Feito de expectativas
                  já quase dilaceradas
                  você chegou lentamente
                  como quem não busca nada.

                  E se apossou sem rodeios
                  dessa terra de ninguém
                  fez nela a sua cabana
                  até com certo desdém.

                  O tempo foi consumindo
                  diferenças que existiam
                  um poema inacabado
                  feito para outro alguém.

                  Naquelas tardes fagueiras
                  nossos corpos repousavam
                  à sombra das laranjeiras
                  onde pássaros cantavam.

                  Não havia o que esperar
                  era ocaso em nossas vidas
                  os sonhos todos quebrados
                  nas longas noites perdidas.

                  Mas quem não acreditar
                  que chegue perto para ver
                  de um milagre ou ilusão
                  fez-se o nosso bem querer.

                  E a noite foi se afastando
                  fingindo não acontecer
                  o ocaso se transformando
                  num novo dia a nascer.

                  E a terra de ninguém
                  esse meu louco coração
                  hoje pertence a alguém
                  não vive mais de ilusão.

                  Agora abriga um amor
                  que atravessou a vida
                  desgastando uma esperança
                  que quase ficou perdida.

                  E num rasgo de paixão
                  como disse alguém um dia
                  fez-se o milagre do amor
                  fez-se o milagre da vida.

                   

                        Itanhaém, 05/01/2004_00:26hs

                   

                   

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