Sonho Novo de Ano Novo
de Tere Penhabe

 

Eu sou a mesma cigana
que acalenta o sonho teu,
que dorme na tua cama
que já sabes que te ama
porém, finge que esqueceu...

Tenho uma rosa vermelha
a adornar os meus cabelos,
tenho também a centelha
que aprecias de esguelha,
sem denunciar apelos...

Só não tenho o antigo sonho...
Que eu vi, um dia, morrer.
Mas me pareceu bisonho,
talvez um pouco tristonho
depois de te conhecer...

Eu sonhei com uma paixão...
dessas avassaladoras.
Suplicou o meu coração
quando em outro reveillon
eu passei contando as horas...

Descobri que é muito pouco.
Não me basta uma paixão!
Com ela, este mundo é louco
e o destino fica rouco
de gritar na solidão...

Pois eu quero muito mais!
Tua cabeça no meu ombro,
segredos até demais
sem nada poder, jamais
nos causar qualquer assombro...

Quero um amor comportado,
carinho e cumplicidade,
não um sonho malogrado,
que não sobreviva ao brado
dessa tal felicidade...

Meus volteios terminaram...
No brilho das labaredas,
que ainda não se apagaram,
vejo os sonhos que ficaram
que aprecio suas veredas...

Só tu, neles tem morada!
Não me apetece dançar.
Quero ser a namorada
dessa rima inacabada
que fizeste ao verbo amar!

Quero ser a história boa,
que um dia alguém vai contar.
No tempo, correndo à toa,
e sem precisar de loa,
 o prosador a inspirar...

Tenho dois sonhos agora:
- Amar-te! De novo Amar-te!
Nenhum deles vai embora,
depois dessa feliz hora,
que me ocorreu: encontrar-te!

O ano já vai morrendo...
Mas não morre o coração,
de esperanças, renascendo
tanto carinho vivendo,
que eu sei, não é ilusão!

Sonho novo de ano novo!
Saúde e Paz para o mundo!
Que eu possa ver o meu povo,
voltando a sonhar de novo
um sonho grande e fecundo!

Que sobreviva a poesia,
no coração dos amantes,
que empresta a sua magia,
à saudade e à nostalgia
do que não é como antes...

Que a Paz se faça, afinal!
Para toda a humanidade,
como a aurora boreal
que é tão fenomenal,
contagia de verdade!

E o amor... estará presente...
no mundo e também em nós!
Seja a verdade eminente,
e jamais intermitente,
como o rio que busca a foz...

 Tere Penhabe
Santos, 27/12/2007

 

  

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