AMADEU Ataliba AMARAL Arruda Leite Penteado nasceu em 6 de novembro de 1875 na Fazenda São Bento de Boa Vista (munícipio de Montemor), hoje, município de Capivari, no estado de São Paulo; filho de João de Arruda Leite Penteado e de Maria Carolina Pacheco Leite Penteado. Foi um poeta, folclorista, filólogo e ensaísta brasileiro. Ocupou diversos cargos públicos ao longo de sua vida, sendo derrotado nas urnas na eleição para deputado, onde defendia o voto secreto e a honestidade eleitoral.
Em 18 de fevereiro de 1899, casa-se, em São Carlos, São Paulo, com sua prima e namorada de infância, Ercília Vaz do Amaral. Regressa a São Paulo. Publica seu primeiro livro: Urzes (versos). Em 27 de novembro de 1909, instalou-se a  Academia Paulista de Letras, na qual Amadeu Amaral ocupou a cadeira número 33, cujo patrono foi Teófilo Dias. Em 1919 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, na vaga de Olavo Bilac, falecido em 1918.
Teve várias outras publicações em versos e em prosa, entre elas, o livro "Dialeto Caipira", publicado em 1920. Amigo pessoal de Monteiro Lobato, em companhia deste e de outros intelectuais paulistas fundou a "Revista do Brasil Em 1927 publica no Estado de São Paulo,  Memorial de um Passageiro de Bonde, que seria editado postumamente em livro, em 1938. Em 24 de outubro de 1929 atacado de febre tifóide, falece em sua residência, à rua Bela Cintra, em São Paulo, após dois meses de sofrimento. É sepultado no cemitério de São Paulo, na capital paulista.
Seu livro, "O Dialeto Caipira" pode ser lido na íntegra, acessando o link:  http://www.biblio.com.br/conteudo/AmadeuAmaral/modialetocaipira.htm
Algumas formas do dialeto caipira com as quais são escritas as poesias populares:
norma culta
dialeto caipira
nós (1ª pess. plural) nói
alfinete arfinêti
falso fársu
melhor mió
os calmantes us carmânti
alvorecer arvorecê
você ocê
nós fomos nói fumo
nós voltamos nói vortému
Corinthians (clube) Curíntia
Palmeiras (clube) Parmêra
cigarro de palha cigarru di páia, picadão
fósforo fósfiro, fosfro, forfro...
mulher muié
homem ómi
computador computadô
bom bão
filho fiu
olho zóiu
telha têia
compadre cumpadi
eles ês

 

    Participantes:
    (em ordem alfabética)
     

41- Acebíadi da Conceição
18- Airam Ribeiro
61- @liosh@**/CIG@N@**
38- AMASardenberg 
35- Ângelo Martins -BA
16- Avany Morais
31- Célia Jardim
40- Comadi  Granzoto
14- Cumadi Arzira
33- cumadi Debra- Lydia
17- Cumadi Déia de Pariqüera
44- Cumadi Guida
03- Cumadi Lilinha
54- Cumadi Mariazinha - Angela Stefanelli
15- Cumadi Marilú Santana
19- Cumadi Marineusa do Breju Santo
02- Cumadi Rosinha - Iranimel
27- Cumádi Watfa
04- Cumpadi Zé
56- Elizabeth Assad
48- Fátima Moreira
57- Humberto – Poeta
51- Iranimel
58- Iranimel
49- Jão Cornélio do Arraiá
47- José Ernesto Ferraresso
09- Laís e Paulo
08- Luiza De Marillac Bessa Luna Michel
37- Luiz Poeta
60- Marcial Salaverry
11- Maria das Dô
52- Maria das Dô 
06- Marici Bross
24- Marília Bechara
39- Mercília Rodrigues
45- Milla Pereira
21- Natália Vale
25- Nhá Ilze Soares
26- Nhô Cherôso
42- Nhô Expedido
43- Nhô Robespierre Frôzão
50- Nhô Tadinho do Arraiá
32- Pedrinho Goltara
55- Regina Coeli Rebelo Rocha (RJ)
63- Rosa Regis
28- Rose Arouck
30- Rose Arouck
07- Sinhá Gui
46- Socorrinha Castro / Florzinha
59- Tânia Sueli Oliveira
12- TecaMiranda
05- Terê das Bêra Mar
23- Terê das Bêra Mar
29- Terê das Bêra Mar
62- Thereza Mattos
13- Véim do Arraiá- MG
22- Véim do Arraiá-MG
34- Véim do Arraiá_MG
53- Véim do Arraiá_MG
36- Véim do Arraiá_MG (atrás da môita)
20- Vyrena
10- ZéBellim
01- Zé Muxiba do Arraiá

01- Óia a quadria!
Zé Muxiba do Arraiá

Óia a sanfona ôrtravez!
Eça festa tá rrumada
Vô mi prumá cu'artivez
Prá agradá a muierada

Omenagiá São Jão
Ni uma quadria animada
Cum buscapé e rojão,
Vamô nerça caipirada!

As despois façu mai rima
ieu gora dexô procês
Êitcha calango que anima,
Óia a sanfona ôrtravez!...

02- Rainha do Mio
Cumadi Rosinha - Iranimel

Eita sanfona arretada,
Que dexa a gente assanhada,
Doidinha pa arrastá o pé!

Hoji vai tê festança
Pá menageá São Juão,
E ilegê a rainha do mío!

Já areformei mia saia de chita,
Ponhei frô e muita fita
E um babadão arendado!

O chapéu ta ua belezura só,
Ninguém vai  apercebê
Que era da mia avó!

To cum tudu i num to prosa
Agora só queru vê
A cara das invejosa!

Vo si mi lavá no riachu,
Quero dexá os meus cacho
Bem cherosu i prifumadu!

Afinar, eu to sabeno
Qui os cumpadi tomém tão quereno
Si prifumá i tomá banhu!

Tudo pa agradá a muierada!
I as cumadi, ah! Cutchada,
Tuda elas qué sê rainha,

Eu tomém queru, uai!
Mai si eu perdê,
Que importança que vai tê?

Num vo chorá, issu é bestera
Eu dou ua piscada po Zé,
I dançu cueli a noiti intera.

03- Ieu tomém vô intrá nerça
Cumadi Lilinha

Ieu tomém vô intrá nerça
Arrumendei meu vistido
I eli ficô mais bunito
Fiquei adengoza i facera
Xei a vregonha prá lá
Gora só pensu bestera
Cus hômi desçe arraiá.

04- O trem vortou
Cumpadi Zé

Uai, sô! o trem vortou
Mai num tem probrema não
Ieu fasso rima de nôvo
Iço parece vião
Iguá galinha sem ôvo
Vai e vorta no terrero
Vôi gual cumadi falô
Tomá banhu de chuvero
Ficá qui nem fazendero
Cheroso iguá um bizerro.

Êita muierada cherosa
Prefumadas qui nem rosa
Ieu qui já tô todo prosa.

Tô quereno matrimonho
Inda bem num chamo Antonho.

05- Mê dê uma bêra, Zé!
Terê das Bêra Mar

Num tem nada nesse mundo
que me dexe mai arretada
que uma sanfona tocano
divertino a muierada.

E se sobrá um pareio
que é difici acontecê
mais pu favô meu cumpadi
guarda ele pra terê.

Dançá muié cum muié
isso ninguém nunca qué
mai si o baile tivé bão
me dê aí uma bêra, Zé!

Já mandei riquirimento
mai foi pro arraiá errado
enderecei pra São Juão
foi pará no "Ismaga Sapo"!

Santos_SP

06- Festas Juninas
Marici Bross

Eta, coisa boa!
Festa Junina,
Para dar e vender.

Assim são estas festas,
Santo Antônio, São João e São Pedro,
Foguetes, sobem para o céu,
Num belo espetáculo, cheio de luz,
E muita alegria, a reinar.

Bandeirolas coloridas,
Fogueira, acessa. Batata-Doce,
Assando, e o quentão esquentando.
Tem também, doces festeiros
E, Pau-de-sebo, para escalar.

Moças bonitas chegam por todo lado,

Todas enfeitadas, para seu par encontrar.
Assim, comemoramos, numa alegria sem fim.
Onde o povo, se encontra.
Para a quadrinha dançar.

Vamos, minha gente
Nossos santos, homenagear.
E dançando a quadrinha, vamos louvar.
Viva, Santo Antônio, o santo casamenteiro.
Seguido por São João. Logo aparece,
São Pedro,  com a chave,  na mão.
E encerrando as festas juninas.
Pena, minha gente! Junho, acabou.
Não faz mal, ano que vem,
Tem mais!!

SP, 22-06-07 – 8:10h

07- Tô intrando
Sinhá Gui

Vô entrá nece  terrêro
di homenági a São Juão
dô mão na hóra du rodêo
i isquento comu  fuguerão

si meu par ieu vê bunito
vô rodupiá inté gastá
si for feio dô um gritu
inté vô cum muié dançá

vô cumê maria mole e pipoca
vô bebê muitcho quentão,
enchê as pança di paçoca,
só cuidá pra num sofrê congistão

vô acabá com as rapadura
e sortá fuguete i  balão
pé di muleque fartá di montão,
inté quebrá a dentadura

entonce nas hora di quadrilha
vô rudopiá pra lá e pra cá
mái quando arguém gritá
óia as cobra tá lá...

vô pensá qui tô im  Brasilha!
dô meia vorta pra vortá
maisi é inganu...num é isso não

aqui tão us amigu e as famílha
tudo  mundi só si adivertindo
numa baita festa pra São Juão!

08- A Amizade Sincera!
Luiza De Marillac Bessa Luna Michel

Só vim pra modu dizê
Que voismicê é amiga
Dessas que num faiz briga
E arruma cantinho dus bom
Prá modu di iscrivinhá
Versus alegris e brincaião
Qui tórna a vida um fazendão
Cheiu di festança e fugueira
Não fuja meu noivu não
Vem cá me dá tua mão
O coração é tudo teu
O corpo tumbém é
Arma o barracu pra nóis morá
Prá modu di recebê a amiga Tere
Faiz feijão dus bão com farinha
Arruma a cuzinha cum fartura
Docinho meu vai beijá
A mão desta sinhá
Migona da Loisa
Sorteira nós num qué ficá
Vem meu amô, dá um cheirô..  

09- Óia o São Juão!
Laís e Paulo

Hoje é dia de São Pedro
e nóis vamo festejá
Tá todo mundo aprumado
só farta mermo dançá!

Rio, 22/06/2007

10- Ai Meu Santim
ZéBellim

Santotonho meu parcêro,
Meu santo casamentêro,
Dos pobre é o padroêro...
Mas sinsqueceu da vizinha...

E a pobre ficou sortêra...
Resolveu inté sê frêra!
E reza a semana intêra,
Pro santo na ladainha.

Mas se alembra do passado:
Pegô o pobre coitado
Dexô na cova interrado
Pra arrumar um namorado...

11- São Juão
Maria das Dô

Vamu dançá quadría
pra aquecê o coração
qui nessa noite tão fria
é festa de São Juão!

As muié di finu trato
Os homi chei de quentão
Faiz careta pro retrato
E vai sortanu rojão

As môça que tão sortêra
Querenu rumá namorado
Fica en vorta da foguêra
Oianu us homi de lado

Dispois de uma certa hora
as muié que são afoita
Ispera as mãe irimbora
E corre cuns homi pra moita...

12- Ocê quer?
TecaMiranda

Si achegue pra modi nóis cunversá...
é noiti di lua cheia daquelas bem grandi
qui alumia tudu inté os coração da genti.
 
Dia de Santu Antonhu já passô
mas inda tem São Juão e São Pedru
e cum ocê pro arrasta-pé eu vô.
 
Entonce chega dessa brabeza
amulece esse coração bunitu
pra sua morena vorta com ligereza.
 
Prometu que no próximu 13 de junhu
Te dou minha mão e o qui mais quisé
Desde que os votu na igreja nóis fizé...

13- Sá pra impricá com a cumadi Arzira
Véim do Arraiá- MG

Óooia a cobra!!! ( que mentira..rs)
Gritrei irço de mardade,
Pruquê a cumadi Arzira,
Só de vê cobra suspira,
Mas se a bixa é de verdade,
Ela esperneia e escangaia
Vira os zoim e dismaia...rs

14- Aiii é? Tão vô impricar cum cumpadi Véim
 Cumadi Arzira

Erçi Véim tem nuvrenta
I anda cá bangala torta,
neim u'a suprada iele ingüenta
Pareci minhoca morta...rs

É magru qui nem cipó
Inda mama uma marvada,
Cum gragalo nu gogó,
Qué arrumá nermorada? (rsss)

Queru vê na mardugada
Nora da fuguera pulá
As carça dele arrasgá
E o fiofó dele quemá...(rsss)

O Véim num teim neim anádegas...(rsss)

15- Afáxti um tikim, cumadi Terê!
Cumadi Marilú Santana
ôxi!
 
Eita daneira vamulá...
quinum rastapé quinem esse
ieu nunca havera de fartar
só mermu si eu morresse!
kkkkkk
 
Adondé quieu ia perdê
a fulia dêssi arráiá
sintu qui ôji vou cunhecê
um cabôco e mi casá
kkkkk
 
ixi... as páia vai avuar
só nóis nêsse terrêru
e as fuguêra pra queimá
toca fogo aí forrózêru!
ihuuuuu!....
 
num siarréti cumadi Terê
tem cabôco pra nóis tudo
só cuidi na hora de iscuiê
num cafunda mi cum sabugo
irraaaaa!...
iscuitou os gritim???
eheheheh
 
ramu mia genti sianimá
trais logo as batata doce
i mais ispiga pra assár
cas cumadi siarretou-si
rs...
 
nem pircisa du quem tão
todu mundu tá qui tá
doidim pra nessi sanjuão
d'ua veis pur tôda siarrumá
kkkkkk
né não?
Inté...
(achu quiavixtei ua moita...
vou ali e vortu já;)

16- Festa na Roça
Avany Morais

Se é festa de arriaiá
Eu tumem quero participá
Num é que tenho inveja
É que gosto de dançá

Uma festa de são juão
Num tem que fique de fora
É coisa pra lá de bão
Destas qui fica na histora

Se tem canjica, quentão
Mio verde, pinhão, paçoca,
Curau, pamonha da roça,
aqui mermo vou ficá.

Mior que festa na roça
Dessas banda do arraiá
Só se for outra festança
Inguar em outro lugá.

Agora que aqui cheguei
E já dei o meu recado
Vou eu sartando de banda
Pra mode outros se achegá,
E a festança aproveitá.

Curitiba-PR_23.06.2007_02h15min

17- Larga de eu sô
Cumadi Déia de Pariqüera

Quando penso em ocê
Me da voltade de chorá
Eu vô te dize porque
Ocê foi meu pio azar
Com ocê num quero mais vive
Ocê fica na fuzarca
Depois fica querendo me lograr
Num vem chorá as pitanga
Eu vô chispá daqui
To com ocê até a orêia
Chega em casa,
com esse bafo de cachaça,
e que me beja
Me dá um imbruio no instomago
Sinto inté farta de ar
Larga de eu seu fedido
Com ocê num quero mais fica
Ocê pensa que é bunito
Mais parece um gambá
Ocê é muito desmilinguido
Num guento mais sua inhaca
Inté parece que num sabe se lava
Nem sabão num passa
 
Óia qui! Vô te conta um trosso
Sabão no corpu num derrete não
Só vai tirar tua craca
Inté parece que num pode nem rela sô
Fica aí com sua pingaiada
Qui eu vô um home campeá
Eu quero um home perfumado
Sem mal Hálito pra beja
De barba feita cabelo pentiado
Qui passe aquele tal de  ger,
Qui me leve passea
Num vô anda mais de mula
Vô de carango,
sentindo os cabelo espaia
Larga de eu seu azarento
Com ocê num tem mais jeito
Vou vira dondoca da cidade
Num vô lida mais na roça
Tá escutando,
seu fiote de cruiz credo
E num vem atrais de eu
Porque eu num te quero

www.andreiacristinaguadagnin.blogspot.com
Pariquera-Açu - SP

18- Mês di juin i dezembu, as coiza qui eu nunca pudi prová
Airam Ribeiro

Pra quem naçêu in bêrçu di ôru
Du qui vô falá num tem valô
Acerdita in papai Noé
I mutios brinquedu ganhô
Já pulô mutias foguêra
Sortô fógus a noitintêra
Mutio açadu abocanhô.

Pruquê qui papai Noé
Nun sisqueçi di ninguém
Seja póbri seja ricu
O velhin sempi vem!
Mintira!!!..Mintira!!!
Di minha menti ninguém tira
Ni póbri!... papai Noé nun vem!

Derna desdi eu piquenu
Qui eu ispéru o papai Noé!
Us tempu foi só paçanu
Qui perdi inté mia fé
Qui mintira foi aquela
Du presenti na jinela
A vida foi sempi crué!

Pódi inté qui prus ricu
Tem papai Noé ispeciá
Qui dá mutios presenti
Nas noiti linda di natá
I qui brincaru di fouêra
Cun seus traqui na gibêra
Sortanu xuvinha nu ar.

Lembru u mêiz de juin
Nas noiti di São Juão
Todo mundo cum açadu
Todus tomanu quentão
Cun çêus fogus coloridu
Qui lá nu céu vai isprudindu
Juntamenti cun us rojão.

As musgas inda iscutu
Da menti nun sai não
"Xegô a óra da foguêra
É noiti di são Juão"
Desposna da Ave-Maria
Cumeçava a eufuria
Dus povu a sortá balão.

Intonci as rua clariava
Das labareda da foguêra
Só si via criança alegri
Tiranu traques da gibêra
Despois na braza du tição
Acendia e jogava no xão
Era içu a noiti intêra.

Eu pegava uns gravetin
Pra porta da rua eu ia
Cum um pôcu de grama sêca
Minha foguêra eu cendia
Cum uns pedacin di bombrí
Minha aligria tava ali
Nus pingu di fogu qui subia.

As vêiz um palitu di fósco
Servia pra mi tapiá
Eu sintia aqueli fóscu
Na mia vontadi a pocá
Só eu era qui iscuitava
Era u'a vontadi danada
Dun traque tombém sortá.

Inda lembru  o Son Juão
Todos lá na foguêra
Sortanu traque, cobrinha
Comilança a noiti intêra
I eu, u'a póbi criança
Só vivenu di isperança
Di cá venu as pipoquêras.

As vêzis um balão subinu
Qui lá inrriba apagava
Mais na frenti as criança rica
Us seus traquis pipocava
I eu torcenu pra nun pocá
Pra nu ôtru dia eu axá
Despois que a foguêra quemava.

Dia ciguinti nas cinza
Ao ladu dus pau quemadu
Eu percurava o traqui
Só um qui vieçi istragadu
Percurava um aqui ôtru alí
U'a cobrinha sem quemá eu vi
Pertu dus tição apagadu.

Aquelis traqui istragadu
Qui as pórva num quemô
Oiava aqui i ali pra axá
Aqueli mininu sonhadô
Qui nas cinza da foguêra
Percurava pur brincadêra
As bomba qui nun pocô.

Entonci veju mia mãe
A cunformá u'a criança
Qui nun tinha caixa de traqui
I nem biscoitu na pança
Só tinha us zóio pra oiá
Us rojão pocanu nu ar
Dus povu fazenu a festança.

Son Juão pá póbri
Tombém digo do natá,
Nun tem lá as deferênça
Pra mim são tudim iguá.
Todus elis mi trás lembrança
Dus fógus, das cumilança
Qui eu nunca pudi prová.

22/06/07
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airamribeiro@zipmail.com.br

19- Ar festança du mêis de juin
Cumadi Marineusa do Breju Santo

Chegou o mêis dar foguêra
Cun muinta  animação
Vou dançá a quadria
E sortá muintu balão.

Prantei mia simenti
Nu dia de Sãun Jusé
Pá mode cume pamôia
Na foguêra a grané.

Fiz trezena a santantõio
I novena a Sãun Juão
Tombém a Sãun Pedu
Nesti mêis di benção.

Vou tumá meur camarada
A primu i a cumpadi
A redó da foguêra
Cuma só nóis sabi

Quero tombém sê padim
Madinha ou afiadu
Quarqué parentescu
Nóis consegui vexadu

Sãun  Jãun drumiu
Sãun Pedu acordou
Vamu sê meu cumpadi
Qui Sãun Jãun mandou.

Nóis brinca a noiti toda
Até amaincê u dia
Cum a benção dur Santu
I da vigi Santa Maria.

Marineusa Santana
Brejo Santo -Ceará

20- Já tô ino
Vyrena

Tô ino pra festança
cum meu vistido de xita,
frô na cabelera
i pargata, pru mode de dançá
sem meu pé amaxucá.

O Zé, todo imprumado
carça véia arremendada.
a qui ele tinha de mió.
Um chapéu tudo desfiado
pra careca tampá.
Mas vai todo facero,
só pra mo di mi espiá.

Eita festão bem bão
Fico lá
inté o sor raiá!
Mimpaturro de pipoca,
minduim, batata assada.
mais gorda não vô ficá.

21- No dia de São João
Natália Vale

No dia de São João,
Todos cantamos e dançamos,
Durante a noite inteira
E até alta madrugada,
Vendo subir o balão,
Que leva os sonhos
Dos jovens e idosos,
Batendo com o martelo,
E alho porro esfregando,
No nariz dos mais afoitos,
Não faltando o manjerico,
Num vaso lindo e cheiroso,
E a impecável quadra popular,
Que a todos vai alegrar.

Com o fogo de artificio,
A festa vai ser de arromba,
Mais as sardinhas assadas,
Caldo verde, chouriço e broa...
Não faltando a fogueira,
Que com seu prestígio,
De dar boa sorte a quem a saltar,
Especialmente
À noiva casamenteira.

Oh, meu rico São João,
Aqui te venho honrar,
Alegra-me o coração,
Para contigo dançar...

(Portugal)
PS: São João é Padroeiro da Cidade do Porto, em Portugal.

22- Vou oiá a cumadi Inês
Véim do Arraiá

Óia ieu aí ôrtravez!!!
Esçe Trem vortou prá cá
Vô óia a cumadi Inêz
Qui foi na môita...sei lá...rs

Vô ispiá sem ela vê
Qui a cumadi é mei atruvida
vai fazê o maiô auê
Si vê qui tô a ispiá
Ela na môita iscundida...rssss

Ela tá moiano o mato
Moiuou tudo nu lugá...rss
Móiou as galinha e o pato
Moiou as môita e o quintá...rsss

23- Ieu traveis...uai!
Terê das Bêra Mar

Mai qui disassussego sô!
Malemá eu sorto o trem
já tô veno o trem vortá
desse jeito num há linha
que pro intrevero vá dá.

A moça de Purtugar
feiz uns verso caprichado
que deu inté gosto de vê
cumo manda o dicionaro
eu cheguei inté inrubecê!

Mai se o pareio da Ineiz
resorvê travessá o rio...
o cumpadi avacaiô
onde é que já se viu
í vê onde a Ineiz moiô?

Mai tamém já tá veim!
Mió memo é relevá
véio ninguém bota fé
dá inté dó de arreliá
já tá mijano no pé.

O negócio é nóis dançá!
Pena que é di brincadera
que pra vos sê bem sincera
si é verdade verdadera
nóis num guenta essa esparrela!

24- Simpatia
Marília Bechara

Escrevi na bananeira o nome dele todinho!
Pensei dar certo a mandinga  que acabou
Em brincadeira moiada com muita pinga.
Na quadrilha sem pará dei de "dançar" ,
Fui assada na fogueira me achando ser a tar!
Comi foi pé-de-moleque ficando empassocada.
Vendo tar enganação, estando embananada,
Recorri prá São João e até hoje o marvado,
Largou eu neste penar memo tando pindurado!

25- Caipira num é boba!
Nhá Ilze Soares

Eita trem bão,
a tar festa de San Juão!
As muié dançano a noite inteira
num rastapé sem fim.
Fico ai oiando a fugueira,
que muié cum muié num é pra mim...
Rezo memo é pra achá um pareio,
mai isso nem santo casamenteiro
deu jeito!
Vou agora rezá pro ano que vem,
quando nóis aqui vortá,
ieu venha cum moço bem feito,
qui queira memo é casá!
Nóis é caipira mai num é boba,
num quero home só pra namorá.
Queru 10 fio tê,
lavá,passá e cuzinhá,
noitinha deitá na rede pra balançá
e mai fio nóis fazê!

26- Tô intrando aqui tumém!
Nhô Cherôso
Rio

Tó intrando aqui tumém
Qui a quadria tá quentona
A muierada tá sorta
Cada quá mai animada,
Cada quá mai cafungada
de prefume e de batão
Vô ficá aqui qui é bão.

Hômi qui neim ieu cheroso
Logo arruma uma cumadi
Prá rodopiá no arraiá
E ieu dô beju nu pescoço
Dessas cumadi fogosa
Tumém num guentu o chêro agostoço
Qui elas sorta no biente
Fico todu saliente
Qui neim um burrão adengoso.

27- Chá di cadêra
Cumádi Watfa

Tô cuns trazêro massadu
di tantu isperá na cadêra...
Num veim ninhum açanhadu
módi nóis si ajuntá na fuguêra

Meu santim mi ajudi aqui
traiz já um hômi pra mim
vô ficá munto vexada, ih!
si num tivé candidatu afim

Meus pé já taum coçanu
tô rupiada nas canela di friu
custurei muntuêra de panu
da xita num sobrô um fiu

Já rezei pru Santantônho
eli num mandô nada pramim
a cara num sei ondi pônho
ficá sortêra já é meu fim...

Vô mi apegá indagora cum
Saum Juão, qui vai tê dó di mim
eu perciso mesmu é di carqué um
presse vexami mi largá mucadim...

28- (Cumadi Rose pelano de braba)
Rose Arouck

OI CUMADI TERE,
CADÊ MEUS VELSOS?
ME PUNHARAM PRA FORA
DO ARRAIÁ MÓ DE QUE?
TUMEI MUITO QUENTÃO
E FAZI CONFUSÃO?
ORA ESSA CUMADI
VIM TUMÁ SARTIFAÇÃO
O PÕI MEUS VELSOS DE VORTA
O VOU FALÁ CUM SÃO JUÃO.
KKKKKKKKKKKK

BEIJINHOS
DA CUMADI ROSE@

29- Carma Cumadi, o trem tá duro rs
Terê das Bêra Mar

Se aquiete mia cumadi
num si istresse, num si irrite
isso faiz mar pá pressão
dá crise de pendicite
seus velsinho já tão cá
vão saí já viajá
num careci tê chiliqui.

Contece que onti foi sexta
dia da nossa balada
que dispois já chega o saldo
e vem tudas netaiada
das treis viúva santista
que são tudo boa bisca
só o defeito é a cervejada!

30- Esperançosa do Arraiá
Rose Arouck
 
Nessa festa animada
Eu tombem vou me espaiá
Já tô toda enfeitada
Pra mó de um cacho arrumá.

Deixei o santo em casa
De cabeça para baixo
Se ele deixá crio asa
E cum certeza me acho

Num adinta zoiá torto
Pra mode me azará
Tô de oio no zifrildo
Cum ele vou me ajeitá.

Vou sarta logo a fogueira
E bebê muito quentão
Não espero a noite inteira
Pra sortá o meu rojão.

31- E ieu aqui
Célia Jardim


Oia só que coisa chata
tá todo mundo indo pro arráiá
e ieu aqui parada
sem podê me levantá

O baruio da sanfona
me faiz mexê ca iscadera
mai ieu num posso nem sonhá
em ir pra forrozera

Uma dor danada nas cacunda
qui dói inté na bunda
essa tar de coluna tinha qui incravá
bem na hora di i pro arraiá?

Já pidi pro Santo Antõe
mode ele num mi castigá
me discurpá a arsença
e num me dexá sem casá

Memo cum dor nas cacunda
sem dançá nem bebê quentão
ieu vô é fazê minhas reza
e apelá inté pa São Juão

32- Agora é Sanjuão, peçoár!
Pedrinho Goltara

Sí u cuvíte istá xegâno
È pusquê o trem é bão,
Já paçô o Santantônho
Agora é óra du Sanjuão,
Eu capríxo nu purtuguêis
Pá módi falá cum ancêis
Num perdê a féstia não!
 
As muié mêi inferrujáda
Quí nada inda arranjáro,
Improráro au Santantônho
Máiz us pidído istraviáro,
Pedi ôji pro nóço Sanjuão
Êli é um santím munto bão,
Umas muié, us ômi incontráro!
 
Eu tênhio muntas muié
Puriço uma ora vô dançá,
Num vêim cum óia a cobra
Cobra é muié quí vai oiá,
To pençâno é nas batáta
Quí cumí na ôtra data,
Pru fuguetóro acumpanhá!
 
V.Velha/ES
pedrinhogoltara@bol.com.br

33- Mia História
cumadi Debra- Lydia

Hoje é sáudo dia di tomá banho
fui cedinho nu riachu pa mi lavá
pruque no arraiá vai tê festança
i eu quero ranjá um caboco pa namorá

na festança tudas muié tava rumada
cada vistidu di chita mai rodado
ieu tava cum vregonha munto acanhada
tudas elas cum namorado

ieu casi chorano pruque num tinha par
tudas muié dançanu i ieu suzinha
cumadi  Rosinha rodava a fogueira
co Zé, toda formosa e facera

intão cumecei pidi pa são João
mandá um home pra eu amá
cacei aqui cacei ali sem solução
mai derepente são juao atendeu meu pidido...
apareceu um home sacudido
O Zé Muxiba du Arraiá!!!

34- Arsdespeite dirço
Véim do Arraiá

Ãããã a cumadi Debra
Nunca teve nada em riba
Prá carquer côusa requebra
Inté praú o Zé Muxiba... rssss

Ieu sô um Véim arretadu
Cum us jôei intêrão
Danço calango e xaxadu
Na noite de São Juão.

35- Fogueira de São João
Ângelo Martins -BA
 
Bastava uma fogueira
Com dois galhos de caroba
Um casaco de flanela,
Era meu mundo, era a aurora.
 
Um colorido balão subindo
Para alcançar o infinito.
A chuva em pingos finos,
Festejando a noite
E a alegria dos meninos.
 
São João quanta alegria
Dos meninos brincando
Em volta da fogueira,
Um balão-beijo ganhando.
 
Vou guardar para sempre
Esta imagem na lembrança,
Que se tornou tão ardente
Nos meus tempos de criança.
 
De uma rústica fogueira
Com dois galhos de caroba
Com suas folhas a estalar
E o  menino sentado
Vendo a fogueira queimar.

[Véim do Arraiá de novo? (avacaiá não, Véim)]
36- Óia a Chuva!!!!
Véim do Arraiá (atrás da môita)

Óia a Chuva!!!! ( que mentira...rs)
Gritrei irço prá avacaiá
Só prá vê o Zé Caipira
Corrê qui neim um gambá...rs

A cumadi, Inhá Sarita,
Tumém çumiu do quintá
Pulô qui neim u'a cabrita
Cum mêdo de si moiá...rssss

Zantonho roda chapado
Dá priruêta no ár
Largô a muiê de lado
Ieu vô garrá iela lá.. rsss

Esçis hômi num quié nada,
Só qué chupá nu quentão,
Vô infiá nerça jugada
Prá ieles vê o quié bão...rsssss

Ieu sô um Véim fédazunha
Façu cafifa na brasa
Trocendo prú Chico Cunha
I adismaiado prá casa...rssss
Prá muié dele, a Reimunda,
Qui já mi óia e mi isbarra,
Ví sacudino as cacunda
I mi bejá nerça farra... rs

37- Qui tá?
Luiz Poeta ( Luiz Gilberto de Barros )
Às 21 h e 1 min do dia 23 de junho de 2007 do Rio de Janeiro

Condeuiscrêvo essas prosa
Quiucoração vai ditanu,
Essas muié bem formósa
E linda vão minspiranu...

Ieu sô poeta i rabiscu
Arguns versinhus di amô
É como si uns hibiscu
Naiscêssi viranu frô...

Tu qué sabê, ieu tiixpricu:
É argu ispirituá
Qui surgi cuandeu misticu
Pra vê meu amô passá.

I angóra qui essas cuadría
Bunita di São Juãu
Vãu cunvidanu as famía
Pra sortá fogu i balão...

Ah... ieu adóru, cumádi
Pulá fuguêra i bestá
Qui tar largá u cumpádi
I vi cumigu dançá ?

38- Teclar no Céu
AMASardenberg 

Encomendei meu pc,
Da morte não tenho medo,
Será pago à prestação.
Quem me vendeu foi São Pedro,
Com aval de São João!
 
Quando estiver lá no céu,
Se é que lá vou chegar,
Não quero viver ao léu,
Vou fazer até cordel
Para me comunicar...
 
Mandar e-mail pro arcanjo,
São José, São Benedito
Pois com fé, eu acredito,
Perdoarão meus arranjos,
Embora não sendo anjo
Também não sou um malquisto...
 
Reconheço que a net
Afastou-me do povão.
Quem vai levar o caixão?
Quem vai tocar a sirene?
O poema de Irene
Alertou-me pra questão.
Como sou homem de fé
E não me acomodo não,
Se não me levarem na mão,
Vou sozinho mesmo a pé!
Mas eu não fico enterrado,
Nem de pé e nem de mão,
E agora grito com fé
_ Viva nosso São João!
Que é santo de devoção!

39- Sãu Juãozinho 
Mercília Rodrigues

Sãu juão , meu santinho,
amigo di Tonho e Pedro.
santo pra tudo ladu,
festa , fogus e forguedo !

Moça bunita e cherosa,
cumadi pulanu a foguera!
O ligero Zé da roça,
faz roda de brincadera!
 
Arrastapé, sorta rojão,
muié enfeitada di flô,
home bebenu quentão,
ispera a vez du amô.

Alegria di toda genti,
beleza e cantoria,
o povu fica contenti
até nu raiá du dia!

Araçatuba, 23/6/07

40- Brasa pá pisá
Comadi  Granzoto

Botei meu vistido de chita
Nas trança ponhei fitas
Nas face muito corada
Inchi de pinta de sarda.
Intão fui pra festa no arraiar
Tinha que a fugueira pular
Além de dançá a quadria.
E a gente serria tantu
Caquelas maravia!
Doce de minduim,
Passoca, pipoca, pinhão
Inchia meus zóio e quiria tudinho pra mim!
Biete de corassão
Cos moçu mandava
Pra que pisava nas brasa!
Tinha qui ta discarço
I quem queimace os pé
Era gente de poca fé!
Êta tempos bão
Das festa de São João!

Arapongas-PR

41- Ardiscurpa São Juão!
Acebíadi da Conceição

Êta festança aprumada!!!
Chei de gente e muierada,
E qui sanfoneiro bão.
Pucha um fole arredondado
Ieu pulo qui neim alazão
Cu’o sarto do meu sapato
Ieu façu buraco no chão.
Vô garrá uma cumadi,
E bejá na boca dela
Até ela fica branguela.
Vô tira meu chapelão
Si ieu murrer num vô pró céu
Vai tudo prú beleléu,
Asdepois que bibi quentão
Tô chei de már inteinção,
Mi ardiscurpa São Juão!

42- Inbigada no forró
Nhô Expedido

Di tantu bebê e metê o ôi
Já istou inté zarôi
Êta cumadada boa, sô!
A môça mi óia tanto
Será qui é pra eu ou prú santo?
Tumém mi chamu Juão,
Vô fingi qui é cumigo,
Ieu vô incostar meu inbigo
Nu inbigo dela nu chão.
Isdepois si tive maridu,
(Ieu sô um cabra atrevidu)
Dô nele um tapa de ôreia
I si a coisa fica feia
Ieu levá um piscoção
Ieu corro qui nem um cão,
Bem feito prú valentão!

43- Jeca Francêis
Nhô Robespierre Frôzão

Êeetha agora ié minha veiz
As cumadi vão mi vê,
Ieu prenuncio francêis
Jê parlê anarriê!
Ieu sô jeca arrequintado
Dançu balé nu tabrado
Já viajei na zoropa,
Quadria é dança de pobre
Ieu sô ú caipirão nobre
Tudo qui vié nóis topa,

Muié teim qui sê cherosa,
Iguá a butão de rosa,
Qui u ôtro butão chêra mal
Iguá rabo de animál
Prurisso qui a Sinhá Tonha
Chêra azêda iguá parmonha,
Prá minha cumpinsação
Inhá Chica Canceição
Tem chêro de tentação
Dibaxu du sertião.

44- Vamu nerça...
Cumadi Guida

Qui bão ti ve toda prosa,
qui nem mosa dengosa,
dansando di balançá..
Nem vo aqui falá.
dus moço que vesgo fica,
zoiando as tuas gambita,
sartando qui nem pião,
qui aqueci u corasão..

Mai bem que a miga vi,
escundida tomando um biri,
entalada nu quentão,
daquelis forti du bão.
Quentando u corpu primero
pra caí no forró certero.
Arrastanu a veia sandaia,
nas vorta, levantando a saia!

Puis nun é dimais, cumadi Tere
qui nóis tudu gosta di sunce;
acubertada di aligria
mais di mió qui a mió fulia;
invento tãu boa festansa,
i xamo todu mundu pra dansa
i nóis tudo cheiu di amô,
vamu pulá inté virá flô!

Arraiá di Santus, nu dia di São Juão!

45- Eita...é nóis na festa!
Milla Pereira

Hoje é dia de São Juão
E do lado da fogueira
Nóis vâmo bebê quentão
E dançá a noite inteira!
 
As mocinha vem dengosa
Só pensano em namorá.
E os rapaiz só vem cum prosa
P’ras muié eles pegá!
 
Os pai das moça é fera
Se pricisá eles resorve.
E acaba cum as paquera
Nas ponta de um revórve!
 
Mais vamo só se divirti
Cumê mio e pamonha.
Batata quente e piqui
Cum arroz da Tia Tonha!
 
Publicada no Recanto das Letras:
http://recantodasletras.uol.com.br/visualizar.php?idt=538781
http://www.millapereira.prosaeverso.net/

46- Festança de São João
Socorrinha Castro / Florzinha

Como é gostoso se ver
os festejos de São João,
nas noites do meu sertão
alegrando o coração.

O céu, enfeitado de estrelas
e cheinho de balão,
o vento, embalando as bandeiras
na maior animação !

E o sanfoneiro animado
puxa o fole sem parar,
chamando o sertão inteiro
pro  xote também dançar.

Tem moça com cabelos de trança
e  com vestido de chita,
tem caipira com chapéu
e até gravata de fita.

E ao redor da fogueira
tem moça namoradeira,
implorando à Santo Antônio,
o santo casamenteiro,
que lhe mande um par de calças,
rico, bonito e solteiro !

No terreiro iluminado
pela luz da fogueira e do luar,
a poeira vai subindo,
com os casais agarradinhos
ao som do xote à tocar.

Eita festança arretada
que não deixa ninguém parar,
e até os donos da festa,
São Pedro, João e Antônio,
lá do céu ficam a cantar !

JP - PB - Brasil
www.socorrinhacastro.com.br

47- Festa caipira
José Ernesto Ferraresso

A festa vai começá,
Até o dia raiá,
Nóis vai tomá quentão,
sem fazê confusão.

A quadria vai começá
nóis vai se achegá,
Prá mode de nóis vê ,
O povo todo dançá.

Dança par cum par,
Um homi, uma muié,
O padre também dança,
Fazendo uma lambança.

O sanfonero vai tocá,
 Pra mode nóis dançá,
A festança so vai terminá,
Só quando o sór raiá.

Serra Negra

48- Arraiá de São João
Fátima Moreira

Onti, tava ieu anssim mei tristi
Quando recibi um conviti,
Pra ir festejá num arraiá..
-Vô não, falei logo,
Mai dispois pensei mió...
-Mi ispera gente, qui ieu tumém vô!
Num mi rependi,
Que festança boa, sô.
Que arraia cheinho de gente!
Gente di tudu jeito,
as muié tudu charmosa,
di vistido de chita rosa,infeitadim di fita.
Os cabelo di trança, cada uma quereno sê
a mais bunita da festança.
Fuguete, num teim não,
Que é pra mode num asustá as criança,
Que tá tudu danada jogano traque nus pé das moça.
Os homi tudo aprumadu, camisa xadreiz,
butina das mió, chapéu infeitadu di flor,
tudo doidim pra cumeçá o forró.
E a quadrilha, intão? Que belez...
Vinte casar, encarriadim.
E era um roda pra lá, roda pra cá.
Travissê, balancê...Óia a cobra! É mintira!
Di aligria tudu mundu contagiô...
Um incontro di amizadi, cum muita filicidadi.
E a tristeza? Uai, sô, nein lembrei mais...

49- Salve Santotonho!
Jão Cornélio do Arraiá

Óia a sanfona no tom!...
O Santotonho é festeiro,
Dezem que é santu do "bom",
Que é santu "coisamenteiro".
 
Que ele apõe tora na brasa,
Taca fogo indiz amém,
Na muié qui não si casa
E na casada tumém...

Que a moça larga a bruneca,
(Senti crosquinha no trem)
A muié fica sapeca
Quereno ganhá neném...

Que Santotonho buzado!
E neinguém sabi o pruquê
Faiz oispôso e o nermorado
Tumá xifre sem querê!

50- Vacaia não Santotonho!
Nhô Tadinho do Arraiá

Ieu agora só arrezu
Prú Santotonho, mai nada!
Né qui eu seju preversu,
Queru é arrumá nermorada.
 
Tôxei de fogo nas vêia,
Mái apagô  meu fugão...
Drurmo de cabeça cheia
E sem muié no corchão.
 
Nesse frii qui tá na roça
Sinto farta dum pernão,
Duma cabrôca adengosa
Pra mi botá safadão...(rs)
 
Santotonho: óia esse crente
Num guenta mais arrezá,
Meus juêi já tá drumente
De tanto me ajuieiá...
 
Vacaia não meu Santão,
Eu fassu prumeça cum fé,
Já tô ficano na mão
Traiz adispressa ua muié!
 
Sieu fazer uma besterada,
Cá vaquinha Salomé,
E óia que essa danada
Vem na hora qui eu quizé.
 
Juro que a curpa né minha,
Jogo a curpa no sinhô,
Arrezei fiz ladainha
E de nada andiantrô.

51- Frô da Paxão
Iranimel

Mor meu!
Hoji acordei bem cedinhu
Ca sardadi batenu nu peitu,
Pidinu p'reu lhe dizê,

Qui ocê é munto especiar,
Inté pareci anju di candura,
Sua arma é tâo pura,
Qui nem os orvaio da manhã!

Mor meu!
A sardadi duia tantu,
Qui dus zóio meu, os prantu,
Inté cumeçaru a iscorrê.

Nessa hora, alevantei da cama,
Fui ixpremê cardu di cana,
Pá refrescá a cabeça.

Adespois mi deu a lôca,
Intão saí disimbestada
Pió qui a vaquinha maiada.

Arrodiei a roça intera,
Pensei um monti di bestera,
Cum medu di lhi perdê!

Adespois qui mi acarmei,
Prantei árvori in vorta da casa,
I tomém um roserar!

Pruquê, Mor meu,
Adespois qui lhi conheci,
Conheci tomém a frô da paxão!

I sem pensá  prantei ocê,
Bem drento do meu coração.

52- Reza pra Santotonho
Maria das Dô

Ieu tumém vô fazê reza
qui tô chei das intenção
pois a muié qui si preza
tem marido bunitão
Priciso arrumá dispressa
um noivo bem inducado
vô mandá uma remessa
pro Santotonho danado
Pra ele rumá pra mim
um casamento aprumado
cum festança no arraiá
de rapadura e melado
nada de batata doce
issu num é indicado
sinão na hora das coisa
vô tê qui virá di lado
arrisco a perdê o noivio
antes mermo do xaxado
E aí num tem Santotonho
que arrezorva esse babado .

53- Afrição de Véi
Véim do Arraiá

Êita  o trem aqui tá bão
 Ieu qui já tô cum nuvrenta
Vô intra na confusão
Qui meus juêi inda güenta

Santotonho é da fulia
Inhantis qui a muiezada suma
Vô dançá nerça quadria
Até ieu arrumá arguma.

Zé Muxiba, chupa um árcôô...rsss
Já num fica neim de pé,
Ieu sem ninhum recarco
Passu a mão na sua muié....rsss

Cumpadi Tõe Pé de Varsa
Piorrô nu chão, chapadim,
In borrô o fundu das carça,
Vai sobrá muié prá mim!... rs

Santotonho qui mi ajude,
Xi não ieu mudu de santo,
Queru garrá na Gertude
E alevá iela num canto.

Ieu cumprei butina nova,
Ieu sô véi, mai num sô baiola,
A muié do Pé-na-Cova
Tá inté mi dano bola.

Num arrespeito nem cumadi
Ié hoje qui vô mi esbardar,
Tô cum fogo nus trumati
Ieles vai se incuzinhar...

Uííí, Santotonho dorado!!!
Que vixame, que isculaxo,
Inheu fiquei tão assanhado
Que mijei nas carça abaxo!

54- Poesias recebidas
Cumadi Faceira
Cumadi Mariazinha - Angela Stefanelli

No dia de São João,
a festa num quero perdê.
Com novo vistido bobra e roxo
adornado cas fita e renda,
é só chegá e encantá!
 
Quano a viola e a sanfona tocá,
vô dançá inté o sor raiá!
Zé Corinto, arretado seresteiro,
Vai pro mim se paixoná!
 
Do jeito que sô facera
e a mai prefumosa do Sertão,
duvido quesse ano
eu num cunsiga me casá!

55- Cabi mais um?
Regina Coeli Rebelo Rocha (RJ)

Uai, qui eu tava expiano
num sabia cumu entrá
Aí risulvi, fui entrano
Gora, qui bom, já tô cá.

Achei um vitidim cum roda
Preu muintu rudupiá
Num é bem pruma sinhora
Mas foi u qui pudi incontrá.

Vô dançá essa quadriia
lembranu us véiu tempu
trusse cá o Abdia
Hum hômi pra sê meu pá.

Cum tanta muíé suzinha
Num havéra deu arrumá
purissu já vim cumpanhadinha
Qui é menus uma pra disputá.

Vim cá modi mi relembrá
Da festa di Sum Juão
Cum balão nu céu a enfeitá
Pra mantê a tradição.

Eu queru mi empassocá
Tirá a barriga da miséia
Gradeçu pur mi convidá
Tirano di casa esta véia.

Eu cá tô muintu fromosa
Cum toda essa genti boa
Balançanu toda prosa
Inté pareçu patroa.

Óia, eu vô ali, mas vô vortá
Queru tudim ispiá
Cumê uns minduim
Foguêra tentá pulá
Pra coisa fincá ansim
Duença? Longi di mim!
Eu queru mi isparramá
Até a culuna inturtá
Nu dia di mi interrá
Filiz eu já tô disdi já...

56- Festa no Arraial
Elizabeth Assad

O compadre ta contente,
nós tem que aproveita,
festa boa como essa,
não tem em todo o lugar.

O Arraia ta pegando fogo,
os compadres se aquecendo ,
as comadres se preparando,
e tudo vai ta fervendo.

São João que nos proteja,
São Pedro que ilumine,
Santo Antonio casamenteiro,
dê um jeito nesses meninos.

Essa festa não vou perder,
vou ficar bem bonitona,
quero arranjar um companheiro,
e deixar de ser solterona.

57- Viva São João!
Humberto – Poeta
 
Cumé bão festa junina,
Pois, véia, moça i minina,
Tudas éla entra na dança!
Nu pôntu ninguém num drómi,
Us cabôco mata a fómi
I túdu múndu ênchi a pança!
 
Eu vô  cumê uma canjica
C’a minha cunhada Chica
Mais a cumádi Zabé...
I adispois di um bão quentão
Eu vô vê si inda to bão
Pra caí nu arrasta-pé!
 
U Tonho puxa a sanfona
I a Bilica sorterona
Sórta prá Zéfa as fofoca...
Dissi qui viu u Zé do quêju
Na Candinha pregá um bêju
C’os bêiçu chêi di passoca!
 
Da fia du Zébedeu
Tudu mundu iscafedeu
Co’a farta di inducação!
Adispois qui arregalô-se
Di pinhão, batata dôci,
Garrô di sortá rojão!
 
I tântu fidia aquilo,
Nas venta, nus gragumilo,
Qui dava inté cumichão!
Mai dêxa u fedô pra lá,
Vâmu São Juão festejá
Cum rojão o sem rojão!

58- Hoje acordei co'a certeza
Iranimel

Mor meu!
Na passarela da Roça
Quano o raio do sor alumia,
Ar rveis eu garro a pensá
Que Deus tomém é puesia!

Os verso que ele faiz cada dia,
Nóis pode lê na natureza!
E órvindo os pássro, inté pareci
Que seus canto é ua preci...

Inté as manhã di chuva
É image doce como quê!
Causo que lava as foia, e as frô desabrocha
Aprefumano interim nossa roça.

Hoje acordei co'a certeza
Que Deus inviô ocê pra eu,
To achano que o céu ta mais alumiado!
Ô intão darveiz seje pruquê cum ocê

Tudo os dia é dia dus namoradu.

59- Pedido aos Santinhus
Tânia Sueli Oliveira

Queru qui o ceis mi iscuitem
pruquê eu vo pedi qui o ceis
meus santinhus queridus
tragam paiz neste mundu,
em todos os continentes !

Queru qui o ceis oiem bem
por todas as  pessoa desamadas
qui vivem pelas carçadas a pedir
qui tenham abrigu , o qui cumer,
o qui vestir e muitu carinhu !

Queru qui os ceis protejam
us coração das sinhazinhas
qui si enamoram, apaxonam...
pra qui elas encontrem
o amor di suas vidas !

Queru qui o ceis cuidem
dus veinhus e das criancinhas
qui tao abandonadas , suzinhas
neste mundao de meu Deus,
sem carinhu, amor, compaixão!

Marília _SP_09/06/07

60- Amô ansin é bão
Marcial Salaverry

Bão meusamô...
socê qué meus carinho,
i nóis tá bem pertinho,
é só si achegá,
qui nóis pode simbolá...
num vai nem dos pingão percisá...
arremexe as cadera,
qui essas bestera,
é maimiódibão di fazê...
cagente intera como quê...
Adispois di dançá,
si nóis si incitá...
faço teuszoinho si arregalá...
di tantu gozu qui vô ti dá...
vem bem... podi si achegá...
tô aqui a ti esperá...
socê vem, num vai,
inóis fica nessi vem i vai...

61- Festas Juninas
@liosh@**/CIG@N@**

Valei-me Santo Antonio, São João,
São Pedro, nossos santos juninos
Tem fogueira, quentão, balão e rojão
Dê-nos em troca lindos meninos

Temos rezado a tantos santos
Pedindo com tanta fé carinho
Simpatias, súplicas e cantos
Por um amor gordo ou fininho

Atendam urgente nossos desejos
Namoro, noivado e casamento
Selado com muita festa e beijos
Colocando fim aos confinamentos

Bigodes e cavanhaques nos meninos
Alguns até de costeletas, feitos á carvão
Trancinhas nas meninas em fascínios
Babados, rendas ,flores, risos de paixão

Nos onze  meses do ano esperamos
No mês de junho atendimento urgente
De prontidão todos a postos estamos
Cada uma com o coração feliz e confiante

Se precisar pulamos fogueira,
Em penitencia faremos orações
Soltaremos  rojões  a noite  inteira
Prometemos não cair em tentações

Falo por mim agora ,santinhos
Ano que vem não contem comigo
Arrumem logo os doces meninos
Quero um amor, dispenso o amigo.

Bragança Paulista
24/06/07_23/20h

62- Sun Pedro
Thereza Mattos

Qui sardade das festa do arraiá
nas noite di Sonto Antonio, Pedro e João
eu me prumava toda, pra mor de conquistá
alguem pra mi cazá...

Um moço facero
com um lindo dente de oro
bota lustrada, que uzasse chero
lenso xadreis no pescosso
com briantina nos cabelo...

Fiquei perlto da fugueira
pra mor di mi esquentá do frio
i eu toda facera
cum meu vistido de babado
tudo de fror pintado...

Entonces eu vi o Zé
eu oiei pra ele, ele oiou pra mim
achei ele tan bunito e aprumado
inté isqueci do meu tipo de home
i quis ele pra meu namorado...

Oji nóis somo casado
nus paper e tudo os conforme
com uma trempa de fios
um ainda na barriga
e deis pra mor de matá a fome...

63- O sonho de Rosinha
Rosa Regis

Rosinha, cum Bastião,
Assonhava si casá
Num dia de São Juão.
E, pru isso, a rezá
Vivia a coitadinha,
Pru sonho si realizá.

Amarrava Santo Ontonho,
Pindurava o coitadim
Pela perna. Era medonho
O sofrê do tá Santim.
Inté c'um dia fisgô
Pedo, o fii do vizim.

Aí, Rosa, sastifeita,
Disamarrô Santo Ontonho.
Agora, sua impeleita
Era c'o senveigonho
Du marido... qui s'ajeita
C'a fia de Seu Bitonho.

Bem feito, pra tá de Rosa!
Ela bem pudia tá
No seu cantim, bem chaimosa,
Sem pricisá siamarrá
Casano c'aquele prosa
Qui nenhum valô li dá!

Quarqué semeiança é pura cuincidença.
Natal/RN - Brasil

 

 

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