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Ano novo,
estou aqui para lhe propor um acordo. Eu sempre espero muito de você, e acho
que a decepção é recíproca, porque a cada dia que passa, em vez de
rejuvenescer, eu envelheço, em vez de ficar rico, vou ficando mais pobre, e em
vez de ser amado, vou sendo cada vez mais esquecido.
Você realmente rejuvenesce, ou pensa que o faz, quando abre suas asas sobre o
mundo anunciando ser mais um que se inicia.
Mas ao contrário do que deveria acontecer com tudo que
é novo, você já nasce trazendo no colo crianças famintas, homens amargurados,
governos inescrupulosos, muito desamor e guerra... sempre guerra!
Eu duvido que se emocione como deveria, com os fogos
que são calorosamente oferecidos em sua homenagem...
Eu duvido que consiga vibrar nos seus primeiros
minutos, ouvindo a sirene das ambulâncias e o matraquear do fogo cerrado que se
estabelece entre irmãos de uma mesma favela...
Eu duvido que consiga se sentir NOVO, meu querido ano
novo.
Por isso, eu queria lhe propor que em vez de você ser
NOVO, que seja diferente, apenas diferente...
Que você plante no coração das pessoas a semente do amor. Mas que faça isso com
vontade, com determinação, não aceitando que nasça dessas sementes, nada menos
que muito amor.
Que todo ser humano, governante ou mendigo, sinta em seu interior a
necessidade de amar, de querer bem, de procurar fazer a sua parte, seja ela
governar ou caminhar à beira da estrada, sem ferir, sem abusar.
E sabe, Ano Novo... que isso fique entre nós, mas junto com a semente do amor,
alguns corações precisam de um reforço, por isso, você deve jogar
displicentemente uma sementinha de decência, de humanidade, de caridade humana.
São aqueles que detêm o poder, os multimilionários que se fartam desse mundo
como se fossem os donos, limpando os pés no resto da humanidade.
E então sim, você poderá se auto intitular ANO NOVO, e
eu poderei vibrar cada vez que você chegar... pulando as sete ondas, soltando
fogos ou simplesmente abraçando o meu irmão! Porque será, incontestavelmente...
ANO NOVO! VIDA NOVA!
Tere
Penhabe Itanhaém,
20/12/2003
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