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Fazendo
as
pazes
com
Papai
Noel de
Tere
Penhabe
Papai Noel, estou tendo remorso. Eu fui cruel demais, e sei: - Não
posso! Por isso vim aqui negociar, Como fazem os homens do poder Que
sem direito algum, sem merecer Estão sempre tentando barganhar.
Quando
lhe devotei a minha praga, Minha esperança já quase naufraga; Dezembro
lembra muito o meu passado... Tanta alegria tinha em minha casa Crianças a
fazerem algazarra, Hoje, só fado para ser lembrado.
Mas o meu coração
não é maldoso, E corta-se ao ver saco horroroso, Pesando tanto em suas
pobres costas, Sem nem ouvir sequer um "obrigado"... Que o povo agora é
mal-educado E vivem como na bolsa de apostas.
Portanto, se puder me
perdoar Eu vou ficar feliz e me alegrar E aproveitar esta
oportunidade. Para trocar o amor do meu anseio Pelos desejos que na alma
enleio Que pode vir a ser realidade.
Vou relacionar e com carinho
Os meus pedidos, mas seja bonzinho... Porque o primeiro, não posso
mudar: - O moço que diz ter olhar antigo Que por acaso é meu grande
amigo Precisa de um presente: - Se curar!
Não julgue meus pedidos,
disparates. Valem brilhantes de muitos quilates, (E a minha gratidão será
infinda) Se eu puder ver aqui na minha porta, Chegando uma esperança que
está morta, Que venha renascer numa alma linda...
E outros amigos que
estão precisando, Que a dor e o pranto estão adotando, Choro com eles sem
compreender... Que na verdade eu bem que compreendo, Sei o porquê de estar
aqui vivendo, Mas me parece muito esse sofrer.
Essas riquezas que
andam lhe pedindo, Finja que é surdo e em frente vá seguindo... Troque por
aleluia de esperanças. Porque o meu povo está mais precisando Já tão
cansado e vai desanimando, Espalhe sem miséria nas andanças.
Eu tenho
visto aí pela calçada... Finjo que nada é da minha alçada, Porque posso
tão pouco, meu amigo! Mas sem demagogia, eu gostaria De não ver essa
gente, todo dia Vivendo nesse horror que é tão antigo!
Lutar tão
bravamente e sem descanso, Por um naco de pão, recheio ranço, Como se
fosse o mais rico banquete... E os homens vis que a eles tanto usaram
Seus ricos votos sempre aproveitaram, Os deixam ao léu, num
rabo-de-foguete.
Se tiver no seu saco, a justiça... Por Deus, se
desvencilhe da preguiça, Semeie em abundância entre nós. Que essa chaga
já virou cratera, No coração daquele que a espera, Já tão cansado das
visões de Amós.
Pelas crianças, eu nem vou pedir... Sei que o seu
coração há de sentir, Quanto é triste ver os pequeninos, De sonhos e
esperanças, desprovidos Buscando arduamente, os sentidos Para tudo que
falta nos seus ninhos.
Então é isso, meu Papai Noel... (Não sei como
se chama, se é cordel...) Mas eu fiz estes versos com carinho Da melhor
parte do meu coração Foi que saiu toda essa inspiração Pois sei que nessa
lida está sozinho.
Mas não esqueça que a minha renúncia Não tem da
desistência, tal pronúncia. O meu sonho é réu absolvido! Portanto eu
cobrarei em outra vida Essa saga do amor, por mim, querida, Que sem amor,
viver não tem sentido!
Tere
Penhabe Santos, 12/12/2007
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