Esta ciranda homenageia um escritor, que se não chegou a ser consagrado na literatura brasileira, foi muito querido e admirado por quantos o conheceram: GUIDO CARLOS PIVA
Citado como o  “Poeta da Mooca” pelo jornalista Geraldo Nunes no livro “São Paulo de Todos os Tempos “, nasceu na Baixa Mooca, em 03/07/1947 e faleceu em 13/12/2003. Filho de imigrantes italianos da região de Mantova, por parte de pai, e de espanhóis da região de Granada por parte de mãe. Foi casado com uma portuguesa, Maria Helena, com quem teve três filhos: Camilla, Natasha e Guidinho. 

 

A Noite de Desespero
- Uma história real -
Guido Carlos Piva_o poeta da Moóca

O velho relógio soa três horas da madrugada. Nico, angustiado, já está há quatro rebuscando todas as gavetas de sua casa. Contudo, por mais que se angustie, não consegue achar o que procura. A noite está tenebrosa! O vento zune pelas frestas das janelas. Gotas de chuva forte sapateiam freneticamente no telhado da cozinha. Nas paredes desbotadas, relâmpagos provocam nuanças de luz e sombra, sombra e luz! As lâmpadas estalam, piscam em meio aos ribombares da forte trovoada. Nico, mesmo apavorado ante à noite sinistra, avidamente continua a buscar, a rebuscar; a procurar pelos cantos, por todos os lugares possíveis e imagináveis de sua velha cozinha. É inútil! A sua insana e desesperada busca é em vão. De súbito, um estrondo, um clarão, acompanhado de um piar estridente de coruja, fazem com que Nico se sobressalte! Assustado, apressadamente retorna ao seu quarto de dormir.
Sofregamente volta a procurar, a remexer na gaveta de seu criado-mudo; nas de seu guarda-roupa, nas de sua velha camiseira. Não consegue encontrar. Desanimado, vencido pelo cansaço, senta-se angustiado em sua cama desarrumada. Seu olhar, enternecido, passa a vaguear pelo ambiente de seu quarto: o abajur, o criado-mudo, o porta-retratos... A foto de Tina a sua amada!
A lembrança de Tina faz com que ele mergulhe em recordações. Emociona-se! Sente saudades dos tempos outrora felizes! Uma lágrima escorre pelo seu rosto abatido. Uma depressiva nostalgia passa a tomar conta de seu debilitado ser. Seus pensamentos passam a se misturar em sua mente. O suave rosto de Tina esboça um desenho distorcido em sua mente confusa. Passa a vislumbrá-la sentada na poltrona no canto do quarto. Bela! Como nos velhos tempos. O mesmo rosto, os mesmos gestos delicados. As mesmas mãos, os mesmos dedos entreabertos segurando com suavidade o cigarro fumegante. A mesma boca vermelha, carnuda. Os mesmos círculos de fumaça pelo ar. O mesmo perfume... O mesmo cheiro forte de tabaco. Ah!... Que belos momentos àqueles ao lado de Tina, a sua companheira!
Essa doce visão faz aumentar à intensidade da vontade de encontrar o que procura. Nico sua frio. O seu peito passa a estremecer a cada batida de seu coração. Desespera-se! Sôfrego, extremamente angustiado, retorna a procurar em todos os cantos da casa, é inútil: não consegue achar o que procura! O tempo vai passando, e o seu desespero aumentando... Cada vez mais!
Um total e profundo silêncio paira por todo ambiente da casa. A chuva forte cessou. Somente um pingar de gotas acompanha o ritmo de seu resfolegar ofegante. Sua aflição havia aumentado. Confunde-se! Passa a falar consigo mesmo: “Onde meu Deus? Onde poderia estar? Onde!” Não consegue mais concatenar seus pensamentos. Está prestes a desfalecer. Em estado de extrema letargia, ouve o tiquetaquear de seu velho relógio... O badalar do passar das horas: Quatro... Cinco... Seis...
Amanhece... Os primeiros raios de sol começam a vazar pelas frinchas do telhado da varanda. Sente frio, medo. Seus ouvidos zumbem. Delira! Nico tenta recuperar-se. Ouve vozes... Passos à frente de sua casa. Não há ninguém! Está delirando! Uma febre passa a tomar conta do seu corpo. Depressivo, volta à cozinha: quer beber água, talvez uma xícara de café. Sua boca está seca! Sente tremores, tenta recuperar o seu ânimo. Está sem forças. Sua mente volta a ter um novo momento de lucidez. A custo, cambaleante, levanta-se e decide fazer um café. Acende o seu velho fogão enquanto continua a perguntar-se compulsivamente: “Onde poderia estar?” A sua tentativa em lembrar, em achar, continua sendo em vão!
Com a xícara de café, Nico, ainda cambaleante, recosta-se no sofá estampado da varanda. Fecha os olhos embaciados pela noite mal dormida. Seus pensamentos voltam a se misturar. Volta a falar consigo mesmo: _ “Onde, meu Deus! Onde poderia estar? Onde?” Seu sofrimento chega aos limites do suportável. Não agüenta mais tanto sofrimento. Respira com dificuldade. Envolve-se em mórbidos pensamentos. A sua visão se turva. Entrega-se ao seu imenso torpor...
Subitamente, dá um salto! Arregala os olhos. Põem-se em pé. Grita: _ “Nãoooo!” Humilha-se. Chora copiosamente! Blasfema-se! Revolta-se! Em lágrimas retorna rapidamente à cozinha. Num gesto desesperado, avidamente debruça-se e... Sobre o fogão, abre o gás...
Com o rosto transtornado, sequioso, trêmulo, acende um cigarro. Após uma longa e profunda tragada, dá um sorriso de satisfação e exclama triunfante: “Por fim... como pude não me ter lembrado! A noite toda procurando e sequer consegui encontrar um palito que pudesse acender este meu” bendito “cigarro! Que prazer! Como pude não me lembrar do acendedor elétrico? Como? Aaaahhh! Enfim... Terminou o meu sofrimento!...” e, com o mesmo gesto do momento que havia vislumbrado a sua saudosa e doce Tina, calmo, satisfeito, passa a dar baforadas de fumaça em direção ao teto.
Dois círculos se entrelaçam, e... Como num sonho, balançados e destorcidos pelo vento, formam uma única palavra em pleno ar: “NICO... TINA!... “
Totalmente refeito de sua desesperada e sofrida noite, aproxima-se e escancara a janela de sua sala. Ao olhar a rua, depara-se com o seu vizinho, o Sr. Anunciato, que calmamente rega as plantas do jardim.
— Bom dia Sr. Anunciato!... Ouviu o temporal desta madrugada? Poxa! Que chuva... Não!?
Seu vizinho Anunciato não entende:
— Temporal!... Chuva. Como Nico!... Você deve estar ficando louco! Hoje está fazendo vinte dias que não chove!?... É justamente por esse motivo que estou regando as minhas plantas! O que sobrou da história:
O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE:
”O “NÃO” FUMAR... ÀS VEZES, PODE CAUSAR ALUCINAÇÃO!”

PARTICIPANTES:
01- Raquel Caminha Matos.
02- Bernardino Matos
03- Tere Penhabe
04- Giuseppe Martinelli
05- Marcial Salaverry
06- Augusta Schimidt
07- faffi ( Silvia Giovatto)
08- Lara Cardoso
09- Armando Sousa
10- Denise Severgnini
11- Marise Ribeiro
12- Roseli Busmair
13- Joyce-Lu@zul
14-Yara Nazaré
15- Lauro Kisielewicz
16- João Carlos F. Almeida (Rother)
17- Schyrlei Pinheiro
18- Azoriana
19- Carminho Vasconcelos
20- Lu_guerreira
21- Machado de Carlos
22- Margaret Pelicano
23- Valeriano Luiz da Silva
24- Carvalho Branco
25- Diógenes Pereira de Araújo
26- Eda Carneiro da Rocha
27- Pequenina
28- Abilio Terra Junior
29- Sueli do Espirito Santo
30- Mário Osny Rosa
31- Marisa Francisco
32- Cássia Vicente
33- Luis Carlos Araujo
34- Vyrena
35- Regina Bertoccelli
36- Thereza Mattos
37- Tarcísio R. Costa
38- Fatyly
39- Andreia Cristina Guadagnin
40- Rosa Magaly Guimarães Lucas- Eire
41- Jorge Gomes do Couto

 

01- Eu Preciso de Vocês!           
Raquel Caminha Matos.
 
Foram quarenta anos de diária convivência,
me apaixonei por você ainda adolescente,
minha família dizia que não tinha consciência,
aquela companhia era perigosa e indecente.
 
Muitas vezes fui repreendida pelo meu tio,
o maior castigo era impedir que eu saísse,
perdia bailes, festas, chorava horas a fio,
mas jamais escutava, achava uma tolice.
 
No Liceu nosso encontro era às escondidas,
passávamos alguns momentos bem relaxantes,
mas na angústia eu percebia as horas perdidas,
com medo de nos proibirem aqueles instantes.
 
Foram tantas as reprimendas, sem jamais desistir,
o envolvimento era maior a cada dia que passava,
a família percebeu que não adiantava mais insistir,
meu tio, porém, era rigoroso e sempre o respeitava.
 
Criaram-se entre nós laços quase indestrutíveis,
estávamos sempre juntos em todos os momentos,
separarmo-nos eram pensamentos impossíveis,
causar-nos-ia, tristezas, desesperanças, tormentos.
 
Casei-me, tive duas filhas, que diziam o mesmo,
mamãe ele não lhe faz bem, está lhe destruindo,
a senhora está sem disposição, vagando a esmo,
está perdendo a alegria, ele está lhe consumindo.
 
Aproveite essa jovialidade que ainda lhe resta,
nós precisaremos de você ainda por longos anos,
a senhora está percebendo que ele lhe detesta,
do contrário não provocaria tantos desenganos.
 
Minha alegria de viver era tamanha e tão forte,
que eu tinha certeza qualquer obstáculo venceria,
minhas convicções eram o meu grande aporte,
e pensando, assim, sentia um enorme calmaria.
 
Um dia, eu me preparava para ir ao aeroporto,
para esperar uma sobrinha que vinha de Brasília,
ao me preparar para sair, senti um desconforto,
o peito ficou apertado e eu pensei na família.
 
Foi um mal-estar tão amargo que me assustei,
tomei um tranqüilizante e me senti mais calma,
quando retornei do aeroporto eu me sentei,
comecei a suar frio e percebi ir-se minha alma.
 
Aflita eu expliquei que minha vista embaçava,
que estava perdendo as forças, pedi socorro,
quando cheguei ao  hospital eu não mais andava,
numa maca eu dizia me ajude senão eu morro.
 
O eletrocardiograma indicou um enfarto agudo,
eu não tinha mais que  cinco minutos de vida,
às pressas um marca passo resolveu quase tudo,
o coração passou a ser monitorado, não vi nada.
 
Tive duas paradas cardíacas e fui reanimada,
me levaram para a sala de cirurgia, com pressa,
quando acordei no quarto já era uma safenada,
com quatro pontes de safena, me safei dessa.
 
Hoje tenho todo o meu sistema circulatório,
comprometido e tomo vários medicamentos,
tenho que levar um vida calma, é obrigatório,
sempre vivo em sobressaltos e tormentos.
 
Eu dizia para minhas filhas, quando eu morrer,
coloque em meu caixão uma carteira de cigarro,
um isqueiro, que fumar no céu, vocês vão ver,
depois disto numa profunda tristeza me esbarro.
 
Delimitei meus espaços, controlo as emoções,
sinto uma tristeza imensa de assim me encontrar,
o cigarro, de fato, destrói tudo, sobretudo corações,
amigos e amigas, eu vos suplico, deixem de fumar.
 
Eu preciso conviver com vocês por muitos anos,
essa convivência diária tem sido minha salvação,
cada dia acordo feliz, com amor, sem desenganos,
vamos percorrer essa estrada, não me deixem não.
 
Fortaleza, 21 de julho de 2005.

02- Um Adeus a uma Amiga!
      - a carteira de cigarro -
Bernardino Matos
 
Minha amiga há muito tempo presente,
no meu dia a dia, em casa, no trabalho,
na rua, nos barzinhos, jamais carente,
o que vou falar, somente por um atalho. 
 
O nosso relacionamento foi tão marcante,
e o nosso entendimento, que  maravilhoso ,
nunca nos desgrudamos, por um instante,
levando você sempre pela mão, carinhoso.
 
Quando tocas meus lábios fico relaxado,
se estou a redigir um ofício no escritório,
estando você ao lado, mais concentrado,
melhoro a redação,esse é um fato notório.
 
Com os amigos torno-me mais descontraído,
pareço mais seguro e você me faz notado,
dou a impressão de ser avançado e invadido.
entre uma dose e outra é você e mais nada.
 
No trânsito, com você, sinto-me mais liberado,
uma vaidade discreta  a minha alma invade,
parece que com o mundo estou bem sintonizado,
meus reflexos estão perfeitos nessa realidade.
 
Quando estou sozinho você é minha companhia,
deixa minha mente vagar e se deslocar distante,
as lembranças afloram, a noite, então, me irradia,
sou envolvido por você, bem leve naquele instante.
 
Chegou, então, o momento mais difícil de te falar,
não encontro as palavras certas, nem justificativas,
a forte dependência de você está a me complicar,
estou passando, realmente, por situações aflitivas.
 
Não me concentro, vejo que caiu meu desempenho,
tenho sentido umas pontadas fortes no meu peito,
quando caminho ou faço esforço um cansaço tenho,
estou sofrido, me liberar de você será o único jeito?
 
Percebe que perdi o apetite, não me alimento bem,
estou emagrecendo, desanimado, o que será melhor?
será que sem você poderei sobreviver, ir mais além,
pois,certamente, estarei tomado pela dor de estar só.
 
Como é magoada e doída, a decisão de abandonar,
alguém que esteve por tanto tempo ao nosso lado,
que presenciou nossos sorrisos e tem muito a contar,
enquanto comigo, jamais houve um segredo violado.
 
Me despedir de você não poderá, de certo ,ser assim,
de imediato, numa decisão abrupta, cruel, violenta,
desejo prender-te em meus lábios, juntinho de mim,
preciso de espaço, de tempo, senão virará tormenta.
 
Despediremos-nos, pouco a pouco, bem devagarzinho,
preciso respirar, aceitar, contracenar com o que será,
minha vida sem você, perderei de você todo o carinho,
mas meu percurso, certamente, ser prolongado poderá.
 
Não me afastarei de meus amigos, estarei mais disposto,
para recomeçar, empreender, decidir, caminhar, viver,
e quando me sentir cansado, sentarei naquela encosta,
e, embora, triste, te direi, optei por sentir o alvorecer.
 
Essa é uma atitude de coragem e em nada me esbarro,
a dependência na qual me envolveste não foi sadia,
naquele cinzeiro abarrotado, coloquei meu último cigarro,
essa carteira que por longos anos carreguei, me destruía..
 
Hoje com três pontes de safena continuo firme, de pé,
me disse o cirurgião: trabalhar não faz mal a ninguém,
trabalhe o dobro, controle suas emoções e tenha fé,
se não tivesse fumado tanto viveria melhor também.
 
Fortaleza, 21 de julho de 2005

03- Brumas Fatais
Tere Penhabe

Eu sei que ele é o meu algoz
e no entanto...
não posso abandoná-lo.
Quando nos conhecemos
eu era pouco mais que uma criança
ainda usava tranças
o coração batia descompassado
toda vez que o tinha ao meu lado.
Hoje, todo meu ser se descompassa
tenta afugentar esta ameaça
porém é tarde demais.
Sou sua escrava!
No começo ele era um jogo
sedução e enleio
misturava-se aos meus devaneios
fazendo-me companhia
no lugar de quem partia
no lugar de quem ficava
qualquer desculpa servia
e eu, cada vez mais, me entregava.
O tempo foi passando
sempre para amanhã ficando
esse abandono
que se fazia necessário...
O espelho foi mostrando
os estragos que ele fazia
em meu corpo.
O seu sadismo torpe
não poupa ninguém
e quando eu me afastava
ele parece que ria com desdém
dizendo suavemente:
- Vem cá...vem...
e eu sempre voltava.
A gargalhada ecoava pela vida
no seu jeito imundo de ser
envolvendo-me em correntes.
Ele teve muitos nomes
do primeiro eu não me esqueci
Dominó.
Parecia tão inofensivo...
Hoje, pouco me resta a fazer
a não ser admitir,
com a dignidade que me sobrou:
-Ok! Você venceu, FREE Blue Box.
 
Santos, 21/01/2005_11:23 hs

04- FREE Blue Box
Giuseppe Martinelli
 
Que paixão é essa que te domina
Toda à vontade de vencer
Como podes te escravizar
Por um ser mal cheiroso
 
Não vês que te roubou
Todo o direito de viver
Com saúde e independência
E mesmo assim, ainda o amas.
 
Mas ainda é tempo de largar
Esse monstro que aniquila
É só querer dar um basta
Da tua vontade só depende
 
Você sabe que possuis
A força mágica do Universo
Deus te deu os sentimento
E expressa-los com poemas
 
Então minha querida amiga
Porque não use esse poder
Deixa logo esse “inimigo”
Que mata aos pouquinho.
 
Como podes tu deixar
Esse  inimigo te amar
Ser ainda teu companheiro
Envolvendo-te em correntes
 
Como tu mesmo disseste
Dos estragos que te fez
Me admiro que convives
Com esse sádico infeliz
 
Eu não sei se tenho direito
Em querer aconselhar-te
Porém espero que você seja
Tua própria “guardiã”.

Guarapuava, 19/07/05

05- Cigarro Fatal
Marcial Salaverry

Todos sabem... é fatal
cigarro só faz mal.
Por que então esse erro colossal?
Fumar... é fatal,
apressa seu final...
Por que então fazer-se mal?
Cigarro e câncer andam juntos...
sempre produzem defuntos.
Por que então querer virar presunto?
Vamos então raciocinar...
para a si próprio beneficiar...
esqueça essa maldita coisa de fumar...

06- Dragãozinho
Augusta Schimidt
 
Escute aqui dragãozinho,
Eu sei que faz muito tempo
Que temos um caso de amor
Você me seduziu
E eu me iludi
Por seu charme, por seu glamour
Num desespero de dor

Foi um momento difícil...eu sei
Você me fez companhia
Quando eu mais precisei
Mas combinamos que você me deixaria
Que não me viciaria
E até hoje eu estou aqui
Escrava desse amor
Presa a você
Com correntes de aço
Veja só o meu fracasso!

Mas não pense
Que não posso viver sem você
Posso sim
E é o que vou fazer
Você vai ter que me esquecer...

Acaso você acha
Que ainda vai me dominar?
Eu quero viver tranqüila
Sem você a me espreitar

Vou fazer uma força danada
Vou lutar contra você
Sei que ainda vou sofrer
Mas pra você não volto mais

É isso mesmo, dragãozinho
De você vou me libertar
Pois me apaixonei pela vida
E você vai me matar.

Campinas/20/07/2005_21.30hs

07- Você Foi Minha Ruína
faffi (Silvia Giovatto)

Eu tinha 15 anos quando te conheci
e me apaixonei..
Não conseguia mais viver sem você
eu te procurava e te consumia
várias vezes ao dia.
Comer não me fazia falta,
mas você fazia...  como fazia!
Maldito vício, maldito cigarro
que me levou a ruína...
Com 30 anos eu era uma sombra de mim,
magro, debilitado, mal-humorado,
com os pulmões tomados por uma doença fatal.
Assim, fui definhando dia a dia e
assistindo ao sofrimento da minha família
Não, eu ainda não morri..
estou num quarto de hospital
na ala terminal, esperando meu fim!
Ontem ligaram a tv no quarto
e por incrível coincidência
na tela apareceu em negrito:
O ministério da saúde adverte,
Fumar é Prejudicial a Saúde.
Sorri pra mim mesmo e disse: Será?
Ah! você quer saber quem sou eu?
Apenas alguém querendo salvar a sua vida,
a minha, ja está perdida!

08- O que te Vale Mais?
Lara Cardoso

Estás sempre nas altas rodas
de ti não largam
as mãos suaves das mulheres
de homens atraentes
quase toda a gente
que está na lida
que não valoriza a vida
achando que ela simplesmente passa
como faz o circulo de tua fumaça..
que pelo ar esvoaça
mas, atrevida,
entranha em teu pulmão
e a tua vida devasta

Não vês?
ou foges do assunto
mas, que, por falta se sorte
pode fazer de ti um defunto
não temes a morte
pois te julgas mais forte
quanta insensatez...

A vida é uma só
corra deste contratempo
antes que não te sobre tempo
temos sempre dois caminhos
e fazemos a escolha de nosso destino
Não queiras virar pó....
como meu irmão!

09- O cigarro.
Armando Sousa

Um poeta que sonhava levado pelo destino
Não mais combustão ou dor de pulmão
Deixar o vicio do cigarro, que iniciou em menino.
Acabar as queimaduras nos dedos e na mão.
O cigarro era o veneno que me fazia tossir
A minha teimosia de não fumar foi ainda maior
Mas o vicio era cisma que não queria sair
Aos chutos e pontapés nesta luta venceu à vida o amor
Da minha boca a esposa começou a sentir doçura
Desapareceu o gosto amargo de fumo e alcatrão
Meu hálito, meus dentes demonstravam frescura.
Perdi mesmo o habito de cigarro na mão
Não preciso desse algoz para matar a solidão
Muito menos bronquite há mais alegria
Sinto pelo viver mais amor muito mais paixão
Hoje o cigarro é minha pena a escrever poesia
Não fósforos, não isqueiro ou dinheiro a arder.
Minha mente pode esse maldito de vicio controlar
Mas uma coisa que não poderei vencer
É o ver cair do vestido e me poder segurar
A casa é cheirosa já não tem mais cinzeiros
Não há pontas de cigarros nos contos das escadas
Nem mais temo tornar pontos secos em braseiros
Minha alegria é mais salutar, dá mais risadas.
 
Armando.Sousa@sympatico.ca

10- Vícios
Denise Severgnini

Cigarro
amparo
Catarro
 
Bebida
Ferida
Cirrose
 
Droga
In voga
Over dose
 
Jogo
Logro
Ilusão
 
Poesia
Inicia
Magia

11- Prazer Efêmero
Marise Ribeiro

Prazer efêmero, morte anunciada...
tragada voraz a destruir profundo...
vício que inebria e assusta...
droga que se alastra pelo mundo.

Papel que queima em êxtase...
erva que sacia a angústia...
brasa que consome dinheiro,
possuindo a todos por inteiro.

Guimbas que jazem no cinzeiro...
pedaços de tristeza e satisfação...
é isso que o cigarro representa
desde que o primeiro se experimenta.

Nada como ser um ex-fumante
e poder olhar pra ele com desprezo...
pulmão limpo, ar puro inebriante,
é a liberdade de não estar a ele preso

12- Amor fumaça
Roseli Busmair

No escuro mesmo, bem escondidinha
Com outras meninas já em tenra idade,
Julgando fosse ser livre e ter felicidade
Dei à esmo, aquela primeira tragadinha

Tudo era brincadeira, mas quem adivinha?
Viciada eu já fiquei, em plena mocidade
Amor bandido, mudou tudo em realidade,
Tirou todo o sabor que minha vida tinha !

Ainda fui feliz, confesso, mesmo escrava
Saúde sempre tive e suportei sua fealdade,
Os estragos no entanto, já a pele abalava.

Por quase quarenta anos, eu já nem lutava
Esquecida de lembrar a minha real idade
No mal tragado amor fumaça que eu amava!

Guaratuba_PR_BR
23_Julho_2004 15:30 h.
www.saladepoetas.eti.br

13- Falso Amigo
Joyce-Lu@zul

Para Gema Belia-falecida
 
Fumando... fumando muito lhe vi morrer
Fumando... cheguei tarde pra lhe socorrer
Fumando... olhava a  fumaça pra escrever
Fumando... guardei sua imagem sem perceber
 
Sua morte...foi o alerta pra “dele” me afastar
Mais uma semana continuei a fumar
Infelizmente três carteiras ao dia sem parar
Madrugada sem “ele “... nem pensar!
 
Quando “ele” acabava... até bagana resolvia
Trabalhando e fumando dia após dia
Mesmo quando o braço e o peito doía
Semana da sua morte dor aguda eu sentia
 
Não era só saudade da colega eu sabia
“Ele” -o falso amigo - que na mão eu trazia
A dor chegou de surpresa... noite fria
Peguei meu carro... a angina  eu percebia
 
No hospital enquanto socorro esperava
Minha vida como um filme passava
No momento a Gema eu relembrava
Mas era “ele” e não a mim que eu amava
 
Foi no hospital... em meio a confusão
Que lembrei do meu pobre coração
Violenta dor.... tomei a decisão
Abandonar o cigarro... minha paixão
 
Foi quando “dele” decidi me divorciar
Uma carteira cheia sobrou pra olhar
Sem sentir até giz cheguei a fumar
O pincel foi as minhas mãos ocupar 
 
Hoje nada melhor que os meus versos poetar
Sem o cigarro na mão pra me atrapalhar
Mas foi difícil do “cigarro” me divorciar!
“Dele”- falso amigo- consegui me libertar
 
Balneário Camboriu, 22/07/2005-23h20min

14- Esforço Próprio      
Yara Nazaré 

A "novidade" chegou para ficar
Era chique a prática em festas
Jovens elegantes faziam pose
Nas mesas do salão iluminado
Nos animados bailes da cidade.

Após um bolero bem bailado
O que se via era a fumacinha
Ora na mesa ora na toillete
O que importava era a moda
De fumar o tal cigarrinho.

Iniciei por brincadeira
E em cada gravidez, parava
Voltava após uns três anos
Por várias vezes fiz  pausa
No início era fácil parar
Mas cada vez que voltava
Ao tal vício do cigarro
Via que era difícil deixar.

Na frente do meu pai
Um cigarro eu não acendia
Por respeito e falta de jeito
E após trinta anos a fumar
Sem o incentivo da família
Pois se uniam aos amigos
E até chantagem faziam
Na tentativa de me ajudar
A conseguir parar de fumar.

Mas não adianta a pressão
Cada fumante deve refletir
Pensar no real valor da vida
Fazer um esforço próprio
Como fiz e consegui alcançar
A meta de parar de fumar
Ao me convencer que podia
Vencer o que tanto prejudica
Para depois poder festejar!

Não comentei com ninguém
Aos poucos fui reduzindo
E quando a nicotina exercia
A sua tirania me tentando
Goles de água substituiam
Pouco a pouco e com calma
Toda a vontade de fumar.

Esta terapia durou dois meses
E em uma sexta-feira à noite
 Acendi o meu último cigarro
Sorri e conversei com ele
Agradeci por todo os anos
Que conseguiu me iludir
Ainda estava em tempo
E libertei-me de vez.

Lavei o cinzeiro e guardei
E só após quatro dias
Sem acender um cigarro
Minha família percebeu
Deu-me logo os parabéns
Nossos amigos festejaram
Enquanto eu sorria e dizia
Baixinho e só para mim
Que a vitória foi só minha
É claro que foi... foi sim!

E querem saber da verdade?
Não sofri para deixar o cigarro
Penso que os golinhos d'água
Serviram e muito ajudaram
Não ter desejo de fumar
E hoje já aos onze meses
Sem nicotina nem alcatrão
Sinto-me liberta e contente
Venci!
Com a força da minha alegria
E os apelos do meu coração!

23/07/05

15- Silente Assassino
Lauro Kisielewicz

Houve um tempo
já há muito tempo
que enganosa propaganda
fazia-me crer no sucesso,
ter fama na aventura,
ter liberdade na fumaça,
e sempre "levar vantagem"
e muitas outras coisas mais
que nos empurram para trás...

Gente inteligente assim não faz
e adia o próprio e triste "aqui jaz"
pois diante da verdade mais dura,
do cancer que não tem cura,
abandona o prazer que passa,
ao vício, não terá regresso
e livre, aprecia a bela paisagem
da vida livre e saudável
disposto a bem vive-la
bebendo água do jarro,
sendo um novo vaso de barro
já não vive em desatino
estando enfim livre do cigarro
cruel e silente assassino.

lauro_kisie@linuxponta.com.br

16- Vício
João Carlos F. Almeida (Rother)
 
O Vício de fumar
É um maldito que só destrói
Ele que vive a açoitar
A todos e a tudo que corrói
 
Você me enoja cigarro.
Eu me iludi e com prazer te fiz.
Hoje você é só catarro,
Você não é nada, infeliz
 
Eu nem sempre te amaldiçoei,
Algo me fez amar o cigarro
Hoje só conto as lagrima que chorei,
E nem as palavras hoje eu não narro.
 
Vicio famélico por cigarros,
Que me produziam falsa luxuria,
Sempre embalado em sonhos bizarros
Hoje te desprezo vício terrível e espúria.

17- Prazer que Maltrata
Schyrlei Pinheiro

Entre meus dedos,  aceso.
Sentindo o prazer que vicia,
Escuto atenta às criticas
sorvendo a discriminação.
E PROIBIDO FUMAR
ESTE PRAZER  TE
MATA!
AFASTE SE !
Tenho o direito de viver !
reclama o não, o fumante passivo.
Entre meus dedos, aceso,
ENTENDO, COMPREENDO E TENTO RESPEITAR
Aqueles que dizem te amo
sem o saber amar. 
ENTRE MEUS DEDOS, ACESO.
Sinto o prazer de contrariar,
e continúo a fumar, 
sabendo que  na fumaça
A MINHA VIDA  VAI  FINDAR ...

18- Adeus...
Azoriana
 
O dia estava claro
Eu o via escuro
O fumo maldito
quase fazia furo

Eu olhei para ele
senti raiva profunda
atirá-lo p´ra longe
fugir da cova funda?!

Contigo tudo bem
uma onda de prazer
não podia acabar
outro tinha que ter

O coração atento
um dia viu-se negro
apertou tanto tanto
que até tive medo

Assim de repente
Atirei com vício fora
Já não atormenta
Fugi dele na hora.
 
Deixá-lo até te custa
até quer ir de carro
só a tua vontade
irá deixar o cigarro!

Um dia serás feliz
na carteira e na vida
o coração até sorri
inimigo tá de partida:

Adeus, Cigarro!
 
http://silvarosamaria.blogs.sapo.pt

19- Num Cigarro
Carminho Vasconcelos
 
Dia após dia queimo num cigarro
Essa imagem que tento dissipar
De um amor fugidio que não agarro
E que mora não sei em que lugar
 
E queimo ainda essa voz que teima
Em reclamar furtiva esse amor
Num crepitar constante que me queima
Braseiro manso mas devastador
 
Dia a dia queimar mais eu desejo
Essa imagem longínqua e desfocada
Dum amor que imagino mas não vejo
 
E em cada minha triste madrugada
Cada cigarro rubro é como um beijo
Dessa imagem por mim imaginada.

Lisboa-Portugal
26/07/2005

20- Texto tabacum.
Lu_guerreira

O tabaco é uma planta cujo nome científico
é Nicotiana tabacum, da qual é extraída
uma substância chamada nicotina. Seu uso
surgiu aproximadamente no ano 1000 a.c.
No século XIX, iniciou-se o uso do charuto,
através da Espanha atingindo toda a
Europa Por volta de 1840 a 1850, surgiram
as primeiras descrições de homens e
mulheres fumando cigarros,A partir da
década de 60, surgiram os primeiros
relatórios científicos que relacionaram o
cigarro ao adoecimento do fumante e hoje
existem inúmeros trabalhos comprovando
os malefícios do tabagismo à saúde do
fumante e do não-fumante exposto à fumaça
do cigarro,A fumaça do cigarro contém um
número muito grande de substâncias
tóxicas ao organismo. Dentre as principais,
a nicotina, o monóxido de carbono, e o
alcatrão. Hoje o fumo e consumido em
larga escala (aproximadamente 33
milhões de "brasileiros e brasileiras"),
COMO DEIXAR DE FUMAR?
A melhor maneira e fazê-lo é de uma só vez.
Com extraordinária força de vontade.
Pegue seu maço de cigarros e jogue-o no lixo.
E melhor passar alguns dias de angustia,
mas reprimir definitivamente o desejo de
fumar - do que prolongar essa agonia
indefinidamente ate que um câncer
pulmonar ou laríngeo faça-o por você.
Pois adoecer não é com certeza, 
o que queremos, certo?...

21- Surreal I
Machado de Carlos

— Ó! Mundo vil! Incompreensível esta sorte!
Neste covil à espera do termo (menina)!
— Fora abutre infame. Por que lambes meu corte,
e nutre dos meus parcos restos? - Assassino!

A ave do mau, cuja mente cristalina,
vem com a suave língua, (será a morte?)
Sinto a árdua terra e a gélida neblina
Meu coração berra. A cabeça não tem norte.

Será esta uma miragem, visão de cruzes?
No caixão, onde estão as prometidas luzes? 
— Ah! Horas de mel a fitar o infinito!...

Mas o esquecido Céu veio me cortar
Nesta hora mórbida, leva-me ao limiar
Sairei deste antro sórdido, pássaro maldito!

http://ilove.terra.com.br/autores/TEXTO.ASP?idpi=145

22- Você tem esse inimigo?
Margaret Pelicano

Alguns tipos de inimigos...
Não os tenho!
Bebo pouco, não fumo;
porém amigos, muitos!
Com eles gargalho com prazer,
finjo não sentir dores de cabeça!
Para eles gosto de escrever,
de ler poesias,
comentar crônicas
trocar com eles o pouco que sabemos...
Dentre eles, meus alunos,
quero vê-los vencer!

Certa vez uma superiora me disse:
"Deus fala conosco através da boca de outras pessoas!"
Comecei então a prestar muito mais atenção,
a qualquer conversa ou explicação!
Ali poderá estar mais uma lição:
de vida ou de morte,
de alegria ou tristeza,
de rumo, ou prumo,
Sou uma aprendiz, com certeza!

Apesar de tudo,
não encontrei lição
para ensinar a não fumar!
Sei da calma e do prazer que o cigarro dá!
Porém, sei também,que ele provoca câncer de pulmão,
ataca o coração,
tem 'n' produtos tóxicos ao homem!
Não há boa sensação
que valha a pena o desgaste
que ele faz ao meu irmão!

Rezo todo dia
para que a sedução
que ele imprime
aos olhos dos meus amigos,
faça-os perderem a vontade,
de passar por essa excitação!
Porque não há bem que sempre dure
nem mal que nunca se acabe!

Como não tenho didática para essa aprendizagem,
Peço-lhes: párem, párem de fumar!
O cigarro é uma droga!
É lixo!
E lugar de lixo,
é no lixo!
Não no seu coração!
Não no seu pulmão!
Seja seu próprio amigo,
vença essa ilusão!

Brasília - 26/07/2005

23- Desespero de Um Usuário do Tabaco
Valeriano Luiz da Silva
 
Ai, ai, ai! eu me sinto muito fraco
É o danado do tabaco,
Eu gostaria de saber
Fumar pra que?
 
Estou perdendo a paciência
Esta fumaça é uma violência
Peço até clemência
Livrem-me desta doença
 
Já foi diagnosticado
Que estou todo contaminado
Dizem que jamais serei curado
Pelo vício sou dominado
 
Será a minha sina
Ser escrevo da nicotina
Parenta próxima da heroína
Que no mundo predomina?
 
Seja o fumante ou o drogadito
Tudo é um vicio esquisito
Às vezes a gente adormece
E no vício permanece
 
O tabagismo é um horror
Espanca-me como feitor
Enquanto estou aqui falando
Meu tabaco está acabando...
 
Traga-me rápido um cigarro
O peito vai doer com mais catarro
Mas quando este apagar
Outro tenho que fumar
 
Meu pulmão?
Está negro como carvão
E o coração?
Veja como está fraca a pulsação
 
Falei muito já estou indo embora...
Por este mundo afora...
O vício me devora
Diz o médico que morrerei a qualquer hora
 
Sinto o verme me devorar
De fumar não consigo deixar
Antes de morrer digo pro homem agora
Pra que usar para o mal nossa bela flora?
 
Anápolis Go, 22/07/05
valerianols@globo.com
www.albumdepoeta.com

24- Fumô Garrolê...         
Carvalho Branco

Só não entendo como alguém,
uma pessoa, pode ser tão viciada
em fumo, em cigarro...
Já fui casada
com fumante inveterado...
E tem aquele bafo também...
E o pulmão, pobre coitado...
e lá vai no chão o escarro..
o órgão - o pulmão-
escurece de montão...
Não que eu seja racista,
mas só de lembrar
a fumaça na vista...
dá-me vontade de chorar...
Por mais que se insista
que está na hora de largar,
o viciado em fumar
insiste e não desiste...
somente quando avista
um câncer matar o irmão...
aí pesa a consciência,
da dor no coração
e ele troca o fumo
pela coca com feijão,
na medida certa:
um caroço de feijão,
um litro de coca...
Bem dentro da proporção...
É coca-cola, gente,
tem paciência!...
Cada um tem
seu próprio sonho de consumo...
Ainda tem quem enfrente,
como eu, conselho médico;
disse o doutor:
"Pra nervos em frangalhos,
pra mal de amor,
nada melhor pra quebrar
nossos galhos
que um bom "defumador"!
Não sou um ser cético ,
aceitei o conselho: fui fumar...
numa noite, consumi um maço...
Passei mal... virei o marido da traça:
um troço, um "traço"...
acabei morta qual caça...
virei bagaço...
Façam como eu:
não fumem cigarro,
pois já diz o ditado
que o homem é feito de barro
e disso faço meu brado:
"fumô, garrô lê, morreu"!...

25- Fumar. Saber Deixar.    
Diógenes Pereira de Araújo
      
Esse vício de fumar
enfraquece o cidadão
e além de fazer gastar
desagrada a seu pulmão
 
Quem quiser largar o vício
De fumar presta atenção:
Não acenda o estropício
Faça mais expiração
 
Tudo está bem explicado
Num ensaio que escrevi
É um fato comprovado
Que eu de verdade vivi
 
Em tal vício eu mais não caio
Aprenda a fugir também
Leia então o meu ensaio
Onde eu lhe explico bem
 
Só não gosta o Suza Cross
Nem o Filipe Morrinhos
Que se deixe o vício atroz
Porém não somos burrinhos
 
Amigo, neste Natal
Dê-se um presente de amor
Deixe o cigarro que é mal
E demonstra seu valor

23/12/2000 22:40                     
diogenes@poemanet.com

26- A Vitória de Meu Pai
Eda Carneiro da Rocha

Homem valoroso,
filho exemplar,
marido excelente,
pai amoroso,
tudo de bom tinha.

Só não conseguia do vício se livrar:
Eram 100 cigarros diários,
cinco carteiras de  cigarro forte,
sem filtro que eu o via fumar.

Um dia, desesperado
ao médico foi procurar.
Deu-lhe a sentença terrível:
"Pára de fumar!
Agora, já,
Senão não terás vida,
para suas filhas criar"!.

Senti seu tormento.
Parou de fumar de estalo!
Ficou corado, forte,
áté a água já sentia o gosto!
Engordou, mas feliz ficou.
Criou suas filhas com orgulho e amor.
Parece um poema, mas é tudo verdade!

A vocês pais fumantes
ouçam essa história ,
párem de fumar,
pelas suas mulheres,
pelos seus filhos e sua vida,
tenham amor e pensem apenas na
"Vitória"!

27/07/05

27- Conseqüências...
Pequenina

Queimas-me...
E eu vos consumo
Ponho-te a boca
E como louca...
Sugo-te...
Engulo-te...
Sacias-me o vicio
Possuindo-me
Destruindo-me
Escravizando-me.
 
Ah, como és impuro
Como cheiras mal
Deixas-me nas mãos
Na minha pele..
Em meus cabelos...
Nos meus pulmões...
O teu sinal...
Que é fatal.

Mesmo assim...
Em certas horas
Em que estou só
Torno-me frágil
Busco por ti...
Que sempre, estás ali.
Feito um bom moço...
Pronto a me servir
Ou me destruir.
 
E assim te pego
Ponho-te fogo
Incendeio-te
Viras fumaça...
E entras em mim
Devoro-te e..
Consumo-te...
Lanço-te ao ar...
E me envenenas.

Quero-te tanto
E no entanto
Eu não te amo
Eu te odeio
És meu algoz
Meu feiticeiro
És traiçoeiro
Vil companheiro
Coisa ruim...
Preciso deixar-te...
Libertar-me...
Ou me levas ao fim.

http://www.pequeninapoesias.com.br

28- O Cigarro
Abilio Terra Junior

nesta vida embaçada
a fumaça penetra
narizes ouvidos cabelos
uma ameaça dispersa

que dá fáceis lucros
destrói pulmões e muito mais
de moças rapazes idosos

um crime a ser punido
com severas penas
por todos nós responsáveis

Belo Horizonte
http://abilioterrajunior.portalcen.org/index.htm

29- O Cigarro
Sueli do Espirito Santo

Lá atrás, bem na adolescência
bom mesmo era viver de aparência
a melhor forma de chamar a atenção
com piteira e tudo, cigarro na mão

O tempo foi passando, sem perceber
nas festas, um constante companheiro
antes de sair, checar, na bolsa bem ligeiro
tipo de companheiro que não podia se esquecer

União baseada em firme fidelidade
se faltava, grande dor e saudade
amigo assim, nunca vi, tão fiel
escondendo dentro de sim um fel

sempre a prejudicar a longa relação
já mostrando a hora da separação
chegada a hora de pedir o divórcio
teimoso, não quis fazer negócio

Litigioso ameaçou levar-me a morte
mas não sabia que EU SOU mais forte
sobrevivi mas continua a ameaçar
mas o milagre logo vai me alcançar

http://www.sue2001.recantodasletras.com.br

30- As Vítimas         
Mário Osny Rosa
 
O cigarro que mata,
O fumante lentamente.
Quem morre rapidamente,
O não fumante nem escapa.
 
Quem morre mais rápido,
O fumante que o traga.
Ou quem respira a fumaça,
Quem escapa dessa desgraça.
 
Quantas vítimas graciosas,
Da fumaça perniciosa.
Morrem logo sem saber,
Sem a experiência fazer.
 
Quem mata mais o cigarro,
Ou a fumaça do fumante.
Ele o grande ignorante,
Coitado do acompanhante.
 
São José, 26 de julho de 2.005.
morja@intergate.com.br

31- Par (ente) querido.
Marisa Francisco

Eu tinha um tio.
Nem tio, mas tinha...
Um coração maravilhoso!
Nem cheguei a conhecer inteiro.
Vários maços ele fumou primeiro...

Eu não precisaria dizer mais nada.
Mas ele é quem merecia mais.
No começo, explica-se,
ele não sabia da dor dessa fumaça...

Talvez status, uma graça!
Vício era para drogados e alcoólatras,
Inveterados...
Pobre homem de alma nobre,
sucumbido por este gesto ardiloso.

Não levou-se em conta tudo
o que fez pelos outros...
Apenas este ato sobre si mesmo
sentenciou-se...

Saudade.

marisafrancisco@terra.com.br

32- Coisa ou Coisinha!
Cássia Vicente

Aquela coisinha bonitinha
roliça...cheirosa...
amiga das horas ingratas
refúgio dos momentos tristes...

Aquela coisa!
diria...
fumaça fora de hora
incomoda...
deixa o olho vermelho
gosto de cinzeiro
cheiro na roupa...no travesseiro...

Aquela coisinha bonitinha...
aquela coisa!
qual a razão para tal
momento de prazer
futuro de dor?

Aquela coisinha
até pode não ser
a razão do mal estar
com ceretza...
aquela coisa
fará mal a alguém
a quem curte aquela coisinha
até mesmo quem não curte
por tabela pode sofrer
por aquela coisa
ou aquela coisinha
prazer do mal estar!

Jatai-Go/Julho2005

33- Palavras...    
Luis Carlos Araujo
        
"O Rio que corre pela minha aldeia"
Não é o Rio Douro nem o Tâmega!
Mas aqui estou!
A conversar... E as palavras...
Entre esses rios, com os amigos!
Cumpri o ritual do café e das palavras...
Fumo menos cigarros, comendo mais ideias
Porque cada cigarro transporta mil pensamentos.
E aquela igreja que visitámos?
Se gravasse palavras, quantas angústias registaria?
"O rio que corre pela minha aldeia"
Não é o Rio Douro nem o Tâmega
Nem eu nasci numa aldeia.
Nasci junto ao mar...
E aqui estou!
Quantas ideias, palavras e conceitos
Já pensei e esqueci?
Junto ao rio, quanta inspiração, quantas lembranças!...

NOTE: COMO ERA BOM AS IDÉIAS ME FLUIREM SEM OS CIGARROS!
Algueirão, 2 de Agosto de 2004

34-Meu vício
Vyrena

Tua escrava já fui um dia!
Entregue a teus funestos desejos,
emaranhada em teu anéis de fumaça,
prendia-te a meus lábios,
como se fosses um beijo.

Tentava livrar-me de teus tentáculos,
mas não consiguia meu intento,
pois que a todo o momento
via-te em comercias de TV
e o meu desejo aumentava.

Mas um dia a força de vontade
foi maior que esse anseio.
Abandonei-te, maldito feiticeiro!
Nem de longe desejo ver-te.
Agora, teu maldiro cheiro
só me dá náuseas e asco.

Tu, cigarro mal cheiroso
Tu que foste meu pior vício,
Nunca mais hás de sentir
meu apaixonado beijo,
porque agora te considero
um assassino asqueroso.

35- Dormindo Com o Inimigo 
Regina Bertoccelli

Quantas não foram as noites em que te levei
prá cama comigo...
Você acendia em mim o desejo de tragá-lo
E na escuridão de meu quarto, sua luz
tomava forma...
Companheiro fiel de minhas insônias,
te sentia amigo...
Me tornei sua escrava, sua dependente...
E no aconchego de minha intimidade.
lá estava você...
Em ímpetos não pensados, te tomava
entre os meus dedos...
E inteiro, até o fim, te sentia, te tragava...
Mas aos poucos fui tomando consciência
do mal que esta nossa união estava
causando em minha vida
E percebi que você nunca foi um amigo,
pois ao invés de me ajudar, estava me
aniquilando, me matando...
E a atitude mais sensata que tomei até hoje,
foi expulsar você de meu quarto
Apaguei de uma vez por todas a sua chama
Entre cinzas, agora você jaz...

36- Mais um cigarro...
Thereza Mattos

Enquanto espero tua volta
acendo um cigarro...
o que agora importa
é nesse vício que me agarro
porque não quero viver
a vida não faz sentido
sem a tua presença
e assim desesperada
cometo aos poucos o suicídio
sem dia e hora marcada...
A fumaça maldita me envolve
quase não posso respirar
e em cada baforada
vejo que não me leva a nada
 sei que nunca mais vais voltar!

37- O Cigarro           
Tarcísio R. Costa

Papel enrola fragmentos...
são farelos de tabaco,
que postos em combustão,
viram veneno...

A sua intoxicação,
Causam muito mal...
Sua ação gradativa é mortal,
Sugeitar-se à sua dependência
é uma incoerência...
é prejudicial.

Fumar é um lento suicídio,
é um engano, uma ilusão,
sem qualquer benefício,
deixar, não é difícil...
Depende só de uma decisão!

Hoje, sinto as consequências,
restou-me uma crônica bronquite,
Más... eu deixei de fumar...
Tenho dó do fumante
"O pior cego ó que não quer enxergar!"

38- Defeito ou Feitio?
Fatyly

Começei a fumar com dezessete anos
não por snobismo ou influênciada
da minha terra perdi os comandos
doze anos a chama esteve apagada!

Nasceu a minha filha mais nova
e voltei à palermice um absurdo
de novo a chama foi acesa
sem vergonha, digo, eu fumo!

Não fumo em recintos fechados
em bares, cafés ou restaurante
Nunca fumei junto dos pequenos
e nem com as mãos no volante!

Respeito sempre quem não o faça
peço licença até aos desconhecidos
pois p'ra quem não fuma, incomoda
por mim são sempre respeitados!

Já perdi tantas coisas nesta vida
deixai-me fumar o meu cigarro
pelo médico sou bem controlada
nem ele pede, porque eu não faço!

Podem chamar-me cobarde
ou até mulher imperfeita
mas no dia do meu embarque
levo um maço na maleta!

Rótulo do meu maço:
"Fumar prejudica gravemente a sua saúde e a dos que o rodeiam"

05/08/2005

39- Cigarro
Andreia Cristina Guadagnin
 
Vício que me consome
De ti que tanto quero
Saciar minha vontade
Acendendo-o e o inalando
 
Longe de ti fiquei
Apenas quinze dias
Não consegui segurar
A ansiedade foi maior
E assim venho meu fracasso
E o cigarro eu tive que tragar
 
Voltei novamente
Olho no espelho e vejo
O amarelo de meus dentes
Fico feliz que o pulmão
Não seja por fora e sim interno
 
Assim não sofro pelo remorso
E continuo aqui pitando
Entre os dedos segurando
O cigarro que tanto faz mal
 
Dos dedos amarelos
Dos dentes que pretejam
Vou sofrendo aos poucos
Pela dependência da nicotina
 
Cigarro que ás vezes já aceso
Já me levou acender outro
Sem al menos perceber
Que entre os dedos já estava
O resto de outro toco

40- Você Tem Esse Inimigo?
Rosa Magaly Guimarães Lucas - Eire
 
Você tem esse inimigo?
- Ter não tenho, mas já tive...
E eu te juro meu amigo,
Que o derrotei, inclusive.
 
Se queres mesmo parar
Co’ esse vício que escraviza,
Basta de uma vez sustar
E terás dele ojeriza...
 
Comigo foi por promessa
Que tal coisa aconteceu,
E olha eu fumava à beça,
Pulmão? Quase apodreceu...
 
Prometi:”Se meu marido
Sair dessa, juro, eu paro...
E  com jeito decidido,
Na promessa tive amparo...
 
Eu andava com o maldito
Cigarro em minha mochila
Para afirmar que o proscrito
Não mais me levava a pila
 
Que com trabalho eu ganhava,
E que o bandido comia...
Quanto ao homem que eu amava
Melhorava dia a dia...
 
Agora vai um conselho
Pra quem precisa parar:
Olha-te bem no espelho
Pra depois se comparar....
 
Ver  nova vida chegando,
O ar ao pulmão voltar,
Sem travesseiros “nanando”,
Correr, pular e nadar...
 
Ter de novo aquele cheiro
Gostoso, que atraia...
Não espantar o companheiro
Tanto a cigarro fedia...
 
Quando se quer esquecer
Algo, melhor não pensar
Que o precisa combater,
Isso faz dele lembrar.
 
Pense naquele ditado
Que bem define o que conta:
Cigarro é brasa de um lado,
E um idota noutra ponta

Jacaraípe, Serra, Espírito Santo, 08/08/2005.

41-Consciência Tardia
Jorge Gomes do Couto

Lentamente as imagens vão se formando...
Uma baforada forte corta o ar,
e destrói o novo desenho que fiz no espaço.

A sensação de vazio vai me apertando
e, na fuga, volto depressa a tragar.
Poluindo ainda mais o ar já escasso.

Me engasgo numa secreção amarga. Maldita tosse a avisar
que minhas células estão gritando sem parar
Por que diabos tu não deixas de fumar,
para o dom da vida melhor aproveitar?

Sem muito esforço mentalizo a nicotina,
correndo suavemente por meu sangue.
Destruindo, pouco a pouco, a artéria fina
e o meu pulmão enlameando como um mangue.

Será, Meu Deus, que ainda há tempo,
de afastar de mim esse inimigo?
Se me livrar do sofrimento é o que mais tento.
Por que trazer uma semente aqui comigo?
A solução que aliviará meu pensamento
não está nesta mortal distração.
Mas numa boa e profunda meditação?

Será que ainda há tempo, Senhor,
de não esperar pra aprender pela dor?
Mas ouvir o que fala a doutrina do amor.
Que na vida eu tenho que ajudar meu irmão.
Me afastando, portanto, de qualquer dissabor
De bronquite, enfisema ou câncer de pulmão,
Dando adeus a essa tosse e a esse pigarro,
Deixando de vez essa grande paixão
Que tenho nutrido pelo malfadado cigarro.
Será???????

42- Pensamentos Anti-tabagistas
Marcial Salaverry

-O cigarro disse para o fumante : Legal, hoje você me acende, mas amanhã eu te apago.

-Para seus pulmões, o cigarro é uma bomba!!! Livre-se dessa bomba, antes que exploda!!!

-Por amor ao seu semelhante, não fume em recinto fechado. Por amor a você mesmo, não fume em lugar nenhum.

-Oitenta por cento dos homens impotentes, são fumantes...

-O cigarro torna o corpo feminino mais propenso à celulite...

-As gestantes que fumam durante a gravidez, geralmente dão a luz a crianças de baixo peso, e enfermas.

-Setenta e cinco por cento dos casos de bronquite, enfizema pulmonar, câncer de boca, lábios e laringe, são em fumantes...dados colhidos em publicações científicas.

-O cigarro contém  4.700 substâncias tóxicas. Chega, ou quer mais ???

-Somente no Brasil, o cigarro é responsável direto pela morte de cem mil pessoas.

-Oitenta e cinco por cento dos casos de câncer pulmonar, são provocados pelo cigarro.

-Fumar, aumenta em 500 % o risco de derrames cerebrais!!!

-As fumantes que usam anticoncepcional, aumentam em 10 vezes o risco de infarto agudo do miocárdio e, em 39 vezes o risco de derrame cerebral. Quer mais ???

-O cigarro é o fator de risco mais importante para a ocorrência de doença coronariana.

-Para os que desconhecem, os não-fumantes estão protegidos por...
Lei federal – 9294/96 – 15/07/96:
"Artigo 2 : É proibido o uso de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos, ou de qualquer outro produto fumígero, derivado ou não do tabaco, em recinto coletivo, privado ou público, salvo em área destinada, exclusivamente, a esse fim, devidamente isolada, e com arejamento conveniente."...

Logicamente, muitos fumantes vão simplesmente dar de ombros e dizer :” Eu mando em meu corpo, e faço o que quero”. De acordo. Fumem à vontade. Matem-se, se isso os faz felizes. Porém, façam-no longe dos que preferem preservar a saúde, e de preferência,  em recintos fechados exclusivamente para fumantes, respeitando o direito dos não fumantes, da mesma maneira que os seus são respeitados.

Marcial Salaverry
20/07/2001

 

 

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