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No desequilíbrio dos mares, As proas giraram sozinhas... Numa das naves
que afundaram É que tu certamente vinhas.
Eu te esperei todos os
séculos, Sem desespero e sem desgosto, E morri de infinitas
mortes Guardando sempre o mesmo rosto.
Quando as ondas te
carregaram, Meus olhos, entre águas e areias, Cegaram como os das
estátuas, A tudo quanto existe alheias.
Minhas mãos pararam sobre o
ar E endureceram junto ao vento, E perderam a cor que tinham E a
lembrança do movimento.
E o sorriso que eu te levava Desprendeu-se e
caiu de mim: E só talvez ele ainda viva Dentro dessas águas sem fim.
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