Estou vazio com um salva-vidas, sem vida,

flutuando

sobre o mar

 

Há um rádio não sei onde, acenando

uma alegria distante

e inútil

à minha angústia sem remédio.

 

A noite perdulária esbanja estrelas

e não percebe que me oprime,

eu, que não posso sorve-la ,

eu, que estou em solidão.

 

A lua é um exagero, e faz mal aos meus nervos,

golpeia a minha face para um duelo de amor

que ficará sem resposta.

 

( do livro "A  Sós..." 1a ed. 1958 )

 

 

 

J. G. DE ARAUJO JORGE

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