Ando a procura de espaço
        Para o desenho da vida.
        Em números me embaraço
        E perco sempre a medida.
        Se penso encontrar saída,
        Em vez de abrir um compasso,
        Protejo-me num abraço
        E gero uma despedida.

        Se volto sobre o meu passo,
        É já distância perdida.

        Meu coração, coisa de aço,
        Começa a achar um cansaço
        Esta procura de espaço
        Para o desenho da vida.
        Já por exausta e descrida
        Não me animo a um breve traço:
        - Saudosa do que não faço,
        - Do que faço, arrependida.

 

 

 

CECILIA MEIRELES

Menu Imortais

Principal

 

  

 © Copyright 2005
Santos . SP - Brasil
Todos os direitos reservados ®.