01- O Poeta Caboclo Sá de Freitas
Lento se esconde o sol no
horizonte, A noite acena de mansinho à Terra; O casebre é fincado junto à
fonte, Que amena escorre e vem do pé-da-serra.
É solidão total...
Chegam da mata, Apenas uivos de animais errantes, Que se misturam ao canto
da cascata, Orquestrado por sapos coaxantes.
À luz da vela o moço
deita e espera, O amigo sono que não vem... E quando, Se recorda de
alguém, se desespera.
Levanta-se... É frio... Está cansado... Senta-se
à mesa tosca e vai compondo, Um poema de amor, sem ser
amado.
http://sadefreitaspoesias.sites.uol.com.br/index.htm

02- O
Poeta Caboclo Eugénio de Sá
E quando dorme enfim, reconfortado de
corpo e alma cumprido mais um dia sonha com a liberdade em pradaria nos
vibrantes galopes p'lo gramado
Dispensou o casebre aconchegante que a
noite é quente e o alpendre fagueiro vai-lhe inspirando o sonho
alvissareiro que lhe traz, terno, um amor debutante
E o sonho lhe
mostra a caboclinha com o olhar de ternura que lhe viu quando ambos se
cruzaram à tardinha
Dorme em paz o poeta solitário pois no sonho não
há outras razões que justifiquem um querer contrário

03-
Caboclinha Luiz Poeta ( sbacem-rj ) - Luiz Gilberto de Barros Às 12 h e 20
min do dia 5 de maio de 2007 do Rio de Janeiro
Fitando da colina, o céu
tristonho, O olhar da caboclinha busca um sonho Querendo descobrir alguma
estrela Cadente... e ela tem só um desejo: Sentir... na boca, a mágica de
um beijo Do seu caboclo que... nem veio vê-la.
Rumores na floresta e o
vento Tão frio...provocando o sentimento De abandono, dor e uma
tristeza Que pouco a pouco vai se misturando Ao medo de sentir que está
amando A ausência... muito mais do que a beleza.
Aos poucos, a mata se
movimenta, Um predador da presa se alimenta E a saudade escapa...num
momento: Um pio de coruja, um passarinho Noturno chamando,
devagarzinho A amada para o acasalamento...
E ela, a caboclinha
solitária Sentindo uma angústia arbitrária Aos poucos invadir seu
coração, À própria solidão vai perguntando: Que sonhos estará ele sonhando
? E por que essa dor ? .... sem permissão ?
Então, quando o luar
enfim se oculta Nas nuvens, e a escuridão sepulta O último clarão que
ainda resta... Apaga-se também a lamparina Restando só a luz de uma
retina Fitando a solidão de uma floresta.

04- O Poeta
Caboclo Tere Penhabe
Tem cheiro da manhã, o sonho do poeta ao fim
da madrugada, seu sonhar desperta no orvalho reticente, que abraça a
serra a lida que o chama, já de porta aberta.
Ouvindo o canarinho, em
canto mavioso segue por sua trilha, como todo dia de tanta esperança, ele
é orgulhoso mesmo que toda ela, acabe em poesia.
Nunca afronta Deus,
um poeta caboclo a fé é sua muralha, que a tristeza espalha diante da
amargura, o caboclo encara.
A vela que lhe serve, de fino
candelabro aquece a sua alma, mata seu descalabro e o poeta segue, seu
sonho alimentando...
Santos,
05.04.2007

05- O Poeta Caboclo Silva
Filho Cansado de pôr versos no papel Meteu-se pela mata o
campônio Buscando encontrar algum laurel Conforme vaticina o seu
sonho. Laurel que venha ser a sua amada Que tanto só em sonhos ele
vê Quem sempre poetou pelas caladas Agora só tem mãos pra um
buquê. Caboclo também tem um coração Tem forte sentimento de
paixão Embora nunca passe de beltrano. Mas quando faz um verso
intimista Qualquer poeta nobre tem a pista Provando que o caboclo é
Humano. /aasf/

06- Saudade de Cabocla Gui Oliva
Hoje eu
queria mesmo era um luar daquele que brilha com muita luz, faceiro seu
clarão, como luziam para mim os olhos dele, quando a gente se deitava
na relva do sertão.
Eu esparramava meu corpo no seu colo e a ele
também oferecia o meu regaço, vivia eu meu amor sem dor nem dolo, e ele
aliviava comigo o seu cansaço.
Esse amor apagou mas não foi em
vão, teve tudo de bom e melhor ser não podia pois entre nós a alegria é
que pontificava
e, uma corda de viola hoje ainda dedilhada, chora e
reclama para que retorne, algum dia, toda a cintilação de um luar lá do
sertão.
05/05/07

07 - Carta ao colono Sandra
Ravanini Amigo colono, feliz dessa viola que narra o plantio, essa
grandeza que bota a mão no arado e na terra; aqui, fumaça é poluição colhendo
um rosto sombrio, e o sol nos prédios colossais, são quadros e
aquarelas. Caboclo amigo é pelas suas mãos tão cheias de calos, que
relembro o frescor matinal e sinto o aroma do pão; andando nas estações,
tento ouvir o canto de um galo, só ouço um grito, ou um tiro e pessoas na
contramão. Sementeiro dos amanhãs vai cultivando o seu
chão, abençoando o solo com o suor, capinando o seu horto, faça desse
asfalto que eu deploro, brotar a compaixão dos caminhantes embrutecidos duma
cidade sem orto. Jardineiro de todos os dias, como é rica a sua
casa, a alegria acorda em cores onde sulca o seu penhor, meu querido
lavrador segue enfeitando quanta vasa, e alimenta minha alma, plantando a
semente do amor.

08- O poeta caboclo Cássia Vicente
Enquanto
descansa no banco tosco fazendo seu cigarro de palha o velho verseja suas
alegrias de fronte a imensidão verde...
..."Terra bendita que da
lida vem meu sustento...
Entre um trago de boa pinga do engenho e um
cheirinho de café fresco um baforada no cigarro de palha um chamego da
velha amada ele inspira nas palavras e bendiz pela sua vida...
..."
que trouxe a amada pros braços de um jovem sonhador...hoje velho
trovador...
Se levanta abraça a patroa e olha pro horizonte percebendo
a lua nascendo ainda com o sol e sem fazer cerimônia...
..."Sou
caboclo desta terra dela nasci e pra ela doei minha
vida fértil...amante...terra dos sonhos meus...
Entra abraçando a
patroa no aconchego da cabana onde a lua clareia a cama e um copo de café
ainda quente o espera...
Jataí.GO_05.05.07

09- O
Mocorongo Sérgio Diniz Barros Guedes
Sol a pino No
roçado Plantando, Cortando mato. Cai a chuva Todo molhado Enxada
na mão Cavando, O pobre chão... Já escuro Em seu boi
montado Passando lama Galgando barro Ele no mato. Chega em
casa Solta o gado Vai ao riacho Toma banho banho de cuia Come o
pirão, Pirão de farinha, Azeite e carne Do sertão... Com todo
cansaço Vai para cama Cama de tábua Tirando fumaça Do cigarro de
palha. É manhã O galo canta Ele levanta Lava a cara Vai ao
fogão Que não é de gás Nem de carvão. Faz o café E novamente o
pirão, Acende o charuto Tange o gado Apanha o machado E vai
novamente Para o
roçado...
http://br.geocities.com/sdbguedes

10- No silêncio lá na
roça Mário Osny Rosa No cair da noite Logo veio silêncio. Só se
ouve a cascata No meio daquela mata. O caboclo pega a viola Nela
dedilha uma sonata. E nela que se consola Canta para sua amada. E
por um longo silêncio Medita vendo a lua. Despontar no
horizonte Iluminando os montes. Essa lua cor de prata Que ilumina
a mata. Somente essa viola A saudade me mata. Quando amanhece o
dia O canto da passarada. Logo tudo que desafia Na viola a
dedilhada. São José/SC, 5 de maio de
2.007. morja@intergate.com.br www.mario.poetasadvogados.com.br

11-
A dor do sertão Teresa Cordioli
Lá nu meu sertão, Eu choro ao oiá
pr’aquele chão! Tão seco...pela chuva abandonado, Virô tudo
serrado, Agora vou-me imbora. Criança di sede e fome já chóra... Meu
sonho é eles istar na iscola Mas aqui, num vai dá não... Joguei a úritma
semente no chão... E sentei na sombra Fiquei oiando lá n'orizonte Pra
vê si a nuvem crescia Ela foi imbóra Serenamente partia... Também
vou-me imbóra Minha barriga tá
vazia...
www.teresacordioli.blogspot.com

12- O Caboclo Antonio
Cícero da Silva
O caboclo poetava Com grande coerência Lindos
versos ele ditava Em perfeita cadencia.
Ele trabalhava no sítio
Nos roçados e nas matas Para o caboclo, tudo era lícito E suas
tarefas ele enfrentava.
E ao cair da noite escura Sob o céu
estrelado Ele olhava para as alturas E recitava versos rimados.
O caboclo com seu poetar Fazia com segurança E conseguia a todos
alegrar Com a maior lambança.
Era homem humilde Nascido e vivia
no interior E casado com a Clotilde Declamava o fantástico amor.
http://antoniocicerodasilva.blog.terra.com.br

13- Poéticabocla
Vida *Emiele*
Quem diz que a vida do caboclo não é tem
poesia desconhece do campo a simplicidade do viver com alegria. Mesmo sob
o trabalho árduo de sol-a-sol basta olhar em volta para sentir, cheirar
e capturar da natureza, a presença da poesia. Mal rompe o sol há acordes
de passarinhos nos arvoredos do quintal. Na colina brotam flores
silvestres e a cabocla ao passar carregando a lenha para queimar no
fogão e preparar a alimentação, colhe um ramalhete variado e enfeita sua
janela sempre aberta deixando todo espaço perfumado e arejado. Há colibris
coloridos em matizes a sobrevoar e sugar o néctar das flores... E á
tardinha, a tagarelice das maritacas que aos bandos, sobrevoam o
céu...
E quando chega a noite, sentados em volta do fogão sob a luz
do lampião contam casos de assombração... E quando há luar, saem pela
vizinhança e promovem uma festança ao som da sanfona e violão. E
dançando pelos terreiros enluarados, esquecem tudo que lhes angustia... E
dançam até o amanhecer do dia.
Viver e gestar a poesia é ter no coração
um poço que transborda emoção. É captar o belo e a pureza em tudo que
vê. E mesmo que o caboclo não saiba expressá-la em versos, grita aos
quatro ventos em gestos de amor sua gratidão, pelo seu trabalho, sua terra,
seu torrão.
Belo Horizonte,05/05/2007 - 23:23 horas

14- O caboclo
poeta Augusta Schimidt Caboclo faz poesia Quando o sol acorda o
dia E ele segue caminho Pra lidar no chão Que lhe dá o pão E
quando a noite chega Olha o céu agradecido Conversa com a lua Depois
adormece, Na esperança de um novo
dia Campinas/05/05/07_23.30h http://geocities.yahoo.com.br/poesiadaalma

15-
Poeta Caboclo Mifori Sai de madrugada pra trabalhar Tantas coisas,
no dia, pra fazer. A Deus agradece sem questionar Prepara a terra, planta
pra viver. Chega à noite, a lua vem iluminar... E o seu alegre
poetar, aquecer. Única distração no seu descansar Que jamais o deixa
esmorecer. Começando na viola a dedilhar Canções para o amor
restabelecer Vai o horizonte poético alargar. E a noção do tempo vai
se perder Nos versos que a vida há de embalar, Chora e canta sua sina até
morrer.
SJC/SP: 06/05/2007 - 1h

16- O Poeta Caboclo Luiza De
Marillac Bessa Luna Michel
Tão peculiar ao solo brasileiro Indivíduo
simples e matreiro Com seu pilão e seu silêncio Habita penumbra das
fronteiras
E vem no Treze de Maio exato Com a libertação dos escravos
Erguida a República de um povo Se atira a sorte de todo um país
E
o Poeta Caboclo encimesmado Coça a cabeça e atira seu prato Em estrondos,
segue a choupana
Magia de espécies e inspirações Costumes
inesquecíveis do arado Passeia caboclo aqui neste passado...

17- Poeta
Caboclo Célia Jardim Seu coração tem a pureza do lugar e sua alma
se pôe a cantar a natureza enfeita os seus sonhos pra este cantador de
versos ao luar Faz poesia para sua amada e a janela oferece a
donzela o sumo de seus anseios guardados somente pra ela Homem
rústico do sertão também tem alma e coração faz suas rimas singelas e a
singeleza, as fazem tão belas Poeta é igual em qualquer lugar bota a
alma na palma da mão e se não tem papel e lápis escreve nas cordas do
violão

18- O Menino Carvoeiro Adailton Guimarães
O seu
brinquedo é uma tora Seu produto, o carvão O menino carvoeiro Trabalha
o dia inteiro Por um pedaço de pão.
Sua mãe, velha e cansada Seu
pai doente no chão Oh! DEUS onipotente Olhai estas crianças Estende a
tua mão.
Tu também foste criança E vais compreender A injustiça que
essa criança Está passando a sofrer.
Então socorre a criança Que
não tem a quem apelar Autoridades brasileiras? Já nem podemos
acreditar...
Castro Alves já dizia Com uma dor no coração Não pode
ser escravo Quem nasceu no solo bravo Da brasileira Nação.
E o
poeta aqui lamenta Pelas crianças e pela Nação A justiça foi
derrotada Pela Corrupção...
Que vergonha pro Brasil E também pro
mundo inteiro A maldade e o sofrimento Do pequeno injustiçado O menino
carvoeiro.
Minha terra é tão bonita Mas pra mim não há lugar O
corrupto é cidadão O honrado não pode falar Quando o dinheiro fala
alto A verdade tem que calar...
06/05/2007

19- Leva-me
contigo, meu caboclo... Angela Maura - 12 anos
Leva-me
contigo, meu Caboclo. Estou fascinada com teus versos. Quero ficar
contigo o resto de minha vida, para poder te amar muito.
Leva-me
contigo, meu Caboclo. Estou sempre pensando em você. Quero que sejamos
tão felizes, quanto as cirandas das poesias que saem da sua
imaginação.
Leva-me contigo, meu Caboclo. Não me abandones
agora, nem me deixe sem notícias suas. Estou com sede dos teus
sonhos que me inebriam e só me fazem capaz de te amar.
Leva-me
contigo, meu caboclo. Seja meu guia, minha luz. Sem você não consigo
viver, não consigo me inspirar para te contar os versos do meu
amor.
Leva-me contigo, meu caboclo. Sinto falta de você para
compartilhar os momentos felizes de nossas vidas. Não quero que vá
embora, mas não posso lutar contra o destino. Afinal, foi ele que me
deu o poder de te amar, para sempre.
São Paulo

20- Nascido na
Beira do Rio ZecAdi = josé de avelar
Nasci na beira-do rio numa
casa emprestada o meu pai - que era barqueiro mal ligava pra
dinheiro Minha Mãe - pra mim nascer quase morre no trabalho si não
fosse o Dito Preto podem crer nisto que digo eu não teria
vivido
Nesse tempo a "maleita" quinda não era a malária atacou a
minha Mãe que mesmo adoentada cuidava com todo o amor e nunca deixou
faltar nada nada nada para toda a filharada
E o tempo foi
passando e na roça fui crescendo sempre forte - forte mesmo olhando o
que acontecia em volta do pequeno mundo ficava sempre pensando o porquê
e as razões que viemos preste mundo
fiquei moço, e na cidade com
meus pais fomos morar mas da vida simples da roça nunca quiz me
afastar nadar nos rios pelado exaltando a natureza e sendo seu
aliado
E fui por dois casamentos com seis filhos premiado e dos
sonhos de criança olhando pra cada filho com todo o amor de pai quantas
vezes - meu olhar disse apenas - obrigado
O tempo que meu
amigo enfraqueceu minhas pernas fez minhas vistas turvarem meus cabelos
prediletos foram ficando grisalhos e os filhos também moços agora me
deram netos
Agora neste momento pra quem ouve este meu canto nesta
vida - bem vivida continuo kaminhant sempre dando graças a Deus por
tudo - tudo - com_tudo sempre e a todo instante

21- O sertão é sua
rima! Bernardino Matos
Só de andar no sertão, curtindo suas
veredas, a poesia emparedas, numa sentida canção.
Ser poeta é
ouvir, o canto da natureza, o amargor da tristeza, expressar o seu
sentir.
Então, meu caro amigo, o caboclo é poeta, além de tudo
profeta, tendo o sertão por abrigo.
Quando penetra a catinga, seu
coração enternece, seu recitar vem na pinga.
Ele não tem outra
rima, a não ser sua cabocla, que seu viver reanima.
Fortaleza,
06/05/07

22- Os sonhos do caboclo Anna Peralva
Casebre simples
no meio da mata ao redor, o perfume da natureza, o barulho da límpida
cascata, paz em toda sua aura beleza.
Sob a luz fosca da lamparina, à
mesa um prato solitário de comida. Num vazio que reina sem
aspereza sonha o caboclo, com os sons da vida.
Corpo cansado da lida
do trabalho relembra o sorriso maroto da amada, nos olhares furtivos
trocados no atalho, a emoção desperta forte e descompassada.
Vento
sopra manso o sentimento, na viola dedilha canções de amor tons do coração
caboclo, encantando o tempo.
No corpo moreno exala paixão e ardor... A
lua alta, em seus raios prateados reflete a alma simples do gentil
sonhador.
Maio de 2007- RJ

23- Vida bucólica Rita
Caldas
Lindos campos, belas flores Vê-se muito no interior A choupana de
madeira Onde existe muito amor Vida simples e gostosa Candeeiro
aceso faz a luz Fogão de lenha, comida gostosa. Isto tudo nos
seduz Água quente e chimarrão Que roda de mão em mão Contam causos
os compadres Chegam até a fazer serão Acordar de madrugada Com o
galo a cantar Faz bem à nossa alma Com o silêncio de lugar Da
janela do meu quarto Olho o rio a murmurar É um grande lajeado Onde o
gado vai se saciar A carroça no celeiro Leva todos passear No
domingo à igreja Para a família rezar Aqui tudo é singelo A
natureza e o viver Povo simples e hospitaleiro Na fazenda se pode
ver
29/7/04

24- Um olhar caboclo e o infinito Lígia
Antunes
Entre o céu e a terra não há infinito... Há o silêncio que
invade espaços invisíveis, que perscruta a alma sem sonho acontecido e
acolhe o coração da emoção já constrangido!
E nessa quietude reinante que
o abraça, ao verso que faz, o caboclo, recolhido, perpassa a dor constrita
que insiste e o enlaça de um jeito entristecido!
E em toda essa
imensidão que avista, percebe ele a saudade que ficou da felicidade que se
foi e não voltou sem sequer deixar qualquer aviso...
E vem a noite...
do rosicler precedida. O caboclo, então, se cala... nada fala... Confessa,
apenas, no verso que rabisca o amor intenso qu' em seu peito inda
faísca!
Pelotas, RS - 17h de 6.5.07

25- Cabocla Paulo
Mello
Pés descalço caminhando sobre a terra
lavrada Sonha... Sonha seu sonho de menina moça Que o filho do Seu
Bento. Moço bonito e inteligente Vem lhe pedir em namoro. Corre pra
sanga Tira a roupa Toma banho com alegria Corre pra casa coloca água de
cheio e fica esperando o moço chegar. Ah, menina brejeira. Cabocla dos
meus sonhos Um dia terei essa coragem. Por hora, fica ocê dai e eu
daqui namorando a lua que se esparrama pela terra lavrada, nos deixando
com o coração apertado. De tanta saudade.
05.05.07

26- Amanhecê
na roça Garimpando Ternura
Cuma é lindo o amanhecê aqui na roça
Nos colorido a anunciá o raiá do dia Cos cotovelo na jinela da paioça
Sinto meus zóio briá coçano di alegria. Quando a oróra si alevanta di
mansinho Acariciano a imensidão da Natureza Meu isprito avoa cuma avoa
um passarinho E num si agüenta di avistá tanta beleza. Intão mi agarro
cá nos braço da viola Da passarada ieu acumpanho a canturia Num ribuliço
baruiento inté as angola Já si convidum pra anunciá o raiá do dia Lá no
terrero as galinha im grande agito Tudo assustada cos baruio qui nóis faiz
Assustam mais quano o galo muito afrito Cisca o terrero e das cuitada
córri atráis. E o baruio da cascata aqui pertinho? Qui som mais lindo,
inté paréci serenata! Em riba das pedra as água vai devagarinho Despois
elas cai quar véu di noiva na cascata. Mais qui delícia, qui carícia tem a
brisa, Qui acumpanha a linda musga do arrebor!? Arrespiro bem fundo o
doce ar qui fertiliza Meu corpo i o esprito, do nascê ao pôr do Sor. I
viveno ansim é qui nóis trabáia cum alegria, Caneta é enxada, papé é terra
deste lavradô Dá uma cansera a lavra di fazê puesia ... rsrsrs ...
Mais só paro mermu quando deste mundo ieu fô.
José Antonio
Siqueira http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=3792

27- O
poeta caboclo (prosa) Branca Tirollo O Caboclo do Sertão
diz: Su se mi ajudá, muié! Nossa coieta de café há de se boa, e nosso fio
vai sê gente famosa. "Com certeza! Serão!" Mais que famosos. Também
doutores do sertão. Homens de fé, e de coragem, de armas nas mãos. Armas que
constituem e alimentam os preguiçosos desta nação. Armas sábias que
ensinam viver num mundo, onde há fartura de terra e água, pra não sentir
solidão. Como prepara este mundo sem guerra? A faculdade na roça há mais
pureza e educação. Pois é da terra que se extrai, o nosso poderoso
feijão. Mas há quem desconheça donde vem esta proeza, este valioso grão.
Grão que alimenta a vida urbana sangrenta, onde no lugar da enxada. Usam
espadas nas mãos. Viva a sabedoria poética, cujo caboclo extraiu da Natureza
e seus tons. E viva o poeta caboclo! Viva os conscientes que trabalham.
Neste mundo belo que é o sertão

28- O Poeta Caboclo Beatriz por
um triz*
Ah! meu poeta caboclo que sentava no tronco da árvore
caída na estrada
Embalava seus versos ao som da viola rimando a
solidão e a simplicidade acreditando com vontade que o céu era por ti
esculpido
Ah! meu poeta caboclo que do cigarro de palha sugava os
seus desejos como fossem beijos da mulher amada
E ao cair da
noite deitava na rede contente como se naquela poesia houvesse
encontrado o amor

29- O Poeta Caboclo Lúcio Reis
Posso dizer
poeta não ser e desse bem não haver sofrido Mas afirmar com todas as letras,
caboclo ter sido Quando criança na Ilha do Marajó no Estado do Pará Mesmo
de origem das Minas Gerais, aqui vim parar
Conheço daquela passagem o
açai apanhar Com peconha no pé para a copa da palmeira alcançar Um
"porronca" no canto da boca para a tuira espantar E o cacho da fruta
tranquilamente cortar
Voltar para o chão e o caroço desbulhar Direto
no paneiro para depois transportar Equilibrando-o na cabeça sobre a rodilha,
durante o andar Por entre a mata, até a residência chegar
Com o
produto da colheita, feito na floresta de todos e, até da tia O alimento
nutritivo com farinha, açucar e camarão frito A barriga enchia e fome ninguem
sentia Até o outro dia e assim em apanhar açaí, até fiquei perito
Meu
amigo "Pilão" lá de Ponta de Pedras, foi quem me ensinou Caboclo nativo, de
traços indigenas, com, e em sua profissão Poderia hoje dizer, ser um poeta
caboclo em sua ação Pois da mata conhecia com sensibilidade como a palma da
mão
Caboclo humilde, como o são os poetas, com
responsabilidade Ensinando pela mata a se ter todo o respeito Da mesma
tirando apenas o sustento Sem devastá-la e nem poluí-la, tratando-a,
portanto, com dignidade
Pois é meu amigo, caboclo já fui, posso
falar Conhecendo uma parte do mundo, e do dificil viver Hoje consciente e
sabendo o que cantar Creio nesta Ciranda possa vir lhe dizer
Da
importancia do poeta caboclo de todos os rincões Pois é gente humildade e que
fala aos corações Existem os astutos e que se tornam vilões Mas o
brasileiro de um modo geral e gente humilde de boas lições.
Belém do
Pará_06/05/07

30- O Poeta Caboclo Inês Marucci
Ouvindo a chuva
cantar no telhado, o caboclo invade a inocência nua que ventila o
pensamento sonhado e sua fada não chega, se insinua!
Vestido molhado
ao corpo colado mostra a volúpia o amor acendendo, pousando tal garça
amanhecida que ainda sonha estar abraçada!
Enquanto alvos lenços da
madrugada de amor banham o sonho sertanejo, magia aumenta o som da
passarada!
Cala os passos da chuva doce beijo corpos e almas
estremecendo, o caboclo amou e brilhou o
mundo!
Santos-SP-06.05.2007

31- Poeta Caboclo Humberto
Rodrigues Neto Poeta Caboclo é bom quando a namorar a lua, tira da
viola o som nas cantigas pela rua! Na paz de humilde ranchinho da
vasta serra ao sopé, faz de palha um cigarrinho que fuma após o
café. Enaltece em suas serestas os crespos mares bravios e a
beleza das florestas debruçadas sobre os rios! Por sabiás e
curiós tem a ternura de um monge; rima até a plangente voz de alguns
bois mugindo ao longe! Rima cascatas e fontes, e esmera-se ao
descrevê-las; sente sóis saltando montes e noites fervendo
estrelas! Por seu verbo limpo e claro, peço a Deus sempre
proteja quem cultiva o dote raro da poesia sertaneja!

32- Choro de
Caboclo! Ricardo De Benedictis
Oh, quanto tempo perdido Vivo
sozinho com a saudade Dos meus filhos que hei perdido Nos caminhos da
cidade!
E todos se deram mal! Vivem nas periferias... Nenhum veio
ao funeral, Ao velório da Maria!
E eu, sozinho e cansado, Por mais
que tenha rezado Não tenho mais alegria!
Fomos felizes, na
roça, Espero a morte, na choça, Sem meus filhos, sem Maria!!!

33- O
Poeta Caboclo Luiza Helena G.Viglioni Terra
O Poeta caboclo tem a
poesia nas veias sabe rimar sem vacilar. Poeta caboclo faceiro,
seduz a morena que vê a lua despontar no horizonte. O poeta canta
e encanta e juntinhos na rede trocam juras de
amor.
07/07/2007

34- A tristeza de um Caboclo Milla
Pereira
Na varanda, encimesmado, Ao cair da noite quente, O caboclo
apaixonado Observa a estrela cadente. Conta uma, duas... três! E
versos começa a compor. Se as contasse de uma vez Sentiria menos
dor! Lembra de sua Maria Que um dia foi embora. E o deixou sem
alegria Contando estrelas agora! Pobre Caboclo, magoado! Por ter
sofrido a traição Por seu amor desprezado Que feriu seu
coração! Hoje, em sua sacada Compões seus versos e chora Por sua
Maria amada que com outro foi embora! E-mail:
millabrazil.2007@yahoo.com.br Blog:
http://millabrazil2007.spaces.live.com/ Site:
http://www.millapereira.prosaeverso.net/index.php

35- O Poeta Caboclo
Regina Bertoccelli
Tem o poeta caboclo a pureza de suas rimas
certas, a singeleza de suas prosas incertas... Sua musa é uma
borboleta que dança em sua janela, que pousa em seu roseiral, que
colore o seu alvorecer... Seus versos atraem a revoada de pássaros que
felizes, fazem seus ninhos no topo de sua humilde cabana... Aquieta ao
entardecer, sua alma sonhadora... Em sua viola canta suas mágoas, seus
amores, enquanto a tarde se despede e a noite acontece...

36- Poeta
Caboclo Malu Otero Poeta caboclo, quando tange a viola Aquilo vem
bem lá do fundo da alma, Transforma em poesia a vida e chora, Pela
colheita do amor ele a tudo exalta. Em tempo de seca é um Deus nos
acuda, Não vinga a semente ainda que ele peleje, Estorricado o solo do
agreste sertão, sua, Mas com tempo bom, há quem o inveje. Porque o
caboclo não tem preguiça não! Tange a viola, depois da lavoura e sorri. A
cabocla faceira desperta fértil paixão... E ele a beija delicado qual um
bem-te-vi Semeado o amor pra toda uma vida, A colheita recebe com
versos e viola. Os filhos chegam pra ajudar na lida E cresce a inspiração
pela vida afora.

37- O Poeta Caboclo Arlinda Lamêgo Versos,
orquestrados pelo mar, Acenam-se de mansinho... Vêm devagarinho, na ponta
do pé, suspirosos, silenciosos. Surgem ,em cada onda de espuma, que tremula
como lamparina, Abraçados pela serra. São retinas que se iluminam no luar
de lua cheia, Clarões que se sucedem à luz de orvalho reticente E explodem
em cada lual, numa corda de viola dedilhada. São poemas de amor
solitário, em vida que é poesia toda ela. O poeta caiçara inspira-se na
sua caboclinha , Na beleza mágica de um beijo E na alegria de um sonho
de sentir que está amando. Amor que se permite, tomado de paixão. Num
sonhar desperto, com cheiro de mato, Na chuva de tantos dias, de cada
manhã, O sonho do poeta é viver letárgico com sua amada Calor de amor, na
tepidez de cada madrugada, na lida que chama o sol, que chega, pé ante pé,
já de porta aberta.
Canários cantam, beija-flores dançam, borboletas
colorem as trilhas de todo dia e tudo acaba em poesia. O poeta
caboclo tem fé na sua muralha e aquece alma. O poeta segue, alimenta-se
de esperança, Ele é mesmo que toda ela. Caiçara faz verso intimista,
faceiro, em os olhos dele, no colo do sertão que cintila, beijado pelo
mar, ele que é toda poesia. E a ele a poesia se oferece no regaço da
cabocla, sem cansaço.
Poesia inspirada em Ubatuba. 07/05/2007

38- Caboclo Ilze Soares
No meio da mata,em
pleno sertão, o caboclo dedilha seu violão, olhar perdido no
horizonte, a pensar na amada ausente.
Vê a lua surgir
brilhante, clareando aquele pedaço de chão... Sente aperto no
coração, quer o calor de quem não está presente...
Caboclo
triste,apesar de forte, não esconde sua dor, deixa o pranto
correr, aliviando seu sofrer...
Sabe que um dia sua amada virá, a
alegria do caboclo então voltará e no seu rancho o amor
reinará.
07/05/07

39- Tristezas de um Caboclo Marcial
Salaverry Passeando pelo sertão, parei num bar prá pedir
informação, vi um caboclo numa tristeza de cortar o coração... Num
desabafo, falou enquanto tomávamos o "pingão"... "Seu moço, vancê num pode
carculá, u pruque dessa tristeza no meu oiá... Fais uns tempo... nem gosto
di si alembrá... Taveu aqui, prás pinga tomá, cando a água garrô a
dispencá... Tanta da chuva qui Deus arresorveu di mandá... Era tanta das
água, qui arresorvi esperá, prá mode a chuva passá... Ficô mai de duas
hora, inté tudo si acarmá, Preu podê minha casa percurá... Seu moço...
sinti u mundu si acabá... E num é qui num consigui mai nada
encontrá... Minha casa... as água tinha levado... Minhas prantação...
tinha se acabado... Casi murri... di tão disisperado, cando vi qui as água
tinha levado minha famia todinha... fiquei agoniado... Minha Maria... qui
tanto ieu tinha amado... Meus fio... qui inda nem tinha criado... Ah!!!
seu moço... tanto tenho chorado... Só nas pinga é que tenho mi
consolado..." Entendi a razão de sua tristeza... mas segui viagem, levando
desse caboclo triste, a imagem... Pensando que apesar de toda sua
beleza, Também é capaz de maldades nossa querida Mãe Natureza...

40- O
Caboclo e a Seca Marineusa Santana
O caboclo muito triste Por causa
da plantação Com os olhos cheios d'água É de cortar coração
A chuva
não chegou No tempo esperado Sua roça quase perdida E ele
desesperado
Levanta as mãos pro céu E pede à mãe Maria Coloca nela
a esperança E diz:Sem vós que seria?
Vós sois a mãe de Jesus E a
nossa mãe também Peça a Deus que mande chuva Nos livre da seca.
Amém.
Brejo Santo -
Ceará www.marineusantana.recantodasletras.com.br

41- Poeta
mestiza Cristina Oliveira Con ojos verde mar nací mestiza, mis
labios son rojos como la grana, la mezcla de razas me hizo gitana, aunque
mi piel tan clara no es cobriza. Soy poeta porque la luna hechiza, a
mi cabello de oro filigrana, convirtiendome en una flor temprana en la mas
cálida rosa castiza. La mixtura de mi sangre es la llama, del amor
profundo que en mi alma nace, ser trovadora por naturaleza. Compongo
mis trovas al ser que me ama, esperando que su beso se enlace a esta su
gitana con gentileza!
USA

42- O melhor virá depois. Denise
Figueiredo
Olhos na serra enfiado Lágrimas rolando na barba Sonhos
que foram deixados Tristeza que não acaba
Viola dedilha o
poeta Pensando na triste partida Dormiu pensando nela Acordou sem luz
e sem vida
Das lindas saias rodadas Da praça que tinha mais
vida Quando passava ela Indo rezar na capela.
Chorando o caboclo
nem vê Que a linda morena ajeitada Que de saudade arreada Estava ali
assentada.
Esperança de ver a roça Verde e plantada por
dois Caboclo, poeta e da roça. O melhor virá
depois.
http://www.recantodasletras.com.br/autores/denisefigueiredo
http://gotasdepoesia.spaces.live.com/

43- Poeta Caboclo Soaroir
Na Lida
Poesia de caboclo tem pé fincado no eito se quer
sente o sol ardente vai tirando seu aceiro como todo o
ascendente enquanto rima em cantoria o que ele da vida sente não
desiste, apeia depois da lida arriar rabequeia à sua lua
confidente sonhos arraigados em seu peito em versos que só caboclo sabe
rimar.
08/05/07 http://pote-de-poesias.blogspot.com

44- O canto
do sabiá... Mavi Lamas
Sim...todos os dias eram dias de
beleza... as flores de açucena a pureza branca de nuvem o céu se
amontoando coração de flor,de algodão, coração alcochoado...
E a
casa no alto da colina e na descida toda o capim e no pé da colina o
riacho e árvores carregadas de frutos amarelos as frutas boiavam na
água caindo... ploc... ploc... ploc o amarelo na sua transparencia.
O cantar dos pássaros em sinfonia o sabiá majestoso se emplumava
faceiro... faziam a magia do lugar... e ao redor a pachorrice, o
silencio...
Não muito longe dali via-se a fumaça azul de um
trem se perdendo nas nuvens...
Até que um dia tive que
partir... uma tristeza tão grande n'alma me quedei olhando do outro
lado da estrada
Lá onde a cana rareava mata muito densa, alta ...
antiga onde a gente ouvia sagui e macaco grande pulando nas
árvores tão compridas que tocavam o céu
E partí...e ignorava o quanto
longe... eu andava para meu destino... e meu amor não o sentiu
E de
repente o mundo virou uma coisa triste uma prisão... e ninguém podia
sair de dentro dele...

45- Poeta Caboclo faffi
Depois da terra
arada, da semente plantada, o caboclo senta para descansar, sonhar que é
poeta e começar a poetar... Fala em versos do seu amor pela terra, das
chuvas que carregam as sementes, da terra que fica encharcada...e do seu
medo sai versos rimados, pedindo a Deus pra fazer a chuva parar. O poeta
caboclo quer poetar, quer falar de amor mas, acaba sempre falando das terras
em que planta e sonha em ver a semente germinar, a muda crescer, dar
folhas, flores e frutos para sua família sustentar.... Vai poetando poeta
caboclo, não desanime nunca... Com rima ou sem rima, você tem muito do que
falar, a natureza é sua aliada, fale da passarada irrequieta que te
acorda cedinho, da rosa que desabrocha com a brisa que passa, do
arco-íris que matiza o céu depois de cada tempestade. Não deixe a chuva nem a
seca tirar de você... a arte de poetar.
faffi /Silvia
Giovatto

46- O Poeta Caboclo Heloisa Abrahão
O caboclo tão
quietinho, no seu canto a matutar Que canção na próxima serenata ele vai
cantar. Ele canta pra Rosinha, sua linda namorada. O caboclo é poeta
festeiro, gosta das letras criar,
Caboclo do tempo antigo, pega lápis e
papel pra rabiscar. Risca as letras de uma formosura pura e começa a
ensaiar Pega a viola e toca, canta, também dança, tá feliz. Seu coração
explode de amor, um plano arquitetou.
Pra você Rosinha minha, doce
namorada Lábios de mel, teus olhos duas jabuticadas, Tuas mãos finas,
cabelos sedosos...
Rosinha, meu amor minha vida, não vou esperar mais
não, sábado eu vou te roubar, não adianta teu pai impedir, Nem tua mãe
chorar. Ôce vai sê minha.

47- Não Há Nada Melhor, Margaret
Pelicano
Falar das coisas da roça, das pequenas cidadezinhas, com
ruas de terra, pó ou lama, parece idiotia, desconhecimento de quem mora
em cidade grande na verdade, quanta alegria, lembrar das enxurradas e dos
pés descalços; dos 'macucos' grudados nas canelas, tirados a cacos de
telha ou pedra porosa para dormir na cama limpinha e
cheirosa...
Verdade seja dita, raízes são tão fortes, que queremos
sempre voltar para a terrinha, agora mais pomposa, crescida, porém
ainda pequena e gostosa, cheirando a sabão feito em casa, café torrado no
lar e moído no moinho, cheiro de roupa limpa no varal, milho plantado no
quintal, o vizinho apanhando salsa e cebolinha para o jantar, a criançada
no mais alto galho da limeira, entupida com a fruta da jabuticabeira, a
moça linda que chega da cabelereira, para o baile 'fenomenal'...
Tem
coisa melhor do que ser da roça? Gostar de viola, lua cheia,
assombração? Comer sem agrotóxico: cominada natural, no fogão à lenha,
feijão, vizinhas reunidas para fazer pamonha, curau? A Criançada correndo
pela rua, então... quanta saúde, quanto ar puro, quanta
despreocupação... é um pedacinho de céu, plantado neste mundo de meu
Deus, para fazer feliz a todos os meus amigos, irmãos, jovens,
anciãos...
Não, não há nada melhor, não!
Brasília -
08/05/2006

48- Esperança de Caboclo Maria Loussa
Ouve o galo a
cantar Anunciando a chegada de mais um dia Vai ser batalha, mas também
alegria. O sertanejo pega a enxada E faz levantar a filharada Com ele
enfrentarem o grande eito que o espera Para ser carpinado, Para ser
preparado, Para ser semeado da boa semente. Pelo homem verdadeiro de
coração temente. O grande trabalhador tem esperança De boa colheita E
assim tudo que faz é de forma bem feita. A noite namora a lua Ao lado do
seu amor Canta-lhe uma cantiga daquelas antigas. Para seus filhos conta
uma história Que ainda tem na sua memória!
Goiânia-Goiás

49-
Simples Felicidade! Pedrinho Goltara.
Na sua simples palhoça Vive o
caboclo satisfeito, Sua amada também simples, Formando-se um par
perfeito.
Trabalhando o dia todo Só pára quando escurece, Descansa
o poeta feliz Que da viola nunca esquece!
Cantando ao som da
viola Verseja pra sua companheira, Muito feliz é o poeta caboclo, Mesmo
deitado n'uma esteira!
Goltara- 08/05/2007

50- Arrasta o pé,
muié! Ógui Lourenço Mauri
Vem cunhêu pra bem perto da foguêra, faiz
muito frio na noite de São Juão. Arrasta o pé, esfrega eles no
chão... Cucê, quero dançá a noite intêra!
Arrasta o pé, muié!...
Desenferruja!... Aproveita esta linda contradança! Óia pra mim... sem ver
a minha pança e sem reparar minha rôpa suja.
Ucê tá linda, vestida de
chita! "Chique no úrtimo" com essa trança!... A mais aplaudida da
vizinhança, a cada devorteio a mais bunita!
Fico todo "cheio" em ser
teu par... Tem gente aí cum dor di cutuvelo! O luar que lumia teu
cabelo parece que quer me homenagear.
O teu pai num tira o zóio di
mim, num dá chance d'eu ti dá um cheirinho, têmu qui prucurá um
escurinho antes qui essa festança chegue ao fim!
25/06/2005

51-
Poeta Caboclo José Ernesto Ferraresso
Ele chega descuidado, muito
displiscente, De pés no chão, Vai em direção ao seu violão.
Chega
cansado da labuta, Dessa vida que só é luta, Mas esquece tudo no momento
, Quando pega esse instrumento.
Pensa, repensa o pobre
coitado, Pega o violão e dá um só trinado, Vai vivendo sua fantasia, E
logo sai a sua poesia.
No poema ele conta de um amor, Que começou com
uma flor Numa festa no parque da cidade , Onde conheceu seu primeiro
amor.
Para ele aquela cabocla era uma visão, Que transformou um dia
seu coração, Naquele instante o encontro era só festa, Para o caboclo
pensar em uma seresta.
Ela chega de mansinho, Com carinho mostra
seu jeitinho De uma mulher muito apaixonada, Que um dia tornaria sua
amada .
Essa história tornou-se verdadeira, A cabocla era muito
faceira, O poeta caboclo conta a verdade, Do amor que virou uma
realidade.
Serra Negra_09/05/07

52- Sôdadi di Peão Luís Carlos
Mordegane (umvelhomenino) Quando cai a noitinha aqui na serra E a
passarada se esconde nos ninhu, Começo a pensá aqui no meu cantinhu Que
tive um amô e hoje ficu sozinho... Aí a sôdade corre e meu peito
invadi, E a tristeza dexa turva a natureza; Pruque daquele amor sinto
sôdadi! Sôdade que faiz sorri, Sôdade que faiz chorá, Sôdade que dói e
machuca, Sôdade que me alegra e faiz cantá... Ó doce sôdadi pruque veio
pra ficá? Se ocê tá perto, já não quero mais falá; De tanto pranto já não
sei mais chorá. E ocê nem tem dó dú meu coração, Que bate forte,
apertadinho de paixão! Ô sôdadi! Faiz assim cumigu não! Traiz ela di
vorta pra alegra minha tapera E flori di novu o meu sertão A sôdadi... E
vê ocê si sainu, Aos poquinhu si suminu, Pra mim banando as mão Pra
trazê maí alegria E frori a minha vida Aqui no meu sertão

53-
Lembranças do caboclo Iza Mota
Uma historia vô contar prece povo de
meu Deus adepois se alembrar como era viver com as coisas tudo
direitinho no céu, na terra e no mar cada qual no seu lugar.
Omi oi
que a natureza era coisa di fazer o coração do caboclo de felicidade
disparar Nós vivia sem se aprecupar com a revolta da natureza que num
sabia mais seu lugar.
Tinha cor e pureza em tudo que é lugar O céu,
uma imensidão azul cheio de nuvem branquinha com pássaros a
avuar. Tinha ar bom pra nós respirar tinha até estrela e luar, nos fazia
sonhar.
O sol brilhava, esquentava e energia nos dava. Hoje seus
raios só faz queimar a pele, a terra e planta esturricar, as água dos
riacho secar deixando a terra agonizando rachar e de sede a vida
matar.
Na água tinha vida e ficava no rio, no mar sem querer se
revortar invadindu tudim pra terra tomar Nem ficava o riacho a
secar deixando os omi, planta e animar sem água pra tumar.
A terra
parecia vibrar com vida nela a pulsar jorrando água pura do olho a
brotar, Toda semente nela plantada era certeza de vida prolongada pela
arvore forte e frondosa ou comida saudável e gostosa.
Era tudim
perfeito não precisava mudar, foi o oi grande do omi que fez tudim se
acabar Deus decidiu então nos castigá pra vê se nós aprende a cuidá e o
que ele nos deu,
valorizar.
www.izamota.recantodasletras.com.br

54- O Poeta
Caboclo Andréia Cristina Guadagnin Poeta caboclo sonhador Usa suas
palavras em papel Expressando seus sentimentos É poeta encantador,
solitário. São lindos seus dizeres rimados Seu rosto, porém nunca foi
visto. Mesmo vivendo só em seu canto És conhecido pelos seus
encantos Apenas se sabes que és talentoso Poeta caboclo inspira-se no
campo Pela sua timidez vive a se esconder Oprimi em seu coração
prantos De um grande amor que o fez sofrer Mesmo se sentindo tão
infeliz Ainda assim verseja e nos encanta Escreve tentando apagar sua
cicatriz Contemplando-nos com seu dom Deixando seus receios de
lado Mostrando-nos o que tem de
bom.
Pariquera-Açu-SP www.andreiacristinaguadagnin.blogspot.com

55-
Poeta Caboclo Sandra Lúcia Ceccon Perazzo
Ah! Meu poeta
caboclo quanta saudade neste meu coração que chora lembrança deixada
na memória
Ah! Meu poeta caboclo Quantas tardes ao som da
viola enquanto compunha seu verso e prosa meu silêncio em delírio
suspirava sem nenhum murmúrio, eu toda briosa
Era tanta formosura e
graça que até a árvore se curvava para ouvir sua doce fala que a cada
som suspirava
No meio dos troncos cobertos de flores sentava eu ao
seu lado moça mimada da cidade para quem entregava seus riscos e
rabiscos cheio de orgulho e de glória
Ah! Poeta cabloco Era tanta
beleza no poema pureza que batia tanto amor no peito da gente que nossas
faces em rubros disfarces sorriam de tamanha felicidade
Hoje, já não
sei onde anda o meu cabloco poeta com seus versos e com a sua
viola pois a vida com sua volta deixou-me apenas a voz remota e nem ao
menos uma rota...
(Sperazzo) 09/05/2007

56- O Caboclo
Poeta Sueli do Espírito Santo
Da janela de sua palhoça como é
majestosa a sua roça o jardim com flores do campo o tímido sol a se
enrubescer saudando mais um anoitecer um pisca-pisca do pirilampo
O
caboclo em pensamento voa alto, lá no firmamento e encontra sua alma
poeta o seu coração se enternece a para bela roça ele desce e na poesia
ele se completa
http://www.sue2001.recantodasletras.com.br

57- O
poeta caboclo Thereza Mattos
Caboclo ignorante quase analfabeto só
sabe seu nome rabiscar mas sabe expressar seu afeto pela luz que vem do
olhar... caboclo que gosta de poetar pedindo para alguém pra
ele"escrivinhar"
Colocando seus poemas no cordel, caboclo parecendo
ser feliz recitando seus versos simples olhando para ele ninguém diz o
que ele sente em seu coração mas não sabe por no papel....
A noite
chega e apaga o ouro do sol o caboclo vai descansar sentado na porta, com
seu velho cão com as mãos vazias a afagar lembra então de sua amada que
lhe deu tanto desgosto que um dia foi embora uma lágrima teima rolar pelo
rosto...
Logo se apruma, põe nos lábios um sorriso ao ver tudo que o
rodeia árvores, campos, riachos e flores sua criação, sua choupana, seu
gado Pensa: " Isso tudo é um paraíso" logo surgirão outros amores uma
cabocla bonita, cheirando a pecado vestindo um vestido de chita e cheio de
cores...

58- Prece Sertaneja Fatima Moreira
É mais que um rosto
cansado, é um pobre corpo magoado das canseiras dessa vida. E pelas
estradas tão longas, vão os pés quase parando, e dessas estradas
compridas, a poeira vai levando. Um dia de sol, outro de chuva, os
imprevistos vão surgindo, o perigo das curvas vão sumindo. Passou por
tantas, tantas primaveras e invernos viu tantas flores coloridas, e
ramalhetes tão ternos. As rugas no rosto, são mudas testemunhas de uma
vida tão cheia de luta, de uma vida tão dura. As mãos, calejadas,
caladas, seguem com ele na fé, se unem críspadas, mas sábias, e, numa
prece com fervor, acompanham a voz arrastada, que gemendo só sabe
dizer: Senhor! Senhor!

59- O Poeta e a Viola Naidaterra
Não
há quem seja mais feliz do que o poeta caboclo... Contente passa seus
dias na labuta e sonha o tempo todo com a viola e o luar... Junta os
amigos queridos e cantam noite adentro sem se preocuparem quando vão
parar... Sua viola é preciosa, chega até com ela conversar, pede que
chame seu amor e com ele venha ficar... A fogueira sempre acesa
e para todos muitos casos vai contar, verdade, lenda ou mentira,
que importa, o poeta caboclo sempre se faz acreditar... Amanhece o dia
e o poeta vai roçar, sonhar e aguardar o anoitecer pra pegar sua viola e
tudo recomeçar...
2007/sampa

60- Poeta Caboclo Carmen Ortiz
Cristal Solitário! Esquecido do mundo, Rimando As amarguras do
coração, O poeta caboclo Revê com paixão, Por muitas luas, Amores
passados!... Caminhante De estradas empoeiradas, No meio da
noite, Apascenta suas dores, Em versos chorosos, Vivos nas cordas da
viola. Companheira De tantas passagens!... Paragens Que o fez
conformado... Doutor, Por uma vida dedicada À natureza... Plantar e
colher, Zelando pela criação, Nada lhe faltará, Retira da terra O
sustento necessário... O calvário Está na alma, no coração!... Aquela
casinha, No meio do verde, Está vazia de emoção... Nela o amor Não
fez morada, É presença de sonhos, Em rimas doloridas... Escravo Das
lembranças, Respira vida Num poema inacabado... Belo Horizonte-MG
10.05.2007

61- India María Cristina Torres
Reza la India a
la orilla del lago, le reza a Tupí, para que vuelva su amado, el se fue
lejos, a otras tierras, siguiendo otros sueños, antiguas quimeras. Su
cuerpo, febril, en el rezo tiembla, -Tupí Nambá, haz que a mi lado
vuelva- mis días, mis noches, no son nada sin el, mi alma se vuelve barco
de papel... Girando en el sueño por volverlo a ver, el viento me
acerca, me lleva, en su eterno vaivén, -Tupí te lo ruego, que vuelva a mi
lado, en Ofrenda te entrego, todo lo ganado- Las pieles, los cueros,
las gemas... mi estirpe de guerrera, todo te lo entrego si traes de
nuevo a mi Dueño. Oh, Tupí, te prometo morir en este, mi suelo no
alejarme jamás hasta el día en que me llevarás. Abandono los sueños
de conocer otras tierras, todo te lo entrego, en gentil ofrenda, si
quieres, mi alma, también te la entrego, solo déjame antes, volver a ver a mi
dueño- Y si este pedido no fuese posible sácame del pecho estas
cicatrices, haz que me vuelva, del árbol sombra, donde vengan a reposar,
las cansadas alondras... Tupí la escuchaba, sentado a la vera, no
era esta la vez primera, que Aramira, la India guerrera, todo, todo, a El
le ofreciera. La calmó en su llanto, la volvió paloma, y hoy en el
bosque, Aramira ronda, buscando el Amor perdido, el Amor lejano, el Amor
que de a poco, se escapó de su
mano. Marycris 29-01-2006 Expediente número 288708 Buenos
Aires_Argentina

62- O Poeta Caboclo Avany Morais
A
noitinha, quando da lida descansa O caboclo velho ou moço alça
vôos... Sempre cheio de esperanças, viaja... A dor que no peito aperta,
tráz à tona, A saudade desmedida, as lembranças, A ausência da prenda
querida... Olha pro céu e melancólico suspira. Com a saudade presa no
canto do olho, Em silêncio chora, lágrimas doloridas.
Ah, saudade
que amarga os dias meus! Pensa consigo o poeta caboclo, Conformado... Mas,
não sossegado, Com a cina que Deus lhe deu. Olha todo prosa, pra lua
majestosa, Lá no alto sobranceira a brilhar, E com os olhos a
marejar, Encimesmado se pergunta, Onde, onde será que ela
está?
Pega da sua viola e começa a dedilhar... E nas cordas sonoras da
velha companheira, Uma canção brejeira ele começa a cantar. É sua alma
apaixonada, na noite enluarada, Levada ao sabor do vento, em direção a sua
amada. Quanta emoção invade os campos, noite a fora, Todo o sertão nesta
hora, já esperava, Os versos trovados do caboclo enamorado. Que em
harmonia com o vento espalha seu canto.
Quanta tristeza exala da sua voz
trêmula... Quanta paixão transborda de seu coração... Qunato sentimento,
quanta dor, quanto amor... O caboclo ao luar, quase morre de emoção, Chora
sua mágoa em seu canto melódico... Sua voz na noite, em pranto, ecoa E se
expande com tal sentimento, Que corta o coração de quem o escuta. Grita
sua mágoa, cabocla, na saudade que judia.
A sua alma cabocla, pura, e sem
corrupção, Poeta e apaixonada, sempre cheia de emoção, Voa nas asas do
vento, com a força do pensamento, Vai em busca do amor que está em outro
rincão. Ah caboclo, poeta caboclo... Quando se põe a cantar, Derrama na
madrugada sua voz, o seu triste poetar, Como se lágrimas fossem, espalhadas
pelo ar... E seu canto e sua poesia em doce melancolia, Levado através do
tempo, nos faz a todos
sonhar.
Curitiba-PR 00h15min_07.05.2007

63- Caboclinha Tânia
Sueli Oliveira
Caipirinha, lá da cidade distante, que sonhava olhando
a linda Lua. Fazia pedidos às estrelas, sonhava... Apenas queria amar e
ser amada. Até que um dia, chegou sorridente aquele moço da cidade
grande, manhoso, maroto, gostava de viola . Os olhares cruzaram-se,
apaixonaram-se! Viveram momentos maravilhosos, felizes... Passeavam pelos
campos, fazendas , estradas, viagens incríveis, flutuavam... Infelizmente,
ele teve de ir embora, sem despedidas, sem adeus, sem carinhos. Apenas
partiu e levou junto dele o coração da caboclinha simples, que
chorou...chorou...como chorou...

64- Homenagem ao Caboclo Regina
Silveira A lua iluminando o alpendre Da fazenda Onde ele com seu
cigarro de palha Sonhava com o amor da mocinha Da cidade Mãos calejadas
de trabalhos abençoados Sonhava o seu amor ir encontrar Ah! Caboclo
querido Lindo... charmoso Se aquela menina que só tinha sonhos De
adolescente Que só sonhava com a vida da cidade Tivesse seu amor
correspondido E sonhado em viver em seus braços Nesse luar do seu mundo
Moreno bonito, caboclo querido. Um dia quem sabe te encontro aí Na
eternidade Saudades... Uberaba /MG_10. 05.07
|