Solano Trindade nasceu em Recife (PE), em 24 de julho de 1908. Fez o curso propedêutico da Academia de Comércio de Recife, foi operário e funcionário público federal, no início de sua carreira (Serviço Nacional de Recrutamento). Publicou Poemas de uma vida simples, 1944, Seis tempos de poesia, 1958, e Cantares de um povo, 1963, entre outros.
Em 1948, teve poemas publicados na Antologia da Nova Poesia Brasileira (RJ) pela Editora Vecchi Ltda, organizada pelo, também saudoso, poeta, J.G. de Araújo Jorge.
De todos os escritores negros, ligados à coletividade negra brasileira, o que deixou presença mais forte foi Solano Trindade. Foi o primeiro a escrever, com especificidade, para negros, naquele tempo. Pagou o preço disso, e como! Solano Trindade era poeta, pintor, teatrólogo, ator e folclorista.
Sua "carreira" como militante inicia-se, de fato, a partir de 1930, quando começa a compor poemas afro-brasileiros e, já integrado nesta corrente, participa em 1934 do I e II Congresso Afro-Brasileiro, no Recife e Salvador. Em 1936 fundou a Frente Negra Pernambucana e o Centro de Cultura Afro-brasileiro, que tinha o objetivo de divulgar os intelectuais e artistas negros.
Em 1940 transfere-se para Belo Horizonte. Depois chega ao Rio Grande do Sul, fixando-se por um tempo em Pelotas, onde funda com o poeta Balduíno de Oliveira um grupo de arte popular. Esta foi sua primeira tentativa de criar um teatro do povo, o que não se concretizou devido à enchente de 1941, que carregou todo o material. Voltou então para Recife, indo logo depois para o Rio, onde no "Café Vermelhinho", detém-se a discutir e a conversar com jovens poetas e intelectuais, artistas de teatro, políticos e jornalistas. Ali fez sucesso. Em 1944, edita o livro "Poemas de uma vida simples", onde se encontra o seu declamadíssimo "Trem sujo da Leopoldina". Em 1945 funda o Comitê Democrático Afro-brasileirom, com Raimundo Souza Dantas, Aladir Custódio e Corsino de Brito.
Em 1954 está em São Paulo, criando na cidade de Embu, um pólo de cultura e tradições afro-americanas. Em São Paulo também funda o Teatro Popular Brasileiro – TPB, onde desenvolveu uma intensa atividade cultural voltada para o folclore e para a denúncia do racismo. Em 1955 viaja para a Europa, com o TPB, onde dá espetáculos de canto e dança. Em 1958 edita "Seis tempos de poesia"; em 1961, "Cantares ao meu povo" (com uma reunião de poemas anteriores).
Solano Trindade faleceu no Rio de janeiro, em 19 de fevereiro de 1974. Sua obra, não! Continuará eternamente viva, como que escrita com brasas na pele escura de todo afrodescendente, mesmo que não queira, mesmo que não saiba...

 

Trem sujo da Leopoldina
Solano Trindade

Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Piiiiii

Estação de Caxias
de novo a dizer
de novo a correr
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Vigário Geral
Lucas
Cordovil
Brás de Pina
Penha Circular
Estação da Penha
Olaria
Ramos
Bom Sucesso
Carlos Chagas
Triagem, Mauá
trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dzier
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Tantas caras tristes
querendo chegar
em algum destino
em algum lugar

Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Só nas estações
quando vai parando
lentamente começa a dizer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer

Mas o freio de ar
todo autoritário
manda o trem calar

Psiuuuuuuuuuuu

     Participantes:
    (em ordem alfabética)
     

51- Alda Corrêa Mendes Moreira
60- Alejandro J. V. Lima
19- Andréia Cristina Guadagnin
55- Anna Peralva
28- Antonio Cícero da Silva
03- Augusta Schimidt
64- Azoriana
10- Beatriz por um Triz*
18- Bernardino Matos
15- Branca Tirollo
26- Caritas Souzza
32- Cássia Vicente
14- Célia Jardim
24- Célia Lamounier de Araújo
12- Cristina Oliveira
59- Denise Figueiredo
34- Emiele
50- Eugénio de Sá
53- Eunice Del Guercio
46- Fernando Reis Costa
47- Giovânia Correia
11- Gislaine Canales
67- Gladys Ovadilla
58- Gui Oliva
68- Heloisa de Freitas Abrahão
43- Hermes José Novakoski
45- Humberto Soares Santa
49- Ilze Soares
30- Iza Mota
27- João Carlos (Rother)
29- Joaquim Sustelo
20- Jorge Linhaça
13- José Ernesto Ferraresso
57- Lígia Antunes
33- Lu Cavichioli
62- Lúcio Reis
42- Luiza De Marillac Bessa Luna Michel
04- Machado de Carlos
06- Margaret Pelicano
52- Maria Loussa
61- Maria Petronilho
22- Marineusa Santana
16- Mário Osny Rosa
05- Marise Ribeiro
07- Milamarian
35- Naidaterra
56- nancy pimentel
63- Paulo Mello
41- Pedro Valdoy
48- Penhah Castro
37- Priscila de Loureiro Coelho
25- Ramoore
65- Renate Emanuele
54- Rita Caldas
38- Rosângela do Valle Dias
02- Sá de Freitas
08- Sandra Ravanini
21- Schyrlei Pinheiro
01- Silva Filho
31- soaroir
23- Socorrinha Castro (Florzinha)
44- Sueli do Espírito Santo
39- Tânia Sueli Oliveira
09- Tere Penhabe
17- Vilmar Pirituma
40- Wanda Ayala
66- Yeda Araujo Pereira
36- ZecAdi = josé de avelar

 

01- Soneto da Fome
Silva Filho

Tem a cara de herege essa fome implacável
Como soda corroendo as entranhas das crianças
As esmolas costumeiras não sustentam esperanças
A sentença da miséria é a mais insuportável.

Os programas de governos são focados para guerra
Das potências que dominam a riqueza do Planeta
Há países limitados com repartição de terra
Esperando por milagres produzidos por caneta.

É selvagem o que vemos nesse mundo hodierno
É brutal a penitência que se tem nesse inferno
Quando falta alimento na casa do faminto.

Esse quadro que demonstra tamanha crueldade
Bem desvela o fracasso de toda a humanidade
Que legou à pobreza somente o absinto.

/aasf/

02- Fome
Sá de Freitas

No Brasil não se justifica a  fome,
Como em Paises vítimas de guerra...
Mesmo assim, quanto mais produz a  terra,
Mais a pobreza se nos faz enorme.

Vemos desnutrição no assalariado,
Banquete à mesa dos vis corrompidos;
Aumentos absurdos aos escolhidos,
Pelo povo, uma vez mais, enganado.

Saúde falha, habitações precárias,
Leis fracas que facultam a impunidade,
E no Poder as falcatruas várias.

Só não vêem o ingênuo e o imbecil,
Que muitos não possuem honestidade,
E, no Governo,  destroem nosso Brasil.

http://sadefreitaspoesias.sites.uol.com.br/index.htm

03- Fome
Augusta Schimidt

Rostos tristes, marcados pela vil fome
pão de cada dia, esperanças, alegria
regam solenes, o ventre fértil e capaz
vencendo o tédio, do constante, nunca mais!

Fome vergonhosa, que impera sempre
verdadeira praga em prosa, em frente
nasce na fonte, do refém sem chão, sem pão
da injustiça, da angustia e solidão...

Fome do saber, se erradicada fosse
fecunda seria,  a educação, sua posse
alento de tantos, glória de outros mais...

Pobre país de pobres sempre em tormento!
Que lhes falta a oportunidade, o momento
e sem cidadania, esse povo vai vivendo...

Campinas/02/04/07_12;30h
http://geocities.yahoo.com.br/poesiadaalma

04- Faminto de Amor
Machado de Carlos

Passos lentos: - um ser perdeu o nome,
Na algibeira nenhuma moeda vil...
A dor da solidão o consome!...
...A vida está escrita em cada ceitil.

A barriga ronca... ele está com fome
(... e existem muitos ricos no Brasil!...)
- tenha piedade do meu abdome;
Não sobrevivo qual saco vazio!...

Estático, - observo desta janela;
Mil passos rondam por esta viela!...
Não sei o que fazer em noite calma...

O que fizeram da última ceifa?!
Lembro do Mestre e da Santa Ceia;
Tento refazer as forças da alma!...

Ribeirão Preto, 10 de abril de 2007_13h10
http://ilove.terra.com.br/autores/texto.asp?idpi=1964

05- Fome
Marise Ribeiro

Tenho fome de tantas coisas... sou insaciável,
mas a avidez por justiça, para encher este vazio
que torna a entranha do meu País intolerável,
é o alimento que abrandará meu apetite bravio.

Preciso ver meu povo provar da cidadania,
lambuzar-se no doce merengue da cultura;
preciso vomitar desvios de verbas dia a dia,
mal que o bom voto nos mostrará a cura.

Como fazer meu povo feliz e alimentado,
dar a ele educação, direito que lhe é racionado,
e colher a safra de saúde que há muito se perdeu?

Plantemos na poesia o nosso grito de protesto,
façamos da palavra cada soldado neste manifesto
e estaremos preparando o banquete para o apogeu.

11/04/07
www.mariseribeiro.com

06- Fome que não acaba
Margaret Pelicano

Tenho fome das noites tranviadas que perdi
pelos caminhos ignóbeis das ilusões empoeiradas!
É uma dor de cabeça que não passa,
quando esta fome se alastra pelos veios

da terra que habita em mim, tão antiquada!
De repente acordo louca e percebo: não acaba...
esta fome não acaba! E concluo: em vão sofri!
As dores quentes e pulsantes do abandono

nada me ensinaram, pouco aprendi!
Cometo os mesmos erros do passado!
É uma trama na chama eterna da madrugada...

Permanecer e renascer, sempre, à nova jornada...
Tenho fome! E quanto mais como, menos sacio
a necessidade de estar sempre, por ti, agasalhada!

Brasília - 13/04/2007

07- Teu Flagelo
Milamarian

Sou penúria que arde em tuas entranhas malfadadas
fazendo de teus passos, desditosos à procura do vazio
consumido o sangue, deixo à mingua no último pavio
e desventro nesta sina a tua dor em só uma talagada.

Sinto o acre cheiro do alheio e vergado pinheiro
subalterno à cruzada sob o negro pálio da mortalha
que aberta na miséria observa e somente achincalha
do caniço açoitado e contorcido pelo abjeto fiandeiro.

Ah, salgo então esta batalha na salmoura da navalha
e me faço neste feudo, poderosa, e cravando o punhal
arranco-te vassalo, e te empalho n'outra face da medalha!

Rebaixo-te assim, aos bueiros onde te aguarda tal açoite
satirizando deste esfalfar agonizante num ditame crucial
lavo as mãos, olho a senzala e sarcástica exclamo: Foi-se!

Japão em 20.04.2007

08- Delírios da fome
Sandra Ravanini

Pai celestial faça jorrar bálsamo deste odre,
cobrindo as vindimas com um melhor alimento,
pois, o espírito, dista do corpo sem sustento.
A fé Pai, se esvai do corpo noutra criança pobre.

Que este dom não seja um instrumento tão vão, Senhor,
serei a serva poetificando aos necessitados,
se for Tua vontade... mas, acho tudo feio e errado,
não diferencio amar e amor. Amar pessoas é amor?

Deus, tal dádiva me açoita e também me consome,
sei das belas criações que deixaste para a terra,
mas, confesso, são tantos humilhados com fome!

Perdão se blasfemo agora, é a dor, cor da minha era,
onde qualquer homem, mata sorrindo outro homem,
e a desigualdade dá amém e adeus às quimeras...

22/04/2007

09- Soneto da Fome
Tere Penhabe

Oh fome doentia, que ao meu país assola
corrói há quanto tempo, não finda agora
não essa que oculta, o pão de cada dia
mas ver cidadania, aos poucos ir embora.

Falo da fome, que em tanto se assemelha
à tão presente morte lenta e vil guerreira
não sobra orgulho, da fé, nem a centelha
passa por mim, tal turba em pasmaceira.

Onde estará, Deus meu, a força dessa gente?
Que ao país amou, lutou tão bravamente
sempre cabisbaixos, irão nesse destino?

Ao velho, moço, mulher, triste menino
não sobra a nenhum deles um caminho
o meu país morreu, de fome, e ninguém viu...

Santos, 30.03.2007

10- A fome por várias óticas
Beatriz por um triz*

Fui na infância uma criança pobre
e apesar de não ter passado fome
vi muitas vezes meus pais
fingirem estar sem fome
para que o jantar pudesse nos alimentar

Depois fui crescendo e aprendendo
que tem tantas maneiras de estar faminto
A fome do carinho, da atenção,
a rejeição que provoca até congestão

São tantos os tipos de fome
que o ser humano precisa matar
que só mesmo o amor e a fraternidade
poderiam exterminar

11- Fome
Glosando Delcy Canalles
Gislaine Canales

Mote:

Olhando o povo com fome,
fico triste e,  às vezes, penso:
-Como há gente que não come?
Tendo um chão tão rico e imenso!

Olhando o povo com fome,
escondo o rosto com as mãos,
a vergonha me consome
ao ver a fome, de irmãos!

Em silêncio  meditando,
fico triste, e, às vezes, penso:
tantas crianças chorando
com um drama tão intenso!

Eu não sei se existe um nome
que explique o questionamento.
-Como há gente que não come?
Me dói esse pensamento...

Não chego a uma conclusão
e também não me convenço,
de, em meu país, faltar pão...
Tendo um chão tão rico e imenso!

12- Hambre en el mundo
Cristina Oliveira

El viento con lamento sollozante,
espectro sobre la tierra es el hambre;
inmerso en la carencia palia enjambre,
retumbante en ayuno es alarmante.

Tierra, manantial de mies abundante,
desenreda la bola del estambre...
Generosa, eres madre, matahambre,
manipulada por un ser pedante.

Lleno de codicia, el pan arrebata,
sin importarle el sufrimiento ajeno,
a los hambrientos no deja comer.

Pues cada segundo en el mundo mata,
seres inocentes con desenfreno
¿Cuando la justicia podremos ver?

U S A

13- Fome e Sobrevivência
José Ernesto Ferraresso

Eles procuram detritos no lixo para sobreviver,
Fazem de tudo, até brigam para comer,
O tempo passa , vê seus filhos definharem,
Vê as lágrimas em seus rostinhos tenros rolarem.

São mendigos à procura de novos lixos,
São humanos , muitas vezes comparados com bichos,
Esse é retrato que nos mostra o  nosso país,
Que faz com que o pobre não viva feliz.

É um lutando pelo espaço do outro,
Sai um e logo chegam os outros,
São paupérrimos que gritam bem alto,
Mostrados jogados em sarjetas,  deitados nos asfaltos,

F   ORÇAS ELES NÃO TÊM MAIS PARA AGÜENTAR,
O  ÓDIO NEM AO MENOS SABEM MOSTRAR,
M  EDO É O QUE MAIS OS ATRAI,
E   ESPERANÇAS, NÃO PENSARÃO JAMAIS

Serra Negra_SP

14- Fome Total
Célia Jardim

Ver crianças morrendo é rotina
fome de pão e de justiça social
um país que não muda esta sina
transforma inocente em marginal

Largado a sua própria sorte
enfrenta os piores desafios
cresce sem temer a morte
sua vida é tecida por um fio

Nas calçadas o pequeno bandido
assustado e tão esquecido
adormece sem um pedaço de pão

Sobrevivente do descaso, do desamor
cresce revoltado no medo e na dor
sua maior vitória é uma arma na mão

15- Fome de Presença Humana
Branca Tirollo

Sinto fome de gente que seja gente
Que sinta fome como eu
Que seja louca e atrevida
Pobre e sem guarida
Assim como eu:
Intrometida

Sinto fome de gente que seja gente
Que não usa o dente
Para devorar gente
Sinto fome de gente que seja gente
E não esteja ausente.
Somente.

http://www.arteevida.com

16- A fome
Mário Osny Rosa

Triste é esse nome
No maior produtor de grão.
Gente morrer de fome
Funesta e triste situação.

É fome de todos os tipos
Dessa velha fome do comer.
Esses estereótipos
Logo já vem a fome do saber.

Fome que mata crianças
De todas as idades
Já é mesmo uma dança.

No lixo logo jogar
O luxo da comida do rico
Para a fome saciar.

São José/SC, 25 de abril de 2.007.
morja@interagte.com.br
www.mario.poetasadvogados.com.br

17- A rua de trás!
Vilmar Pirituma

Vós por favor,não deveis vos indignar. Toda criatura precisa da ajuda dos outros.
Saudações. Nossos cumprimentos mais sinceros!
Nós pensamos em vocês com todos os nossos corações, aqui na rua de trás.
Aqui é sujo, e a lama que consome nossa pele é estagnada e fedorenta.
Esta é a rua de trás, o depósito de lixo. Nós o lixo da sociedade, estamos aqui à margem da lei, esperando uma ajuda, alguém que compre nossas balas. E por isso, nossos cumprimentos mais sinceros. Quem viria nos ajudar!
Vocês não vieram. Voltem! Ha um engano. Não alimentem suas crianças do pútrido da lama do beco e dos restos de lixo. Para isso existem as balas que a gente vende.
Nós esperamos por vocês, mas vocês não vieram. Nunca! E nós nos alimentamos das águas pútridas, da lamo do beco, e às vezes de esqueletos saqueados de pássaros mortos, mortos na rua de trás.

18- Somos Mendigos
Bernardino Matos

Só existe uma linha,
nossa única referência,
a da boa convivência,
onde a verdade caminha.

Essa linha da pobreza,
abaixo da qual se aninha,
quem com a fome caminha,
é vil sinal de torpeza.

Temos fome de justiça,
temos fome de hombridade,
não dessa fome postiça.

Mendigamos o amor,
pedimos fraternidade,
esse é nosso clamor.

Fortaleza, 27/04/07

19- Fome...
Andréia Cristina Guadagnin

Pensas que a vida é cruel com você
Tens morada, tens comida farta
E assim mesmo achas que não basta
Será que sabes o que realmente é sofrer

Se olhares ao redor, verá que no mundo
Existem pessoas sem nada para se aquecer
E no silêncio da noite tão profundo
Soltam suas lágrimas, pois estão a doer

Doer pela fome, pela solidão, pelo frio
Frio na alma, no coração entristecido
Magoados pelo sentimento seco, desbrio
Causados pelos desprezos tão sentidos

A indiferença é tão triste que revela
Que o mundo fechou-se os olhos
Esquecendo dos que vivem na miséria

Pariquera-Açu-SP
http://andreiacristinaguadagnin.blogspot.com

20- Famélico Mundo
Jorge Linhaça

Onde mais se produz, não se come
onde sobeja, comem os ratos
Aos homens os restos putrefatos
sobras do poder que nos consome

A justiça cega, d'olhos abertos
somente vê aos que tem dinheiro
aos pobres as celas, os chiqueiros
as ruas nuas, o destino incerto

A educação, filão de mais valia
Nas mãos de vis aproveitadores
particiona,  alguns privilegia

Inverteram-se os reais valores
resta, denunciarmos em poesia
este circo de tantos horrores

21- Fome...
Schyrlei Pinheiro

Vontade insatisfeita, desejo sem limites,
dor vazia caminhando como pedinte,
meio aos gritos alucinantes,
vista na loucura suplicante,
rogando o pão, nas ruas devastadas,
onde só pedras rolam a céu aberto,
alimentando a violência sem pudor.
Fome de  justiça, de liberdade,
retida entre grades, faminta de dignidade.
O tempo se esvai, estagnado
e o dia, calado,passa sem ver o sol brilhar;
a noite chega, estrelada,  e não tem como evitar
o triste pensamento de que o futuro padecerá,
com fome, seco de vergonha, sem  fé,
ou,ter  nas mãos, a semente da esperança,
que, no final, possa renascer,sob a  luz da verdade,
ensinando-nos a lutar, a plantar e colher
o poder da satisfação, que pulsa  o vencer,
na necessidade de conviver.
com a paz no coração.

22- A Fome
Marineusa Santana

A fome contradiz
O autor da criação
Faz o homem infeliz
Fere as leis da nação

O homem pra ser feliz
Necessita ter o pão
É o mínimo, nos diz
Qualquer constituição

Pra salvar o irmão
Basta aprender amar
E viver em união

A fome só vai acabar
Com a lei do coração
Só ela faz partilhar.

Brejo Santo -Ceará
www.marineusantana.recantodasletras.com.br

23- Sinto fome!
Socorrinha Castro (Florzinha)

Sinto fome de alimento,
sinto fome de um teto,
minha cama é o cimento
e me alimento de restos!

Sinto fome de amor,
fome de carinho eu sinto,
e, nesse mundo de desamor
eu me sinto tão faminto!

Me ajude a saciar minha fome,
abra as mãos e o coração,
mate minha fome de amor,
sacie minha fome de pão !

JP - PB - Brasil
www.socorrinhacastro.com.br

24- Oração de um salário mínimo
Célia Lamounier de Araújo

Senhor, eu estou pensando, final de mais um mês:
é a conta do armazém, o aluguel, a carne.
É o dente que dói e não posso ir ao dentista.
Um novo bebê, o hospital, descolar uma babá ou empregada
e na horta ir buscar uma verdura.
É a conta do leite e do pão, a doença, a escola...

E o dinheiro não dá.  Dinheiro não dá.  Não dá... Dá?
Não dá... O que fazer, meu Deus? Trabalhar?

Mas eu trabalho o dia inteiro, dou um duro, Senhor!
A mulher também trabalha e deita sempre em meio à noite
tão cansada, Senhor, que...
E eu levanto sempre às cinco e é trabalho o dia todo,
trabalho lá e aqui e em todo lugar onde houver jeito.

Mas o dinheiro não dá. O que fazer, meu Deus?
Vou sair e andar, deixar em suas mãos o destino dos meus.

Vou sair e andar e jogar na Esportiva, Senhor.
Dá um jeitinho! Dá? Por favor! Caso contrário, vou ter de ser
para ganhar a vida: um ladrão, um matador?
Não, eu não quero, não quero mesmo não, meu Senhor.
MAS... o dinheiro não dá. Dá???

http://celialamounier.portalcen.org

25- Tradição...
Ramoore

Contra o tempo fazendo contratempo
Ando de porta em porta sem porta
No caminho feito sopitamento
Quebro da fé ter o que me importa

Alimento do engodo em revés
Vejo da história eternizada
No vai e vem cantando marés
Aperto em aperto não ser nada

Existo no olhar sempre tirano
Ganho predicados na abstinência
No poder fico abaixo do trono

Viro caso do acaso com descaso
Transformo vidas em sobrevivência
Trago do prato vazio o entrelaço

Meu nome não digo, sinto, é fome!

26- Fome
Caritas Souzza

Fome de amor, carinho,
Fome de atenção,
Fome de justiça
De paz e  da verdade
Fome de perdão
Fome de fé e de esperança
De vitória na fome de realizações
Fome de Aprender, Conhecer, Saber e do Ser
Semeados nos Pilares da Educação
Fome de alegria,  respeito a vida
Em direitos e deveres  na fome da partilha
No contexto da contextualização  da fome
A maior fome é  da injustiça social
Que obriga a mão a  mendigar o pão.

27- Aplaudindo a fome
João Carlos (Rother)

Gritando palavras malditas para o mundo,
Onde as lágrimas da máscara me engana,
Aplaudindo a discórdia num viver imundo,
Sobrepujado os relatos da comédia humana.

Como explicar a nossos filhos a verdade
De que homens, que enaltecem a miséria,
São eleitos nas ideologias sem dignidade,
Na vergonhosa, arrogante e sádica pilhéria.

Fome que assola o povo batalhador
Povo sem futuro que a podridão sustenta
Do político rastejante, hipócrita e adestrador,

Povo, ignorante, optou pelo discurso imbecil,
Aplaudindo as mentiras que ele alimenta
E que no voto, o povo entregou o Brasil.

www.poetarebelde.com.br

28- A fome é terrível
Antonio Cícero da Silva

A fome é terrível
Tem a cara de herege
Não é nada compreensível
Somente sabe, quem padece.

Fome terrível de alimentos
Por falta de comida
Também fome de respeitos
Por discrepância inserida.

Fome grave de emprego
Por faltas de oportunidades,
Que se torna em pesadelo.

Fome de melhor administração
Por falta de consideração e apreço,
Por tanta desilusão.

29- Sem abrigo
Joaquim Sustelo

Dormindo nos bancos dos jardins ao léu
Pelos vãos de escada, debaixo das pontes,
Tendo como tecto tanta vez o céu
E como horizonte não ter horizontes,

Assim vão na vida, boléu em boléu
Que de amor não houve raízes ou fontes
O sol, de encoberto, nunca lhes nasceu
Perdido na bruma que cobria os montes

No saco um pão duro, ou nem sequer pão...
Olhando o futuro com o que lhes dão
A esmola, a moeda, num gesto tão breve

E vêm doenças... O tempo se esfuma
Num tempo que é tempo de esp'rança nenhuma
A não ser aquela de que a morte os leve...

(em OS MEUS CAMINHOS)

30- Fome
Iza Mota

Temos fome, esta danada nos consome
uma fome de dignidade e orgulho
fome da alma, e da que se come
as duas num mesmo embrulho

Neste imenso pais onde de tudo dá
o que mais temos a crescer, a prosperar
é a corrupção e a prática em dissimular,
com leis feitas por eles, para à eles beneficiar.

Que homens serão amanhã, nossas crianças
crescendo neste mundo de corrupção e matança
onde o respeito ao próximo já ficou na esperança

Não importa se já pareço exagerada e estranha
viverei ajudando com esta vontade tamanha
a quem tem fome, independente de quem ganha.

www.izamota.recantodasletras.com.br

31- Exortação à paciência
soaroir

Caminha pacientemente por estreitas calçadas,
espera passivamente
pela travessia

inerte aguarda no corredor da morte
o câncer, a sorte.
Aceita com lenidade sem te esfarelar
violências, marginalidade,
impunidade.

Olha com insensatez para a fome,
o planeta, o descamisado, a improbidade.

Se resignadamente chegaste até aqui
entendeste minha inquietação,

és um sério candidato a impaciente
e não viste nenhuma poesia nesta visão

32- Fome
Cássia Vicente

Estômago vazio revirando em busca de pão
...fome de leão que impede a caça seguir
...fome de lobos que rondam o corpo fatigado
...fome de urubu que voa sobre a carne ainda fresca
pão que não é feito de farinha e água...

É o bicho-bom-papão da raiva que quer engolir o mal
encher o estômago para poder defecar o sub-mundo vadio
cobrir com terra limpa e plantar uma árvore em cima
que dê bons frutos e cheiro bom...

Fome de quê? de sossego, respeito e moral
...de céu azul só com o vermelho do sol
...água sem lodo e tubarão
....fruta no pé e não podre no chão...
...arroz-feijão na panela e não na falta de educação
que disfarçada em fada engana o estômago bobão...

Jataí.GO_26.04.07

33- Quando o Camaleão tem Fome
Lu Cavichioli

Na alegoria das cores
ouso trocar minha roupa,
dançando sobre
metarmofoses do mimetismo.

No país das árvores
filhas do pau-brasil,
insetos fossilizados
não bastam...

Línguas continuam
vazias....
Barrigas Órfãs!

34- A Fome nos grandes centros urbanos
*Emiele*

Nos grandes centros urbanos o homem sente tanta fome
e quase morre de inanição...
Usa droga, sofre de abandono e depressão...
Há fome de amor, de esperança e fé, de atenção.
De palavras sinceras, de elogio, de respeito à sua saúde.
De um mínimo de conforto e dignidade.
De amigos que o promovam e não o induzem a trilhar
pelo mundo da promiscuidade.
Assim tão faminto, embrutece e seu comportamento se torna irracional.
Agride, luta e mata, tal fera acuada e selvagem no mundo animal.

Que valor tem a vida para quem vegeta entre perdas e desilusão,
se por outro lado há tanta ostentação de riquezas veiculadas
nos meios de comunicação?

Ainda bem que nos grotões da roça não há televisão.
Por lá se vive na ilusão de que a vida é mesmo assim.
Dorme cedo e acorda mal rompeu o dia, pronto para a lida.
Trabalhando a terra com suor tira o sustento que lhe garante a vida.
E junto à natureza goza duma felicidade simples e genuina.
Desconhece o mal do consumismo e da ambição
que tortura e angustia na cidade grande o cidadão.

Belo Horizonte - 26/04/2007 - 21:10 horas.

35- Fome de Justiça
Naidaterra

Me sinto agredida de tal forma
com a injustiça que creio eu,
estamos próximos de uma guerra
onde mais uma vez quem vai
padecer é o povo...
Não é uma injustiça escondida,
ela é declarada e nada se faz
para combater as astrocidades
cometidas pelos poderosos...
Amo tanto o meu país, mas
infelismente minha terra está
sendo desvastada pela ganância
de alguns...
Temo por uma guerra, onde a arma
do povo é pau e grito contra as
armas dos poderosos, dinheiro
e arma de fogo...
Sinto tanto...

Abril/2007

36- O abutre e a criança
ZecAdi = josé de avelar

Sobre a terra em prantos - uma criança
jaz deitada - inerte - sobre seus ossos
que à mostra deixam seu corpo pueril
qual retrato deste País que é o BraZil...

Ao seu lado - se percebe - um abutre
que à espera do suspiro final - bem atento
já afia o seu bico e suas garras
tendo assim essa criança de alimento...

Qual terá sido da criança o destino?
qual será a sua sina - a sua sorte...
e na terra assim inerte - e sem nome?

Respondendo essa pergunta - diz uma voz:
- Sou bem paga por aqueles poucos ricos,
mas vocês bem podem me chamar de fome...

37- Fome Zero
Priscila de Loureiro Coelho

Tua boca me sacia
na carícia macia
dando-me tudo que quero

38- Fome... Amor...
Rosângela do Valle Dias

O mundo está faminto!
Escuto-o de uma voz suave, vinda do fundo de minh'alma.
Essa voz tenta me dizer verdades...
Como se fosse um canto surdo, em acordes afinados e santos,
envia uma mensagem em prantos:
O mundo tem fome de amor!
Que estranho, digo para mim mesma,
eu acredito que o amor está presente.
Será que ninguém mais sente?
Uma criança está a me observar...
Com esperança no olhar,  braços abertos a esperar.
Meu Deus!
Faça do meu amor o abrigo,  o alimento que é preciso
para matar a fome  daqueles que a fome mata!
E, então, antevejo o verde latente!
O verde da esperança crescente...
Da fome inexistente!

BH/MG

39- Seres famintos
Tânia Sueli Oliveira

Crianças nas ruas, descalças...
Olhos que já não sonham.
Perderam a esperança no amanhã.

Jovens sem nenhuma perspectiva.
Alguns privilegiados, outros, miseráveis.
Bebidas, drogas, falta de fé e amor.

Velhos que trabalharam tanto !
Mal conseguem caminhar...
Tristes com o descaso, o abandono.

Seres com fome de justiça !
Seres com fome de esperança !
Seres com fome de dignidade !!!

http://romanticaaa2002.spaces.live.com

40- Fome não tem bandeira
Wanda Ayala

Sentei-me aqui a imaginar
Uma forma de poder falar
De quem consome a alma e o corpo
Deixando nosso mundo na ruína .
Lembrei-me das imagens que vi
Do que em meu coração ficou gravado
Mulheres a andarem quilómetros
Para matar a sede e a fome de seus bem amados .
Terras de África
Ou seja Brasil
Qualquer parte do planeta
A fome esta em todas, assolando sem piedade

Aos seres de boa vontade
Onde a virem abatam-na!
Pior que a fome de pão
É aquela que mata sem dó e piedade, fome de amor e fraternidade!

Lisboa-27-04-2007_10:30pm

41- Fome de Algo
Pedro Valdoy

Sinto a fome do teu amor
teu corpo quente e doce
teu sorriso terno e meigo
e sonharemos com as estrelas.

Sinto a fome sensual
de um encontro com teu coração
saltitante de desejos
na planície tranquila e bela

Viajaremos na beleza
do horizonte sorridente
por entre o paraiso dos deuses
até à felicidade total.

42- Fome da Força Única
Luiza De Marillac Bessa Luna Michel

Num mundo contaminado
Injustiças e precariedades
Falta a dignidade única
Do ser humano Criado

Lágrimas rolam em faces
Ingênuas e segredadas
Numa fraqueza  descrente
Indulgência de governantes

Fome do Pão Sagrado
Que sustenta Almas
E alimenta os Corpos
Famintos em tirania...

27 de abril de 2007

43- Fome
Hermes José Novakoski

Fome de paz e de amor
Fome de vida, fome por viver
Fome de justiça, eleva o clamor
Por mais dignidade para poder ser

Fome que mata milhões
Fome que destrói sonhos de irmãos
Fome que não deixa nascer
Matando vidas no seu desenvolver

Morrem de fome porque o alimento
Não é partilhado com igualdade
A dignidade é ferida, é machucada
Não há mais fraternidade.

http://geocities.yahoo.com.br/euosou

44- Seres famintos
Sueli do Espírito Santo

Há quem chora por comida
outros por amor ou atenção
não importa qual é a situação
cada lágrima é muito sentida

Sentida pela dor da carência
pois tudo isso é o alimento
que garante o nosso sustento
essenciais para a existência

É preciso cultivar a bondade
lutar contra todas as fomes
e a arma, entre outros nomes
é  fraternidade e solidariedade

http://www.sue2001.recantodasletras.com.br

45- Abutres
Humberto Soares Santa

A águia com seu grito, arrepiou !
Os abutres desceram sobre a Terra.
O galo, de madrugada, não cantou
E mórbidos cantares dão som à guerra.

O pão em ferro e fogo é queimado.
Os hospitais e as escolas de seguida
Vêm em sangue e gritos destroçado
O valor que p'la morte sai da vida.

Que grito é este que me vem do peito ?
A que senhores foi dado este destino
Se para liderar lhes falta o jeito ?!

Com meu pouco saber, aqui opino :
Prò que há que fazer, seja bem feito,
Entreguem este mundo a um menino !

Cotovia, 1999/03/07

46- A Fome & a Fartura
Fernando Reis Costa

A fome que mais mata e mais se sente,
É o reverso dos falsos governantes
Que vivem enganando toda a gente
E tornam um país pior que antes!

Tudo prometem esses meliantes
Sugando votos ao inculto e indigente,
Que, de boa-fé, confiara em tal gente:
Essa cambada de mentirosos militantes!

Quando seus votos pedem, de mansinho.
Tudo prometem ao pobre "Zé-povinho"
Que passa fome, trabalha e desespera.

Depois, lá no "poleiro", tudo se consome
E o pobre "Zé" e os filhos passam fome...
E a fome continua e mais severa!

(Escrito para a Ciranda "Fome")
Coimbra, Portugal, 27.04.2007

47- Fome
Giovânia Correia

Eu sinto fome dos teus beijos.
Eu sinto fome de te ter.
Fome de que navegue em meus sonhos.
E que junto comigo contemple o amanhecer.

Ah... meu amor minha fome é insana.
E os meus limites consegue ultrapassar.
Quero ficar em teus braços...
e mais uma vez te amar.

Pois sempre que em teus braços estou.
Recebendo o teu amor
Me sinto mais que protegida.

E minha fome saciando.
A ti vou me entregando.
Pois és a razão da minha vida.

www.sonhoseemocoes.com

48- Fome Real!
Penhah Castro

Ai que fome!Fome de justiça!
Para que meus irmãos comunguem
de uma mesmo ideal...
Que os sonhos sejam realizados e se tornem reais...

Que a justiça seja REAL tal qual a nossa moeda...
REAL que deixe saciar a fome do corpo....
Esta fome que é necessidade básica...
Esta fome de nutrir as nossas células.....

REAL seja o alimento para a EMOÇÂO que vai direto ao nosso coração...
A ALEGRIA de viver um novo dia  aumentando uma crescente ESPERANÇA.....
REAL seja o alimento para o sofrimento da ALMA
Para alimentar o nosso ESPÍRITO....
AH! COMO O MUNDO SERIA MAIS BONITO!

49- Fome
Ilze Soares

Num país de tamanha proporção,
onde se colhe tudo o que se plantar,
fica difícil imaginar,
como alguem pode fome passar.

Brasil de tanta grandeza,
gigante pela própria natureza,
com uma distribuição de riqueza,
que só nos causa tristeza.

Carecemos de dirigentes honestos,
que pensem mais na nação,
do que na melhora da  propria situação.

Falta-nos segurança,saúde e educação,
precisamos que o povo todo faça uma união,
para acabar com a fome e a corrupção.

27/04/07

50- Fome
Eugénio de Sá

O pão de cada dia, quem lhes dá ?
- Se a eles tudo é negado, até viver
E porque a fome lhes vai roendo o ser
Deambulam pr'aí... ao Deus dará

São filhos da miséria, ao abandono
Mas irmãos de quem tem o que comer
Daqueles que se preferem esquecer
Julgando que é de justos o seu sono

É nesta sociedade que vivemos
Onde a frieza alastra dia-a-dia
Ao invés de saber o que fazemos

Ingente é que se tomem decisões
Pois é imperdoável não querer ver
Que a fome não resiste a omissões

Brasil 2007

51- Criança sem esperança
Alda Corrêa Mendes Moreira

Criança nua
nua de carícia
nua de alegria
nua de fantasia,
que posso eu fazer
para te favorecer?

Para te alegrar,
sem medo, gostaria de te dar um brinquedo:
um carrinho carregadinho
de carinho.

Gostaria ainda
de satisfazer meu desejo:
ver-te entre amigos
a brincar, a pular e a cantar.

Mas quando te vejo,
criança sem esperança,
nua,  no mundo da rua,
o que mais almejo é simplesmente
poder te dar
um LAR!

52- Fome
Maria Loussa

Num país rico como o Brasil
É triste, porém real,
Existe fome, muita fome,
Vivemos e sofremos o ardil
E a dura desigualdade nos consome.

Fome de todos os tipos nos assola
Fome de atenção, fome de carinho,
Fome de pão, fome de respeito,
Sobretudo de justiça social;
Outras fomes ainda precisam considerar:
De sossego e respeito moral.

A vida de muitos brasileiros
Tem se tornado um vexame
Mergulhados na pobreza,
Na insegurança e desespero.
É preocupante o amanhã de nossas crianças
Diante da realidade, sem muita esperança.

www.loussa.prosaeverso.net

53- Fome...
Eunice Del Guercio

O apito da fábrica ,uma dor no peito
Por um amor sem jeito, amor singular...
E a fome que aperta e machuca a garganta
a cabeça que gira sobre a liderança.
O barulho dos garfos, o batido dos pratos
E o garçon, sem jeito, com muita demora.
Era tudo bonito, tinha sons sem defeitos,
Era eu, eram todos
Era a vida enfim...
Somos tantos numa mesa sagrada,
um sorriso nos dentes e fome no corpo,
Era eu, era ele, era o mundo..
uma porção de palhaços que a vida traçou
sem sequer dar espaço...
E o tempo, escasso, deixa reclamar
pelo sorriso ou abraço que deixou de ser dado...
A saudade que corre, num prato de almondegas,
num ovo sem jeito, já frito no prato.
Outro apito já espero...para tapar meus ouvidos
e abrir minha alma...

27/04/07

54- O Paria
Rita Caldas

Olha o Pobre
Maltrapilho que vagueia
Desnudo de vaidade
E de Beleza
Rosto Magro,
Tez Sofrida
Corpo Esquálido
e Desvalido...
Pela Fome maltratado
Escondido no seu íntimo
Pulsa um Coração
Talvez belo...
Que ama
Que sofre
Que clama...
Escondido, envergonhado...
Em Andrajos...
Oprimido se encolhe
Carente de tudo
Sobretudo de Amor

55- Fome
Anna Peralva

Doença terrível que assola a humanidade
Paradoxo de um desenvolvido tempo,
Onde impera a desigualdade
E a justiça cega, submergiu o bom senso.

Feroz ela avança e tudo consome,
Decaída a dignidade, vem o desespero num rompante,
Quando consome o corpo de quem não come
O homem esmola, rouba ou se corrompe.

Tudo que se planta, floresce neste fértil chão,
Festim na mesa do nobre solar!
Inadmissível imaginar seres a esmolar
Um simples pedaço de dormido pão!

O mal é fatal e tem codinome
Em era real, impunidade e descaso,
Crianças no lixão saciando sua fome.

Miséria famigerada e ingrata,
Falta de teto, comida e afeto.
Peste do século, que marca e mata!

RJ- abril de 2007

56- Eu tenho...
nancy pimentel

Eu tenho fome de Esperança
Numa Pátria-Mãe, feliz,
Por ver seus filhos unidos
Em sentimentos de amor

Eu tenho fome de Justiça
Numa Pátria-Mãe, feliz,
Onde todos possam ter
Seus direitos respeitados

Eu tenho fome de Paz
Numa Pátria-Mãe, feliz,
Onde possamos, sem medo,
De mãos dadas caminhar

Eu tenho fome, enfim,
De ver minha Pátria-Mãe, gentil,
Em seu seio, a nos embalar

27 /  abril / 2007

57- Nos palácios, o traçado da fome
Lígia Antunes

Lazeres defendidos com afã!
Flagelos olhados com azedume
sem qualquer preocupação com o amanhã
(mas 'eles' sabem... há seres famintos!)

E essa fome campeia em cada canto
em cada espaço dessa torpe vida
que a uns alimenta com fartura
e a outros condena sem ternura...

É sorte/azar o estandarte desta sina?
E a morte?... apenas destino, ruina?
A quem cabe ajudar o desvalido
cuja dor se descobre sem saída?...

Terras ferazes não cabem ao combalido...
(estão todas em mãos de poderosos!)
Não importa se há diamantes, ferro, aço
...nada disso elimina o cansaço.

Abram-se os véus da compaixão!
Veja-se o mal que perpassa nosso irmão!
Prove-se que cada luta tem sua razão
quando o ideal é combater a inanição!

Pelotas, RS_28.4.07 - 03:30h

58- Flagelo da fome
Gui Oliva

Essa  a maior  vergonha  que um povo pode ter,
é o indicador  do descaso e da falta de pudor,
como se fosse natural com a miséria conviver,
sem se importar com esse flagelo assustador.

Sentir  fome é muito mais do que  um vazio
do mínimo que  falta a um ser  para sobreviver,
é humilhar-se por não conseguir vencer o desafio,
desconsolo, é de inanição preparar-se para morrer.

Então, quando os atingidos são idosos e crianças,
a agressão da fome não tem contemplação,
crua  e nua realidade que me faz  perder a esperança

de o povo ter coragem para exigir direta e urgente ação,
dos homens públicos e governantes que parecem
cegos, surdos, mudos... quando sonhamos ser  Nação!

Santos/SP 28/04/07

59- O meu conflito
Denise Figueiredo

Duro é ver as crianças nas ruas com fome,
Por caminhos escuros de causa e efeito,
Raios de luz, mas vultos, sombras sem nome,
Sem casa, sem porta e sem leito.

Sou culpado não nego, isso eu confesso.
Então viro minh' alma pelo avesso,
Lastimando com lágrimas, mas expresso.
Seus olhares e carinhos não os mereço!...

Demonstrando piedade e pena minto,
Não é realmente verdade a dor que sinto,
Viés de um coração magoado e aflito.

Meu interior em crise tudo desminto,
Irmãos famintos, dores que eu consinto,
Meu grito, minha morte, o meu conflito.

60- Fome de Justiça
Alejandro J. V. Lima

Estes lábios estão em fim cansados de guardar o cumprisse silencio
minhas mãos fechadas em punho quase em sangue...sim, revoltado
olhos quase em lagrimas envermelhecidos de ver este mundo néscio
tanta coisa ruim ouvir, sentir, ver e permanecer normalmente calado.

Tantos que morre de fome, neste mundo desumano, nesta vida dura
e uma pergunta na mente pairando, será que este mundo terá cura?
África pede ajuda, grita desesperadamente Njala! significado de fome
treze milhões de seres, e os que ainda faltam... isso não tem nome !.

Morrem de fome em Nicarágua... em catorze países e ainda há mais
Estados Unidos, a ONU e o mundo ignora o drama injusto e obsceno
parte de culpa da lógica neoliberal do Fundo Monetário internacional
e cada morte cairá sobre a alma de todos nos, neste mundo grosseiro.

E eu, tenho fome de justiça morro na impotência de não ser suficiente
morre de inanição o ideal? de juntos para que não morra nosso irmão?
e se tiramos o tapete da indiferença, toda a gente e cada um dei a mão
não mais palavras, mas factos!, com acção e reacção de toda a gente.

Portugal - 28.04.2007

61- Levamos Bandeiras Negras
Maria Petronilho

Cortando a sombra das ruas
Desertas, portas fechadas.
Levamos bandeiras negras
E as faces escavadas.

Estão desertas as aldeias
E as fábricas fechadas.
Estão os campos em cinzas,
Nossas vidas destroçadas.

Cortamos a passo as brumas
Porque vamos de mãos dadas
Na miséria que nos ronda,
No choro que se acoberta.

E persistimos na luta

Sem termo, desesperada
Pelas ruas de amargura
Seguimos por esta estrada
Erguendo a bandeira negra

Na esperança desatinada.

62- Fome
Lúcio Reis

A terra é fertil mas a mente é arida e sem ação
A irrigação não chega em função da corrupção
A cabeça é esteril porque a gravata de cor
No pescoço aperta a passagem do amor

Não que, não haja no coração o amor
Há sim, mas apenas na ganância pelo erário
Sobre o qual todos avançam sem nenhum pudor
Como traças insensíveis e verdadeiros párias

Por isso há fome no estomago e no caracter
Pois as leis saem do poder sem pudor
E o ingenuo e despreparado não as sabe ver e nem ler

E assim ainda por muito tempo teremos
Muito fome de cidadania e excesso de podres poderes
E só Deus sabe, que dia a bendita luz veremos.

Belém do Pará_28/04/07

63- Fome...
Paulo Mello

Aos que caminham
por caminhos diversos,
descalço, sonolentos
a cata de uma pão, uma migalha.
Estendendo as mãos ao alto
suplicando alimento do
corpo e da alma.

Para ofertar,
não nos basta simplesmente
atirar o pão do corpo.
Se também não levarmos
o alimento da alma.

O pão mata a fome
o carinho alimenta
a alma.

Fome...
Quem não a tem ?

29/04/08

64- Fome
Azoriana

P'ra quem nunca teve fome
Não sabe o que é senti-la
E no muito que se come
Outros há que fazem fila.

E por muito que se tome
O pulso a quem lhe refila
Há outro tipo de fome
Que pelas almas desfila.

Anda tanta gente oca
Vestindo fome com dor
E tão faminta do Amor.

O pão faz calar a boca
Mas não cala a solidão
Da fome no coração.

http://silvarosamaria.blogs.sapo.pt

65- A imagem da fome
Renate Emanuele

Caída por terra,  está a criança,
Não existe para ela esperança.
Não consegue mais seu corpo erguido
É vítima da terra nascido

Em seu duro leito só se espera
Com fome se definha, desseca.
Sua carne, o sol a queima e resseca,
As mostras das misérias desta era

Neste chão árido ela se deita.
Não lamenta, talvez só respire.
Terá, quem desta vida suspire?

Governo? Retira seu sustento
Ganância? Perversão por intento
O mal tem por mal a sua colheita!

66- Gritos de fome
Yeda Araujo Pereira

Fome de paz...
Sossego...
Velho aconchego que se foi!

Fome de luz
na solidão da noite...
Noite traiçoeira que ficou!

Fome de acalanto
na ciranda do amor
em doces madrugadas...
Fugidias!

Fome de horizontes infinitos...
Espaços sem limites
para ser feliz e amar... amar...
imensuradamente inebriada!

Pelotas/RS

67- El hambre hace daño
Gladys Ovadilla

Hay lágrimas, no poemas en tu cuerpo,
Lacerado por el hambre del dictador,
Solo niño oprimido sin consuelo,
Te avasalla el mundo del cercador,

Se esparce la pobreza, reposan
En tu estomago migajas calentitas,
Sin sufrir las  infamias del somonte,
Quiero abrirte tu boca, la recibes tu,

Tiempos difíciles corruptos corren,
Nos roban, como uva de parral ,
Dueños somos, de miseria universal,

Figuras negras y tu inocencia atrapan,
Quiero verte en la esquina del amor,
Sonriamos los dos, para ellos no hay perdon

26 -4 -2007

68- Fome?
Heloisa de Freitas Abrahão

Como posso dessa terrível, cruel e aniquiladora falar?
Se nunca fiquei um dia sequer sem me alimentar.
Posso falar do que imagino, sem tê-la experimentado?
Como ser precisa? Como passar para o papel a agonia,
O sofrimento da barriga vazia,  a alma a transbordar de dor?
Fome, tu és poderosa, pois leva honesto a pecar.
Que mãe não roubaria para a fome de seu filho acabar?
Crianças chorando de fome, morrendo. Lágrimas e dor!
Outras obesas obscenas em comparação a desnutrição.
Não, não sei o que é fome! Imagino a dor, o sofrimento.
Sei apenas que se cada pessoa ajudasse com um pouquinho,
Não teríamos neste mundo injusto, uma criança lutando com
um carniceiro. É forte! É cruel? É a realidade deste mundo.
Eu faço a minha parte! E você?
Agradeço a DEUS por nunca ter sentido fome!

 

 

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