11/05/2007

 

Paulo Setúbal nasceu em 01 de janeiro de 1893, na cidade de  Tatuí/SP. Formou-se, em 1914, bacharel em Direito, em São Paulo. Publicava poemas no jornal, A Tarde, onde foi contratado como revisor, mas ao ter um poema publicado, ganhou uma coluna diária como redator.  Em 1920 ocorreu a publicação de seu livro de poesia Alma Cabocla, que teve a primeira edição de 3000 exemplares esgotada em um mês. Entre 1925 e 1935 publicou vários romances históricos, entre eles A Marquesa de Santos, O Príncipe de Nassau e A Bandeira de Fernão Dias. Em 1926, trabalhou como colaborador do jornal O Estado de S. Paulo. Nos anos de 1928 a 1930 foi deputado estadual, renunciando ao mandato porque seu estado de saúde (tuberculose) se agravou sensivelmente. Publicou, nos anos seguintes, livros de contos, crônicas e memórias. Em 1935 foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras. Poeta vinculado à estética parnasiana, Paulo Setúbal tematizou em seus versos a vida dos camponeses, dos "caboclos" do interior de São Paulo. Pela escolha do tema, na época foi chamado de "poeta regional".
Foi também famoso e respeitado autor de obras de temática histórica, dentre as quais se destacam o romance A Marquesa de Santos (1925) e o livro de crônicas O Ouro de Cuiabá (1933). Foi ao entrar para o ginásio, que começou o interesse pela literatura e pela filosofia. Leu Kant, Spinoza, Rousseau, Schopenhauer, Voltaire e Nietzsche. Na literatura, influenciou-o sobretudo a leitura de Guerra Junqueiro e Antero de Quental. Sua vida era de franco e desenfreado ateísmo, conversão que se deu quando, aos problemas crônicos de saúde acrescentou-se a minagem psicológica ocasionada pela desilusão com os rumos da política e consigo mesmo. Entrou a freqüentar fervorosamente a igreja da Imaculada Conceição, perto de sua residência em São Paulo, e a ler a Bíblia e livros como a Psicologia da fé e A imitação de Cristo. É quando escreve o Confíteor, livro de memórias, a narrativa de sua conversão, que ficou inacabado. Faleceu em 04 de maio de 1937.

 

Ídilio
Paulo Setúbal

"Vamos?" disseste... E eu disse logo: vamos!
Ia no céu, nos pássaros, nos ramos,
Uma alegria esplêndida e sonora;
E tu, abrindo ao sol, como uma tenda,
Tua sombrinha de custosa renda,
Partimos ambos pela estrada afora...

Eram pastagens largas, eram roças,
Carros de bois, currais, barreadas choças,
E rústicos galpões de pau-a-pique;
Só tu, nessa bucólica simpleza,
Com teu "tailleur" de casemira inglesa,
Punhas uns tons de mundanismo chic.

E a poeira, e o sol queimante, e a dura estrada,
Nós, papagueando, sem sentirmos nada,
Seguíamos num sonho encantador:
É que a felicidade, como um vinho,
Fazia-nos andar pelo caminho,
Tontos de gozo e bêbedos de amor!

    Participantes:

18- Adailton Guimarães
54- Andréia Cristina Guadagnin
22- Anna Peralva
19- Angela Maura
12- Antonio Cícero da Silva
37- Arlinda Lamêgo
14- Augusta Schimidt
62- Avany Morais
21- Bernardino Matos
28- Beatriz por um triz*
27- Branca Tirollo
60- Carmen Ortiz Cristal
08- Cássia Vicente
17- Célia Jardim
41- Cristina Oliveira
42- Denise  Figueiredo
13- Emiele
02- Eugénio de Sá
45- faffi
58- Fatima Moreira
26- Garimpando Ternura
06- Gui Oliva
46- Heloisa Abrahão
31- Humberto Rodrigues Neto
38- Ilze Soares
30- Inês Marucci
53- Iza Mota
51- José Ernesto Ferraresso
24- Lígia Antunes
29- Lúcio Reis
52- Luís Carlos Mordegane (Um velho menino)
03- Luiz Poeta
16- Luiza De Marillac Bessa Luna Michel
33- Luiza Helena G.Viglioni Terra
36- Malu Otero
39- Marcial Salaverry
47- Margaret Pelicano
61- María Cristina Torres
48- Maria Loussa
40- Marineusa Santana
10- Mário Osny Rosa
44- Mavi Lamas
15- Mifori
34- Milla Pereira
59- Naidaterra
50- Ógui Lourenço Mauri
25- Paulo Mello
49- Pedrinho Goltara
35- Regina Bertoccelli
64- Regina Silveira
32- Ricardo De Benedictis
23- Rita Caldas
01- Sá de Freitas
55- Sandra Lúcia Ceccon Perazzo
07- Sandra Ravanini
43- Soaroir
09- Sérgio Diniz Barros Guedes
05- Silva Filho
56- Sueli do Espírito Santo
63- Tânia Sueli Oliveira
04- Tere Penhabe
11- Teresa Cordioli
57- Thereza Mattos
20- ZecAdi = josé de avelar

01- O Poeta Caboclo
Sá de Freitas

Lento se esconde o sol no horizonte,
A noite acena de mansinho à Terra;
O casebre é fincado junto à fonte,
Que amena escorre e vem do pé-da-serra.

É solidão total... Chegam da mata,
Apenas uivos de animais errantes,
Que se misturam ao canto da cascata,
Orquestrado por sapos coaxantes.

À luz da vela o moço deita e espera,
O amigo sono que não vem... E quando,
Se recorda de alguém, se desespera.

Levanta-se... É frio... Está cansado...
Senta-se à mesa tosca e vai compondo,
Um poema de amor, sem ser amado.

http://sadefreitaspoesias.sites.uol.com.br/index.htm

02- O Poeta Caboclo
Eugénio de Sá

E quando dorme enfim, reconfortado
de corpo e alma cumprido mais um dia 
sonha com a liberdade em pradaria
nos vibrantes galopes p'lo gramado

Dispensou o casebre aconchegante
que a noite é quente e o alpendre fagueiro
vai-lhe inspirando o sonho alvissareiro
que lhe traz, terno, um amor debutante

E o sonho lhe mostra a caboclinha
com o olhar de ternura que lhe viu
quando ambos se cruzaram à tardinha

Dorme em paz o poeta solitário
pois no sonho não há outras razões
que justifiquem um querer contrário

03- Caboclinha
Luiz Poeta ( sbacem-rj ) - Luiz Gilberto de Barros
Às 12 h e 20 min do dia 5 de maio de 2007 do Rio de Janeiro

Fitando da colina, o céu tristonho,
O olhar da caboclinha busca um sonho
Querendo descobrir alguma estrela
Cadente... e ela tem só um desejo:
Sentir... na boca, a mágica de um beijo
Do seu caboclo que... nem veio vê-la.

Rumores na floresta e o vento
Tão frio...provocando o sentimento
De abandono, dor e uma tristeza
Que pouco a pouco vai se misturando
Ao medo de sentir que está amando
A ausência... muito mais do que a beleza.

Aos poucos, a mata se movimenta,
Um predador da presa se alimenta
E a saudade escapa...num momento:
Um pio de coruja, um passarinho
Noturno chamando, devagarzinho
A amada para o acasalamento...

E ela, a caboclinha solitária
Sentindo uma angústia arbitrária
Aos poucos invadir seu coração,
À própria solidão vai perguntando:
Que sonhos estará ele sonhando ?
E por que essa dor ? .... sem permissão ?

Então, quando o luar  enfim se oculta
Nas nuvens,  e a escuridão sepulta
O último clarão que ainda resta...
Apaga-se também a lamparina
Restando só a luz de uma retina
Fitando a solidão de uma floresta.

04- O Poeta Caboclo
Tere Penhabe

Tem cheiro da manhã, o sonho do poeta
ao fim da madrugada, seu sonhar desperta
no orvalho reticente, que abraça a serra
a lida que o chama, já de porta aberta.

Ouvindo o canarinho, em canto mavioso
segue por sua trilha, como todo dia
de tanta esperança, ele é orgulhoso
mesmo que toda ela, acabe em poesia.

Nunca afronta Deus, um poeta caboclo
a fé é sua muralha, que a tristeza espalha
diante da amargura, o caboclo encara.

A vela que lhe serve, de fino candelabro
aquece a sua alma, mata seu descalabro
e o poeta segue, seu sonho alimentando...

Santos, 05.04.2007

05- O Poeta Caboclo
Silva Filho
 
Cansado de pôr versos no papel
Meteu-se pela mata o campônio
Buscando encontrar algum laurel
Conforme vaticina o seu sonho.
 
Laurel que venha ser a sua amada
Que tanto só em sonhos ele vê
Quem sempre poetou pelas caladas
Agora só tem mãos pra um buquê.
 
Caboclo também tem um coração
Tem forte sentimento de paixão
Embora nunca passe de beltrano.
 
Mas quando faz um verso intimista
Qualquer poeta nobre tem a pista
Provando que o caboclo é Humano.
 
/aasf/

06- Saudade de Cabocla
Gui Oliva

Hoje eu queria mesmo era um luar daquele
que brilha com muita luz, faceiro seu clarão,
como   luziam  para mim os olhos dele,
quando a gente se deitava na relva do sertão.

 Eu esparramava meu corpo no seu colo
e a ele também  oferecia o meu  regaço,
vivia eu  meu amor sem dor nem dolo,
e ele aliviava comigo o seu cansaço.

Esse amor apagou  mas não foi em vão,
teve tudo de bom e melhor ser não podia
pois entre nós a alegria é que pontificava

e, uma corda de viola hoje ainda  dedilhada,
chora e reclama para que retorne, algum dia,
toda a cintilação  de um luar lá do sertão.

05/05/07

07 - Carta ao colono
Sandra Ravanini
 
Amigo colono, feliz dessa viola que narra o plantio,
essa grandeza que bota a mão no arado e na terra;
aqui, fumaça é poluição colhendo um rosto sombrio,
e o sol nos prédios colossais, são quadros e aquarelas.
 
Caboclo amigo é pelas suas mãos tão cheias de calos,
que relembro o frescor matinal e sinto o aroma do pão;
andando nas estações, tento ouvir o canto de um galo,
só ouço um grito, ou um tiro e pessoas na contramão.
 
Sementeiro dos amanhãs vai cultivando o seu chão,
abençoando o solo com o suor, capinando o seu horto,
faça desse asfalto que eu deploro, brotar a compaixão
dos caminhantes embrutecidos duma cidade sem orto.
 
Jardineiro de todos os dias, como é rica a sua casa,
a alegria acorda em cores onde sulca o seu penhor,
meu querido lavrador segue enfeitando quanta vasa,
e alimenta minha alma, plantando a semente do amor.

08- O poeta caboclo
Cássia Vicente

Enquanto descansa no banco tosco
fazendo seu cigarro de palha
o velho verseja suas alegrias
de fronte a imensidão verde...

..."Terra bendita que
da lida vem meu sustento...

Entre um trago de boa pinga do engenho
e um cheirinho de café fresco
um baforada no cigarro de palha
um chamego da velha amada
ele inspira nas palavras e bendiz pela sua vida...

..." que trouxe a amada pros braços
de um jovem sonhador...hoje velho trovador...

Se levanta abraça a patroa e olha pro horizonte
percebendo a lua nascendo ainda com o sol
e sem fazer cerimônia...

..."Sou caboclo desta terra
dela nasci e pra ela doei minha vida
fértil...amante...terra dos sonhos meus...

Entra abraçando a patroa no aconchego
da cabana onde a lua clareia a cama e
um copo de café ainda quente o espera...

Jataí.GO_05.05.07

09- O Mocorongo
Sérgio Diniz Barros Guedes

Sol a pino
No roçado
Plantando,
Cortando mato.
Cai a chuva
Todo molhado
Enxada na mão
Cavando,
O pobre chão...
Já escuro
Em seu boi montado
Passando lama
Galgando barro
Ele no mato.
Chega em casa
Solta o gado
Vai ao riacho
Toma banho
banho de cuia
Come o pirão,
Pirão de farinha,
Azeite e carne
Do sertão...
Com todo cansaço
Vai para cama
Cama de tábua
Tirando fumaça
Do cigarro de palha.
É manhã
O galo canta
Ele levanta
Lava a cara
Vai ao fogão
Que não é de gás
Nem de carvão.
Faz o café
E novamente o pirão,
Acende o charuto
Tange o gado
Apanha o machado
E vai novamente
Para o roçado...

http://br.geocities.com/sdbguedes

10- No silêncio lá na roça
Mário Osny Rosa
 
No cair da noite
Logo veio silêncio.
Só se ouve a cascata
No meio daquela mata.
 
O caboclo pega a viola
Nela dedilha uma sonata.
E nela que se consola
Canta para sua amada.
 
E por um longo silêncio
Medita vendo a lua.
Despontar no horizonte
Iluminando os montes.
 
Essa lua cor de prata
Que ilumina a mata.
Somente essa viola
A saudade me mata.
 
Quando amanhece o dia
O canto da passarada.
Logo tudo que desafia
Na viola a dedilhada.
 
São José/SC, 5 de maio de 2.007.
morja@intergate.com.br
www.mario.poetasadvogados.com.br

11- A dor do sertão
Teresa Cordioli

Lá nu meu sertão,
Eu choro ao oiá pr’aquele chão!
Tão seco...pela chuva abandonado,
Virô tudo serrado,
Agora vou-me imbora.
Criança di sede e fome já chóra...
Meu sonho é eles istar na iscola
Mas aqui, num vai dá não...
Joguei a úritma semente no chão...
E sentei na sombra
Fiquei oiando lá n'orizonte
Pra vê si a nuvem crescia
Ela foi imbóra
Serenamente partia...
Também vou-me imbóra
Minha barriga tá vazia...

www.teresacordioli.blogspot.com

12- O Caboclo
Antonio Cícero da Silva

O caboclo poetava
Com grande coerência
Lindos versos ele ditava
Em perfeita cadencia.

Ele trabalhava no sítio
Nos roçados e nas matas
Para o caboclo, tudo era lícito
E suas tarefas ele enfrentava.

E ao cair da noite escura
Sob o céu estrelado
Ele olhava para as alturas
E recitava versos rimados.

O caboclo com seu poetar
Fazia com segurança
E conseguia a todos alegrar
Com a maior lambança.

Era homem humilde
Nascido e vivia no interior
E casado com a Clotilde
Declamava o fantástico amor.

http://antoniocicerodasilva.blog.terra.com.br

13- Poéticabocla Vida
*Emiele*

Quem diz que a vida do caboclo não é tem poesia
desconhece do campo a simplicidade do viver com alegria.
Mesmo sob o trabalho árduo de sol-a-sol
 basta olhar em volta para sentir, cheirar
e capturar da natureza, a presença da poesia.
Mal rompe o sol há acordes de passarinhos
nos arvoredos do quintal.
Na colina brotam flores silvestres
e a cabocla ao passar carregando a lenha
para queimar no fogão e preparar a alimentação,
colhe um ramalhete variado
e enfeita sua janela sempre aberta
deixando todo espaço perfumado e arejado.
Há colibris coloridos em matizes
a sobrevoar e sugar o néctar das flores...
E á tardinha, a tagarelice das maritacas
que aos bandos, sobrevoam o céu...

E quando chega a noite, sentados em volta do fogão
 sob a luz do lampião contam casos de assombração...
E quando há luar, saem pela vizinhança
e promovem uma festança
ao som da sanfona e violão.
E dançando pelos terreiros enluarados,
esquecem tudo que lhes angustia...
E dançam até o amanhecer do dia.

Viver e gestar a poesia é ter no coração
um poço que transborda emoção.
É captar o belo e a pureza em tudo que vê.
E mesmo que o caboclo não saiba expressá-la em versos,
grita aos quatro ventos em gestos de amor sua gratidão,
pelo seu trabalho, sua terra, seu torrão.

Belo Horizonte,05/05/2007 - 23:23 horas

14- O caboclo poeta
Augusta Schimidt
 
Caboclo faz poesia
Quando o sol acorda o dia
E ele segue caminho
Pra lidar no chão
Que lhe dá o pão
 
E quando a noite chega
Olha o céu agradecido
Conversa com a lua
Depois adormece,
Na esperança de um novo dia
 
Campinas/05/05/07_23.30h
http://geocities.yahoo.com.br/poesiadaalma

15- Poeta Caboclo
Mifori
 
Sai de madrugada pra trabalhar
Tantas coisas, no dia, pra fazer.
A Deus agradece sem questionar
Prepara a terra, planta pra viver.
 
Chega à noite, a lua vem iluminar...
E o seu alegre poetar, aquecer.
Única distração no seu descansar
Que jamais o deixa esmorecer.
 
Começando na viola a dedilhar
Canções para o amor restabelecer
Vai o horizonte poético alargar.
 
E a noção do tempo vai se perder
Nos versos que a vida há de embalar,
Chora e canta sua sina até morrer.

SJC/SP: 06/05/2007 - 1h

16- O Poeta Caboclo
Luiza De Marillac Bessa Luna Michel

Tão peculiar  ao solo brasileiro
Indivíduo simples e matreiro
Com seu pilão e seu silêncio
Habita penumbra das fronteiras

E vem no Treze de Maio exato
Com a libertação dos escravos 
Erguida a República de um povo
Se atira a sorte de todo um país

E o Poeta Caboclo encimesmado
Coça a cabeça e atira seu prato
Em estrondos, segue a choupana

Magia de espécies e  inspirações
Costumes inesquecíveis do arado
Passeia caboclo aqui neste passado...

17- Poeta Caboclo
Célia Jardim
 
Seu coração tem a pureza do lugar
e sua alma se pôe a cantar
a natureza enfeita os seus sonhos
pra este cantador de versos ao luar
 
Faz poesia para sua amada
e a janela oferece a donzela
o sumo de seus anseios
guardados somente pra ela
 
Homem rústico do sertão
também tem alma e coração
faz suas rimas singelas
e a singeleza, as fazem tão belas
 
Poeta é igual em qualquer lugar
bota a alma na palma da mão
e se não tem papel e lápis
escreve nas cordas do violão

18- O Menino Carvoeiro
Adailton Guimarães

O seu brinquedo é uma tora
Seu produto, o carvão
O menino carvoeiro
Trabalha o dia inteiro
Por um pedaço de pão.

Sua mãe, velha e cansada
Seu pai doente no chão
Oh! DEUS onipotente
Olhai estas crianças
Estende a tua mão.

Tu também foste criança
E vais compreender
A injustiça que essa criança
Está passando a sofrer.

Então socorre a criança
Que não tem a quem apelar
Autoridades brasileiras?
Já nem podemos acreditar...

Castro Alves já dizia
Com uma dor no coração
Não pode ser escravo
Quem nasceu no solo bravo
Da brasileira Nação.

E o poeta aqui lamenta
Pelas crianças e pela Nação
A justiça foi derrotada
Pela Corrupção...

Que vergonha pro Brasil
E também pro mundo inteiro
A maldade e o sofrimento
Do pequeno injustiçado
O menino carvoeiro.

Minha terra é tão bonita
Mas pra mim não há lugar
O corrupto é cidadão
O honrado não pode falar
Quando o dinheiro fala alto
A verdade tem que calar...

06/05/2007

19- Leva-me contigo,  meu caboclo...
Angela Maura - 12 anos

Leva-me contigo,
meu Caboclo.
Estou fascinada com teus versos.
Quero ficar contigo
o resto de minha vida,
para poder te amar muito.

Leva-me contigo,
meu Caboclo.
Estou sempre pensando em você.
Quero que sejamos tão felizes,
quanto as cirandas das poesias
que saem da sua imaginação.

Leva-me contigo,
meu Caboclo.
Não me abandones agora,
nem me deixe sem notícias suas.
Estou com sede dos teus sonhos
que me inebriam
e só me fazem capaz de te amar.

Leva-me contigo,
meu caboclo.
Seja meu guia, minha luz.
Sem você não consigo viver,
não consigo me inspirar
para te contar os versos do meu amor.

Leva-me contigo,
meu caboclo.
Sinto falta de você
para compartilhar os momentos felizes de nossas vidas.
Não quero que vá embora,
mas não posso lutar contra o destino.
Afinal,
foi ele que me deu o poder de te amar,
para sempre.

São Paulo

20- Nascido na Beira do Rio
 ZecAdi = josé de avelar

Nasci na beira-do rio
numa casa emprestada
o meu pai - que era barqueiro
mal ligava pra dinheiro
Minha Mãe - pra mim nascer
quase morre no trabalho
si não fosse o Dito Preto
podem crer nisto que digo
eu não teria vivido

Nesse tempo a "maleita"
quinda não era a malária
atacou a minha Mãe
que mesmo adoentada
cuidava com todo o amor
e nunca deixou faltar
nada nada nada
para toda a filharada

E o tempo foi passando
e na roça fui crescendo
sempre forte - forte mesmo
olhando o que acontecia
em volta do pequeno mundo
ficava sempre pensando
o porquê e as razões
que viemos preste mundo

fiquei moço, e na cidade
com meus pais fomos morar
mas da vida simples da roça
nunca quiz me afastar
nadar nos rios pelado
exaltando a natureza
e sendo seu aliado

E fui por dois casamentos
com seis filhos premiado
e dos sonhos de criança
olhando pra cada filho
com todo o amor de pai
quantas vezes - meu olhar
disse apenas - obrigado

O tempo que meu amigo
enfraqueceu minhas pernas
fez minhas vistas turvarem
meus cabelos prediletos
foram ficando grisalhos
e os filhos também moços
agora me deram netos

Agora neste momento
pra quem ouve este meu canto
nesta vida - bem vivida
continuo kaminhant
sempre dando graças a Deus
por tudo - tudo - com_tudo
sempre e a todo instante

21- O sertão é sua rima!
Bernardino Matos

Só de andar no sertão,
curtindo suas veredas,
a poesia emparedas,
numa sentida canção.

Ser poeta é ouvir,
o canto da natureza,
o amargor da tristeza,
expressar o seu sentir.

Então, meu caro amigo,
o caboclo é poeta,
além de tudo profeta,
tendo o sertão por abrigo.

Quando penetra a catinga,
seu coração enternece,
seu recitar vem na pinga.

Ele não tem outra rima,
a não ser sua cabocla,
que  seu viver reanima.

Fortaleza, 06/05/07

22- Os sonhos do caboclo
Anna Peralva

Casebre simples no meio da mata
ao redor, o perfume da natureza,
o barulho da límpida cascata,
paz em toda sua aura beleza.

Sob a luz fosca da lamparina, à mesa
um prato solitário de comida.
Num vazio que reina sem aspereza
sonha o caboclo, com os sons da vida.

Corpo cansado da lida do trabalho
relembra o sorriso maroto da amada,
nos olhares furtivos trocados no atalho,
a emoção desperta forte e descompassada.

Vento sopra manso o sentimento,
na viola dedilha canções de amor
tons do coração caboclo, encantando o tempo.

No corpo moreno exala paixão e ardor...
A lua alta, em seus raios prateados
reflete a alma simples do gentil sonhador.

Maio de 2007- RJ

23- Vida bucólica
Rita Caldas

Lindos campos, belas flores
Vê-se muito no interior
A choupana de madeira
Onde existe muito amor
 
Vida simples e gostosa
Candeeiro aceso faz a luz
Fogão de lenha, comida gostosa.
Isto tudo nos seduz
 
Água quente e chimarrão
Que roda de mão em mão
Contam causos os compadres
Chegam até a fazer serão
 
Acordar de madrugada
Com o galo a cantar
Faz bem à nossa alma
Com o silêncio de lugar
 
Da janela do meu quarto
Olho o rio a murmurar
É um grande lajeado
Onde o gado vai se saciar
 
A carroça no celeiro
Leva todos  passear
No domingo à igreja
Para a família rezar
 
Aqui tudo é singelo
A natureza e o viver
Povo simples e hospitaleiro
Na fazenda se pode ver

29/7/04

24- Um olhar caboclo e o infinito
Lígia Antunes

Entre o céu e a terra não há infinito...
Há o silêncio que invade espaços invisíveis,
que perscruta a alma sem sonho acontecido
e acolhe o coração da emoção já constrangido!

E nessa quietude reinante que o abraça,
ao verso que faz, o caboclo, recolhido,
perpassa a dor constrita que insiste
e o enlaça de um jeito entristecido!

E em toda essa imensidão que avista,
percebe ele a saudade que ficou
da felicidade que se foi e não voltou
sem sequer deixar qualquer aviso...

E vem a noite... do rosicler precedida.
O caboclo, então, se cala... nada fala...
Confessa, apenas, no verso que rabisca
o amor intenso qu' em seu peito inda faísca!

Pelotas, RS - 17h de 6.5.07

25- Cabocla
Paulo Mello

Pés descalço
caminhando sobre a
terra lavrada
Sonha...
Sonha seu sonho de menina moça
Que o filho do Seu Bento.
Moço bonito e inteligente
Vem lhe pedir em namoro.
Corre pra sanga
Tira a roupa
Toma banho com alegria
Corre pra casa coloca água de cheio
e fica esperando o moço chegar.
Ah, menina brejeira.
Cabocla dos meus sonhos
Um dia terei essa coragem.
Por hora, fica ocê dai
e eu daqui namorando a
lua que se esparrama pela
terra lavrada, nos
deixando com o coração apertado.
De tanta saudade.

05.05.07

26- Amanhecê na roça
Garimpando Ternura

Cuma é lindo o amanhecê aqui na roça
Nos colorido a anunciá o raiá do dia
Cos cotovelo na jinela da paioça
Sinto meus zóio briá coçano di alegria.
Quando a oróra si alevanta di mansinho
Acariciano a imensidão da Natureza
Meu isprito avoa cuma avoa um passarinho
E num si agüenta di avistá tanta beleza.
Intão mi agarro cá nos braço da viola
Da passarada ieu acumpanho a canturia
Num ribuliço baruiento inté as angola
Já si convidum pra anunciá o raiá do dia
Lá no terrero as galinha im grande agito
Tudo assustada cos baruio qui nóis faiz
Assustam mais quano o galo muito afrito
Cisca o terrero e das cuitada córri atráis.
E o baruio da cascata aqui pertinho?
Qui som mais lindo, inté paréci serenata!
Em riba das pedra as água vai devagarinho
Despois elas cai quar véu di noiva na cascata.
Mais qui delícia, qui carícia tem a brisa,
Qui acumpanha a linda musga do arrebor!?
Arrespiro bem fundo o doce ar qui  fertiliza
Meu corpo i o esprito, do nascê ao pôr do Sor.
I viveno ansim é qui nóis trabáia cum alegria,
Caneta é enxada, papé é terra deste lavradô
Dá uma cansera a lavra di fazê puesia ...   rsrsrs ...
Mais só paro mermu quando deste mundo ieu fô.

José Antonio Siqueira
http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=3792

27- O poeta caboclo
(prosa)
Branca Tirollo
 
O Caboclo do Sertão diz:
Su se mi ajudá, muié! Nossa coieta de café há de se boa,
e nosso fio vai sê gente famosa.
"Com certeza! Serão!"
Mais que famosos. Também doutores do sertão. Homens de fé,
e de coragem, de armas nas mãos. Armas que constituem e
alimentam os preguiçosos desta nação. Armas sábias que
ensinam viver num mundo, onde há fartura de terra e água,
pra não sentir solidão.
Como prepara este mundo sem guerra?
A faculdade na roça há mais pureza e educação. Pois é da terra
que se extrai, o nosso poderoso feijão.
Mas há quem desconheça donde vem esta proeza, este valioso
grão. Grão que alimenta a vida urbana sangrenta, onde no lugar
da enxada. Usam espadas nas mãos.
Viva a sabedoria poética, cujo caboclo extraiu da Natureza e
seus tons.
E viva o poeta caboclo! Viva os conscientes que trabalham.
Neste mundo belo que é o sertão

28- O Poeta Caboclo
Beatriz por um triz*

Ah! meu poeta caboclo
que sentava no tronco
da árvore caída na estrada

Embalava seus versos ao som da viola
rimando a solidão e a simplicidade
acreditando com vontade
que o céu era por ti esculpido

Ah! meu poeta caboclo
que do cigarro de palha
sugava os seus desejos
como fossem beijos
da mulher amada

E ao cair da noite
deitava na rede contente
como se naquela poesia
houvesse encontrado o amor

29- O Poeta Caboclo
Lúcio Reis

Posso dizer poeta não ser e desse bem não haver sofrido
Mas afirmar com todas as letras, caboclo ter sido
Quando criança na Ilha do Marajó no Estado do Pará
Mesmo de origem das Minas Gerais, aqui vim parar

Conheço daquela passagem o açai apanhar
Com peconha no pé para a copa da palmeira alcançar
Um "porronca" no canto da boca para a tuira espantar
E o cacho da fruta tranquilamente cortar

Voltar para o chão e o caroço desbulhar
Direto no paneiro para depois transportar
Equilibrando-o na cabeça sobre a rodilha, durante o andar
Por entre a mata, até a residência chegar

Com o produto da colheita, feito na floresta de todos e, até da tia
O alimento nutritivo com farinha, açucar e camarão frito
A barriga enchia e fome ninguem sentia
Até o outro dia e assim em apanhar açaí, até fiquei perito

Meu amigo "Pilão" lá de Ponta de Pedras, foi quem me ensinou
Caboclo nativo, de traços indigenas, com, e em sua profissão
Poderia hoje dizer, ser um poeta caboclo em sua ação
Pois da mata conhecia com sensibilidade como a palma da mão

Caboclo humilde, como o são os poetas, com responsabilidade
Ensinando pela mata a se ter todo o respeito
Da mesma tirando apenas o sustento
Sem devastá-la e nem poluí-la, tratando-a, portanto, com dignidade

Pois é meu amigo, caboclo já fui, posso falar
Conhecendo uma parte do mundo, e do dificil viver
Hoje consciente e sabendo o que cantar
Creio nesta Ciranda possa vir lhe dizer

Da importancia do poeta caboclo de todos os rincões
Pois é gente humildade e que fala aos corações
Existem os astutos e que se tornam vilões
Mas o brasileiro de um modo geral e gente humilde de boas lições.

Belém do Pará_06/05/07

30- O Poeta Caboclo
Inês Marucci

Ouvindo a chuva cantar no telhado,
o caboclo invade a inocência nua
que ventila o pensamento sonhado
e sua fada não chega, se insinua!

Vestido molhado ao corpo colado
mostra a volúpia o amor acendendo,
pousando tal garça amanhecida
que ainda sonha estar abraçada!

Enquanto alvos lenços da madrugada
de amor banham o sonho sertanejo,
magia aumenta o som da passarada!

Cala os passos da chuva doce beijo
corpos e almas estremecendo,
o caboclo amou e brilhou o mundo!

Santos-SP-06.05.2007

31- Poeta Caboclo
Humberto Rodrigues Neto
 
Poeta Caboclo é bom
quando a namorar a lua,
tira da viola o som
nas cantigas pela rua!
 
Na paz de humilde ranchinho
da vasta serra ao sopé,
faz de palha um cigarrinho
que fuma após o café.
 
Enaltece em suas serestas
os crespos mares bravios
e a beleza das florestas
debruçadas sobre os rios!
 
Por sabiás e curiós
tem a ternura de um monge;
rima até a plangente voz
de alguns bois mugindo ao longe!
 
Rima cascatas e fontes,
e esmera-se ao descrevê-las;
sente sóis saltando montes
e noites fervendo estrelas!
 
Por seu verbo limpo e claro,
peço a Deus sempre proteja
quem cultiva o dote raro
da poesia sertaneja!

32- Choro de Caboclo!
Ricardo De Benedictis

Oh, quanto tempo perdido
Vivo sozinho com a saudade
Dos meus filhos que hei perdido
Nos caminhos da cidade!

E todos se deram mal!
Vivem nas periferias...
Nenhum veio ao funeral,
Ao velório da Maria!

E eu, sozinho e cansado,
Por mais que tenha rezado
Não tenho mais alegria!

Fomos felizes, na roça,
Espero a morte, na choça,
Sem meus filhos, sem Maria!!!

33- O Poeta Caboclo
Luiza Helena G.Viglioni Terra

O Poeta caboclo
tem a poesia nas
veias
sabe rimar
sem vacilar.
Poeta caboclo
faceiro, seduz
a morena que vê
a lua despontar no horizonte.
O poeta canta e
encanta e juntinhos
na rede trocam juras de amor.

07/07/2007

34- A tristeza de um Caboclo
Milla Pereira

Na varanda, encimesmado,
Ao cair da noite quente,
O caboclo apaixonado
Observa a estrela cadente.
 
Conta uma, duas... três!
E versos começa a compor.
Se as contasse de uma vez
Sentiria menos dor!
 
Lembra de sua Maria
Que um dia foi embora.
E o deixou sem alegria
Contando estrelas agora!
 
Pobre Caboclo, magoado!
Por ter sofrido a traição
Por seu amor desprezado
Que feriu seu coração!
 
Hoje, em sua sacada
Compões seus versos e chora
Por sua Maria amada
que com outro foi embora!
 
E-mail: millabrazil.2007@yahoo.com.br
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Site: http://www.millapereira.prosaeverso.net/index.php

35- O Poeta Caboclo
Regina Bertoccelli

Tem o poeta caboclo a pureza
de suas rimas certas,
a singeleza de suas
prosas incertas...
Sua musa é uma borboleta
que dança em sua janela,
que pousa em seu roseiral,
que colore o seu alvorecer...
Seus versos atraem a revoada
de pássaros que felizes,
fazem seus ninhos no topo de
sua humilde cabana...
Aquieta ao entardecer,
 sua alma sonhadora...
Em sua viola canta suas mágoas,
seus amores, enquanto a tarde
se despede e a noite acontece...

36- Poeta Caboclo
Malu Otero
 
Poeta caboclo, quando tange a viola
Aquilo vem bem lá do fundo da alma,
Transforma em poesia a vida e chora,
Pela colheita do amor ele a tudo exalta.
 
Em tempo de seca é um Deus nos acuda,
Não vinga a semente ainda que ele peleje,
Estorricado o solo do agreste sertão, sua,
Mas com tempo bom, há quem o inveje.
 
Porque o caboclo não tem preguiça não!
Tange a viola, depois da lavoura e sorri.
A cabocla faceira desperta fértil paixão...
E ele a beija delicado qual um bem-te-vi
 
Semeado o amor pra toda uma vida,
A colheita recebe com versos e viola.
Os filhos chegam pra ajudar na lida
E cresce a inspiração pela vida afora.

37- O Poeta Caboclo
Arlinda Lamêgo
 
Versos, orquestrados pelo mar,
Acenam-se de mansinho...
Vêm devagarinho, na ponta do pé, suspirosos, silenciosos.
Surgem ,em cada onda de espuma, que tremula como lamparina,
Abraçados pela serra.
São retinas que se iluminam no luar de lua cheia,
Clarões que se sucedem à luz de orvalho reticente
E explodem em cada lual, numa corda de viola dedilhada.
 
São poemas de amor solitário, em vida  que é poesia toda ela.
O poeta caiçara inspira-se na sua  caboclinha ,
Na beleza mágica de um beijo
E na alegria de um sonho de  sentir que está amando.
Amor  que se permite, tomado de paixão.
Num sonhar desperto, com cheiro de mato,
Na chuva de tantos dias, de cada manhã,
O sonho do poeta é viver letárgico com sua amada
Calor de amor, na tepidez de cada madrugada,
na lida que  chama o sol, que chega, pé ante pé, já de porta aberta.

Canários cantam, beija-flores dançam,
borboletas colorem as trilhas de todo  dia
e tudo acaba em poesia.
O poeta caboclo
tem fé na sua muralha e aquece alma.
O poeta segue, alimenta-se de esperança,
Ele é mesmo que toda ela.
Caiçara  faz verso intimista,
faceiro, em os olhos dele,
no  colo do sertão que cintila, beijado pelo mar,
ele que é  toda poesia.
E a ele a poesia se oferece no regaço da cabocla,
sem cansaço.

Poesia inspirada em Ubatuba. 
07/05/2007

38- Caboclo
Ilze Soares

No meio da mata,em pleno sertão,
o caboclo dedilha seu violão,
olhar perdido no horizonte,
a pensar na amada ausente.

Vê a lua surgir brilhante,
clareando aquele pedaço de chão...
Sente aperto no coração,
quer o calor de quem não está presente...

Caboclo triste,apesar de forte,
não esconde sua dor,
deixa o pranto correr,
aliviando seu sofrer...

Sabe que um dia sua amada virá,
a alegria do caboclo então voltará
e no seu rancho o amor reinará.

07/05/07

39- Tristezas de um Caboclo
Marcial Salaverry
 
Passeando pelo sertão,
parei num bar prá pedir informação,
vi um caboclo numa tristeza de cortar o coração...
Num desabafo, falou enquanto tomávamos o "pingão"...
"Seu moço, vancê num pode carculá,
u pruque dessa tristeza no meu oiá...
Fais uns tempo... nem gosto di si alembrá...
Taveu aqui, prás pinga tomá,
cando a água garrô a dispencá...
Tanta da chuva qui Deus arresorveu di mandá...
Era tanta das água, qui arresorvi esperá,
prá mode a chuva passá...
Ficô mai de duas hora, inté tudo si acarmá,
Preu podê minha casa percurá...
Seu moço... sinti u mundu si acabá...
E num é qui num consigui mai nada encontrá...
Minha casa... as água tinha levado...
Minhas prantação... tinha se acabado...
Casi murri... di tão disisperado,
cando vi qui as água tinha levado
minha famia todinha... fiquei agoniado...
Minha Maria... qui tanto ieu tinha amado...
Meus fio... qui inda nem tinha criado...
Ah!!! seu moço... tanto tenho chorado...
Só nas pinga é que tenho mi consolado..."
Entendi a razão de sua tristeza... mas segui viagem,
levando desse caboclo triste, a imagem...
Pensando que apesar de toda sua beleza,
Também é capaz de maldades nossa querida Mãe Natureza...

40- O Caboclo e a Seca
Marineusa Santana

O caboclo muito triste
Por causa da plantação
Com os olhos cheios d'água
É de cortar coração

A chuva não chegou
No tempo esperado
Sua roça quase perdida
E ele desesperado

Levanta as mãos pro céu
E pede à mãe Maria
Coloca nela a esperança
E diz:Sem vós que seria?

Vós sois a mãe de Jesus
E a nossa mãe também
Peça a Deus que mande chuva
Nos livre da seca. Amém.

Brejo Santo - Ceará
www.marineusantana.recantodasletras.com.br

41- Poeta mestiza
Cristina Oliveira
 
Con ojos verde mar nací mestiza,
mis labios son rojos como la grana,
la mezcla de razas me hizo gitana,
aunque mi piel tan clara no es cobriza.
 
Soy poeta porque la luna hechiza,
a mi cabello de oro filigrana,
convirtiendome en una flor temprana
en la mas cálida  rosa castiza.
 
La mixtura de mi sangre es la llama,
del amor profundo que en mi alma nace,
ser trovadora por naturaleza.
 
Compongo mis trovas al ser que me ama,
esperando que su beso se enlace
a esta su gitana con gentileza!

 USA

42- O melhor virá  depois.
Denise  Figueiredo

Olhos na serra enfiado
Lágrimas rolando na barba
Sonhos que foram deixados
Tristeza que não acaba

Viola dedilha o poeta
Pensando na triste partida
Dormiu pensando nela
Acordou sem  luz e sem vida

Das lindas saias rodadas
Da praça que tinha mais vida
Quando passava ela
Indo rezar na capela.

Chorando o caboclo nem vê
Que a linda morena ajeitada
Que de saudade arreada
Estava ali assentada.

Esperança de ver a roça
Verde e plantada por dois
Caboclo,  poeta  e  da roça.               
O melhor virá  depois.

http://www.recantodasletras.com.br/autores/denisefigueiredo
http://gotasdepoesia.spaces.live.com/

43- Poeta Caboclo
Soaroir

Na Lida

Poesia de caboclo
tem pé fincado no eito
se quer sente o sol ardente
vai tirando seu aceiro
como todo o ascendente
enquanto rima em cantoria
o que ele da vida sente
não desiste, apeia
depois da lida arriar
rabequeia
 à sua lua confidente
sonhos arraigados em seu peito
em versos
que só caboclo sabe rimar.

08/05/07
http://pote-de-poesias.blogspot.com

44- O canto do sabiá...
Mavi Lamas

Sim...todos os dias eram dias de beleza...
as flores de açucena
a pureza branca de nuvem
o céu se amontoando
coração de flor,de algodão,
coração alcochoado...

E a casa no alto da colina
e na descida toda o capim
e no pé da colina o riacho
e árvores carregadas de frutos amarelos
as frutas boiavam na água
caindo... ploc... ploc... ploc
o amarelo na sua transparencia.

O cantar dos pássaros em sinfonia
o sabiá majestoso se emplumava faceiro...
 faziam a magia do lugar...
e ao redor a pachorrice, o silencio...

Não muito longe
dali via-se a fumaça azul de um trem
se perdendo nas nuvens...

Até que um dia tive que partir...
uma tristeza tão grande n'alma
me quedei olhando
do outro lado da estrada

Lá onde a cana rareava
mata muito densa, alta ...
antiga onde a gente ouvia sagui
e macaco grande pulando nas árvores
tão compridas que tocavam o céu

E partí...e ignorava o quanto longe...
eu andava para meu destino...
e meu amor não o sentiu

E de repente o mundo
virou uma coisa triste
uma prisão...
e ninguém podia sair de dentro dele...

45- Poeta Caboclo
faffi

Depois da terra arada, da semente plantada,
o caboclo senta para descansar,
sonhar que é poeta e começar a poetar...
Fala em versos do seu amor pela terra,
das chuvas que carregam as sementes,
da terra que fica encharcada...e
do seu medo sai versos rimados,
pedindo a Deus pra fazer a chuva parar.
O poeta caboclo quer poetar, quer falar de amor
mas, acaba sempre falando das terras em que planta
 e sonha em ver a semente germinar,  a muda crescer,  dar folhas,
flores e frutos para sua família sustentar....
Vai poetando poeta caboclo,
não desanime nunca...
Com rima ou sem rima, você tem muito do que falar,
a natureza é sua aliada,
fale da passarada irrequieta que te acorda cedinho,
 da rosa que desabrocha com a brisa que passa,
do arco-íris que matiza o céu depois de cada tempestade.
Não deixe a chuva nem a seca tirar de você...
a arte de poetar.

faffi /Silvia Giovatto

46- O Poeta Caboclo
Heloisa Abrahão

O caboclo tão quietinho, no seu canto a matutar
Que canção na próxima serenata ele vai cantar.
Ele canta pra Rosinha, sua linda namorada.
O caboclo é poeta festeiro, gosta das letras criar,

Caboclo do tempo antigo, pega lápis e papel pra rabiscar.
Risca as letras de uma formosura pura e começa a ensaiar
Pega a viola e toca, canta,  também dança, tá feliz.
Seu coração explode de amor, um plano arquitetou.

Pra você Rosinha minha, doce namorada
Lábios de mel, teus olhos duas jabuticadas,
Tuas mãos finas, cabelos sedosos...

Rosinha, meu amor minha vida,  não vou esperar mais não,
 sábado eu vou te roubar, não adianta teu pai impedir,
Nem tua mãe chorar. Ôce vai sê minha.

47- Não Há Nada Melhor,
Margaret Pelicano

Falar das coisas da roça,
das pequenas cidadezinhas,
com ruas de terra, pó ou lama,
parece idiotia,
desconhecimento de quem mora em cidade grande
na verdade, quanta alegria,
lembrar das enxurradas e dos pés descalços;
dos 'macucos' grudados nas canelas,
tirados a cacos de telha ou pedra porosa
para dormir na cama limpinha e cheirosa...

Verdade seja dita,
raízes são tão fortes,
que queremos sempre voltar para a terrinha,
agora mais pomposa,
crescida,
porém ainda pequena e gostosa,
cheirando a sabão feito em casa,
café torrado no lar e moído no moinho,
cheiro de roupa limpa no varal,
milho plantado no quintal,
o vizinho apanhando salsa e cebolinha para o jantar,
a criançada no mais alto galho da limeira,
entupida com a fruta da jabuticabeira,
a moça linda que chega da cabelereira,
para o baile 'fenomenal'...

Tem coisa melhor do que ser da roça?
Gostar de viola, lua cheia, assombração?
Comer sem agrotóxico:
cominada natural,
no fogão à lenha, feijão,
vizinhas reunidas para fazer pamonha, curau?
A Criançada correndo pela rua, então...
quanta saúde, quanto ar puro,
quanta despreocupação...
é um pedacinho de céu,
plantado neste mundo de meu Deus,
para fazer feliz a todos os meus
amigos, irmãos, jovens, anciãos...

Não, não há nada melhor, não!

Brasília - 08/05/2006

48- Esperança de Caboclo
Maria Loussa

Ouve o galo a cantar
Anunciando a chegada de mais um dia
Vai ser batalha, mas também alegria.
O sertanejo pega a enxada
E faz levantar a filharada
Com ele enfrentarem o grande eito que o espera
Para ser carpinado,
Para ser preparado,
Para ser semeado da boa semente.
Pelo homem verdadeiro de coração temente.
O grande trabalhador tem esperança
De boa colheita
E assim tudo que faz é de forma bem feita.
A noite namora a lua
Ao lado do seu amor
Canta-lhe uma cantiga daquelas antigas.
Para seus filhos conta uma história
Que ainda tem na sua memória!

Goiânia-Goiás

49- Simples Felicidade!
Pedrinho Goltara.

Na sua simples palhoça
Vive o caboclo satisfeito,
Sua amada também simples,
Formando-se um par perfeito.

Trabalhando o dia todo
Só pára quando escurece,
Descansa o poeta feliz
Que da viola nunca esquece!

Cantando ao som da viola
Verseja pra sua companheira,
Muito feliz é o poeta caboclo,
Mesmo deitado n'uma esteira!

Goltara-  08/05/2007

50- Arrasta o pé, muié!
Ógui Lourenço Mauri

Vem cunhêu pra bem perto da foguêra,
faiz muito frio na noite de São Juão.
Arrasta o pé, esfrega eles no chão...
Cucê, quero dançá a noite intêra!

Arrasta o pé, muié!... Desenferruja!...
Aproveita esta linda contradança!
Óia pra mim... sem ver a minha pança
e sem reparar minha rôpa suja.

Ucê tá linda, vestida de chita!
"Chique no úrtimo" com essa trança!...
A mais aplaudida da vizinhança,
a cada devorteio a mais bunita!

Fico todo "cheio" em ser teu par...
Tem gente aí cum dor di cutuvelo!
O luar que lumia teu cabelo
parece que quer me homenagear.

O teu pai num tira o zóio di mim,
num dá chance d'eu ti dá um cheirinho,
têmu qui prucurá um escurinho
antes qui essa festança chegue ao fim!

25/06/2005

51- Poeta Caboclo
José Ernesto Ferraresso

Ele chega descuidado,
muito displiscente,
De pés no chão,
Vai em direção ao seu violão.

Chega cansado da labuta,
Dessa vida que só é luta,
Mas esquece tudo no momento ,
Quando pega esse  instrumento.

Pensa, repensa o pobre coitado,
Pega o violão e dá um só trinado,
Vai vivendo sua fantasia,
E logo sai a sua poesia.

No poema ele conta de um amor,
Que começou  com uma flor
Numa festa no  parque da cidade ,
Onde conheceu seu primeiro amor.

Para ele  aquela cabocla era uma visão,
Que transformou um dia seu coração,
Naquele instante o encontro era só festa,
Para o caboclo pensar em uma  seresta.

Ela chega  de mansinho,
Com carinho mostra seu jeitinho
De uma mulher muito apaixonada,
Que um dia tornaria   sua amada .

Essa história tornou-se verdadeira,
A cabocla era muito faceira,
O poeta caboclo conta a verdade,
Do amor que virou uma realidade.

Serra Negra_09/05/07

52- Sôdadi di Peão
Luís Carlos Mordegane
(umvelhomenino)
 
Quando cai a noitinha aqui na serra
E a passarada se esconde nos ninhu,
Começo a pensá aqui no meu cantinhu
Que tive um amô e hoje ficu sozinho...
Aí a  sôdade corre e meu peito invadi,
E a tristeza dexa turva a natureza;
Pruque daquele amor sinto sôdadi!
Sôdade que faiz sorri,
Sôdade que faiz chorá,
Sôdade que dói e machuca,
Sôdade que me alegra e faiz cantá...
Ó doce sôdadi  pruque veio pra ficá?
Se ocê tá perto, já não quero mais  falá;
De tanto pranto já não sei mais chorá.
E  ocê nem tem dó dú meu coração,
Que bate forte, apertadinho de paixão!
Ô sôdadi! Faiz assim cumigu não!
Traiz  ela di vorta pra alegra minha tapera
E  flori di novu o meu sertão
A  sôdadi... E vê ocê si sainu,
Aos poquinhu si suminu,
Pra mim banando as mão
Pra trazê maí alegria
E frori a minha vida
Aqui no meu sertão

53- Lembranças do caboclo
Iza Mota

Uma historia vô contar
prece povo de meu Deus
adepois se alembrar
como era viver com as
coisas tudo direitinho
no céu, na terra e no mar
cada qual no seu lugar.

Omi oi que a natureza
era coisa di fazer
o coração do caboclo
de felicidade disparar
Nós vivia sem se aprecupar
com a revolta da natureza
que num sabia mais seu lugar.

Tinha cor e pureza
em tudo que é lugar
O céu, uma imensidão azul
cheio de nuvem branquinha
com pássaros a avuar.
Tinha ar bom pra nós respirar
tinha até estrela e luar, nos fazia sonhar.

 O sol brilhava, esquentava
e energia nos dava.
Hoje seus raios só faz queimar
a pele, a terra e planta esturricar,
as água dos riacho secar
deixando a terra agonizando rachar
e de sede a vida matar.

Na água tinha vida
e ficava no rio, no mar
sem querer se revortar
invadindu tudim pra terra tomar
Nem ficava o riacho a secar
deixando os omi, planta e animar
sem água pra tumar.

A terra parecia vibrar
com vida nela a pulsar
jorrando água pura do olho a brotar,
Toda semente nela plantada
era certeza de vida prolongada
pela arvore forte e frondosa
ou comida saudável e gostosa.

Era tudim perfeito
não precisava mudar,
foi o oi grande do omi
que fez tudim se acabar
Deus decidiu então nos castigá
pra vê se nós aprende a cuidá
e o que ele nos deu, valorizar.

www.izamota.recantodasletras.com.br

54- O Poeta Caboclo
Andréia Cristina Guadagnin
 
Poeta caboclo sonhador
Usa suas palavras em papel
Expressando seus sentimentos
É poeta encantador, solitário.
São lindos seus dizeres rimados
Seu rosto, porém nunca foi visto.
Mesmo vivendo só em seu canto
És conhecido pelos seus encantos
Apenas se sabes que és talentoso
Poeta caboclo inspira-se no campo
Pela sua timidez vive a se esconder
Oprimi em seu coração prantos
De um grande amor que o fez sofrer
Mesmo se sentindo tão infeliz
Ainda assim verseja e nos encanta
Escreve tentando apagar sua cicatriz
Contemplando-nos com seu dom
Deixando seus receios de lado
Mostrando-nos o que tem de bom.

Pariquera-Açu-SP
www.andreiacristinaguadagnin.blogspot.com

55- Poeta Caboclo
Sandra Lúcia Ceccon Perazzo

Ah! Meu poeta caboclo
quanta saudade neste meu coração
que chora  lembrança
deixada na memória

Ah! Meu poeta caboclo
Quantas tardes ao som da viola
enquanto compunha seu verso e prosa
meu silêncio em delírio suspirava
sem nenhum murmúrio, eu toda briosa

Era tanta formosura e graça
que até a árvore se curvava
para ouvir sua doce fala
que a cada som suspirava

No meio dos troncos cobertos de flores
sentava eu ao seu lado
moça mimada da cidade
para quem entregava
seus riscos e rabiscos
cheio de orgulho e de glória

Ah! Poeta cabloco
 Era tanta beleza no poema pureza
que batia tanto amor no peito da gente
que nossas faces em rubros disfarces
sorriam de tamanha felicidade

Hoje, já não sei
onde anda o meu cabloco poeta
com seus versos e com a sua viola
pois a vida com sua volta
deixou-me apenas a voz remota
e nem ao menos uma rota...

(Sperazzo)
09/05/2007

56- O Caboclo Poeta
Sueli do Espírito Santo

Da janela de sua palhoça
como é majestosa a sua roça
o jardim com flores do campo
o tímido sol a se enrubescer
saudando mais um anoitecer
um pisca-pisca do pirilampo

O caboclo em pensamento
voa alto, lá no firmamento
e encontra sua alma poeta
o seu coração se enternece
a para bela roça ele desce
e na poesia ele se completa

http://www.sue2001.recantodasletras.com.br

57- O poeta caboclo
Thereza Mattos

Caboclo ignorante quase analfabeto
só sabe seu nome rabiscar
mas sabe expressar seu afeto
pela luz que vem do olhar...
caboclo que gosta de poetar
pedindo para alguém pra ele"escrivinhar"

Colocando seus poemas no cordel,
caboclo parecendo ser feliz
recitando seus versos simples
olhando para ele ninguém diz
o que ele sente em seu coração
mas não sabe por no papel....

A noite chega e apaga o ouro do sol
o caboclo vai descansar
sentado na porta, com seu velho cão
com as mãos vazias a afagar
lembra então de sua amada
que lhe deu tanto desgosto
que um dia foi embora
uma lágrima teima rolar pelo rosto...

Logo se apruma, põe nos lábios um sorriso
ao ver tudo que o rodeia
árvores, campos, riachos e flores
sua criação, sua choupana, seu gado
Pensa: " Isso tudo é um paraíso"
logo surgirão outros amores
uma cabocla bonita, cheirando a pecado
vestindo um vestido de chita e cheio de cores...

58- Prece Sertaneja
Fatima Moreira

É mais que um rosto cansado,
é um pobre corpo magoado
das canseiras dessa vida.
E pelas estradas tão longas,
vão os pés quase parando,
e dessas estradas compridas,
a poeira vai levando.
Um dia de sol, outro de chuva,
os imprevistos vão surgindo,
o perigo das curvas vão sumindo.
Passou por tantas,
tantas primaveras e invernos
viu tantas flores coloridas,
e ramalhetes tão ternos.
As rugas no rosto,
são mudas testemunhas
de uma vida tão cheia de luta,
de uma vida tão dura.
As mãos,
calejadas, caladas,
seguem com ele na fé,
se unem críspadas, mas sábias,
e, numa prece com fervor,
acompanham a voz arrastada,
que gemendo só sabe dizer:
Senhor! Senhor!

59- O Poeta e a Viola
Naidaterra

Não há quem seja mais feliz
do que o poeta caboclo...
Contente passa seus dias
na labuta e sonha o tempo
todo com a viola e o luar...
Junta os amigos queridos
e cantam noite adentro sem se
preocuparem quando vão parar...
Sua viola é preciosa, chega até
com ela conversar, pede que
chame seu amor e com ele
venha ficar...
A fogueira sempre acesa e
para todos muitos casos vai contar,
verdade, lenda ou mentira, que
importa, o poeta caboclo sempre
se faz acreditar...
Amanhece o dia e o poeta vai roçar,
sonhar e aguardar o anoitecer pra
pegar sua viola e tudo recomeçar...

2007/sampa

60- Poeta Caboclo
Carmen Ortiz Cristal
 
Solitário!
Esquecido do mundo,
Rimando
As amarguras do coração,
O poeta caboclo
Revê com paixão,
Por muitas luas,
Amores passados!...
Caminhante
De estradas empoeiradas,
No meio da noite,
Apascenta suas dores,
Em versos chorosos,
Vivos nas cordas da viola.
Companheira
De tantas passagens!...
Paragens
Que o fez conformado...
Doutor,
Por uma vida dedicada
À natureza...
Plantar e colher,
Zelando pela criação,
Nada lhe faltará,
Retira da terra
O sustento necessário...
O calvário
Está na alma, no coração!...
Aquela casinha,
No meio do verde,
Está vazia de emoção...
Nela o amor
Não fez morada,
É presença de sonhos,
Em rimas doloridas...
Escravo
Das lembranças,
Respira vida
Num poema inacabado...
 
Belo Horizonte-MG 10.05.2007

61- India
María Cristina Torres

Reza la India a la orilla del  lago,
le reza a Tupí, para que vuelva su amado,
el se fue lejos, a otras tierras,
siguiendo otros sueños, antiguas quimeras.
 
Su cuerpo, febril, en el rezo tiembla,
-Tupí Nambá, haz que a mi lado vuelva-
mis días, mis noches, no son nada sin el,
mi alma se  vuelve barco de papel...
 
Girando en el sueño por volverlo a ver,
el viento me acerca, me lleva, en su eterno vaivén,
-Tupí te lo ruego, que vuelva a mi lado,
en Ofrenda te entrego, todo lo ganado-
 
Las pieles, los cueros, las gemas...
mi estirpe de guerrera,
todo te lo entrego
si traes de nuevo a mi Dueño.
 
Oh, Tupí, te prometo
morir en este, mi suelo
no alejarme jamás
hasta el día en que me llevarás.
 
Abandono los sueños de conocer otras tierras,
todo te lo entrego, en gentil ofrenda,
si quieres, mi alma, también te la entrego,
solo déjame antes, volver a ver a mi dueño-
 
Y si este pedido no fuese posible
sácame del pecho estas cicatrices,
haz que me vuelva, del árbol sombra,
donde vengan a reposar, las  cansadas alondras...
 
Tupí la escuchaba, sentado a la vera,
no era esta la vez primera,
que Aramira, la India guerrera,
todo, todo, a El le ofreciera.
 
La calmó en su llanto, la volvió paloma,
y hoy en el bosque, Aramira ronda,
buscando el Amor perdido, el Amor lejano,
el Amor que de a poco, se escapó de su mano.
 
Marycris
29-01-2006
Expediente número 288708
Buenos Aires_Argentina

62- O Poeta Caboclo
Avany Morais

A noitinha, quando da lida descansa
O caboclo velho ou moço alça vôos...
Sempre cheio de esperanças, viaja...
A dor que no peito aperta, tráz à tona,
A saudade desmedida, as lembranças,
A ausência da prenda querida...
Olha pro céu e melancólico suspira.
Com a saudade presa no canto do olho,
Em silêncio chora, lágrimas doloridas.

Ah, saudade que amarga os dias meus!
Pensa consigo o poeta caboclo,
Conformado... Mas, não sossegado,
Com a cina que Deus lhe deu.
Olha todo prosa, pra lua majestosa,
Lá no alto sobranceira a brilhar,
E com os olhos a marejar,
Encimesmado se pergunta,
Onde, onde será que ela está?

Pega da sua viola e começa a dedilhar...
E nas cordas sonoras da velha companheira,
Uma canção brejeira ele começa a cantar.
É sua alma apaixonada, na noite enluarada,
Levada ao sabor do vento, em direção a sua amada.
Quanta emoção invade os campos, noite a fora,
Todo o sertão nesta hora, já esperava,
Os versos trovados do caboclo enamorado.
Que em harmonia com o vento espalha seu canto.

Quanta tristeza exala da sua voz trêmula...
Quanta paixão transborda de seu coração...
Qunato sentimento, quanta dor, quanto amor...
O caboclo ao luar, quase morre de emoção,
Chora sua mágoa em seu canto melódico...
Sua voz na noite, em pranto, ecoa
E se expande com tal sentimento,
Que corta o coração de quem o escuta.
Grita sua mágoa, cabocla, na saudade que judia.

A sua alma cabocla, pura, e sem corrupção,
Poeta e apaixonada, sempre cheia de emoção,
Voa nas asas do vento, com a força do pensamento,
Vai em busca do amor que está em outro rincão.
Ah caboclo, poeta caboclo... Quando se põe a cantar,
Derrama na madrugada sua voz, o seu triste poetar,
Como se lágrimas fossem, espalhadas pelo ar...
E seu canto e sua poesia em doce melancolia,
Levado através do tempo, nos faz a todos sonhar.

Curitiba-PR
00h15min_07.05.2007

63- Caboclinha
Tânia Sueli Oliveira

Caipirinha, lá da cidade distante,
que sonhava olhando a linda Lua.
Fazia pedidos às estrelas, sonhava...
Apenas queria amar e ser amada.
Até que um dia, chegou  sorridente
aquele moço da cidade grande,
manhoso, maroto, gostava de viola .
Os olhares cruzaram-se, apaixonaram-se!
Viveram momentos maravilhosos, felizes...
Passeavam pelos campos, fazendas ,
estradas, viagens incríveis, flutuavam...
Infelizmente, ele teve de ir embora,
sem despedidas, sem adeus, sem carinhos.
Apenas partiu e levou junto dele
o coração da caboclinha simples,
que chorou...chorou...como chorou...

64- Homenagem ao Caboclo
Regina Silveira
 
A lua iluminando o alpendre
Da fazenda
Onde ele com seu cigarro de palha
Sonhava com o amor da mocinha
Da cidade
Mãos calejadas de trabalhos abençoados
Sonhava o seu amor ir encontrar
Ah! Caboclo querido
Lindo... charmoso
Se aquela menina que só tinha sonhos
De adolescente
Que só sonhava com a vida da cidade
Tivesse seu amor correspondido
E sonhado em viver em seus braços
Nesse luar do seu mundo
Moreno bonito, caboclo querido.
Um dia quem sabe te encontro aí
Na eternidade
Saudades...
 
Uberaba /MG_10. 05.07

 

 

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 mid: Caipira
compositores: Joel Marques e Maracaí
Intérpretes: Chitãozinho e Xororó