Por seres quem me foste,
grave e pura
Em tão doce surpresa
conquistada
Por seres uma branca
criatura,
De uma brancura de manhã
raiada.
Por seres de uma rara
formosura
Mau grado a vida dura e
atormentada
Por seres mais que a simples
aventura
E menos que a constante
namorada.
Porque te vi nascer, de mim
sozinha
Como a noturna flor
desabrochada
A uma fala de amor, talvez,
perjura.
Por não te possuir, tendo-te
minha
Por só quereres tudo, e eu
dar-te nada
Hei de lembrar-te sempre com
ternura.