
Nada vejo a não ser uma estrada vazia,
sem pessoas ao meu lado que me amparem
que lutem por mim
e assim caminho sozinha.
Sem rumo, com lágrimas
nos olhos,
pois perdida me encontro
nos caminhos da vida,
nesse caos onde não encontro
uma mão que me apóie e me ensine
de cidadania, de dignidade, de direitos
e assim vou perambulando cada dia mais
ao nada , à fome, à miséria, caminhando
e logo meus pés irão sangrar
e ai...
que farei para prosseguir minha caminhada
rumo de nada,
pois não vejo um futuro à minha frente,
mas um povo que senta e vê a vida passar...
apenas eu procurando um caminho
onde possa encontrar pessoas
que queiram lutar pela nossa cidadania
e dar a nós, crianças desse brasil,
um pais onde seja digno de ser vivido
e não termos medo de dizermos
eu amo o meu pais!
amo esse brasil!
que é o mais rico do universo
e o mais cobiçado.
a estrada esta aberta
o convite esta ai.
Quem quer me acompanhar nessa caminhada
em busca da nossa liberdade de sermos
brasileiros com dignidade
e honradez?
não podemos mais calar
e nem ficarmos paradas
faça como eu,
pegue a estrada e vamos à luta.
não importa que os pés sangrem
nosso brasil necessita de nós.

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

36- MENINO DE RUA
- Camila da Silva Cesar -

Sou menino de rua,
Dono da lua,
Não estranhe essas palavras tão cruas,
É que não sei escrever,
Quem me dera ler.
Não tenho sapatos,
Meus pés já estão gastos.
A minha face é triste,
Os meus olhos simplesmente
Não resistem.
Sou dono da lua,
Menino de rua,
Vivo sozinho,
Não tenho outro caminho,
Minha família? Quem me dera.
Desde que me conheço por gente,
Nunca tive, nem em mente.
Tenho objetivos,
Mas me faltam oportunidades,
Continuando desse jeito,
Vou viver na malandragem.
Vida, doce ilusão.
Porque chamar de vida,
Se não tenho água, nem pão?
Nem onde dormir, nem onde viver?
Nem o que vestir, nem o que comer?
Ah! Vida! Porque selou assim o meu destino?
Porque não me deixou ser um bom menino?
Porque tenho que sofrer?
Não fui eu quem pedi pra nascer.
Minha vida é assim,
Não é a toa que sou infeliz.
Quero um dia esquecer meu passado,
Ter novos traços, me tornar um rapaz.
É que ainda sou menino,
Não me sinto capaz.
Sou apenas um menino.
Tenho vivido como posso,
Luto para sobreviver,
A vida nas ruas não é fácil,
Tem sempre alguém querendo lhe bater.
Ah! Que vontade que tenho de ser alguém de verdade,
Apesar de ser alguém,
Muitos me vêem como ninguém.
Sou um arrombo na sociedade,
Mas quero um futuro de verdade.
Eu, menino de rua, dono da lua,
Quero um final feliz!

Santos_SP

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

37- "Uma andorinha não faz verão."
MENINOS DE RUA

- Maria Regina Moura Ribeiro -

Menino de Rua,
que vida triste tu levas.
Quem te ama, quem te acaricia?
Sei que pensas que a tua vida deveria ser diferente.
Eu também acho isso e vou tentar fazer alguma coisa...
Aliás, estou tentando te ajudar,
mas quem precisa de ajuda sou eu.
Ontem, eu te vi junto com tua mãe.
Fiquei com inveja do abraço apertado e do beijo estalado.
Ela te olhava com tanto carinho que meus olhos marejaram,
ao lembrar-me que isso não existia na minha casa.
Vivo só no meu mundo de fantasia,
pensando que  "uma andorinha não faz verão".
Mas, naquele momento,
acreditei que duas andorinhas podem tentar...
Será que juntos, poderíamos nossas vidas melhorar?

São Paulo, 21 de junho de 2005
www.corujando.com.br

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

38- MENINOS DO BRASIL
- Margaret Pelicano -

E cheira cola,
E corta cana,
E é picado de cobra,
quando na fazenda
acompanha
o pai, a mãe, o irmão,
e continua menino para sempre,
sem escola,
na escravidão!

E corta árvore a facão
e carrega tora
para virar carvão
trabalha o dia inteiro
para ganhar uma refeição.

Quando não está no sertão
está nas salinas,
juntando sal de sol a sol
para viver de tostão.

Nem sabe que há escola
e se sabe,
não pode ir a ela não,
tem só que trabalhar,
para ganhar o pão.

Humilde menino latino,
ser ladino,
a escola da vida pode até ensinar,
mas coitado,
ilhado, excluído,
você não pode ficar!

Uma nação que se preza,
não pode se acomodar,
nem aceitar menino que tanto trabalha,
sem a escola frequentar!

Menino que mora nas ruas,
morre cedo
sem colo de mãe a embalar.

Menina que se prostitue,
sem conhecer vida melhor,
sem conhecer valores,
família, respeito,
sem objetivos a procurar.

Na seara de Jesus
como ficam nossos defeitos?
O que fizemos por essas crianças,
que vivem nas ruas sem leito?
Sem alimento,
viciadas, traficando, morrendo sem ter direitos?

Brasília - 21/06/2005

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

39- MENINO DE RUA
- Azoriana -

Menino perdido
no Sol e na Lua
Menino querido
que sina é a tua?

Vestes o luar
ris com as estrelas
só não podes voar
para junto delas.

Menino de rua
tens uma missão
procuras ternura
p’ro teu coração.

Eu quero louvar
o Deus que te guia
Ele vai-te amar
e dar luz ao teu dia!

http://silvarosamaria.blogs.sapo.pt

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

40- MENINO DE RUA... APENAS UM ABRAÇO
- Raquel Caminha -

Dirigindo meu carro, paro num sinal,
correm para minha janela, um, dois, três
meninos de rua,
sem proteção do Governo do Estado.
Culpa dos pais?
Hoje meninos de rua, amanhã marginais.

Senti medo sim, não minto, de abrir a janela,
já vi tantos assaltos, presenciei conflitos
entre assaltantes e comerciantes,
que me previno sem poder ajudar a
esses meninos de rua, fico aflita.
Culpa dos pais?
Hoje meninos de rua, amanhã marginais.

Fui vítima desses meninos,
num sinal dessa cidade da luz,
reagi com firmeza, corri risco,
mas enfrentei essa cruz.
Aquele menino assaltante,
com um caco de vidro no meu braço,
senti medo, pena, gritei.
Quando olhei aqueles olhinhos,
li que eles queriam apenas um abraço.
Culpa dos pais?
Hoje meninos de rua, amanhã marginais.

Fortaleza, 22 de junho de 2005

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

41- MENINO
- Nelim Monti -

Quem é aquele menino...
sujo, maltrapilho
que vive pelas ruas
a perambular??

Filho da rua
que vive a mendigar.
Onde estão seus pais
pobre menino?

Que  sonha ganhar...
ou roubar??
Algo para brincar
ou
algo para matar?

Menino de rua
criança inocente
porque  a vida
fez de você
um delinqüente ?

Menino de rua
futuro bandido
ou
alguém descrente ?

Menino de rua
que vive a viajar...
nos braços das drogas
se vê realizar.

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

42- MENINO DE RUA
- Nancy Pimentel -

Na rua
ele nasceu
na rua, abandonado,
ele cresceu
mirrado,
acanhado,
desconfiado...
sobrevivendo
- triste destino -
das esmolas
dos que não querem compromissos
que seguem, sem sequer
olhar para trás...
Pobre menino,
já quase um rapaz,
que só anseia
nesta vida tão fugaz,
por carinho,
amor,
compreensão.
Amor de mão amiga
que o tire da rua
e lhe dê
dignidade
e um pouco de paz.

22/06/05
nancypimentel@oi.com.br

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

43- MENINOS DE RUA
- Sueli do Espírito Santo -

Ô meu, pára de ficar "só na sua"
lança um olhar mais atento
para os nossos meninos de rua
desabrigados, vivem ao relento

Nada de reclamar
só apontando culpados
também estamos meio que dopados
nas questões do social, sem nada proclamar

Meninos de rua
largados numa realidade dura e crua
habituados a uma marginalidade
precisados de ajuda e de dignidade

Falar é fácil, eu bem sei
Tentar é preciso inventar uma lei
Buscar procurar uma solução
Motivar os meninos de rua é a direção...

(Sue2001) 23/06/2005

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

44- MENINOS DE RUA
- Faffi (Silvia Giovatto) -

Em cada semáforo,
em cada esquina, um rosto apagado
olhos tristes, pés descalços...
As vezes drogados, as vezes não,
eles pedem um trocado pra comprar pão
Meninos de rua!
Que sina é a sua?
Sem família, sem ninguém
se marginalizam....talvez  até sem querer
ou por sentir fome e ter de sobreviver.
É triste de ver a criança na rua,
sem casa, sem sonhos, sem nada!
Que mundo é esse?
Uns com tanto... outros sem nada.
hei! você!
Você mesmo!
Ajude esses meninos...
Eles precisam resgatar a dignidade.

São Paulo/Brasil, 22/06/05

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

45- MENINO DE RUA
- Ilton Alencar -

Infância pra ele virou lenda
Vive no limite esperando sua vez
Come se tiver, dorme onde puder
Dizem que não faz parte da sociedade
Não precisa ser menino, pode ter qualquer idade
Ele mora alí na rua, em qual rua eu não sei
Ele diz:"Alegria eu não tenho, não sei onde deixei".
Não tem ninguém por ele, é só Deus que está ao seu lado
Procurando o que comer, sempre é descriminado.
Cada um tem seu porquê, sua história escrita em dor
Cada um carrega sonhos, é na vida, um lutador
Vem buscando o calor em tempos de frio brando
Pra escapar da madrugada e do frio do ser humano.

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

46- MENINOS DE RUA
- Mário Osny Rosa -

Vem da periferia,
Ficam no centro.
Sede do encontro,
Com muita ousadia.

O social vem fugindo,
Em ser responsável.
E nem mesmo agindo,
E nem sendo sociável.

Sentado cheirando,
Agachado comendo.
De pé conversando,
Quem sabe prevendo.

Ninguém está vendo,
Que país horrendo.
Meninos correndo,
Na rua sofrendo.

Vivendo na praça,
Sentado no banco.
Qual será o tranco.
Dessa desgraça.

Gente que passa,
Até acha graça.
Com essa massa,
De quem os faça.

Sempre tem um guia,
Que ensina a magia.
Lá vem a trombada,
Com mais uma tirada.

E no fim do dia,
Uma vantagem,
Com que imagem,
Isso é covardia.

Vítima saqueada,
Quem leva a bolada.
Escapa isolada,
Nunca é apanhada.

Pede comida,
Dorme na rua.
Grande ferida,
Não tem cura.

São José, 23 de junho de 2005.
mor@poetasadvogados.com.br
www.mario.poetasadvogados.com.br

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

47- CRIANÇA ESPERANÇA
- João Carlos F. Almeida (Rother) -

Na correria do dia a dia,
Ninguém nota aquela criança
Em farrapos e quase nua,
Que todos dizem nasceu na rua.

Uma criança deveria ser a esperança
E nunca derramar lágrimas de dor.
E no futuro, a bonança,
Bem vestido, bem calçado,
Devidamente alimentado.

Quase sempre é escorraçada,
Sua morada é a rua,
Seu leito... A dura calçada!
E por cobertor, somente a lua!

Ela sonhou em ser amada!
Por alguém que é um semideus
Ela foi abandonada!
E por todos desprezada,
Ela só é amada por Deus!

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

48- os Meninas de Rua...
- ZecAdi Avelar -

Vê aquele menino-de-rua - moço?
Poderia ser seu filho...

Ele dorme ao relento
ele come quando pode
ele rouba ele se droga
ele é o atestado vivo
desta nossa sociedade
que em nome da "mais valia"
a rua pra essas crianças,
sem piedade sentencia!

Vê aquela menina-de-rua - moço?
Poderia ser minha filha...

Ela mal cobre seu corpo,
e pelo olhar (des)humano
que avidamente a possui,
é por quem se prostitui.
Ela sente o frio da alma
em maternidades precoces
enquanto a sociedade
a trata qual "estragado doce"!

Vê essas crianças-de-rua - moço?
são tão gente quanto nós...

Que vivendo ao relento
nas noites frias de vento
com as fomes dos espíritos
com as sedes de sua´lmas
em necessidades (des)humanas
vivem suas vidas mundanas
...enquanto eu e você
nos passamos por "bacanas"!

Vê esses meninos-meninas de rua - moço
nos estendendo suas mãos...

Nos pedindo por carinho,
ainda que só um pouquinho,
nos pedindo proteção,
qual o semelhante-irmão...
um recado aflora em meu peito,
e diante dele me humilho,
nessas crianças-de-rua vejo,
como que trato meus filhos!!!

Ah... meninos e meninas de rua
Eu sei que ainda é tempo,
de amenizar sua dor,
com nosso amor... meu amor!!!

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

49- QUE PROJETO É ESSE ?
- Jorge Gomes do Couto -

Oi moço, me dá um dinheiro? Tô com fome!
Me dá uma ajuda pro meu irmão doente?
Tão pequeno! Parece indefeso, parece um filho!
Mas essa imagem da mente logo some.
No seu lugar um temor, o medo da morte,
do roubo, da droga ... congela a gente.

Filho da vida, filho da noite, ele é só um menino de rua.
Que destino ou programa traçado lhe escreve os caminhos?
Cheiro de cola, roupa rasgada, pouco carinho.
O sexo forçado, a agressão sempre vindo, que sina essa sua.

Menino de rua, dos programas sociais,
do marketing e do vamos tentar.
Quem te escolhe, menino, será que vê a tua dor,
será que vê o teu pavor,
será que vê a falta de amor?
Cheque cidadão, vale gás, projeto isso, projeto aquilo
o que mais vão inventar
Sem conseguir disfarçar que esse problema não mais se resolve
Com cesta básica ou pouco dinheiro na mão.
Que pra mudar seu destino
Tem que ter cultura e educação.

Meninos de rua,
Uma lágrima rola,
Não tem um brinquedo,
Não tem uma bola.
Corre, corre, lá vem mais um grupo,
Olha, é um moço barbudo.
Quem sabe é o amigo que em sonhos tem visto?
Como é mesmo o seu nome, menino?
Acho que é Cristo.

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

 

 

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