O que pensam as pessoas, sobre chegar-se aos cinquenta anos?
          Depende muito da idade de quem está pensando.
          Para uma criança de 10 anos de idade, chegar aos 50 anos, é ser, incontestavelmente, avô ou avó de muitos netinhos.
          Dar bons presentes no Natal, ser deixado de lado nas festas de aniversário porque são lugares onde geralmente tem muito barulho e os avós nunca gostam do barulho que as crianças fazem, mas mesmo assim, são eles que compram os melhores presentes, ou pelo menos, os que o neto mais gosta, ainda mais se as roupas puderem ser compradas pelos pais.
          Enfim, para os miúdos de 10 anos, ter cinquenta anos equivale a ser um cofrinho, só que bem mais poderoso que o deles, e onde as moedas não fazem barulho.
          Mas e quando chega os 20 anos?
          Para os jovens de 20 anos, ter cinquenta anos é ser antiquado, ter dores embaixo, em cima, do lado, enfim, a decrepitude em pessoa.
          Estorvo: é como eles vêem as pessoas de 50 anos. As músicas e filmes que povoam as lembranças dos cinquentões não provocam aplausos nem vaias nos jovens de 20 anos, provocam algo que eles expressam com "UahUahUah", que infelizmente eu não consegui definir o que seja.
          Eles tem absoluta convicção de que não chegarão lá, ou melhor, pensam que chegarão aos 50, com o vigor dos 25, é mais ou menos isso.
          A grande maioria acha também, que as mulheres de 50 anos são muito mais velhas que os homens da mesma idade, principalmente se os homens tiverem cabelos grisalhos e se parecerem com o Antonio Fagundes ou Richard Gere.
          Mas tem a turma dos trinta.
          A avaliação dos cinquentões melhora consideravelmente aos olhos dos que têm 30. Não são mais tão velhos, passam a ser "maduros".
          Afinal, começa-se a aceitar a idéia de que todos, crianças ou não, vão ter que encarar o "maledeto" 50, mais cedo ou mais tarde, dependendo de como for a vida. Se ela estiver boa, passa como um raio. Se as coisas se complicarem, arrasta-se sonolenta e desesperadoramente.
          Mas, lentamente ou não, chegamos à turma dos quarenta.
          Para esses, ter cinquenta é ser menino ainda, principalmente depois que o "rei" Pelé lembrou a todos que a vida começa aos 40.
          É mais ou menos nessa época, nos 40, que descobrimos o espírito. Sim, porque a partir daí, precisamos dele para dizer que ele não envelhece, que tudo depende de como você encara a vida, que ser jovem é um estado de espírito, e "blá blá blá". Só "blá blá blá" mesmo, porque as rugas estão lá, traiçoeiras e atrevidas.
          Você pode esticar feito a Glória Menezes e parecer que está rindo, quando está chorando, mas eu ainda sou de opinião que é melhor não bolinar nas danadas das rugas, porque quanto mais estica, mais o caldo entorna, essa que é a verdade.
          Mas o designativo "menino(a)" é a marca registrada dessa idade, porque eu garanto a vocês, que nunca fui chamada de menina tantas vezes, como na última década.
          E agora vou chegar aos 50... já estou na contagem regressiva, se é que se pode chamar assim. Então, eu mesma vou dizer como é ter 50 anos, para quem está quase lá...
          Você acorda de manhã, cara amarrotada e feia, porque todo mundo é feio com 50 anos de manhã, olha para o espelho, com cara de poucos amigos, pensa um pouco, só um pouco e diz lá com seus botões: -"Putz, você já viveu um bocado, hein?!"
          E sai pra vida, como se tivesse 20 anos...

              Santos, 21/11/2004_2:50 hs

 

 

Crônicas

Principal

 


© Copyright 2004
por Terezinha A. Penhabe®
Santos . SP - Brasil
Todos os direitos reservados ®.
Não pode ser utilizado sem permissão do autor.