O Ser Humano
de Tere Penhabe

Porquê somos seres tão controversos...?
Porquê desperdiçamos tanta vida discutindo o "sexo dos anjos"...?
São perguntas que me rondam em dias de reflexão, em dias que não compreendo algo que vejo, que sinto, que sofro...
Se eu amo a vida e o ser humano, se sou grata por estar aqui nesse aprendizado tão precioso que é viver,  porquê sinto necessidade de justificar meus atos, porquê nem sempre compreendo os atos alheios, diante de contradições tão gritantes que me abordam?
O ideal seria concordar plenamente com o rico legado de Shakespeare:
_"To be or not to be... that is the question". _
Parece incontestável, porém nem tanto... ser ou não ser, nem sempre é a questão... porque somos hoje, o que gostaríamos de ter sido ontem, o que não conseguiremos ser amanhã, e a verdade passa a ser transitória... ou não?
O nome de uma comunidade que eu participei, "Nossas verdades são só palpites", da qual me desliguei por não aceitar as diretrizes colocadas e impostas aos participantes... seriam elas corretas? Teria eu, cometido mais um engano?...
Segundo o mantenedor da comunidade, se não houvesse consenso absoluto sobre o que ele colocava, então não existiria a verdade, por isso me senti na obrigação de me excluir, porque não poderia aceitar que para acreditar no amor, todos teriam que acreditar também... mas será que era eu que estava errada, e a minha verdade não passa de mero palpite?
Voltando ao nosso tema... o ser humano...
Se a memória é o pico, o núcleo central da antropologia, porque nos comportamos de maneira diferente daquela que aprendemos, porque não somos fiéis à nossa memória em todos os momentos da nossa vida?
Se SOU um ser que acredita no ser humano, não deveria me decepcionar nunca, porque a crença seria um componente básico meu, do "ser ou não ser" que habita em mim... mas não é assim... e então eu tenho que mudar, ser outro ser, não ser mais o ser que eu gostaria de ser.
Imagino que os sábios, pensadores, as grandes mentes brilhantes que habitaram o mundo, não tinham dúvidas como eu, porque tinham a sabedoria que Deus lhes deu, e não deu a mim... mas porquê, se eu queria tanto!?
Seria simplesmente pelo que eu li num blog* outro dia,  que me fez parar para pensar em tantas mensagens de auto-ajuda que leio e acho brilhantes, mas que não seriam tão brilhantes, se essa frase perdida no universo fosse uma verdade..."O querer é seu...mas o Poder é de Deus".
Mais do que qualquer riqueza deste mundo,  mais do que fama,  glória, realizações pessoais e profissionais, o reconhecimento por algo que eu faça com dedicação e amor,  mais do que ser amada, que é algo que sempre cito em meus poemas... eu queria simplesmente ser sábia!
E tudo o mais, estaria incontestavelmente resolvido.
Mas tenho que admitir que nesse momento, pelo menos para mim, um ilustre desconhecido foi mais brilhante que Shakespeare, porque o querer é meu, mas o poder é de Deus... e ele não me deu a sabedoria que almejo.
Se você leu até aqui, verá que a minha crônica não teve conclusão satisfatória, como eu gostaria que tivesse.
Peço desculpas se não encontrar nenhuma valia no que leu, mas declaro-me inocente porque... faltou-me sabedoria.

Tere Penhabe
Santos, 09/12/2006

 

* blog citado no texto: http://verbo-pai.blogspot.com/2007/04/o-querer-meu-mas-o-poder-de-deus.htm

 

 

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