Esta ciranda é uma homenagem a Casimiro de Abreu:

CASIMIRO José Marques DE ABREU,nasceu em uma fazenda fluminense situada na Barra de São João, RJ, no ano de 1839 e morreu tuberculoso em Nova Friburgo, RJ, em 1860, um ano após a publicação de seu livro de poemas: Primaveras.

 

A Juriti
Casimiro de Abreu

Na minha terra, no bulir do mato,
A juriti suspira;
E como o arrulho dos gentis amores,
São os meus cantos de secretas dores
No chorar da lira.

De tarde a pomba vem gemer sentida
À beira do caminho;
- Talvez perdida na floresta ingente
A triste geme nessa voz plangente
Saudades do seu ninho.

Sou como a pomba, e como as vozes dela
É triste o meu cantar;
- Flor dos trópicos - cá na Europa fria
Eu definho, chorando noite e dia
Saudades do meu lar.

A juriti suspira sobre as folhas secas
Seu canto de saudade;
Hino de angústia, férvido lamento,
Um poema de amor e sentimento,
Um grito de orfandade!

Depois... o caçador chega cantando,
À pomba faz o tiro...
A bala acerta, e ela cai de bruços,
E a voz lhe morre nos gentis soluços,
No final suspiro.

E como o caçador, a morte em breve
Levar-me-á consigo;
E descuidado, no sorrir da vida,
Irei sozinho, a voz desfalecida,
Dormir no meu jazigo.

E - morta a pomba nunca mais suspira
À beira do caminho; -
E, como a juriti, longe dos lares,
Nunca mais chorarei nos meus cantares
Saudades do meu ninho!

Escrito em Portugal, onde o poeta permaneceu 4 anos

PARTICIPANTES:
01- Margaret Pelicano
02- Tere Penhabe
03- Lauro Kisielewicz
04- Giuseppe Martinelli
05- Diógenes Pereira de Araújo
06- Marcial Salaverry
07- Augusta Schimidt
08- Bernardino Matos
09- Raquel Caminha
10- Joyce Lu@zul
11-Azoriana
12- Mário Osny Rosa
13- Nelim Monti
14- Denise Severgnini
15- Cel (Cecília Carvalho)
16- Valeriano Luiz da Silva
17- Priscila de Loureiro Coelho
18- Zuleika
19- Célia Lamounier
20- Machado de Carlos
21- Maria da Fonseca
22- Eda Carneiro da Rocha
23- Regina Bertoccelli
24- Maria Aparecida Macêdo
25- Roseli Busmair
26- Armando Sousa
27- Lu_guerreira
28- Beatriz por um triz
29- Cássia Vicente
30- João Carlos F. Almeida (Rother)
31- Pilar Casagrande
32- Edmundo Colen
33- Sueli do Espirito Santo
34- Luís Carlos Araújo
35- Marisa Francisco
36- Pequenina
37- Andreia Cristina Guadagnin
38- MariaTherezaNeves
39- eme paiva
40- faffi
41- Graça Ribeiro

01- Folhas
Margaret Pelicano

As folhas correm,
dançando ao vento
o sabor de qualquer momento!
Alheias a tudo,
vão para onde o vento as levar
vivem vida ímpar
verdes nas árvores,
tapetes ao chão,
voam as folhas de par em par.

Levam a vida que eu queria,
sem para nada ligar,
sem ansiedades,
sem sofrimentos,
entendendo os momentos...
folhas... a me ensinar.
Estão sempre acompanhadas
de outras
e vão a qualquer lugar.

Felizes as folhas,
elas tem amigos do peito,
caminham  juntas...
Oferecem-se à natureza,
do nascer ao morrer!

São ninhos para passarinho,
cobrem as furnas das doninhas,
sobre a relva, amaciam o caminhar.
Abrem suas almas para se ofertar!
São sombras,
são leito,
são alimento,
são arte...
Cumprem seu destino,
levando a simplicidade
às raias da menor medida!

Folhas, exemplos para minha vida!

Brasília, DF -  07/2005

02- Ciclo Natural
Tere Penhabe

As folhas caem
para não envelhecerem
as que teimam em ficar
acabam sendo atropeladas
por galhos que não as querem mais.

As flores secam
para permanecerem belas
o tempo é sempre implacável
se as flores insistirem em viver
serão açoitadas pelo vento e destroçadas.

As águas correm
para continuarem cristalinas
porque se pararem, apodrecem
não mais poderão banhar corpos
cansados que as buscam no sol forte.

A nossa vida também:
precisa cair, secar, correr
refazer-se a cada novo dia
buscando no sonho as alegrias
porque parar significa entristecer!

Itanhaém, 16/05/2003

03- Soltas Pétalas
Lauro Kisielewicz
 
Espalhadas pelo chão,
sendo movidas pelo vento,
rolavam...
de cá para lá...
voltavam...
de lá para cá...
em incansável ir e vir...
Junto com elas levavam
e de novo traziam,
lembranças agradáveis,
que no entanto feriam
mais que os espinhos do ramo
que antes conteve a flor...
 
Espelhavam silenciosamente,
o triste fim de um amor,
que por um tempo insistiu
em sobreviver a tudo...
queria superar tudo...
sucumbiu porém, mudo...
diante do rigor do tempo,
desfolhando-se como as pétalas,
da antes belíssima rosa
que efêmeramente embelezou
momentos da vida de alguém
que já está no além...
mas que é sempre lembrado
com carinho e com afeto
por todo bem que causou...
e que sempre será reverenciado,
tantos nas flores vivas,
como naquelas
que o tempo desfolhou...
e transformou
em soltas pétalas
movidas pelo vento,
rolando...
de cá para lá...
voltando...
de lá para cá...
 
22/jan/2005

04- Folhas Secas
Giuseppe Martinelli
 
Você já viu as folhas secas
Com o vento a brincar
O vento sopra e elas giram
Parecido a um pião
A girar e rodopiar
 
Acontece muitas vezes
Antes que chega a primavera
O vento sopra as folhas secas
Parecendo que elas têm vida
Acompanhando a brincadeira
 
Para o homem e uma tristeza
Ver as arvores se despindo
Dos frutos e de suas folhas
Parece até que mortas estão.
 
A nossa vida se compara
As arvores com suas folhas
Nascem e crescem bem viçosas
Resistindo a intemperança
 
Chega o inverno da nossa vida
As folhas verdes viram rugas
E os anos se desprendem
Caem no chão e vão embora...
 
Guarapuava, 23/07/05
giumarti@brturbo.com.br

05- Folhas Mortas?
Diógenes Pereira de Araújo

Não somos folhas mortas pelo chão
para servir de adubo inertemente;
nem flores murchas a doar semente
para servir a nova plantação

Não somos plantas não; nós somos gente
Nós cultivamos sonhos. E ambição.
Somos capazes de dizer um não
às causas deste mundo decadente

Temos visto que o neocapitalismo,
se faz a poucos multimilionários,
dá à maioria ínfimos salários

A distorção brutal do consumismo
traz muitos mendigando às nossas portas.
Entretanto... não somos folhas mortas!

diogenes@poemanet.com

06- Ouça o Vento
Marcial Salaverry

Sinta do vento a doce carícia,
trazendo-lhe a delícia
de um carinho de amor...
Sinta esta brisa suave e morna,
que com seu amor retorna...
Sinta o vento... algo está a lhe dizer...
Não deixe seu amor se perder...
Ele faz a folhar voar sem direção,
não deixe o amor fugir assim de seu coração...
Ouça o ruído do vento,
parece um triste lamento
por algum amor perdido,
no passado esquecido,
junto com as folhas por ele levadas,
lembranças desencontradas...
Ele chora,
mas você sem demora,
tendo do vento a companhia,
a outro alguém logo amaria...
Sinta o vento como que te abraçando,
é esse alguém que está chegando,
e que logo estará te amando...
Saiba o vento ouvir... sentir...
E não deixe esse amor fugir...
Recolha as folhas que voaram,
com a felicidade que seus carinhos deixaram...

07- Folhas de Outono
Augusta Schimidt

Dormem sonhos sob as folhas de outono
E quando descem das frondosas árvores
Tecem tapetes encantados
Ornamentando os rios e o chão das matas.

E enquanto flutuam no ar
Serenamente absorvem da natureza a aparência
E como pedaços coloridos de esperança
Deitam na relva tranqüila
Deixando como despedida
A certeza da renovação da vida.

Campinas/SP / 27/01/05
www.augustaschimidt.prosaeverso.net

08- Minha Mente Flutua!
Bernardino Matos

Há momentos em que minha mente vagueia,
ao sabor do vento, como um barco que se distancia,
levado por esse sopro ignoto que permeia,
sem rumo certo, como uma folha sem guia.
tal como a nostalgia,
uma cadeira vazia,
uma luz que irradia,
um amor que propicia,
ao coração a primazia.
 
Uma folha de papel ou de uma planta se movimenta,
do mesmo jeito, suave, sem ruído, para lá e para cá,
ora para frente, ora para trás, ora lenta,
imprime velocidade e recua, como a falar,
deixe a vida lhe levar,
sem medo de andar,
sem temor de errar.
tente se deslocar,
e sempre se doar.
 
A folha ignora a força do vento, o futuro, o presente,
não se importa com a distância, nem com a altura,
enfrenta a chuva, o frio, a umidade, o sol quente,
seu espaço é imenso, como a dimensão da criatura,
ela viaja com coragem,
não importa a aragem,
fixa na fé sua imagem,
ignora toda contagem,
o amor é sua voltagem.
 
Ela flutua sem planos, sem amarras, sem desenganos,
ignora a solidão, não rejeita companhia, procura uma mão,
que a proteja que não a deixe se partir e por longos anos,
dê-lhe segurança, guarida, a impeça de desbotar, uma união,
tal qual uma devoção,
no inverno e no verão,
permanente proteção,
uma chama sem extinção,
um bálsamo para o coração.
 
Ela ignora o tempo, a velhice, a inveja, a cobiça, o desamor,
não escolhe o lugar, foge da solidão, quer algo permanente,
para que possa flutuar livremente, tendo como valores,
a amizade, a solidariedade, a confiança, seus amores,
minha mente se recolhe,
a liberdade jamais tolhe,
sua certeza não encolhe,
impede que a alma se molhe,
pois sempre a fé a acolhe

09- Minhas Folhas Secas
Raquel Caminha
 
Quando recebi esse poema com o
tema folhas, me veio
a lembrança
de uma música que me marcou muito,
cujo nome é Folhas secas.
Ouvi muitas vezes em rodas de amigos
e me enchia de emoção, pois ele cantava
para mim, só para me verem sambando toda
arteira.
"Quando eu piso em folhas secas,
caídas de uma mangueira, penso
na minha escola e nos
poetas da minha estação primeira"
Hoje sentada na varanda
olho as folhas balançando
nos galhos, parecem que entendem
meu pensamento.
Ficam naquele compasso de samba,
querendo me ver novamente toda
arteira, sambando
e rebolando as cadeiras.
Quando muda a estação, que elas
ficam amarelas, cai não cai, sinto
uma dor no coração, querendo protegê-las,
mais uma voz me diz:
Filha é da natureza.
Eu sei, tudo tem seu tempo, seja
com sol, chuva e frio,
elas sempre se renovam.
Todas as vezes que você olhar uma árvore
seca, podes crer, foi apenas uma viagem,
logo elas estarão de volta, são coisas da natureza.
Elas secam, caem, voam com o vento forte,
mas, sempre voltam, pois tudo
faz parte da beleza desse imenso universo.

10- Árvore e Inverno
Joyce Lu@zul

Árvore e Inverno presentes
Árvore despida... flor ausente
Poucas folhas amarelecidas
Parecem almas desiludidas
Árvore solitária... folhas no chão
Segredam amor e desilusão
Lembrança do amor que se esvai
Rápido qual estrela quando cai
Dia cinzento... sol escondido
Dia sem brilho entristecido
Árvore esguia... silhueta alongada
Inverno e árvore desfolhada
Árvore na caminhada... inverno gelado
Sigo em busca do inverno temperado
Além do túnel há sol e vida
Encontrarei árvore com folhas...florescida
 
 Torres. 11/07/2005-16h00min

11- Minha querida Folha
Azoriana

Escrevo-te esta letra para dizer-te que te quero muito.
És a minha companheira dos sonhos, das ideias,
das tristezas e das alegrias.
É em ti que deixo o meu percurso, o meu viver.
Tu deixas que fique viva a minha passagem
por este caminho tortuoso mas também glorioso.
Nasceste da Árvore que nos dá abrigo e frescura,
nos ajudas a respirar enquanto por cá estivermos.
 
Sabes Folha,
 
Faço-te a minha homenagem aqui e agora:
 
És a Folha amada dos Poetas
És a Folha rica dos Escritores
És a Folha que regista todas as metas
És a Folha que dignificas os amores

Para ti um Bem Haja de mil cores
 
http://silvarosamaria.blogs.sapo.pt

12- Enfeite na Primavera
Mário Osny Rosa
 
O outono se despediu,
A arvore ele despiu.
O inverno chegou,
O resto ele matou.
 
Logo chega a primavera,
Aquecendo a arvore nua.
Dos ramos brotam as folhas,
Vestindo a arvore sua.
 
O pé de ipê que já floresce,
Linda a primavera em flor.
Quero vê-la na quermesse,
Para enfeitar seu andor.
 
Como é bela a primavera,
Bem longe de uma guerra.
As matas a enfeitar,
E o verde decorar.
 
São José, 25 de julho de 2.005.
morja@intergate.com.br

13- Folhas...
Nelim Monti

Folhas a cair...
Num bailado fantástico,
na carícia do vento
que sopra uma doce melodia
Cumprindo com sua missão
Depois de ter passado o
inverno da criação.

Vida...
Folhas...
Embaladas pela doce sinfonia
do vento da vida
Levadas sem rumo...
Sem a alegria que
antecedia a chegada.
Folhas...
Vida...
Restos que a vida deixou.

Cajuru, outubro de 2003

14- Folha de Outono
Denise Severgnini

Sou folha de outono que cai lentamente
Desce ao solo na esperança de virar semente
Flanando, suavemente, desprendo de mim as angústias
Absorvo da atmosfera circundante as boas essências
 
A folha que cai, cumpriu seu papel, mas eu ainda
Tenho muito a realizar em missão de amor
A sensação de levitação faz-se expiação
De sentimentos mal resolvidos em meu ser
 
Sou mais do que aparento ter
A felicidade desejo a todos promover
E como a folha de outono que despencou
Não encerrarei meu ciclo
Ela será adubo, a alimentar novos grãos
Eu serei a poetisa a emocionar irmãos

15- Folhas do outono
Cel (Cecília Carvalho)

Amarelas, queimadas do sol soltaram-se dos ramos,
deixaram-se levar pelo vento,
que frio deixara de ser brisa morna, suave
e rolaram no tempo, caíram sobre a grama, rolaram ao relento ...
Eu também vivi primaveras,
sorri no calor do verão, me encolhi do frio e hoje,
qual folha de outono, estou sendo levada, pela vida e choro ...
Meu coração já foi passarinho,
estufava o peito, soltava seus gorjeios de amor,
hoje, ao ouvir os passarinhos, meu olhar se perde pelo tempo,
as lembranças me arrastam me deixam saudosa,
relembrando um tempo que não volta mais ...

16- Primavera
Valeriano Luiz da Silva

Primavera é tempo de flor!...
E flor simboliza amor...
A primavera trajando alegre cor
Chegou pra amenizar a nossa dor

É nessa época que o jardim, se alegra!...
É tempo de replantio e não de sega
Está na hora de arrancar as raposinhas
Que tem danificado nossa vinha

Repentinamente chegou a primavera
Veio mansamente como as cervas e gazelas
Se a terra já está arada
Está na hora da semente ser lançada.

Talvez nem toda semente venha a ser vingada
Caso a terra não seja fértil, então é preciso ser adubada,
Façamos do mundo um jardim, plantemos paz e amor...
Esperando que na época da sega esteja reduzida a guerra e a dor.

Anápolis Go, 01/09/04
valerianols@globo.com
www.albumdepoeta.com

17- Folhas de outono
Priscila de Loureiro Coelho
 
Estação curiosa a do outono
Onde o tempo parece sossegar
Como se a natureza, tivesse sono
E fosse calmamente descansar
 
A beleza explode silenciosa
No clima suave e ameno
Nas claras manhãs esplendorosas
Que evaporam o que resta do sereno
 
Há um som peculiar nesta estação
Como delicada sinfonia
Tanta beleza arrebata o coração
Que me leva a escrever essa poesia
 
Outono...tempo de folhas caindo
A natureza troca sua roupagem
E eu me maravilho assistindo
Meu amor fazer parte da paisagem!

18- Folhas...
_Zuleika_

Brilham com as gotas do orvalho...
Escondem ao entardecer...
Enfeitem de verde os galhos...
Perfumam o alvorecer...

Encantam a nossa vida...
Reluzem o verde-esperança...
Se enlaçam ao colorido das flores...
Flutuam em suas andanças...

Cavalgam nas asas do vento...
Giram, rodam, feito criança...
Enquanto verdes sorriem...
Nada temem, tudo é dança...

Ao verde sucede o amarelo...
Não há brilho ... folhas secas...
Do sonho foi-se o anelo...
Folhas verdes...é hora de esquecê-las...

JF/MG/BR

19- Pétalas     
Célia Lamounier
 
Tão pouco este encanto viveu
durou a eternidade da vida
de uma flor, de uma rosa
perfumada rosa azul
envaidecida.
 
Tão pouco este encanto durou
viveu o tempo de uma flor
colhida a esmo
ornando uma lapela
jogada fora tão singela
 
Durou o tempo exato
viveu por uma noite, brilhou na escuridão
e quando veio a luz da madrugada
o orvalho jogou pétalas no chão
e o amor fugiu frente à razão.

http://celialamounier.portalcen.org

20- Pássaro Encantado
Machado de Carlos

Amanhã verei a menina bonita?!
- Vem minha sabiá, dê-me tua coragem
Liberta-me. Seguiremos viagem...
Até quando pagarei esta vindita?

Preciso tanto de tuas asas benditas
Vencerei esta neve. Chegarei à margem
Meu pranto agora se fez mensagem
Até quando esta provação prescrita?

Como criança choro pelo teu amor
Como a planta clama ao sol pela cor.
- Não sei voar por esta noite calma.

Fito a tua foto, aumenta a solidão
Lembro os tempos azuis - Dói coração!
- Volte, pássaro. Meu encanto. Minha Alma!...

http://ilove.terra.com.br/autores/TEXTO.ASP?idpi=204

21- Outono Rutilante        
Maria da Fonseca

Há pouco tempo chovia
E o céu estava forrado.
Agora o Sol descobriu,
Ficou tudo iluminado!

Meio despidas, as árvores
Transmitem-nos a magia
Dum Outono rutilante,
Com assomos de alegria.

Na paz da bela manhã,
O frio já se faz sentir.
E o vento, mesmo ligeiro,
Põe as folhas a bulir.

De lindas gotas radiosas,
Elas luzem, salpicadas.
Cobrem o chão às centenas,
De vários tons, matizadas.

Algumas são ainda verdes,
Mas no reverso, amarelas.
Umas, já acastanhadas,
E outras vermelhas, singelas.

Um momento adorável,
Que, breve, se perderá.
Neste poema, retê-lo,
Minha alma suavizará.

Lisboa,2/12/04

22- Folhas ao Léu
Eda Carneiro da Rocha

Folhas se vão, vêm
na minha vida.
Passam, voltam
alegres, tristes,
me amam!

Eu as amo, como folhas,
de papel ao léu,
para me dizer do amor que sentem por mim!..

Das folhas que rolam na calçada em redemoinho,
para me dizer do teu amor por mim.

Vêm e vão , em suave sintonia,
com o vento que passa e leva tudo de minh'alma!
Leva o meu amor para pertinho de ti,
te dá um beijo,como folha nova
que nasceu e que te ama.

Novo rebento de Amor:
Minhas folhas que não te deixam,
passam por teus cabelos e beijam teus olhos,pequeninas,
pois são o meu mais novo rebento de amor:
" Minhas Folhas ao Léu"!...

23- Renovação 
Regina Bertoccelli

Folhas mortas que caem ao balanço do
vento, num doce bailado...
É o prenúncio de um novo ciclo,
de uma nova etapa
Momento mágico em que a natureza
se faz presente...
As folhas que outrora tanto enfeitaram
os troncos e ramos,
agora se despedem...
Espalhadas no chão...mortas...
É chegado o momento da renovação
Pássaros mil, vindos de todos os cantos.
recolhem em seus pequenos bicos,
essas folhas...
Sem vida agora, mas que serão o alicerce
de novos ninhos, de novas vidas...

24- Folhas Soltas Ao Ar...
Maria Aparecida Macêdo - "Maria Anjinha"

Folhas que dançam, pelo ar,
bailando como se estivessem,
ao som de uma valsa.
Olho pro céu e vejo folhas sêcas,
soltas a vagar.

Folhas sêcas a voar.
Sinta as folhas, acariciando,
nossa alma, indo em busca
da harmonia interior, para
esperança deixar, em nossas vidas.

Folhas soltas, indo em busca
de outros caminhos, espalhadas
pelo chão , e que passarão
pelo nosso rosto,
deixando o carinho e a brisa fria,
de uma folha seca.
Toda essa beleza e encanto,
faz parte da nossa Mãe Natureza.

Araruama
27/07/2005

25- Estações da Vida
Roseli Busmair

Ao Sol d’Outono,
entre as folhas mortas
que se aglomeram amareladas
e jazem aos meus pés:
Vejo a árvore despida,
que no vento frio estica
seus galhos nus em direção ao céu.
O vento impiedoso
dilacera suas folhas que caem ao solo,
gerando a transmutação.
Vem a chuva gélida
lavar o seu tronco desnudo,
esgueirado e intrépido,
na avalanche das águas
torrenciais do Inverno.
Quais lágrimas do céu,
vão lavando os resíduos
do Verão já passado.
Resta a Esperança
em renascer noutra Estação,
através dos brotos novos
que se perfilarão finalmente,
na nova e bela Primavera !

www.saladepoetas.eti.br

26- Folhas de papel
Armando Sousa

Nas folhas de papel eu te lancei meus carinhos
Como estavas longe lancei nelas meus beijinhos
Amor nas folhas desenhei meu coração
Um sentimento raro de amor e de paixão
Não amor, não eram folhas de mil cores
Que da arvore caiam no chão
Era tinta nas folhas a descrever meu coração
Um sentimento sem igual de amor
Nessa folha de papel lancei meu pensar
Paixão de te beijar e abraçar
As outras folhas verdes cobrem o ninho
Nele esta no choco um passarinho
Cobrindo com amor sua semente
Debaixo das folhinhas é o seu lar
Esse passarinho vive contente
De que eu falo amor, é das folhas de papel
E de ti flor, de que sugarei teu mel
De teus biquinhos,
Como os filhos dos bicos dos passarinhos

armando.sousa@sympatico.ca

27- Folhas secas
Lu_guerreira

Árvore grandiosa que com
sua sombra nos acolhe..
Com suas folhas
nos dão lugar para deitar
e assim poder sonhar...

folhas verdes que ficam ao vendo a balançar
para nos, um alento poder de
tamanha beleza desfrutar.

Muitas vezes mortas..

mas insistem em ficar  ao seu ramos  agarradas,
pois não querem definhar
querem continuar da natureza  a  fazer parte,
querem verdes e brilhantes continuar...

Nossa vida e como as folhas...
Em certo ponto de  nossa  jornada,
nos tornamos folhas mortas
tentando viver...
nos agarramos com força a vida
querendo sobreviver.

Mas nem sempre é possivel
e só nos resta, como as folhas secas...
A morte esperar...

28- A folha seca no diário
Beatriz por um triz

Guardo-te ainda em meu diario
folha seca e inerte
historia de uma noite encantada
onde amei e fui amada
tendo-te como cúmplice dessa madrugada

Quantos segredos de menina
confidenciei a ti
Fostes a única a assistir calada
minha transformação em mulher

E o meu desabrochar foi intenso
como intenso é o amor que lhe guardo
Pois és a lembrança querida,
do mais belo momento de amor
és também  a cúmplice silente
dos meus momentos de dor.

29- Folhas
Cássia Vicente

Ventania...
vento brando
vento forte
não importa
ela cai...

Cai a folha
uma...duas..dezenas...
não importa
caem...

Folhas ao vento
levadas...
caem no solo
agrupam...
refazem o solo
renovam a vida...

Folhas...

verdes
amarelas
esquecidas...
não importa
de onde venha
pra onde vai...

criadas
recriadas
recicladas...
que importância tem...
são folhas que a vida
trás com prazer...

Folhas que se tranformam
em vida...em poesia viva...
mãos que buscam folhas
dedos que colhem folham
vida que colhe Vida!!!

Jataí-Go/Julho2005

30- Folhas que caem
João Carlos F. Almeida - Rother -
 
As folhas caem no outono,
É a decadência da estação.
O verão perdeu seu trono,
Agora só folhas caídas no chão.
 
Os gramados verdejantes
Acolhem as moribundas folhas,
Ainda com odores aromatizantes
Das arvores em desfolhas.
 
Folhas levadas pela brisa,
Que flutuam em pleno ar
E cujo tempo paralisa
Para a árvore amputar.
 
São as lágrimas caídas,
Mas elas  precisam cair.
A estação é um ciclo da vida
Que precisa coexistir.

31- As Folhas Tremem
Pilar Casagrande

A tarde morre! As folhas tremem! Chove...
A bruma espessa das alturas desce
E cai sobre o jardim que não se move
Porque ao peso da chuva ele adormece!

Mesmo  que a primavera se renove,
Deitando luz no coração da messe,
Um manto de tristeza que comove,
A Natureza, sobre as folhas, tece!

Eis que a chuva serena e chega ao fim!
Vaga-lumes invadem meu jardim
E pousam sobre as gélidas boninas...

E da noite profunda sob o véu,
O meu pobre jardim parece um céu
Enfeitado de estrelas pequeninas!...

Rio Claro-SP

32- Verdemente         
Edmundo Colen

Folhas brancas em idéias azuis,
Fogem palavras inacessíveis,
Figuram imagens incompreensíveis,
Fachos pequenos de luz.

E vejo
que no papel virtual
ensejo
um poema real.

(Qual...
Uma folha
invadindo a janela
senta-se
verdemente
sobre meu colo)

Perdi a rima,
a poesia
e senti apenas
o perfume da vida.

33- Folhas Acolhedoras
Sueli do Espirito Santo

Como pássaro, no céu sempre a voar
uma parada no bosque para descansar
linda árvore, que frondosa!
raios do sol tornando suas folhas luminosas

Cansado das fortes rajadas do vento
logo me veio um bom pensamento
bem aqui fixar a minha morada
bem juntinho da minha amada

das frias chuvas, as folhas a nos acolher
do rigoroso inverno, as folhas a nos aquecer
aconhego, nas folhas  adormecer
nas folhas, nossa cama para o prazer...

http://www.sue2001.recantodasletras.com.br

34- Poema
Luís Carlos Araújo

Dentro de mim mora um sino...
Quando toca, ninguém o ouve
Por fora, parece um cálice!
Faminto de esperanças
Aguardo o instante de o revelar.
Faço promessas e conjecturas
Diálogos e conferências.
Por fora, parecem sons
Ruídos vazios, música inaudível

Simétrico e constante, o sino toca
Suavemente...
Com vibração
E ouvem-se sons, talvez de uma campainha.
Cansado, o sino pára de vibrar
E ouve-se um silêncio estranho, inabitual
Dentro de mim mora um pássaro
Quando canta, ouve-se um outro caminhar.

Algueirão, 01/08/05

35- ‘Reciquando’
Marisa Francisco

Folhas caídas
Árvores derrubadas
Lágrima de um escritor
Naturalista...
 
Que não seja por minha inspiração
que o mundo fique sem pulmão!
Pelas árvores,
eu deixo de escrever em folhas...
 
Mas prá onde eu olhe
tem um tanto daquela mata...
Cadeira, telhado, porta
espreguiçadeira...
E um poeta nela,
com nó no peito,
pela folha branca aberta...

marisafrancisco@terra.com.br

36- Folhas Secas
Pequenina

Pensar, pensar, e pensar!
Somente penso...
Sonho e imagino
Sei que sonho em vão.
Tento preencher o vazio
Que me assola a alma
E me destroça o coração.
Dias, e datas comemorativas
Estarei só...
Mergulhada no mais profundo abismo...
Da solidão.
Onde as pessoas não vivem...
E sim vegetam.
Na busca do que não existe...
E que nunca existirá.
O que chamam de felicidade...
Que não passa de uma sombra rasteira
Que logo se apaga...
E desaparece no caminho da vida
Com o sopro do vento...
Junto a algumas folhas secas...
Dos outonos mal vividos.

Região dos Lagos-RJ-Brasil
http://www.pequeninapoesias.com.br

37-Pela Natureza
Andreia Cristina Guadagnin

Balanceia os galhos
Ao toque do vento
Caem folhas espalhadas
Entre balanços melodiosos
Que sejas pela natureza
Sua caída ao solo casto
 
Que caiam para germinar
Dando espaço a novas folhas
Para que continue a nos encantar
Com primor, a nos levar
 
Para uma vida sempre florida
De espaços verdes e puro ar
Procurando uma forma
Da nossa natureza poder salvar
 
Oh! Mãe natureza...
Sois tão repletas de beleza
Pena que em tempos
O homem a cá não perceba
 
Que sem teus verdes
Perdemos a maior riqueza
De dias belos e brisas suaves
Quem sabe um dia, que não seja tarde
O ser humano por ti te guarde

www.andreiacristinaguadagnin.prosaeverso.net

38- Folhas
MariaTherezaNeves

Como o voar das gaivotas
como fios de luzes
enrolam gotas-águas
dançam no ar
sopram o mar.

Abrem portas-janelas
balançam cortinas
andam todos os caminhos
num sorriso sempre verde esperança.

Sem destino
percorrem a imensidão
em murmúrios escondidos
tocam chãos
acariciam rostos-mãos.

Brincam com alma
vagam ,deslizam ruas-praças
em noites de lua
ou no rubro entardecer do verão.

Sem rumo
numa suave magia
como lágrimas
caem lentamente
e no vai e vem
apenas o som do vento-silêncio.

JF/MG-28/01/2004- 23h

39- Folha Palha                 
eme paiva

...pende da rama
seca de vida..
cai....
vai...
voa ao vento
sem cobrança
sem apego
sem segredo
sem saudade

palha atestada
de missão cumprida
energia evolada...
lembrança de aroma...
tornada cigana
festejada ao vento
dança a liberdade
es
  gota
      da
        vida...

40- A Dança Das Folhas
faffi

No outono as folhas caem
e rolam pelo chão, embaladas
pelo vento rodopiam suavemente
e vão se desfazendo formando
humo para uma nova plantação.
Na primavera tudo volta a florescer
e as folhas viçosas continuam dançando
no embalo do vento oferecendo o orvalho
da madrugada no café da manhã da passarada.
Folhas que protegem os ninhos
Folhas que protegem a rosa dos espinhos
Folhas que protegem os frutos
Folhas secas,amassadas
esquecidas nos livros
relembrando algo que o tempo esqueceu,.
Folhas verdes
Folhas amareladas
Folhas secas
Folhas que enfeitam as flores
Folhas que encantam os poetas
Folhas delicadamente pintadas
realizando o artista na sua arte
de expressão.
É a dança das folhas em qualquer ocasião.

41- Folhas
Graça Ribeiro

Folhas ao vento são pensamentos
de anjos repletos de sentimentos

Pensamentos de amor ausente
mas presente dentro coração

Pensamentos de amor impossível
realizado no campo dos sonhos

Pensamentos de  além mar
pensamentos de além céu
pensamentos de recordar

Pensamentos de amigos distantes
que se tornam reais mesmo virtuais

Folhas transportam sentimentos de muito longe,
vindos do reino dos anjos, onde tudo é possível.

Nas asas dos pensamentos as folhas
acalentam os sentimentos do mundo
e a vida se torna essência de hortelã.

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