Entre o sono e sonho,
      Entre mim e o que em mim
      É o quem eu me suponho
      Corre um rio sem fim.

      Passou por outras margens,
      Diversas mais além,
      Naquelas várias viagens
      Que todo o rio tem.

      Chegou onde hoje habito
      A casa que hoje sou.
      Passa, se eu me medito;
      Se desperto, passou.

      E quem me sinto e morre
      No que me liga a mim
      Dorme onde o rio corre -
      Esse rio sem fim.

Fernando Pessoa, 11/09/1933 

 

  

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